domingo, 19 de março de 2017

UM RECORTE DAS MEMÓRIAS DE JORNALISTA

Ao confrontar-me todos os dias com notícias de corrupção, com crimes sendo desvendados constantemente, com malfeitores travestidos de gente do bem serem desnudados em várias áreas de atividade, com falcatrua em todo canto desde propinas e falsificações de licitações e liberações indevidas de licenças ambientais para construções e autorização indevidas para industrialização e comércio de alimentos, eu fico pensando: o que é lícito, ético, verdadeiro e honesto no mundo que me rodeia. 
Ao saber de um delegado e um inspetor de polícia sendo presos por atuarem nos dois lados (ganhando muito dinheiro no lado do crime, óbvio), calculo quantos outros policiais também não fazem o mesmo que esses e que ainda trabalham livremente no país, apesar de terem sido denunciados em tantas oportunidades no passado sem serem punidos apesar de sindicâncias e CPI criadas para inglês ver.
Nas minhas memórias, lembro de um episódio. Num ano qualquer do final do século passado (não faz tanto tempo assim), um repórter investigativo foi à Área Judiciária da Polícia Civil e perguntou a uma policial quem era o delegado de plantão. Ela informou: É o delegado Fulano. "Mas como, o delegado Fulano não tá preso? A funcionária foi à outra sala e chamou o delegado, que chegou sorrindo. A policial então dedurou:
- O repórter aqui perguntou se o senhor ainda estava preso, delegado.
Foi uma saia justa que não resultou em nada mais grave porque o tal policial era e é muito cara de pau. Já passou por inúmeras acusações, entre elas de estar numa lista de propinas de bicheiros e até de tirar dinheiro de outro policial que achacara uma vítima na fronteira com o Uruguai. Deve ter sido acusado injustamente. Hoje em dia, com o rigor dos investigadores, acho que iria para a cadeia. Não posso sequer dizer sequer o apelido do tal delegado, nem dizer que tem mansão em Santa Catarina, ops, escapou, ostentando posses superiores à sua renda. Só revelaria depois da minha morte ou da morte dele.

sexta-feira, 17 de março de 2017

NOVAS AVENTURAS DO AMIGOMEU

A primeira vez que o Amigomeu se impressionou com alguma coisa foi ainda na infância lá em Seival, quando viu a máquina de debulhar milho. Ele olhava as espigas serem inseridas em uma entrada e via sair, por um escaninho, o sabugo, completamente desnudado, e por outro, os grãos de milhos dourados.
A segunda vez foi quando viu, em Bagé, o sistema de recolhimento de lixo. Ele comentou de volta à fazenda em que seu pai era capataz: "A coisa mais linda que vi na cidade foi o caminhão de lixo, cheio de portinhas."
Ao chegar a Porto Alegre, pela primeira vez, por volta de 1980, uns dez anos depois que eu já havia me mudado para a Capital, Amigomeu admirou-se com a altura dos edifícios, que o deixava tonto sempre que ficava olhando por algum tempo para cima.
Na semana passada, acompanhei o Amigomeu ao escritório de um advogado, em uma das torres modernas, com paredes espelhadas, atrás do Fórum, quase na frente do Shopping Praia de Belas. Quando entramos, tivemos que receber orientação para usar os elevadores. Passada aquela roleta em que utilizamos um cartão magnético depois de nos identificarmos, entramos em um hall com oito elevadores. No meio deles, no lugar daquele botãozinho para chamar o elevador, havia uma espécie de pequeno painel com números para digitar. Digitei 14 e o painel mostrou a letra F, do elevador que iríamos utilizar. Quando esse elevador se abriu e entramos, Amigomeu ficou procurando o painel para apertar de novo o 14. Não havia nada ali. E o elevador se fechou e continuou a subir. E então deduzi que lá embaixo já havia sido programado em qual andar iríamos.
Na saída, quando caminhávamos uma quadra em busca de um táxi, já que não havia parada de ônibus por perto, comentávamos a questão que levara Amigomeu ao advogado, quando ele falou:
- Más bá, tchê. Quando eu vi aqueles elevadores, eu achei que já havia morrido e que tinha voltado no futuro. Que coisa!
Foi então que aconteceu algo que deu ao Amigomeu (e a mim, confesso) a impressão que continuávamos dentro de um filme. A poucos metros de nós, desceu rapidamente um helicóptero no gramado em frente ao Anfiteatro Pôr do Sol. Do aparelho, saíram algumas pessoas engravatadas e, se não me engano, uma mulher, que entraram rapidamente em um automóvel escuro, provavelmente oficial, que os esperava em cima do gramado do parque Marinha do Brasil. Eu quis tirar uma foto melhor, mas o Amigomeu me impediu e disse para sairmos logo dali. E explicou:
- Tu tá louco. E se esses caras são de alguma máfia e não querem ser vistos descendo do helicóptero ali? Se nos pegam filmando, nós tamos roubado.



segunda-feira, 6 de março de 2017

domingo, 5 de março de 2017

PATROCINADO PELA INSÔNIA XXI

Enquanto o sono não vem, fico aqui pensando e me chega à mente uma reflexão. Não gosto de utilizar termos em inglês nos meus textos a menos que sejam extremamente obrigatórios ou que não exista uma tradução coerente. Nego-me a digitar "off" pra dizer desconto e muito menos CEO pra designar executivo de empresa. Às vezes,  tenho vontade de grafar sítio e blogue no lugar de site e blog mas me parece feio. Se todos escrevessem assim, como os portugueses, talvez não se achasse estranho. Há palavras originadas do inglês que não têm como serem aportuguesadas. Nesses casos,  use-se o nome original. 
    Aportuguesar de forma errada é que não dá pra aceitar. Não sei quem foi o idiota que passou para o português e para o espanhol o nome do canal (pedaço do Atlântico entre a França e a Inglaterra, sob o qual existe agora o Eurotúnel). O canal, que os ingleses chamam de English Tunnel e os franceses de La Manche foi traduzido para Canal da Mancha. Pegaram o termo francês sem se ligar que manche, em francês, é manga. Esse nome faria sentido porque o canal tem a forma de uma manga de camisa. Devem ter confundido com o personagem de Cervantes, Don Quijote de La Mancha, que, na verdade é o nome de uma região do território espanhol.

quinta-feira, 2 de março de 2017

ORIGEM DOS NOMES DOS MESES IIII

     MARÇO


Março é o terceiro mês no calendário gregoriano. Surgiu na Roma Antiga, quando era o primeiro mês do ano e se chamava Martius (Marte), em homenagem ao deus romano da Guerra. No hemisfério norte, março é o primeiro mês da primavera, cujo clima era  propício para o começo das campanhas militares do império romano. 
Em 45 a.C, março deixou de ser o primeiro mês do ano. O imperador Júlio César reformou o calendário criando os meses de janeiro e fevereiro, em homenagem a Janus, deus com um olhar para o passado e outro para o presente, e Februaris, deus da morte e da purificação.
  De Marte, deus da guerra, originam-se as palavras "corte marcial" (foro para julgar os crimes cometidos durante a guerra), e artes marciais (aprendizado de técnicas de defesa pessoal e ataque visando à guerra).
  

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

PIADAS DE GAÚCHO

O Gauchão, pela primeira vez em São Paulo, pegou um táxi. Sabe como gaúcho é curioso né? Ao ver o símbolo da Mercedes Benz sobre o capô do carro perguntou: 
      - O que é aquele troço ali?
O taxista paulista, querendo tirar um sarro do gaúcho, disse que aquilo era uma espécie de mira que os carros paulistanos tinham. Serviam para calibrar a mira e atropelar velhinhas, esporte preferido deles. O gaúcho ficou pensando... Pra rir mais ainda, o paulista viu uma velhinha lá adiante e pensou: Vou dar um cagaço nesse gaúcho. Vou fazer de conta de que vou atropelar e na hora eu desvio. E assim fez. Quando chegou bem pertinho da velhinha, desviou o carro em cima, mas, mesmo assim, ouviu um estouro e enxergou pelo espelho a idosa voando, com bolsa prum lado, dentadura pra outro, e se apavorou. Foi quando o Gaúcho comentou:
     - Bah, tchê! Tu tem que mandar consertar essa tua mira. Se não é eu abrir a porta, nós perdia a véia.!!!!


      Vivendo lá no fundo do Interior, o gaúcho velho não conhecia muito do que se passava na Capital. Não via televisão, e o pouco que sabia era pelo rádio. Um dia teve vontade de conhecer Porto Alegre. Um amigo dele, que já tinha morado uns tempos na Capital, disse que tudo é diferente da vida que eles levavam. Uma das coisas que contou foi que "em Porto Alegre, os carros não andam, voam". O gaúcho, muito bronco, levou a informação ao pé da letra. Ficou acreditando que na Capital já havia algum tipo de táxi-avião.
   Pois quando desceu do ônibus na Estação Rodoviária, entrou em um táxi bastante preocupado. Disse ao motorista que queria ir até a Rua Dom Pedro II, onde morava um compadre dele. Foi o motorista perguntar "em que altura?" e o gauchão puxou uma faca da cintura e ameaçou:
 - Presta atenção, seu filho-da-puta. Se tu passares de meio metro eu te enfio isto no bucho.




segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

PATROCINADO PELA INSÔNIA XXI


Às vezes tenho saudade
de fatos que não vivi.
De algo que não tive.
Me pego pensando
em ti.
Saudade do que não rolou
Não tinha como rolar.
Era só um amor platônico.
Um pescador e uma sereia,
uma montanha de areia
para um humilde

caminhãozinho.


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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

UM DESABAFO CONTRA A MACAQUICE BRASILEIRA EM RELAÇÃO AO IDIOMA E O COSTUME DOS NORTE-AMERICANOS

Eu já vinha havia um tempo notando essa subserviência dos brasileiros à cultura norte-americana no que se refere ao idioma e aos costumes. Neste ano, até botei um conto futurista no meu blog www.vidacuriosa.blogspot.com.br, relatando, entre outras coisas, que em 2045, quando terei (toc.toc.toc.) cem anos, já teremos um português amplamente tomado pelo inglês como um arroio 80 por cento poluído. No texto, revelo ficticiamente o insucesso de um deputado que tentou criar uma lei obrigando o brasileiro a falar e escrever oficialmente no nosso idioma. Mas o anteprojeto não foi adiante porque, entre outras coisas, o próprio texto do político estava eivado de termos em inglês.
Atualmente, vejo em cada frase falada ou escrita um número incrível de palavras em inglês como


"off" no lugar de desconto, "on sale" no lugar de à venda, "setlist" em lugar de roteiro de músicas, "backstage" no lugar de bastidores (coxia é muito antigo), playoff para final de jogo, "CEO" para executivo de empresas, "coach", para treinador, "workshop", para oficina, "selfie" (selfie, não dá pra reclamar porque não há como falar em autorretrato).


Não estou aqui falando de aportuguesamento de palavras como clicar, trolar, printar e outras. No passado, já se aportuguesou muita coisa do francês como abajur, futebol, basquete, e muitos outros termos.
Além dessa questão de linguagem, há também a absorção da cultura norte-americana. Dei-me conta disso ao ver no Facebook os comentários de brasileiros apaixonados por futebol americano, o rúbgi, e pelo basebol, tendo atletas desses esportes como seus ídolos. E então me lembro dos que comemoram festa de halloween. Por fim, o que motivou este texto, gente que comemora o dia dos namorados em 14 de fevereiro, sem nunca ter posto os pés em terras norte-americanas e, neste caso, também francesas. Vibram com o Dia de San Valentine da mesma forma que antes comemoravam o Dia dos Namorados em 12 de junho. Não duvido que não passem a comemorar também a chegada da primavera importando uma marmota para fazer festa. Ao mesmo tempo, brasileiros antenados criticam festas de origem portuguesa ou guarani ou qualquer menção ao passado brasileiro e gaúcho.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

NO OLHO DO FURACÃO

Você que acha o SUS uma maravilha e que concordou com o ex-presidente sobre a qualidade do sistema de saúde brasileiro ao ponto de ser oferecido aos norte-americanos como exemplo, eu faço uma sugestão; Se sentir algum problema de saúde, só por esta vez deixe de lado o caro mas confortável plano particular de saúde que você paga e procure o posto da Vila Cruzeiro. 
        Suponho que você tenha ido hoje no início da tarde. No pátio do posto, você terá encontrado duas viaturas da BM e uma ambulância em serviço. Naquele momento, 14h30min, mais um baleado chega e entra direto para o posto. Os cerca de 40 lugares de espera para a triagem estavam todos ocupados.
         Seria bom ter levado uma cadeirinha daquelas de assistir ao Carnaval ou se sentar na praia para olhar o mar e as crianças. Algum cantinho você encontrará para ficar sentado. Leve também água gelada ou refrigerante e alguma coisa pra comer porque antes das 19h você não sairá de lá. Se fizer exames e detectar alguma coisa mais grave. Bom, aí não sei.
         O sistema de saúde é bom e até poderia ser implantado com sucesso em um outro país, com outros governantes e outro povo. Aqui, além da quantidade de pacientes, é sempre infinitamente maior do que o número necessário de médicos. A insegurança e os crimes se encarregam de deixar as pessoas doentes ou feridas. Em algum lugar do país o SUS é uma maravilha.            Na Vila Cruzeiro e em outros pontos da cidade não é. Nesse caso, o SUS poderá ser substituído por SOS que, em inglês significa Salvem Nossa Alma (Save Our Soul) Antes de contestar isto aqui, vai, dá uma olhadinha você mesmo.

        Minha filha, a quem acompanhei, foi atendida depois de algum tempo. E precisará fazer uma cirurgia para retirada de pedras nos rins. Para isso, terá de aguardar sabe-lá quanto tempo, dada a quantidade incrível de pessoas que chegaram antes dela ao posto de atendimento. 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

REFLEXÃO SOBRE A MORAL ATUAL NESTE BRASIL VARONIL

Recibos falsos, laranjas, contas fantasmas, falsas testemunhas e manipulação de fotos ou vídeos são ferramentas que transformam a mentira em pós-verdade, aproveitando-se de incompetência ou má-fé nas investigações.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

EM BUSCA DE UM DESENHO PARA COMPOR UMA CHARGE

Avolices é um neologismo que criei para designar bobices de avô publicadas a partir da forma divertida e curiosa com que os netos expressam suas ideias. Outro dia, na ausência de manifestações espontâneas, decidi criar uma. Pensei em colocá-la em forma de charge. Como não sei desenhar, pedi a alguns amigos chargistas, mas todos eles têm suas vidas agitadas e não puderam me atender. Se alguém com talento quiser fazer o desenho, para colocar neste meu humilde blog, seria legal. Os diálogos são os seguintes:

O avô, cortando lenha sobre um picador (tronco horizontal), diz: Meu machado trancou.
A neta, ou neto, que vive utilizando celulares, tablets e desktops, sugere: "Vô, vê aí em cima se não tem um iconezinho com um botãozinho pra clicar e destravar o machado.

Mesmo sem o dom do desenho, coloco aqui um simulacro de charge.

ORIGEM DOS NOMES DOS MESES II


 FEVEREIRO

Fevereiro, segundo mês do calendário gregoriano (1502), que se originou do calendário Juliano (45 a.C), que o imperador romano Júlio Cesar reformou a partir do antigo calendário romano, criado no ano VII, antes de Cristo. Nessa época, o ano tinha 304 dias, divididos em dez meses. Começava em março e terminava em dezembro. Com o passar do tempo, o sistema foi ficando defasado porque, na verdade, o ano solar tem 365,5 dias, começava em março e terminava em dezembro. Então o imperador da época, Numa Pompílio, criou então mais dois meses, janeiro e fevereiro, para incluir a diferença de 51 dias.
Para corrigir novas distorções, o calendário romano foi reformado no dia 1 de janeiro de 45 a.C por Julio César, que o tornou um calendário solar, alinhado pelas estações do ano à semelhança do calendário egípcio, já então em vigor. 

A palavra FEVEREIRO deriva do grego "februa" para o latim "februaris", deus da morte e da purificação, retirado da mitologia dos etruscos, povos que habitavam a península itálica, na região da Toscana e uma parte no Lácio e na Úmbria, local ocupado depois pelos romanos. Nesse mês, era feita a festa "februa", onde ocorriam sacrifícios para acalmar os deuses. Primeiro, fevereiro também tinha 29 dias e 30 dias (nos anos bissextos). Acabou ficando com 28 (um a mais em anos bissextos) porque o imperador Augustus, ao botar seu nome no oitavo mês, tirou um dia para que agosto ficasse o mesmo número de dias de julho, criado por seu antecessor, Julius Cesar, que também havia se auto-homenageado colocando seu nome no sétimo mês.

Em inglês, February.
Em espanhol, Febrero,
em italiano, Febbraio, 
em francês, Fébrier.
em alemão, Februar

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

ORIGEM DOS NOMES DOS MESES I


                                                                JANEIRO


Primeiro mês no calendário gregoriano, janeiro se origina do deus grego Janus, que significa aquele que tem duas cabeças em direções opostas, uma que olha para o passado e outra para o futuro. Por isso, em português, temos a palavra janela, de onde pode se olhar tanto para fora quanto para dentro. Janeiro fica exatamente no portal dos dois anos, olhando para o ano que se finda e para o que entra. Isso em português. Já em inglês, o nome da janela tem a ver com a capacidade de abertura da casa de permitir o que se passa lá fora e, ao mesmo tempo, impedir o vento ou a chuva. Na língua de Shakespeare, window, na de Don Quijote, ventana.



sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

MAIS UMA AULINHA DE PORTUGUÊS



Afro-brasileiro ou afrobrasileiro, afro-americano ou afroamericano, 
afrodescente ou afro-descendente?


O idioma português (como todos os outros de uma ou outra maneira ) é complicado. Ainda mais quando os "sacerdotes" da língua se esforçam para complicar mais ainda. É interessante para os "sábios" que as leis gramaticais sejam complicadas assim como a legislação de um país também o é. Essa dificuldade de entender as leis é agradável para os encarregados de fazer a lei e dela tirarem proveito como os sapientes jurídicos. Donos do "saber" normalmente estão por trás de grandes dicionários e têm interesse em mudar as regras como as reformas relativamente recentes que ocorreram. Quando poucos têm acesso às informações, isso é bom para os poucos que sabem. Não vou nem comentar aqui a reforma de 2008 que deveria ser em conjunto com outros países de língua portuguesa, os quais não deram bola para as assinaturas depois de longos encontros.
Vamos às explicações do tópico.
Afro-brasileiro, afro-americano são adjetivos gentílicos, isto é, une com hífen dois termos pátrios.
Afrodescente é simplesmente um adjetivo que designa pessoas que têm antepassados africanos, mas específicamente negros, sem compor adjetivos pátrios. Interssante é lembrar que não se diz afrodescedente a quem tem parentes sul-africanos brancos ou egípcios, por exemplo, que também são da África. É o mesmo caso de anglofalante.

UMA DICA PRA VOCÊ QUE VIVE PERDENDO CARTÕES DE BANCO E CHAVES

Se você é como o Amigomeu e eu, que vivíamos perdendo cartões de banco e chaves, tendo a desagradável consequência de ter que refazer o documento ou contar com a boa-vontade de pessoas que os encontram e entregam nas agências, permitindo reavê-los, temos uma boa notícia:


   SEUS PROBLEMAS ACABARAM


  Cansado desse aborrecimento, e sem conseguir corrigir essa falta de atenção, decidi que teria de encontrar uma forma de não perder mais esses documentos a chaves.  Publico aqui a fórmula. Eis o passo a passo:


  1) Pegue uma agulha e a coloque no bico aceso do fogão. Para não se queimar, segure a outra extremidade usando um alicate ou um prendedor de roupa. É um procedimento muito rápido. Verifique com cuidado o local em que fará o orifício para não atingir nenhuma parte importante do cartão como o chip ou o equipamento de leitura. 
  2) Passe uma correntinha ou uma linha fina e forte pelo buraco feito no cartão. Pegue a outra extremidade e a fixe na carteira ou na roupa ou até mesmo e em um piercing. Você nunca mais vai perder o cartão.

3) No caso da chave de casa ou daquela maletinha de madeira na qual você guarda os seus documentos, passe a corrente maior por dentro de uma correntinha pequena (pode ser aquelas que acompanham cortadores de unha) presa à chave. Deixe tudo dentro da carteira.

4) Para não perder a carteira, prenda-a com outra correntinha à calça ou à cinta.


sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

PATROCINADO PELA INSÔNIA XX

Eu estava pensando.
 
 Se em vez de terem construído tantos estádios para a Copa, consumindo dinheiro em luxo desnecessário e em corrupção, tivessem feito presídios autossustentáveis e com trabalho prisional honesto e bloqueio de celulares, a situação penitenciária do país não estaria no caos que hoje vemos. E talvez sobrasse dinheiro para aplicar na Educação com a manutenção de escolas e pagamento decente aos servidores.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

O MAIOR MICO QUE O AMIGOMEU JÁ PASSOU NA VIDA

Amigomeu é um cara meio tosco, vocês sabem, e um pouco atrapalhado. Muito eu diria. E me diverte com suas peripécias. Mas, nessa atrapalhada que ele me contou, não  consegui rir. Num domingo de manhã, durante um chimarrão lá na casa dele, entre comentários sobre este país inacreditável, o Amigomeu me contou sobre o mais desastroso mico que passou recentemente. E culpou as autoridades por permitirem pessoas vivendo e defecando pelas ruas. Sobrou também para quem leva cães para passar e deixa o resultado das necessidades fisiológicas dos caninos pelo caminho.
  Amigomeu tem um cão, o Brisa, nome batizado em homenagem ao saudoso Leonel Brizola, ao qual seu pai tinha grande admiração. Quem sai para passear com o cachorro pelas ruas é o neto do Amigomeu, que ele chama carinhosamente de Capincho. Numa das vezes em que os dois saíram, Amigomeu foi atrás discretamente e viu que o neto não limpou o cocô que o cachorro largou no chão. O avô ficou uma fera. Orientou-o a levar um saquinho de plástico para recolher as fezes do Briza e colocar na lixeira.
       Voltando ao mico do Amigomeu, foi o seguinte. Num dia desses, ele foi consultar um médico no centro de Porto Alegre. Contou que, no elevador ouviu uma mulher dizer:
- Que cheiro horrível!
Ele nem se tocou o que era. Subiu para a sala de ecografia, pegou senha e ficou esperando, sentado em uma cadeira. Foi então que chegou uma enfermeira e disse para ele, o mais discreta que pôde:
- Por favor, deixe os seus tênis no banheiro e aguarde a chamada para o exame.
Foi ai que ele notou uma mancha preta próximo ao calcanhar do pé esquerdo. No banheiro, descobriu que havia pisado em uma grande massa escura e mal-cheirosa. Ele relembrou dizendo que sentira vontade de não mais voltar à sala,  se enviar vaso adentro e puxar a descarga. Ao começar a retirar a sujeira, não conseguia resolver o problema. Depois de gastar quase um rolo inteiro de papel higiênico, tentar lavar o tênis, deixou o calçado em um canto e foi esperar na sala. Aguardava ele ali, de meia, agradecendo ao menos para o fato de naquele dia não estava com os carpins desaparceirados, como ele chama as meias.
    Pobre Amigomeu! Relatou que os minutos se passavam como eternidades. Via um filme com tartarugas e lesmas se arrastando pelo meio da sala. Até que foi chamado para o exame. Envergonhado, pediu desculpas, fez o exame e saiu o mais rapidamente que pôde. Na saída, a enfermeira ainda sacaneou:
- Não vá esquecer os tênis no banheiro!

I.F. 20%

  

domingo, 22 de janeiro de 2017

NA FALTA DE ALGO MAIS SÉRIO, MAIS INTELIGENTE, MAIS CONSISTENTE, VAI UMA BOBAGEM ENTÃO!!

 Diga-me lá sem pensar muito: o que o violão e o alho têm em comum?



Respondo sem pestanejar, sem medo do ridículo: o que o violão e o alho têm em comum é a bizarrice: o violão tem a boca na barriga e o alho tem os dentes na cabeça.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

VIDACURIOSA É AUTOAJUDA

Muita gente, como eu, já foi assaltada. Além do estresse de ter uma arma (sabe-se lá se era verdadeira ou não) para a sua cabeça, a vítima que entrega seu celular, por exemplo, não consegue esquecer a decepção de não ter conseguido reagir ainda que seja muito melhor ficar sem um objeto, que pode ser substituído, do que perder a vida.
   Aí a gente fica pensando no sacana que passou a usar o seu celular ou o vendeu por ninharia porque é muito fácil para esses canalhas colocar uma arma na cara dos outros. E eu nem me dei conta de que poderia dificultar um pouco as coisas para esses gatunos. Nunca me preocupei em anotar o IMEI para comunicar a operadora e à polícia.
  Então fica a dica pra quem ainda não foi assaltado e também pra quem já foi. O IMEI é o International Mobile Equipment Identy, que em português significa Identificação Internacional de Equipamento Móvel. Ao ser roubado, ligue para a fábrica do celular e para a operadora e informe o número. Com isso, as fábricas têm como impedir que o aparelho seja usado pelos ladrões e receptadores, essa gente de bem que não se importa em comprar celular roubado, porque gosta mesmo de levar vantagem em tudo. Para saber o número do seu Imei, digite #06#. Eu sei que os larápios são tão espertos que conseguem assim mesmo destravar um celular, mas não custa deixar as coisas mais difíceis para eles. Fica a dica.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

UM POUCO DE HUMOR SOBRE A FUNÇÃO DO REVISOR

função do revisor não é só aquela de cuidar da gramática, das concordâncias ou dos erros de digitação cometidos por descuidos em meio à correria da reportagem e da edição. O revisor é aquele profissional que precisa ficar atento e ter conhecimentos suficientes para detectar qualquer incongruência no texto. É o jornalista que deve impedir algumas impropriedades como estas:

"Todos os moradores foram castrados..." (A falta de um "da" pode atingir toda a população masculina da cidade.)
"Trata-se de uma questão merdológica" (A falta de um "ca" certamente deixaria um cheiro ruim no texto).
"O juiz Aldo Moro tomou mais uma medida para desvendar a corrente de corrupção no país... (O magistrado italiano, que liderou a Operação Mãos Limpas, saiu do túmulo para vir dar uma força à Operação Lava-Jato no Brasil).
"Josué Guimarães assumiu a função de líder do governo do PT na Câmara Federal". (O escritor gaúcho ressuscitou para ocupar um cargo em Brasília).
"O Auto da Compadecida", peça de Miguel Arraes..." (É parecido com Guel Arraes, mas não é o político pernambucano. Não, não é Ariano Suassuna, que é o autor do livro, no qual a peça e o filme foram baseados).
"

domingo, 8 de janeiro de 2017

REFLEXÃO ÓBVIA SOBRE A CURIOSIDADE

A curiosidade é o que move o mundo. É ela que desperta e desenvolve a ciência. Um ditado antigo, criado para valorizar os idosos, diz que "o Diabo não é sábio por ser diabo, mas por ser velho". Discordo. Se é que existe, o Diabo é sábio não por ser velho, mas por ser curioso.
   Só o tempo de vida não é suficiente para tornar uma pessoa sábia. Uma prova disso é que existe por aí muito velho burro e ignorante. Há também jovens inteligentes. É verdade, que aos jovens falta experiência que o tempo de vida dá. A curiosidade e a imaginação levam o homem a destapar verdades semiescondidas a partir da observação da ponta de um iceberg. A curiosidade também pode pôr um homem em risco, como refere outro ditado antigo: A curiosidade matou um gato". Em geral, porém, a curiosidade leva à experiência e ao conhecimento, como expressa outro provérbio: Macaco velho não mete a mão em cumbuca. Outros brocardos também versam sobre esse tema como "As aparências, às vezes, enganam", "Nem tudo o que reluz é ouro", "Não confunda alhos com bugalhos" e "Debaixo desse angu tem caroço".

sábado, 31 de dezembro de 2016

PORTO ALEGRE 2054

Acordo com o canto dos passarinhos e com o afago silencioso e dourado do sol que, nesta época do ano, esgueira-se pelo vão entre os altos edifícios e chegam até minha janela. Ainda com os olhos fechados, distingo o chilrear do sabiá, do bem-te-vi e do joão-de-barro. A este último, eu chamava, na minha distante infância, de forneira, influenciado pelos parentes uruguaios, que identificavam as casinhas de barro desses pássaros como fornos (hornos, em espanhol), dando-lhes o nome de hornero.
   Abro os olhos e procuro saber que horas são. O celular, que agora chamamos de multiplex, mostra o horário: 8:25. Imediatamente me vêm à mente os anos 2015, 2016, quando esse aparelho já tinha várias funções, além de indicar o horário. Hoje, em 2054, o multiplex comanda tudo.
      Em 2016, eu imaginava que, se conseguisse chegar aos 100 anos, veria tudo mudado de forma incrível, como aconteceu na primeira década do século XXI. Constato que acertei em algumas previsões e enganei-me redondamente em outras.
     Agora, em 2054, o inglês tomou conta de quase todo o Planeta. A mania de utilizar termos ingleses no falar começou no final do século XX e se intensificou progressivamente ao ponto de hoje não existir uma só frase em pretenso Português que não tenha pelo menos uma palavra ou expressão estrangeira. Há casos em que, para entender algo escrito em Português, os autores de reportagens se valem do Inglês para explicar o sentido. Em 2040, um deputado federal protocolou um projeto de lei visando a obrigar os brasileiros a utilizarem somente o Português nos órgãos de comunicação do governo e nos jornais, proibindo o uso de idiomas estrangeiros, especialmente o Inglês. Mas o tema não passou na Comissão de Constituição e Justiça. Além de não contar com apoio popular, o próprio parlamentar, o Policarpo Quaresma do futuro, não conseguiu evitar termos em inglês na redação do seu projeto.
    Por falar em jornalismo, já não existem jornais em papel há muitos anos. Lá por 2015, já havia quatro pioneiros na migração para a Internet: Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro, um diário do Ceará, e dois do Rio Grande do Sul, O Sul, de Porto Alegre, e O Alvoradense, de Alvorada. Uma grande parte dos jornais do país já publicavam suas notícias na Internet, além do papel, mas esses quatro já haviam abolido a plataforma antiga. O principal motivo foi diminuir os custos com a compra do papel. Atualmente, as notícias são apresentadas por meio do computador, na verdade, pelo multiplex, já que há muito já não há os antigos computadores de mesa. Além de comandar a Internet, o multiplex também projeta as imagens em painéis móveis onde antigamente eram projetados os dados dos chamados projetores ou mesmo nas paredes.
  As paredes das empresas ou mesmo das residências também viraram local para a projeção das imagens de televisão. A tevê física também não existe mais seguindo uma tendência já imaginada anos anos após a sua invenção. Os primeiros aparelhos eram caixas grandes, largas, com tela onde as imagens eram projetadas de dentro para fora por meio  dos raios catódicos. As tevês foram se tornando mais finas. No início, até um gato poderia dormir em cima delas. Depois, foi se afinando ao ponto de serem penduradas nas paredes, como um quadro. E então chegou ao ponto de desaparecerem fisicamente. Foi substituída pela projeção do multiplex. O som sai por uma pequena caixa móvel colocada em qualquer ponto da casa, até mesmo no banheiro, que se "liga" ao multiplex por meio do que se convencionou chamar de Wi Fi. Outra possibilidade são os fones de ouvido, também com Wi Fi, já que não há mais qualquer tipo de fio como o que era utilizado nos computadores de mesas com o chamado mouse. Já não existem mais fios de nenhuma forma. As velhas pandorgas foram substituídas por drones, os sinos das Igrejas começaram a ser acionados por equipamentos eletrônicos, já não há fios no altos das casas, a maioria já modificadas, e a energia não vem mais de termelétricas ou hidreléticas, substituída pela energia solar e eólica. 
 Saio de casa, lembrando-me do início do século XXI. Já não mais chaves. Tudo é aberto e fechado eletronicamente e comandado pelo multiplex, que liga e desliga torneiras da pia e do chuveiro, portas, portões (aliás os portões já eram ativados por controles em 2016. Quando eu tinha lá por 60 anos, imaginei que em 2054, os carros já estariam voando. Enganei-me. Ainda há rodas nos veículos, mas é claro que estão extremamente diferentes daqueles nos quais eu andava antes de 2018.

 Desde o início do século XX, tem aumentado muito o apego pelos chamados pets, como passaram a ser chamados os gatos e cães. Já há vários anos existem cachorródromos, grandes espaços cercados para as pessoas passearem com seus animais de estimação, evitando o perigo do trânsito e que emporcalhem as ruas. O amor pelos bichos tem sido demonstrado de forma cada vez mais intensa e explícita. Pessoas fazem festas de aniversário para os pets e até de casamento dos bichos. O comércio de pet shops com roupas, ornamentos e alimentos para cães e gatos tem crescido estrondosamente, assim como o ramo de cuidadores de pets, turismo específico e hotéis para animais. Já era alto o índice de animais por famílias e, a partir de 2040, o número já era de 2 pets por residência, em média no Rio Grande do Sul.
Estou indo visitar meu neto Raphael, o Meu Pequeno Chefe, que agora esta com 46 anos e mora na casa em que ele viveu quando pequeno, nas proximidades de onde foi o estádio Olímpico, do Grêmio. Outra curiosidade nas ruas é que, em alguns locais, há esteiras rolantes nas calçadas para beneficiar os mais idosos ou os deficientes. Os ônibus não contam mais com condutores. Tudo é comandado de forma eletrônica, mais ou menos como o metrô de antigamente.
 Enquanto caminho para pegar um ônibus, lembro praticamente também que não há mais espelhos, a não ser nos museus. Nos banheiros, há um sistema de câmeras tridimensionais com uma nitidez impressionante. O sistema de higienização também é totalmente diferente de tudo o que eu conheci quando jovem e já na entrada da velhice. Como não existe mais nenhum tipo de papel, a higiene é feita por equipamentos que utilizam jatos d'água ensaboada, sucção por ar e mecanismos controlados eletronicamente.  
  No meio do caminho, recebo uma menagem de Raphael. Ele me avisa sobre um chamado inesperado e urgente para São Paulo e me pede para adiar a visita. Promete, ao voltar da missão que a empresa o incumbira, de me pegar em casa e levar-me para relembrarmos os velhos tempos em que ele era criança.
    Retorno para casa e retomo a leitura dos meus livros clássicos para matar a saudade dos tempos antigos e do cheiro do papel. Depois do banho, vejo o noticiário na televisão, algumas coisas não mudaram, outras sim, principalmente no que se refere à violência.
 Anoitece. Os pássaros se calam, os ruídos vão sendo engolidos e o silêncio se faz absoluto. Custo a dormir, mas enfim o sono chega.

Acordo com o canto dos passarinhos e o afago silencioso e dourado do sol. Abro os olhos e procuro saber que horas são. No visor do celular, distingo: 8:30. Fixo mais o olhar e leio: 16 de setembro de 2016.





sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

O QUE VOCÊ LEU NESTE ANO?

Este finalzinho de ano é aquela época em que surgem retrospectivas sobre todos os aspectos sejam políticos, econômicos, culturais esportivos, gerais etc. É uma espécie de necropsia com o ano ainda nos estertores. Já publiquei aqui e no Facebook, a minha retrospectiva pessoal (não tão completa é verdade). Curioso como o blog, gostaria de saber sobre livros em 2017. Como não sou crítico literário, minha curiosidade é mais popular. Você se recorda de quantos livros leu neste ano? Não importa se é da lista recomendada pelos intelectuais, se foi comprado na última feira, se tirou temporariamente da biblioteca, se ganhou de presente ou recebeu emprestado.
Que pena que ninguém respondeu. Vou ficar na curiosidade.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

DA LEITURA NAS FÉRIAS

Na leitura de "Eu, Cláudio, Imperador", de Robert Graves, em tradução de Mario Quintana (terceira edição, 1962), deparo com uma passagem que me fez lembrar a frase "Se a lenda é mais interessante que a realidade, publique-se a lenda", do filme "O Homem que Matou o Facínora", de John Ford, estrelado por John Wayne. A situação semelhante se deu na autobiografia de Claudius, onde há o relato de um diálogo entre o célebre historiador Tito Livio e o não menos importante personagem Asinius Pollo, do qual eu nunca havia tomado conhecimento.
  Os dois historiadores discutiam estilos de narrativa histórica. Pollo acusava Tito Livio de falsear a história, que, para Pollo, deve uma narrativa exata dos fatos, dos feitos dos homens, sobre o que fizeram e disseram, da maneira como viveram e morreram. O argumento de Tito Livio me chamou atenção para a questão de muitos, principalmente nos dias de hoje, preferirem a lenda aos fatos.
- Adoto de bom grado todos os episódios legendários que se ligam ao meu assunto: a grandeza antiga de Roma - se ele não são verdadeiros em detalhe, certamente o são em espírito. Quando encontro duas versões do mesmo episódio, escolho a que mais se aproxima do meu objeto. Não vou escavar os cemitérios etruscos para descobrir uma terceira versão que talvez contradiga as outras duas, para quê?
- Para servir a causa da verdade - disse Pollo. Ao comentar o fato, me vêm à mente historiadores brasileiros, alguns deles ufanistas e simplesmente copiadores de outros historiadores e principalmente, os políticos. Para estes, os correligionários do presente e o passado primam ou primaram pelo heroísmo e pelas ações em favor do povo quando, na verdade, tomaram decisões apenas com o objetivo de beneficiar a si mesmos ou ao seus parentes e amigos.
  

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

POEMAS NOS ONIBUS E NO TREM - 2016/2017 - PORTO ALEGRE

Por problemas técnicos, eu ainda não havia publicado nada sobre o concurso Os Poemas nos Ônibus e no Trem, edição 2016.-2017 O resultado havia sido divulgado em outubro, durante a Feira do Livro. Os poemas deverão estar nos vidros das janelas dos ônibus e no trem metropolitano em 2017. Também inscrevi um, mas a concorrência era forte. Não fui classificado.
    Entre os que ganharam, identifiquei o meu ex-colega de Zero Hora, o jornalista e professor Demétrio Soster, que já emplacou várias de suas poesias no concurso. Outro nome conhecido para mim é o do professor pernambucano Carlos Alberto de Assis Cavalcanti, que também já fez parte de outras edições. Além da publicações nos ônibus e no metrô, as poesias integram um livro impresso pela Editora da Cidade, que me foi gentilmente cedido pelo meu ex-colega Márcio Pinheiro, coordenador do Livro e Literatura, da Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre.
 Cito aqui, quatro poemas, que escolhi desta edição de 2016/2017

Massa(crados)

Se este ônibus fosse meu
Teria assentos preferenciais
Para pessoas com dor
Na alma

Carla Pastro

O assombro da Múmia

A múmia, do sarcófago exumada,
ressurge envolta em poeira e ligadura
no centro de Brasília, donde apura
ter muitos sósias seus lá na esplanada.
Espanta-se a caveira trasladada
com a luxúria que os vivos, em loucura,
esbanjam nos seus gastos, sem lisura,
da verba que a nação paga dobrada.
Nem quando os faraós, no antigo Egito,
reinaram em seus palácios, junto ao Nilo,
a ostentação foi tanta quanto agora.
A múmia, estarrecida, da um grito,
e afirma sem fazer qualquer sigilo:
tá de um jeito que até defunto cora.

Carlos Alberto Cavalcanti



Solfejo da Saudade


Sol Lá, frio aqui.
Si tu MI faltas,
Dó de mim.
A vida em marcha RÉ

Carlina Meyer Silvestre



Sobre peixes, poças e calçadas

porque sabem
que a verdade

é um peixe
fora d'água

crianças preferem
as poças à calçada

Demétrio Soster


Quem leu até aqui, pode ter ficado curioso para saber qual era o poema que inscrevi e que acabou não sendo escolhido, assim como centenas de outros. Foi o seguinte:

A Bela do Botânico

Ela mora no Botânico,
que pegou o nome do Jardim, 
e pega o Botânico,
que pegou o nome do bairro.
No Jardim Botânico, rosas, gérberas e jasmins
encantam todos com com suas pétalas graciosas
e seus inebriantes perfumes
No ônibus Botânico, ela encanta todos 
com sua beleza e simpatia.
E aqui me deixa morrendo de ciúmes.
Quisera ser o jardineiro do Jardim Botânico
para cuidar das flores, ah, como eu queria.
Ou então ser o motorista do Jardim Botânico
pra ganhar o belo sorriso dela, todo dia.

  

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

MINICONTO DE NATAL

Ele queria passar o dia 25 deste ano na capital do Rio Grande do Norte. Não deu.

PARABÉNS AOS GANHADORES DO PRÊMIO ARI DE JORNALISMO DE 2016

A Associação Rio-Grandense de Imprensa apresentou na segunda-feira (19/12), em cerimônia no auditório do Ministério Público, os vencedores da 58ª edição do Premio ARI de Jornalismo/ 2016, patrocinado pelo Banrisul.  Foram inscritos 367 trabalhos, distribuídos por 17 categorias. Os ganhadores foram os seguintes:



JORNALISMO IMPRESSO

1º Lugar - Matheus Vasconcellos Chaparini, repórter do Jornal Já, que filmou ação da Brigada Militar em desocupação e foi indiciado por quatro crimes.
2º Lugar - Renato Nunes Dornelles - Diário Gaúcho - Refugiados do Tráfico 
Menção Honrosa - Rodrigo Lopes - Zero Hora - Sete Dias na Metrópole Mais Perigosa do Mundo

REPORTAGEM ESPORTIVA
1º Lugar - André Baibich - Zero Hora - Sofrer é o Meu Esporte.
2º Lugar - Leandro Behs - Zero Hora - 40 Anos de um Time Iluminado: o Primeiro Brasileiro Conquistado pelo Inter.
Menção Honrosa - Gustavo Henrique Henemann - Jornal NH - Apita o Árbitro, Vida em Jogo.

REPORTAGEM ECONÔMICA
1º lugar - Carlos Rolsing Braga - Zero Hora - Do Crédito farto ao calote: A derrocada do Badesul
2º lugar - Juliana Bublitz  - Zero Hora - À Espera de Um Milagre: Como a crise chegou aos municípios gaúchos
Menção Honrosa: Michele de Carvalho Ferreira - Diário Popular (Pelotas) - Uma década de Polo Naval.

REPORTAGEM CULTURAL
1º Lugar - Leo Flores Vieira Nunes - TVE - O Circo
2º Lugar - Elmar Bones da Costa - Editora Já - República Rio-Grandense: As polêmicas que o tempo não apagou.
Menção Honrosa - Larissa Roso - Zero Hora - Picasso Vai à Fase
Menção Honrosa - Rogério Barbosa - Rádio Estação WEB - 20 Anos Sem Ivani Ribeiro
Menção Honrosa - Mariana Pessin - RBSTV - PartiuRS  
Menção Honrosa - Filipe Peixoto - Band TV - Moinhos Fazem Historias
Menção Honrosa - Rafael Silveira Gloria - Nonada Jornalismo Travessia - Museu Estadual do Carvão Completa 30 anos em Compasso de Abandono

CRÔNICA
1º Lugar - Paulo Germano Moreira Boa Nova - Zero Hora - Para que Serve um Velho
2º Lugar - Cláudia Laitano - Zero Hora - Vai Ter Shortinho Sim

Menção Honrosa - Paulo Ricardo Cunha Mendes - Correio do Povo - Para Além das Pandorgas

FOTOJORNALISMO
1º Lugar - Bruno Schmidt Alencastro - O Encontro de Dois Súper-Heróis
2º Lugar - Juarez Machado - Jornal NH - O Mar em Fúria
Menção Honrosa - Júlio Cordeiro - Zero Hora - Inversão de Papéis

CATEGORIA GRÁFICA, ILUSTRAÇÃO, INFOGRAFIA E PLANEJAMENTO GRÁFICO
Alexandre Oliveira - Diário Gaúcho - Oftalmologia (charge)
Jonathas de Almeida Costa, Correio do Povo - Projeto gráfico do + Domingo
Menção Honrosa - Santiago (Neltair Rebés Abreu) -Jornal Extra-Classe
 - Escola Sem Partido

RÁDIO JORNALISMO
Cid Martins - Rádio Gaúcha - Regime Sempre Aberto
Eduardo de Matos Silva - Rádio Gaúcha - A Insistência do Trabalho Infantil
Menção Honrosa - Eduardo de Matos Silva - Rádio Gaúcha - Os Desafios do Emprego na Crise

REPORTAGEM ESPORTIVA
1º Lugar - Rodrigo Martins de Oliveira - Rádio Gaúcha - Coronéis do Futebol - Parte II
2º Lugar - José Renato da Silva Freitas Andrade Ribeiro - Rádio Santa Cruz - Jogo Sujo
Menção Honrosa - Marcelo Beust Salzano - Rádio Bandeirantes -  Inter Campeão da América - Especial 10 anos

TELEJORNALISMO

Reportagem Geral
1º Lugar - Marcelo Chemalle - SBT - Série "Tetos de Papel"
2º Lugar - Angélica Coronel     - TVE  - A Cultura do Estupro
Menção Honrosa - Angélica Coronel - TVE - Travestis e Transexuais em Porto Alegre
Reportagem Esportiva
1º Lugar - Kelly Teixeira da Costa - RBSTV - Gaúcho Deixa as Ruas e Vira Sonho Olímpico
2º Lugar - Glauco Plaza - RBSTV - Adeus, Monumental
Menção Honrosa - Fernando Becker - RBSTV - Especial "10 Anos da Batalha dos Aflitos

WEBJORNALISMO
1º Lugar - Larissa Roso - Zero Hora - As Marcas do Bulliyng 
2º Lugar - Leonardo Oliveira da Silva - Zero Hora - 40 Anos da Mais Vermelha das Tardes
Menção Honrosa - Patrícia Comunello - Jornal do Comércio - Intenso Caio: 20 anos sem Caio Fernando Abreu

JORNALISMO UNIVERSITÁRIO IMPRESSO
1º Lugar - Isabela Mércio Pereira - PUCRS - Caiu na Rede é Gol
Menção Honrosa - Tiago Bianchi - PUCRS - Quarenta e Oito
Menção Honrosa - Gabriel Guns Rigoni -UFRGS - Bola Começa com B: Os caminhos da 2ª Divisão

JORNALISMO UNIVERSITÁRIO TELE
1º Lugar - James de Melo Rodrigues - UniTV - Multi Ponto: Ocupações nas escolas públicas
Menção Honrosa - Augustine Tim - UCPel - Série "Pelotas do Sal ao Açúcar"

JORNALISMO UNIVERSITÁRIO WEB 
1º Lugar - Régis de Oliveira Junior - Unisc - Retratos da Escravid
Menção Honrosa - Amanda Iegli Tech - Ulbra - Mulheres da Tio Zeca: Políticas públicas de prevenção ao zika vírus em Porto Alegre

GRANDE PRÊMIO ACADÊMICO - JORNALISMO UNIVERSITÁRIO TELE
James de Melo Rodrigues - UniTV - Multi Ponto: Ocupação nas escolas públicas

CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL Á COMUNICAÇÃO - PREMIO ANTONIO GONZALES 2016
TV ASSEMBLEIA
GDI - Grupo RBS
Livro: Os Gigantes Estiveram Aqui - Andre Malinovski












segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

A MINHA RETROSPECTIVA DE 2016

Todos os anos, em dezembro, os órgãos de comunicação costumam fazer retrospectivas. Neste ano, VidaCuriosa também faz a sua. A escolha é feita pelo editor do blog em tom mais ou menos pessoal. Os fatos escolhidos são aqueles que atingem diretamente o editor, sua vida, seu bairro, sua cidade, o país e o mundo com essa ordem de importância.

29 de janeiro - Vendaval atinge Porto Alegre. Eu saía do trabalho no final da noite. A ação dos ventos, poucas horas antes, havia atingido praticamente todo o início do trajeto do carro que levava profissionais do Correio do Povo para casa, saindo da Caldas Júnior, passando pela Usina do Gasômetro. Tivemos que desviar para a Avenida Pessoa por causa das árvores caídas, algumas sobre automóveis e postes de energia elétrica. Também no Parque da Redenção, a força do vento derrubou árvores.
1º de abril - Completei um ano como funcionário da Caldas Júnior. De 1976
a 1980, trabalhei na Folha da Manhã. De 1980 a 1984, na Folha da Tarde, de onde saí para a RBS. De volta, 30 anos depois, estou agora como revisor do Correio do Povo.
9 de junho - Coisas de um Brasil incrível:  o policial federal Newton Ishii, o Japonês da Federal, como ficou conhecido por aparecer na TV custodiando políticos importantes presos na Operação Lava-Jato, é condenado a quatro anos de prisão. Foi julgado por favorecer o contrabando. Até hoje, não foi expulso da Polícia Federal e passou a usar tornozeleira eletrônica.
9 de julho - Escola Aurélio Py, na Zona Norte de Porto Alegre, foi arrombada, e os ladrões levaram 110 notebooks e um projetor, causando prejuízo de R$ 72 mil. Como retrato deste país, parte dos equipamentos foi encontrada na casa de um policial civil. Outros notebooks estavam em uma lixeira e mais alguns em um matagal.
7 de junho - Eduardo Cunha renuncia ao cargo de presidente da Câmara dos Deputados por envolvimento na Operação Lava-Jato. Seguiria como deputado, mais tarde seria cassado na Câmara e levado à prisão, em 12 de outubro, contrariando muitas pessoas que acreditaram que ele escaparia.
24 de julho - Guarany Futebol Clube conquista o título de 3ª Divisão do Campeonato Gaúcho ao derrotar o Gaúcho, em Passo Fundo por 2 a 1. Conseguiu a única vaga para a Divisão de Acesso que será disputada em 2017, que dará direito à disputa pela volta à divisão principal.
19 de agosto - Seleção Brasileira de Futebol sagra-se campeão da Olimpíada do Rio. Foi o primeiro título brasileiro de futebol masculino nas olimpíadas.

30 de agosto - Completo 62 anos sem festa. Um presente que me agradou muito, e que não esperava, foi-me ofertado pelo meu colega e amigo Luiz Gonzaga Lopes. o maior trocadilhista que conheço. A obra "Chfaizfavoire", de autoria de Mário Prata, me deu grande prazer de leitura e subsídios para meu post no Vidacuriosa sobre palavras com diferentes sentidos no português lusitano e brasileiro.

31 de agosto - Dilma Roussef sofre impeachment. Senadores aprovam a saída da presidente por 61 votos a 20. Tiraram-na do poder sem que provassem qualquer envolvimento dela com a Operação Lava-Jato, na qual estão envolvidos não só o ex-presidente Lula como o sucessor de Dilma, o ex-vice e agora presidente do Brasil além de outros adversários de Dilma, Temer, como o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, o presidente do Senado, Renan Calheiros e vários outros.

10 de outubro - Entro para as estatísticas dos assaltados. Uma dupla, apoiada por um terceiro em um carro Renault Scenic, me aponta revólveres na esquina das ruas Eurico Lara e Oscar Schneider, no Bairro Medianeira, a menos de uma quadra da minha casa, e levam meu celular às 15h30min. Um minuto depois passou uma viatura, e os PMs perseguiram os bandidos ao serem informados do assalto. Eles usavam um carro com placas quentes. Os PM foram ao endereço do dono do veículo e falaram com a proprietária. Ela disse que um sobrinho, chamado Marcos Vinícius Mateus Pereira, pegou o carro sem permissão. A polícia não conseguiu pegar os outros dois, mas indiciou Marcos Vinícius por assalto. Do celular, nem sinal.
18 de outubro - Plínio Zalescki, coordenador da campanha de Sebastião Melo, o PMDB, é encontrado morto dentro do comitê do partido. Polícia constatou que foi suicídio. Ele estava em depressão e sofria com denúncias feitas por militantes do partido adversário.

20 de outubro - Nelson Marchezan Junior, do PSDB, se elege prefeito de Porto Alegre em segundo turno ao derrotar Sebastião Melo, do PMDB e coligações.

25 de outubro - Morre, aos 72 anos, por problemas cardíacos, o lateral-direito Carlos Alberto Torres, da Seleção Brasileira de 1970.

9 de novembro - Eleições nos EUA. Donald Trump vence Hilary Clinton.

18 de novembro - Ação entre amigos na redação do Correio do Povo recolhe pouco mais de 500 reais entre pouco mais de 50 amigos para obter a quantia necessária para a compra de uma janela na casa de um colega. Seis dos convidados a colaborar com 10 reais não participaram da vaquinha por diversas razões como não dispor da quantia ou que o dinheiro lhes fariam falta, ou por já terem ajudado o colega de alguma forma.

25 de novembro  - Morre Fidel Castro, aos 90 anos, cubano que liderou o golpe que instituiu o comunismo em Cuba ao derrubar a ditadura de Fulgêncio Batista, que atendia a todos os interesses dos Estados Unidos.

30  novembro - Avião com a delegação da Chapecoense e jornalistas cai em Medellín na Colômbia. Morrem 71 pessoas e seis sobrevivem: três jogadores, um jornalista e dois tripulantes. Entre os mortos, o ex-jogador de Grêmio e Inter Mário Sérgio de Pontes Paiva, ex-treinador e que atuava mais recentemente como comentarista de TV e que eu conhecia pessoalmente. A Chapecoense havia viajado para a Colômbia para participar da primeira partida da Libertadores, contra o Atlético de Medellín. 

7 de dezembro - Grêmio conquistou, pela quinta vez, a Copa do Brasil, na Arena, ao empatar em 1 a 1 com o Atlético Mineiro. Fazia 15 anos que o tricolor gaúcho não ganhava títulos nacionais. Na primeira partida, o Galo havia perdido, em casa, por 3 a 1. O Grêmio venceu com Marcelo Grohe, Edson, Geromel e Kanemann e Marcelo Oliveira. Walace, Maicon, Ramiro, Douglas, Everton e Luan. O treinador foi Renato Portaluppi.
11 de dezembro - Inter confirmou sua queda para a Segunda Divisão ao empatar, no Beira-Rio, com o Fluminense por 1 a 1. 
4 de dezembro - Morre no Rio, aos 86 anos, vítima de pneumonia, o poeta Ferreira Goulart. Nascido em São Luís do Maranhão, era integrante da Academia Brasileira de Letras desde 2014. Em 2007, ganhou o Prêmio Jaboti, de melhor livro de ficção com Resmungo. Em 2010, conquistou o Prêmio Camões, o mais importante dos países de língua portuguesa. É o autor da frase "A vírgula não foi feita para humilhar ninguém". Seu nome de batismo era José de Ribamar Ferreira.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

DICA DE AUTOAJUDA - VIDACURIOSA É UTILIDADE PÚBLICA


Se você é como o Amigomeu e eu, que vivíamos perdendo cartões de banco e tendo a desagradável consequência de ter que refazer o documento ou contar com a boa-vontade de pessoas que os encontram e entregam nas agências permitindo reavê-los, seus problemas acabaram
  Cansado desse aborrecimento, e sem conseguir corrigir essa falta de atenção, decidi que teria de encontrar uma forma de não perder mais esses documentos. Publico aqui a fórmula. Eis o passo a passo:
  1) Pegue uma agulha e a coloque no bico aceso do fogão. Para não se queimar, segure a outra extremidade usando um alicate ou um prendedor de roupa. É um procedimento muito rápido. Verifique com cuidado o local em que fará o orifício para não atingir nenhuma parte importante do cartão como o chip ou o equipamento de leitura. 
  2) Passe uma correntinha ou uma linha fina e forte pelo buraco feito no cartão. Pegue a outra extremidade e a fixe na carteira ou na roupa ou até mesmo e em um piercing. Você nunca mais vai perder o cartão.


 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

UM MINUTO DE SILẼNCIO

Há alguns dias, eu vinha pensando em escrever que as homenagens com "minuto de silêncio" antes do início dos jogos de futebol eram um ato ultrapassado, sem sentido, de certa maneira hipócrita. Isso porque quase ninguém mais respeita.
 No Brasil, ninguém costuma dar bola: em homenagens comuns, gritam, riem, quando não debocham da homenagem sem querer saber quem foi o falecido.
   Futebol é como o álcool, o excesso deixa a pessoa inconsequente. O Minuto de Silêncio torna-se uma das ultrapassadas medidas para homenagear pessoas que morreram. A ideia seria fazer o torcedor parar para pensar por um minuto sobre a morte de alguém que foi importante para todos, para ser lembrada e respeitada
 A ansiedade pelo início do jogo e o desrespeito das torcidas fez diminuir a duração para 15 segundos. Ainda assim, quase ninguém reverencia o falecido nem quer saber quem ele foi. Alguns mais insensíveis, alienados pelo fanatismo e pela ingestão de álcool e outras drogas, chegam a cantar refrões de deboches como ocorreu no episódio do jogador Fernandão, vítima de acidente aéreo.

   Nas homenagens do Caso Chapecoense, devido ao impacto nacional e internacional, vi as pessoas em completo silêncio. Vou esperar os próximos jogos quando "minutos de silêncio" serão feitos. Agora, no calor dos acontecimentos, há muita emoção. Depois, em homenagens a outros casos de falecimento, quero ver como se comportarão alguns torcedores que, mesmo não sendo maioria, o são em grande parte e influem com suas atitudes inoportunas e desrespeitáveis, no meio de uma minoria silenciosa e respeitosa.
      Quando eu morrer sei que não receberei homenagens com um minuto de silêncio, a menos que minha morta seja midiática e emocionante. Nesse caso, peço que não façam minuto de silêncio. Façam, se quiserem, um minuto de barulho. É que o silêncio pode ser desrespeitado com um solitário grito, já o barulho, não há quem consiga interromper com qualquer falta de respeito ou insensibilidade.