

"Se tens o cruzado, Anica,
Manda tirar os sapatos,
E senão lembra-te o tempo
Que andaste de pé rapado."
Trata-se de uma coletânea de informações, trocadilhos, piadas, palíndromos, poesias, fotos e curiosidades em geral.


"Se tens o cruzado, Anica,
Manda tirar os sapatos,
E senão lembra-te o tempo
Que andaste de pé rapado."
Os verbos fazer e ter, no sentido de existir, de fazer tempo, são impessoais, ou seja, não vão para o plural, assim como o haver no sentido de existir. Já o verbo existir é regular e flexiona o plural normalmente.
Exemplos para entender melhor:
Faz um ano que vivo aqui. Faz dois anos que vivo aqui. (É o tempo que faz não os anos.)
Tem uma coisa que não consigo entender. Tem coisas que realmente não consigo entender.
Há uma coisa me preocupando no momento. Há coisas que sempre me despertaram a atenção.
Houve muitos erros no governo.
Houveram é erro feio de Português.
Havia cadáveres no mato.
Existem mais mistérios entre o céu e a Terra do que sonha a nossa vã filosofia. (Shakespeare)
Sou vidrado na origem das palavras e dos ditados. Hoje pensei em "A curiosidade matou um gato". Não consegui descobrir ainda de onde saiu esse adágio, que tenho lido e ouvido com frequência, posto que sou a segunda pessoa mais curiosa do mundo. Como não achei a origem desse ditado, inventei uma historinha para justificar outro brocardo parecido, também ficcional: "A curiosidade matou a fome de um gato". Num velho galpão, no Interior, um felino foi deixado preso, sem comida. Desesperado, pôs-se à caça pelos cantos em busca de alimento. Qualquer coisa cairia bem. Depois de muito procurar, sem nem um ratinho, ou barata ou até mesmo mosca, estômago roncando, o bichano teve a curiosidade despertada para um fio preto que se estendia de uma parte do armário. Parecia rabo de camundongo, só que mais fininho. O gato pôs-se a investigar e daí para puxar o fio foi um passo. Imediatamente a porta do armário se abriu e com o cordão preto se veio um belo queijo redondo e delicioso. E então o ditado se fez.
Outros ditados são mais autoexplicativos e não precisam de fatos ou histórias para justificar suas existências: Quem não tem cão caça como o gato. (Sem alarido, sozinho, com paciência e perseverança) Gato escaldado tem medo até de água fria. (Experiência traumática semelhante a "macaco velho não mete a mão em cumbuca" e a "cachorro mordido por cobra tem medo até de linguiça.)
Adoro trocadilhos. Não aquele de pé quebrado, incompreensível que a gente até usa nas batalhas verbais com outro amigo viciado nessa arte, o chamado trocadilho infame. Gosto do trocadilho denso, criativo, surpreendente e bem-humorado. Admiro o trocadilho que surge de repente, no decorrer de uma conversa até mesmo séria. Quando não surge um trocadilho, para combater a abstinência eu mesmo crio um, especialmente em madrugadas de insônia. Julguem-me à vontade.
"Uma réstia de luz do sol entra por um cantinho da janela e dá à sala da casa, naquela manhã,, um ar cênico. Assemelha-se ao cenário ainda vazio de uma peça de teatro. Na parte mais alta da estante, protegido das crianças, ao lado de um livro aberto, jaz um vidrinho de veneno. É arsênico. Na vida real também está para começar uma tragédia.
O
A bicicleta ergométrica, prima da original, que é aventureira, lépida e faceira, é uma espécie de símbolo da quarentena, do fique em casa, ainda que seu inventor, ou adaptador, que um dia descobrirei quem foi, certamente não tenha se inspirado em confinamento e distanciamento social forçado por pandemia. A original tem inúmeras vantagens, como o sabor da liberdade, o suave vento no rosto, bulindo com os cabelos de quem ainda os têm. Leva a vantagem da maravilha de cenário, em lugares privilegiados pela natureza. Mesmo que o ergociclista monte um telão pra projetar as mais belas imagens do Planeta, não é a mesma coisa.
"O Brasil é o país da piada pronta!!"
Não conheco uma afirmação que seja tão confirmada quanto esta. Pena que seja tão hilária quanto trágica. A cada dia, o Brasil dá razão ao humorista. Paulista de 76 anos, José Simão tem uma conuna na Folha de S.Paulo e outra na Rádio Bandeirantes FM. Todos os dias, rio muito com a maneira como Zé Simão e seus colegas da Bandeirantes analisam os fatos hilários que ocorrem no Brasil.
O fato real mais recente foi relatado ontem sobre vereadores de Penha, em Santa Catarina, que aprovaram lei para impedir que os cachorros latam, perturbando a vizinhança. Para isso, foi criada uma multa a ser aplicada aos donos de caninos que não os impeçam de ladrar. Imagine-se um ladrão entrando em um pátio de residência às quatro da tarde. Quando o cão se prepara para latir, o gatuno põe o dedo indicador em sua própria boca e avisa:
- shiii! Oha a multa!!!!!
Ainda bem que os vereadores de Porto Alegre não pensaram nisso. Caso contrário, eu teria que ensinar o Rum, que late até pra borboleta, a manter-se em silêncio e bater três vezes na porta da cozinha com sua patinha direita pra avisar de eventual ladrão na área.
Está certo que há casos que precisam mesmo de providência, quando latidos lancinantes de cães tomam conta da vizinhança e prejudicam o repouso das pessoas, em muitos casos, com problemas sérios de saúde. Os cachorros ladram por algum motivo, muitas vezes maus-tratos como abandono, falta de comida ou até mesmo frio. Mas criar uma lei específica para punir donos de cães que latem é hilário.
O Português, no geral de suas palavras é um idioma lindo. Tem belos vocábulos, proparoxítonas como plátanos, belas árvores frondosas e coloridas que, com suas cores, junto com as oxítonas jacarandá e ipê, são explêndidos trailers da primavera. Mas também tem palavras tão feias quanto o seu significado. A antiga uxoricídio, importada do latim, anunciando crueldade do homen matando a própria esposa e a atualização do termo, feminicídio, estendendo o significado para todos os tipos de mulher. Aumentaram as penas, tomaram-se mais cuidados para evitar crimes anunciados, mas não se chega à solução, como em grande parte da criminalidade.
Até quando o ser humano vai conviver com a incapacidade de domar e proteger-se da fera que carrega em si mesmo? Além desse aspecto do crime, seguem sem solução uma série de outros delitos como a corrupção endêmica e a disseminação irrefreável de criminosos nas ruas. Autoridades iludem-se e iludem com armas, grades, policiamento, tornozeleiras eletrônicas e cadeias superlotadas. Tudo isso são falácias que servem de mercado para certos segmentos como a indústria bélica, os aparatos de proteção inócuos como tornozeleiras.
Ninguém parece entender que a solução está no trabalho prisional completo em cadeias seguras e suficientes para segregar todos os criminosos reincidentes que andam aos montes na rua. E, paralelamente, investir nas vagas de trabalho, na Educação e nos cuidados com a saúde. É uma tarefa para muitas gerações. Com a queda na criminalidade, o dinheiro das despesas com o setor, acrescido da renda do trabalho prisional, poderá ser usado nos outros setores. Vendo as autoridades que estão aí e os que se apresentam para ser eleitos, a maioria sem capacidade e querendo só se arrumar, percebo que o que digo é apenas utopia.
O Amigomeu é uma figura. Um primo meu de Porto Alegre apareceu um dia lá nos Campos do Seival com um binóculo bem moderno e superpotente. Amigomeu tinha uns dez anos e ficou extasiado diante daquela maravilhosa tecnologia. Ele já tinha ficado dois dias sem parar olhando funcionar a máquina de debulhar milho a manivela. Imaginem, dizia e repetia, entra uma espiga inteira por um buraco, a gente dá manivela e sai nos outros dois buracos, separados, os grãos de milho e o sabugo.
Voltando ao binóculo, Amigomeu passou a manhã inteira olhando a propriedade. Viu lá longe, num canto, o alambrado com defeito, viu passarinhos comendo piolhos no lombo das vacas, viu os quero-queros voando e fazendo alarido em um lado pra não descobrirem que o ninho estava para outro. Viu preás caminhando pelas estradinhas do campo. Viu perdizes andando no chão e voando subitamente num voo curto ao pereceberem a aproximação de alguém.
E então o meu primo comentou com ele:
- Este equipamento é tão fantástico que traz a pessoa pra pertinho da gente.
Amigomeu arregalou os olhos, pegou o binóculo e focou la longe, na beira do ruo Jaguarão do Meio, perto da ponte que divide os limites de Seival com Hulha Negra. Ali estava o irmão mais velho dele, pescando. Com voz em tom normal, Amigomeu falou pro irmão:
- Getúlio. Vem pras 'casa', que a mãe tá te chamando pra almoçar.
No final do mês passado, pouco depois do Dia do Escritor, dia 27, fiz homenagens, aqui no blog e no Facebook, aos meus amigos dos quais mantenho pelo menos uma obra em minha estante. Por uma falha, acabei deixando de fora três livros, simplesmente pelo fato de que não disponho mais da obra física: um emprestei e os outros dois doei. Como esses livros permanecem na estante do meu coração e da minha memória, especialmente dois dos quais fiz parte, é justo que eu corrija esta falha.
HILTOR MOMBACH
O escritor produziu esse livro para relatar o que sentiu e o que fez para combater essa doença grave com a qual passou a conviver desde 1991. Mais do que um relato de história pessoal, é um auxílio efetivo para quem tem essa doença ou sofre ao vê-la em familiares. Com a orientação científica dos psiquiatras José Facundo de Oliveira Correia e Gildo Katz, faz um retrato da síndrome e dos seus efeitos e ajuda outras pessoas a obter o alívio que ele conseguiu. É um orgulho ser colega de um escritor com essa qualidade de escrita e, principalmente, de caráter. Depois de ler com muita atenção, doei o livro para um colega, cuja esposa estava enfrentando problemas emocionais relacionados com o assunto relatado.
Hiltor Mombach nasceu em Erechim, no Planalto Médio em 17 de junho ds 1953. Formou-se em jornalismo na PUCRS em 1979. Trabalhou na rádio Difusora de Garibaldi aos 15 anos como apresentador de um programa musical. Quando veio para Porto Alegre, atuou na Folha da Tarde e, depois, como repórter esportivo, no Correio do Povo. Depois que o Correio reabriu após dois anos fechado, Hiltor voltou para o jornal, no qual está até hoje como colunista de Esporte, mantendo um blog sobre o tema do futebol.
Hiltor recebeu inúmeras e merecidas homenages. Neste ano, é o patrono da feira do Livro de Garibaldi, marcada para o período de 20 a 24 de outubro.
LUCIANO KLöCKNER
O Anedotário Do Rádio do Rio Grande do Sul - 90 anos de História.
A primeira coisa que se tem a dizer sobre o autor é que é um apaixonado por rádio, assim como vários amigos dele, mas muito mais. A outra é a generosidade e o caráter, não tão fartos assim na categoria. Luciano foi generoso ao me convidar para participar da obra, toda ela criada pelo gênio agregador e criativo dele. Para ilustrar o trabalho, convidou o cartunista Santiago, um dos mais espetaculares deste Estado e do país. Também participaram Alice Bragança e o editor Flavio Ledur. Repetindo sobre generosidade, Luciano determinou que uma parte das vendas do livro fosse doada para a instituição "Pequena Casa da Criança, na Vila Maria da Conceição, próximo de onde reside dwsde os quatro anos de idade.
Luciano nasceu em Porto Alegre e gosta de dizer que é de Estrela, aqui mesmo no Estado onde, na verdade, passou quase todas as férias de infância. Fez Jornalismo, Mestrado e Doutorado na Famecos. Trabalhou na Folha da Tarde, na rádio Difusora (hoje Bandeirantes, na rádio Gaúcha e na revista A Granja, entre outros. É doutor em Comunicação Social com pós-doutorado no Instituto de Estudos Jornalísticos da Faculdade de Letras de Coimbra, Portugal. Teve larga experiência como professor titular de jornalismo na PUC, Unisinos e ESPN. É autor do livro "O Repórter Esso - A síntese radiofônica mundial que fez história, que conta as fases do noticioso de maior credibilidade nos anos 1940, 1950 e 1960 do rádio brasileiro, incluindo DVD com imagens e áudios originais.
Luciano é pai de Jakarina (desculpa, Karina, a piada está no livro, não resisti) e Gisele. É avô de quatro netos: Theo, Pedro, Lara (Maria Clara, essa é outra história que gera risos na família dele) e do Davi.
Realizou também outro sonho e, em 2015, editou um livro infantil intitulado Pedroca Nariz de Piooca, com ilustrações também de Santiago.
Mais do que um ex-colega, um grande amigo.
OS DEZMIOLADOS
é uma produção da Farol Editora Três, coordenada pelo jornalista Auber Lopes dos Santos e sua sócia Vanessa Correa. O livro reúne textos de dez autores com enfoques particilares e especiais sem nenhuma linha editorial conectada. Os autores, grande parte com participação nos dois volumes anteriores são os seguintes:
Caco Belmonte
Flávio Dutra
Jorge Hugo Souza Gomes
Luciano Riques
Mateus Silva
Paulo Leônidas
Plínio Nunes
Ricardo Azeredo
Vitor Hugo Castro Pereira
e Wilson Rosa.
Aproveito a oportunidade para divulgar o livro mais recente do meu amigo e ex-colega dos tempos do Diário Gaúcho, Eduardo Rodrigues. NNegras Melodias, volume Ii, publicado pela editora Capítulo I.
EDUARDO RODRIGUES
Quem, como eu havia lido muito pouco sobre a história do jazz, ler o lívro do meu ex-colega dos tempos do Diário Gaúcho foi uma bênção. Apaixonadu por jazz, Eduardo fez um belo trabalho e reuniu outros especialistas nesse gênero musical, todos ex-colegas dos tempos de RBS. A começar por Paulo Moreira, que se encarregou da apresentação do livro, a chamada orelha, e Márcio Pinheiro, autor de biografias de Renato Borghetti e de Aiton dos Anjos, o Patineti. O livro foi editado pela Editora Capitulo, com a participação de outros dois escolegas, Cláudia Coutinho na coordenação editorial e Diego Figueira na preparação de texto e revisão.
Natural de General Câmara (RS), Eduardo Rodrigues é autor também de "Sem Bossa Não Há Quem Possa! Cassino dos operários, uma história, punlicado aqui em post anterior.
Para identificar se uma expressão é caso de crase ou não é só se dar conta que tem artigo feminino diante do país ou da cidade que permite a contração com a preposição homônima que significa para. Se dizemos a Inglaterra, então é caso de crase. Vou à Inglaterra, ou para a Inglaterra. Já no caso de Roma, vou a Roma.
Mas atente: se for à Roma dos Césares, aí existe um artigo feminino definido a, que determina a contração.
É o caso de "Fui à Tacuarembó dos meus avós" há artigo definido, com elipse da palavra feminina cidade.
Outra dica igualmente importante: para ocorrer caso de crase, é preciso que o verbo anterior seja transitivo indireto, ou seja, necessite de preposição. Alguns exemplos. Amo a Bahia. Vou à Bahia. A enfermeira assistiu à cirurgia. (Atuou nos trabalhos.) A enfermeira assistiu à cirurgia da mãe do lado de fora da sala de CTI. O patrão atendeu a funcionária e falou com ela sobre aumento. (Concordou em ouvi-la.) O patrão atendeu à reivindicação da funcionária. (Atendeu ao pedido dela.) O gerente visou o cheque do cliente. O gerente visava à promoção que o banco oferecia aos seus empregados.(ou visava àquela promoção) O show encerrou as transmissões do programa. O show encerrou-se pontualmente às 23h. A casa incendiou-se às 14h15min. O toco do cigarro aceso incendiou a casa. O fogo queimou até a garagem.(Inclusive à garagem. O fogo foi queimando da porta da frente até a entrada da garagem. (O limite foi a entrada da garagem.)