sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

UM MINUTO DE SILẼNCIO

Há alguns dias, eu vinha pensando em escrever que as homenagens com "minuto de silêncio" antes do início dos jogos de futebol eram um ato ultrapassado, sem sentido, de certa maneira hipócrita. Isso porque quase ninguém mais respeita.
 No Brasil, ninguém costuma dar bola: em homenagens comuns, gritam, riem, quando não debocham da homenagem sem querer saber quem foi o falecido.
   Futebol é como o álcool, o excesso deixa a pessoa inconsequente. O Minuto de Silêncio torna-se uma das ultrapassadas medidas para homenagear pessoas que morreram. A ideia seria fazer o torcedor parar para pensar por um minuto sobre a morte de alguém que foi importante para todos, para ser lembrada e respeitada
 A ansiedade pelo início do jogo e o desrespeito das torcidas fez diminuir a duração para 15 segundos. Ainda assim, quase ninguém reverencia o falecido nem quer saber quem ele foi. Alguns mais insensíveis, alienados pelo fanatismo e pela ingestão de álcool e outras drogas, chegam a cantar refrões de deboches como ocorreu no episódio do jogador Fernandão, vítima de acidente aéreo.

   Nas homenagens do Caso Chapecoense, devido ao impacto nacional e internacional, vi as pessoas em completo silêncio. Vou esperar os próximos jogos quando "minutos de silêncio" serão feitos. Agora, no calor dos acontecimentos, há muita emoção. Depois, em homenagens a outros casos de falecimento, quero ver como se comportarão alguns torcedores que, mesmo não sendo maioria, o são em grande parte e influem com suas atitudes inoportunas e desrespeitáveis, no meio de uma minoria silenciosa e respeitosa.
      Quando eu morrer sei que não receberei homenagens com um minuto de silêncio, a menos que minha morta seja midiática e emocionante. Nesse caso, peço que não façam minuto de silêncio. Façam, se quiserem, um minuto de barulho. É que o silêncio pode ser desrespeitado com um solitário grito, já o barulho, não há quem consiga interromper com qualquer falta de respeito ou insensibilidade.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

O FUTEBOL, O FANATISMO E A BARBÁRIE

27 de novembro, 2016. A partida entre Internacional e Cruzeiro no Beira-Rio está ainda no seu começo na bela tarde de domingo. O Inter está com sério risco de cair para a Série B do Campeonato Brasileiro. De repente, surge sobre o estádio um drone envolto por um lençol branco com uma grande letra B vermelha. Alguns colorados até riem, já fizeram coisas semelhantes para flautear gremistas. Outros ficam enraivecidos. Depois, mesmo com a vitória por 1 a 0, que mantém o time com... chance de escapar da Segundona, alguns dos irados (na acepção mais antiga da palavra0 saem atrás do drone, que é uma pandorga moderna, sem fio. Como não dá para ir até o início de uma corda, baderneiros, imbecis, idiotas, chegam a uma casa nas proximidades do estádio acreditando que foi dali que partiu o objeto voador. Na residência, estão um casal e uma criança. Ainda que o morador esteja vestido com um calção do Inter e grite que é colorado e que não entende o que estão fazendo, os criminosos arrancam o portão, destroem os vidros do carro e jogam tijolos na janela onde a mulher grita desesperadamente.
Pensadores desde o século passado, diziam e dizem que a televisão é responsável por alienar as pessoas. Digo, sem pestanejar, que o fanatismo do futebol, aliado às drogas ilícitas e ao álcool fazem um estrago bem maior. Alguns pensadores de hoje, também chamados de formadores de opinião, talvez não concordem com isso: eles estão inoculados com o vício do fanatismo que, com o uso de drogas e do álcool, os levem a apologias diárias das drogas e do álcool.

domingo, 27 de novembro de 2016

DICAS SOLTAS SOBRE CRASE

DEVIDO Á -

DEVIDO ÁS


Sempre que surgir a expressão Devido a, seguida de substantivo feminino, pare e observe. Há caso de crase. Exemplos: Devido à observação, devido à chegada do frio, devido à conclusão, etc.

Sempre que, após devido as, vier substantivo feminino plural é caso de crase. Exemplo: O escritor ficou famoso devido às histórias de amor que ele escreveu.

Quando depois de a (preposição) vier substantivo plural, não há crase. Exemplo. Devido a inúmeras tentativas… devido a ideias estapafúrdias...

Para ter certeza de que há crase (contração da proposição a com o artigo a ou com a inicial (a) dos demonstrativos aquele, aquela, aquilo) passe para o substantivo para o masculino. Devido ao cuidado, devido aos procedimentos.


VERBO VISAR
Se o verbo for transitivo direto (sentido de pôr a vista ou o visto em algo) não há crase. Visar a nota, visar o cheque.

Se for verbo transitivo indireto (com sentido de meta, propósito) aí vai crase. Exemplo: Visar à prefeitura, visar o governo do Estado, visar às vagas.


É o mesmo caso dos seguintes verbos:

aspirar (aspirar à carreira = subir de cargo, aspirar a carreira, drogar-se com cocaína).

Assistir (assistir à cirurgia = ver a ação da equipe médica; assistir a cirurgia = ajudar ao médico, no caso de enfermeiros.)

TRISTE COM A PASSAGEM DE FIDEL CASTRO

Estou triste com a morte de Fidel. Não vou comentar aqui a queda de Fulgêncio Batista, que fazia de Cuba um bordel para os Estados Unidos nem os erros cometidos pelos novos governantes, nem a  pressão dos Estados Unidos sobre a nação comunista do Caribe.
Mesmo triste, não posso deixar de publicar uma piada que li há algum tempo:


Fidel e a bandeira de Cuba
"Em 2009 , um grupo de cubanos resolveu fazer uma homenagem aos 50 anos da Revolução Comunista. Decidiram fazer uma caminhada em Sierra Maestra, local significativo da luta guerrilheira. Convidaram um velho companheiro dos irmãos Castro, que participou da . Quando subiam a serra, já bem idoso, o tal guerrilheiro sentiu-se mal. Caído, prevendo que sua vida estaria por um fio, pediu aos 'compañeros":
"Traigame una bandera de Cuba.

Ninguém levava bandeira. Uma morena lindíssima de rosto e com corpo escultural lembrou-se de que tinha uma bandeira tatuada nas nádegas.
Ela tirou a roupa e a calcinha e aproximou o traseiro do rosto do compañero, que passou a exclamar:
- Me muero feliz com la bandera de Cuba. Beso la banderita de mi país. Viva Cuba!
E fez um último pedido:
- Ahora virate que quiero dar un besito em mi querido amigo Fidel."

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

CONVIVER É APRENDER ALGO DE ANTROPOLOGIA A CADA DIA

Ninguém é tão pobre que não possa ajudar alguém algum dia, nem tão rico que alguma vez não precise de ajuda.

Normalmente os sovinas, os egocêntricos, os mãos-de-vaca, os pão-duros e os umbiguistas, que jamais em quaisquer circunstância ou tempo algum ajudam quem quer que seja, odeiam quem decide fazer uma boa ação. Usam das mais variadas e inimagináveis desculpas para não participar, ainda que seja com uma quantia praticamente insignificante.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

REFLEXÃO SOBRE A GENTILEZA.

Gentileza gera gentileza, salvo se o alvo beneficiado não for uma pessoa egoísta, mão-de-vaca, sovina, pão-duro, unha-de-fome, umbiguista.

Gentileza feita em troca de outra gentileza imediata e mútua não é gentileza; é comércio, é escambo.

Gentileza em que o autor faz alarde, faz questão de divulgar que fez, não é gentileza, é marketing, é autopropaganda.

Gentileza forçada não é gentileza, é cinismo.

Gentileza feita após alguém insistir para que faça, não é gentileza. Se envolver dinheiro, é extorsão.

Caráter não se compra em shopping, nem em farmácia, não se aprende em faculdade.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

NO ÓCIO DA MANHÃ

Uma amizade entre um homem e uma mulher pode permanecer sem sexo desde que os dois nunca fiquem sozinhos em uma ilha perdida no meio do oceano.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

TROCADILHANDO EM INGLÊS

Sou tão louco por trocadilhos que acabo exagerando e até intrometendo-me em  língua estrangeira. Há algum tempo, quando fazia um curso de inglês, resolvi verter, para a língua de Shakespeare, uma piada que eu só conhecia em Português. Ficou assim (que me perdoem os nativos em inglês e os que são fluentes nessa língua):


Two men arrive at Rio de Janeiro, in time machine. They meet a policeman and they bet who is better at reaching a target. The policeman take both to the slum Rocinha and they choose a little and fat boy, and put him stand up in front of a wall with an apple on his head. The first man take aim which his crossbow and reach the fruit in the middle. And he says: I'm William Tell.
   The second man take aim too and de arrow reach the apple too. He says: I'm Robin Hood.
  The carioca cop take his gun and shot... He says: I am sorry.


  

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

REFLEXÃO SURGIDA NO INÍCIO DA MANHÃ

Tão irresponsável quanto derrubar uma árvore sem motivos é viver uma vida inteira sem plantar uma sequer.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

VOCÊ SABE A ORIGEM DA CENA DO NOIVO CARREGAR A NOIVA NO COLO PARA ENTRAR NA NOVA CASA?

        Você já deve ter visto inúmeras vezes em filmes. novelas e quem sabe até na vida real, após a cerimônia de casamento, o noivo, no caso já marido, carregar no colo a noiva (já esposa) antes de entrar na casa ou no quarto em que o novo casal irá morar. Em que esse costume se baseou?

  Encontrei essa resposta outro dia, lendo o livro Historia Romana, Las Orígens - Las Conquistas  - El Imperio, que ganhei da minha querida amiga Erika Madaleno, entre outros, do acervo deixado pelo pai dela, o saudoso e brilhante advogado Jayme Madaleno.
  Diz a obra de Carlos Maquet, publicada pela Librería Hachette S.A, em Buenos Aires, em 1944, que esse costume vem do tempo da Roma Antiga, quando os patrícios eram os únicos cidadãos, ainda não havia plebeus, e existia apenas um tipo de casamento, o matrimônio religioso, que consistia em oferecer um sacrifício espargindo-se uma espécie de farofa de cevada sobre os noivos que depois comiam uma torta de farofa. A esposa, vestida de branco e com o rosto coberto por um véu vermelho, era conduzida ao som de flautas e cânticos para a casa do esposo, que a fazia transpor o umbral, levantando-lhe o véu para simular um rapto. Assim, separava a futura mulher dos deuses da família dela e a unia aos da sua nova casa.
 

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

MINIAULA DE PORTUGUÊS

A existência de palavras homógrafas (com escrita igual ou parecida), homófonas (com som igual ou parecido), com sentidos diferentes uma das outras, nos causam algumas dificuldades. Às vezes, queremos escrever uma ideia e acabamos digitando outra. Às vezes digitamos certo, e outras pessoas entendem errado. Para ajudar, aqui vão três palavrinhas parecidas, mas que muitas vezes são colocadas erradamente no texto, ocupando umas os lugares das outras.



MAS
É uma conjunção coordenativa adversativa.
"Estou aqui trabalhando, mas pensando nas férias.
"Gosto de futebol, mas não sou fanático".


MAIS
 É um advérbio de intensidade.
"Quando mais eu rezo, mais a assombração me aparece."
"Mais vale um pássaro voando do que dez nas gaiolas"

MÁS
Substantivo feminino plural.
Fulana e Beltrana aparentavam ser mulheres muito gentis e bondosas. No entanto, eram muito más.
(Renato Panattieri)
As mães de filhos flagrados no crime sempre atribuem as atitudes deles às más companhias.


E agora, embolando tudo:

Há muitas pessoas más no mundo. Mas, se pararmos para pensar, pessoas boas há muito mais.















 

domingo, 2 de outubro de 2016

PATROCINADO PELA INSÔNIA XVIII

Um homem não deve ser uma Ilha deserta, a não ser que seja por consciente opção. Porque uma ilha é como uma jangada que flutua, só que não leva a lugar nenhum .

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

DA SÉRIE "REVISOR DE JORNAL, UMA FUNÇÃO EM RISCO DE EXTINÇÃO"

Revisor de jornal é aquele profissional que o leitor nem imagina que ele impediu de sair a palavra "merdológica", corrigindo-a para mercadológica, mas não o perdoaria se saísse.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

UM DIA DE BOM HUMOR (Mistura de realidades com ficcão)

O galo canta ao longe, toma o lugar do despertador, na hora certa. E o que se ouvem não são os tiros e os gritos dos traficantes em guerra contínua na vila, seguidos da sirene das viaturas. Os sabiás, os bem-te-vis seguem a sinfonia após a performance do galo.
 Entro no Facebook, rio com as bobagens de pândegos como o Paulo Motta, deixo as minhas besteiras e ignoro queixas e puxa-saquismos de candidatos e outros políticos.
 Na saída de casa, noto as flores do jardim da frente desabrochando com autorização da Primavera, que chega no próximo dia 22.
 Alguém abre a porta do banco para eu entrar. Agradeço. Extrato revela que o pagamento chegou. Seguro a porta para outro cliente sair. Ganho um obrigado e um sorriso.
 O ônibus mais certo chega junto comigo à parada. Choveu e abriu sol. O Arco-íris vai de um edifício ao outro e mergulha no Guaíba.
 Elogios no trabalho. Troca de trocadilhos com o colega Luiz Gonzaga Lopes, especializado nesse tipo de humor.
O expediente passa rápido. Aprendo mais um pouco de português, dos acontecimentos diários da cidade e do mundo.
Chego de volta em casa, são e salvo. Dou um beijo no meu filho Luciano. Sono rápido e tranquilo.
Foto de Ari Teixeira

domingo, 4 de setembro de 2016

UM DIA DE MAU HUMOR (TOTALMENTE FICTÍCIO)

A quem está de mau humor tudo irrita. A coberta que cai, o sabiá que canta, o cachorro que late, o vizinho que conversa, o sumiço das parceiras das meias, a falta d'água sem aviso, o ônibus que anda absurdamente devagar ou o táxi que some na hora em que você precisa e aparece aos montes quando você não quer, ou o carro que fecha o seu, ou o motorista de outro carro que se irrita porque você deu uma fechada, a pessoa que se atravessa na sua frente na rua movimentada, gente que não fecha guarda-chuva mesmo sob a marquise, quase atingindo olhos alheios, o dinheiro que não entra na conta, o colega que faz pergunta idiota, as mensagens perguntando se você está bem, o revisor ortográfico que troca as suas mensagens, o sono que não vem...

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

CAMINHADA SOLIDÁRIA DA APAE-PORTO ALEGRE SERÁ REALIZADA NO PRÓXIMO DIA 11


 Será realizada, no próximo dia 11 deste mês, no Parque da Redenção, conhecido também como Parque Farroupilha, a IX Caminhada Solidária da Apae-Poa. A concentração para o evento está marcado para as 9h no Auditório Araújo Vianna, dentro do mesmo parque. O início da caminhada está marcado para as 10h. Se você quiser participar do evento ou apenas colaborar com a entidade, poderá adquirir a camiseta relativa à IX Caminhada. Para isso, basta ligar para o telefone (51) 3225-8217 e fazer a encomenda que será entregue em casa sem custos.

 


quarta-feira, 24 de agosto de 2016

A FANTÁSTICA RUA DA PRAIA NO CENTRO DE PORTO ALEGRE

Não conheço outras ruas importantes de grandes cidades pelo fundo afora. Para mim, entretanto, a rua mais interessante e curiosa do mundo é a Rua da Praia, no centro de Porto Alegre Tem nome no rio, mas não está à margem de nenhum. Há muitoanos, teve uma pequena parte que se banhava no Guaíba, que depois o foram empurrando para longe dela.
A Rua da Praia, que ninguém se lembra do nome oficial, colocado em homenagem a três irmãos políticos do tempo da Monarquia, parece um rio. Pela Rua dos Andradas, passam milhares de pessoas nos mais diferentes sentidos. Nela, a arte floresce e desaparece como um jardim em qualquer estação do ano nestes lugares subtropicais. Sazonalmente, vêm-se artistas de todos os matizes, de todas as qualidades, de todos os tipos.
     Caminhar pela Rua da Praia é deparar-se com o diferente, com o que ontem não estava ali e amanhã não estará. Ídolos mundiais, que nunca morrem surgem de repente relembrados numa das quadras da Rua dos Andradas, entre a Esquina Democrática no leito da Borges de Medeiros e a Caldas Junior. Na quinta-feira, por exemplo, deparo-me com o Chaves, o imortal personagem criado para a comedia da tv mexicana na década de 60 e que faz sucesso até hoje no brasil. Edemar dos Santos, casado, pai de quatro filhos com 71 anos, veste-se de Chaves há vários anos.  Além de desfilar vestido de Chaves na Rua da Praia e no Brique da Redenção, arrecadando algumas moedas e pequenas notas, também faz apresentações e entretenimentos em aniversários de crianças. Diz que em sua agenda tem oito apresentadões marcadas pelo telefone 8633-2532.
 Edemar, como se nota, é um apaixonado pelo Chavo Del Ocho, como se nota. Ele conta que no dia  morreu Roberto Gómes Bolaños, o criador e intérprete do Chaves, ele ficou muito triste e chorou como se tivesse morrido um parente muito próximo.Naquele dia 28 de novembro de 2014, ele passou o dia inteiro em casa, vestido de Chaves e assistindo o noticiário sobre a morte e as noticias sobre o seriado.
Saí dali, a caminho do  trabalho e passei por mau outras figuras curiosas, três delas mostrando sua arte musical. Mas não ou de conversar com todos porque me atrasaria para o serviço.






domingo, 7 de agosto de 2016

REGISTRO RÁPIDO PARA AS MINHAS MEMÓRIAS


 
Apesar dos maus pressentimentos, abertura dos Jogos do Rio foram um sucesso
Agosto, 2016. Desenvolvem-se, no Rio, os XXXI Jogos Olímpicos da Era Moderna. Depois de muitas trapalhadas, tantos atropelos e atrasos, com vexames na entrega de apartamentos com problemas de vazamento e outros para os atletas, com uma baía de Guanabara ostentando seus coliformes na forma mais exuberante possível, a Olimpíada teve uma abertura brilhante, sem erros, sem equívocos, com uma verdadeira festa brasileira no Maracaná, onde o grande Paulinho da Paulinho da Viola cantou o hino nacional, a modelo Gisele Bündchen desfilou ao som da música Garota de Ipanema. Outro representante da música brasileira, Jorge Bem Jor cantou País Tropical acompanhado do público, que ouviu também o celebrado Caetano Veloso e a cantora Anitta de recente sucesso popular.
     Diferentemente de outros tempos de Brasil, o espetáculo superou os corriqueiros atos políticos. O presidente interino, que se beneficiou do impeachment temporário da presidente Dilma Roussef, não teve seu nome anunciado e, ao abrir os jogos, foi mais rápido do que sexo de coelho, e ainda assim foi vaiado por parte do público que teve sua manifestação mais ou menos abafada pelo som e pelos foguetes. Dilma Roussef não compareceu.
   
Cercada de mistérios, a escolha de quem iria acender a pira revelou-se bastante sensata. O catarinense Gustavo Kuerten, o Guga, ídolo do tênis nacional e campeão três vezes do famoso torneio de Roland Garros, entrou pelo portão do Maracanã, sorridente e chorando ao mesmo tempo, carregando a tocha olímpica. Ele repassou o fogo simbólico para a campeã do basquete, a paulista Hortência Marcari. Ao pé da escadaria que simbolizava o Monte Olímpia, quem recebeu a tocha para acender a pira foi o ex-corredor de maratonas Vanderlei Cordeiro de Lima. Ele ficou famoso não por ter ganho o ouro na Olimpíada de 2004, na Grécia, quando ficou com a medalha de bronze,mas com um fato que aconteceu na prova. Bicampeão dos Jogos Pan-Americanos, o paranaense virou ídolo quando sofreu uma injustiça. Ele estava a sete quilômetros da linha de chegada, conseguira uma distância considerável dos adversários e ganharia certamente a prova. Mas foi interceptado por um padre irlandês, cujo nome é importante manter no anonimato, que o empurrou para fora da pista. Vanderlei se desvencilhou do ser inconveniente, ajudado por outro espectador, e seguiu correndo para chegar em terceiro lugar. Vanderlei comemorou o bronze como se fosse o outro. Recebeu também a inédita medalha Pierre de Coubertin.
   A escolha para acender a pira foi mais do que acertada e merecida. Ainda mais que o escolhido para o gesto mais importante da Olimpíada havia sido Pelé, o maior ídolo do futebol mundial de todos os tempos. Edson Arantes do Nascimento declinou do convite alegando motivos de saúde. Sem condições de examinar os prontuários médicos do Rei do Futebol, resta acreditar na palavra dele mesmo em um país de tantas mentiras deslavadas, principalmente de governantes e de políticos, em que boa parte da população é formada por macunaímas, que veneram heróis sem nenhum caráter. Pela falta de provas, também não há como dar crédito a boatos de que o problema seria outro, referente a conflitos de interesses econômicos entre supostos patrocinadores particulares do ex-atleta e os patrocinadores oficiais dos Jogos ou das entidades organizadoras da Olimpíada.
     Sem entrar em críticas, é curioso lembrar apenas que o grande Muhammad Ali, (1942-2016), ídolo do boxe mundial, enfrentou a tremedeira provocada pelo Alzheimer e acendeu a pira nos jogos realizados em seu país, em Atlanta, em 1984.
                            

Felipe Wu foi segundo colocado em tiro de pistola

    Coincidência irônica: Rio medalhista de tiro

No primeiro dia da Olimpíada do Rio, o Brasil ganhou sua primeira medalha, com a prata obtida pelo paulista Felipe Wu, 24 anos, na categoria pistola de ar 10 metros. Era algo que o Tiro Esportivo não conseguia desde 1920, na Antuérpia, quando Afrânio da Costa (1892-1989) foi o primeiro esportista brasileiro a ganhar medalha, em Olimpíada. Ele coincidentemente ganhou a medalha de prata com pistola livre. As armas haviam furtadas na viagem de navio da delegação brasileira e Costa, capitão da equipe, conseguira com um coronel norte-americano, as armas.Com uma delas, conquistou a prata, com outra a primeira medalha de ouro do Brasil em Olimpíadas, com Guilherme Paraense, na categoria revólver, e a terceira bronze por equipe, com a participação de Afrânio, Guilherme, Fernando Soledade, Sebastião Wolf e Dario Barbosa.

terça-feira, 12 de julho de 2016

O REVISOR E O GOLEIRO

O revisor é como o goleiro, o guardião do último baluarte, aquele que precisa salvar todos os erros e que não pode, ou não deve, falhar. Como o goleiro, o revisor faz inúmeras defesas, algumas extraordinárias. Mas basta uma falha para cair em desgraça.
     A vantagem do goleiro em relação ao revisor é que o jogador tem sua atuação assistida por todos - público no estádio ou na TV. Todos os seus acertos e erros são conhecidos. Já os acertos do revisor só são conhecidos por ele mesmo porque, na maioria dos casos, nem mesmo o autor se dá conta do equívoco que cometeu. Não é ético para o revisor dar publicidade aos erros que conserta. Não é honesto cobrar dos autores e muito menos contar aos chefes. Quando o revisor deixa erros passarem, todos tomam conhecimento: os leitores, em primeiro lugar, os colegas, todo mundo, da mesma forma que é conhecido o frango do goleiro.
   Goleiro e revisor têm em comum o fato de que precisam atuar com extrema atenção e em nenhum momento se desconcentrar. O goleiro costuma, com os outros jogadores, concentrar-se, antes do jogo e durante. A atenção é primordial. Um goleiro que se distrai olhando para a torcida ou para o azul do céu pode tomar gol de bola chutada lá da outra área. Já o revisor precisa manter o foco no texto e não se envolver com algazarras de redação. O revisor precisa de tempo para descobrir qualquer possibilidade de erro, além de acessórios de consulta em papel ou Internet. A correria do baixamento e o número reduzido de revisores dificulta isso. Hoje em dia, não existe muito interesse em valorizar os revisores e não sobrecarregá-los. Muitos chefes acreditam que os eventuais erros em matérias podem ser evitados apenas pelos repórteres e editores. O problema é que o dia a dia e a correria inata da profissão impedem a perfeição. Além disso, é preciso que alguém alheio à confecção do texto o examine. Normalmente, o cérebro de quem escreve tende a não detectar os próprios equívocos. 
 O goleiro precisa apenas conhecer a sua atividade e técnica para não deixar a bola entrar, além de um bom preparo físico e muito treinamento e confiança obtida com os jogos. O revisor precisa de preparo intelectual e dominar a Língua Portuguesa, além de conhecimentos de outros idiomas.

Revisor bom é como o goleiro Rogério Ceni

Maior goleiro do mundo de todos os tempos é craque em impedir gol e em fazê-los

O bom revisor é o que, além de impedir eventuais descuidos e ajudar a preservar o uso correto do idioma e de palavras estrangeiras, quando for o caso, pode contribuir com informações que não foram contempladas no texto, sempre respeitando o repórter e o editor. Como o goleiro que, além de impedir gols, vai além de sua cidadela, cobrando faltas e pênaltis e fazendo gols como Rogério Ceni, o melhor goleiro do mundo de todos os tempos, recordista em gols marcados. Isso sem descuidar da sua função.
Uma diferença entre goleiros e revisores é que os primeiros permanecem valorizados, para o bem do futebol, diferentemente dos segundos; cuja tendência é a extinção, para o mal da Língua Portuguesa e dos textos, nos quais se percebe um grande número de equívocos.

domingo, 10 de julho de 2016

AVOLICES DE JULHO

Outro dia, li no Facebook, na Linha do Tempo da minha amiga Cássia Zanon, mãe da pequena Lina, uma brincadeira sobre um questionário de filhos pequenos. Achei tão legal que decidi fazer o mesmo do meu neto, o Meu Pequeno Chefe, de seis anos. Imaginei que, no terceiro item, ele me interromperia e diria:
- Chega de perguntas, vô!
Mesmo assim, tentei. A cada pergunta minha, ele só me olhava e nada respondia e, então, desisti. Mas, como a missão do Raphael é me surpreender, ele saiu e logo voltou com uma pequena agenda nas mãos. Dentro dela, estavam as respostas que a mãe dele anotou para essas mesmas perguntas:


- Qual é teu nome?
- Raphael Nunes Knaak.
- Quantos anos tens?
- Hum, cinco, ops, acabei de fazer seis (risos)
- Quantos anos tem teu pai?
- Não sei.
- Quantos anos tem a tua mãe?
- Também não sei.
- Qual a tua cor preferida?
- Branco. E amarelo e laranja.
- Qual a tua comida preferida?
- Massa. Adoro massa.
- Quem é teu melhor amigo?
-- Fagundes, Schmidt, Pablo e Bê.
- Qual o teu programa preferido?
- Scooby Doo, Os Detetives do Prédio Azul.
- Qual a tua música preferida?
- Uma que os Alvins "canta".
Qual o teu animal preferido?
- Zebra; macaco e gorila.
Do que você tem medo?
...
Qual o seu lugar favorito para ir?
- O Zoológico
- O que quer ser quando crescer?
Jogador de futebol time verde.
O que a Mamãe mais gosta de fazer?
- Cuidar de mim e da Luísa.
Do que você mais gosta de brincar?
- Com bonecos de super-heróis com meus amigos e jogar videogame.
- O que o Papai mais gosta de fazer?
- Ele gosta mais de jogar videogame.
Mas que tanta pergunta, mãe? Eu gostei. Tem mais?

sábado, 2 de julho de 2016

AMIGOMEU E O UBER

Amigomeu, outro dia, quase apanhou do Uber. Pois já lhes conto. Vocês sabem que ele é muito tosco, que, às vezes, não  entende bem as coisas. Quando ouviu falar pela primeira vez sobre esse sistema por ora clandestino de táxi, soube que o passageiro é alvo de muitos mimos e regalias. Algo com que os taxistas convencionais não se importam, principalmente alguns broncos como ele. Disseram que os motoristas modernos,  chamados via computador, são cheios de salameleques como abrir a porta para o cliente, oferecer bombons e outros afagos que você nem imagina. Impressionado, quando foi viajar para Bagé, Amigomeu pediu a uma vizinha da Cidade Baixa que chamasse o Uber pelo celular dela.  Pensou até em tomar um mate no caminho. Quando o carro preto chegou,  ele perguntou quanto custaria uma corrida até a Rodoviária:
- Uns dez reais.
- E quanto me cobras pelas malas?
-  A bagagem em levo de graça.
- Mas bá, tchê, que maravilha! Mas que beleza! Vamos fazer assim. Tu me leva as malas e deixa na lancheria dum amigo meu na rodoviária  que eu vou caminhando até a Alberto Bins pra comprar uns fonihos e de lá vou a pé porque é pertinho.
O motorista do Uber não sabia se o passageiro estava brincando ou era louco. Foi aí que Amigomeu quase apanhou.
I.F. 100%

segunda-feira, 27 de junho de 2016

REFLEXÃO NO PRIMEIRO DIA ÚTIL DA SEMANA

Mentiras e omissões, em alguns casos, são como corpos escondidos no fundo do rio. Às cessa, a verdade vem à tona em três dias, em um mês, um ano,  20 anos. Uma enchente pode depreender o corpo dos  galhos ou rochas ou a estiagem retira o lençol líquido que o cobre apresentando a realidade. Em outros casos, a mentira e a omissão permanecem sepultadas para sempre, perenizando dores e incertezas.

REFLEXÃO NO PRIMEIRO DIA ÚTIL DA SEMANA

Mentiras e omissão, em alguns casos, são como corpos escondidos no fundo do rio. Às cessa, a verdade vem à tona em três dias, em um mês, um ano,  20 anos. Uma enchente pode depreender o corpo dos  galhos ou rochas ou a estiagem retira o lençol líquido que o cobre apresentando a realidade. Em outros casos a mentira e a omissão permanecem sepultadas para sempre, perenizando dores e incertezas.

sábado, 18 de junho de 2016

AVOLICES DE JUNHO

Minha neta Luísa, de 10 anos, e eu nos divertimos muito às vezes. Uma das coisas que gostamos de fazer é inventar piadas. Nem sempre saem lá essas coisas, mas algumas nos fazem rir.  Como a do chinês no supermercado que começou com um mote da Luísa e eu dei uma modificada.


"Vizinho meu, chinês, sempre se esquece de alguma coisa quando vai ao súper. Mesmo quando leve uma lista. Outro dia, quando saía de casa, o filho pequeno dele pediu para que comprasse um produto para pôr no sorvete. Ele prometeu, mas não anotou. Quando já tinha comprado o que precisava e se encaminhava para o caixa, deu-se conta de que havia se esquecido do pedido do filho. Mas quem disse que ele lembrava? A saída foi pedir ajuda a uma funcionária do súper:
- A senhola pode me ajudar e encontlar um ploduto pla botá no solvete que o meu filho pediu?
- Não seria creme? perguntou a funcionária.
- Não.
- Era chocolate?
-Também não.
- Quem sabe, morango?
- Não. Agola me lemblei que o ploduto tem nome palecido com nome do meu filho.
- E como é que ele se chama?
 - Chang Tee Lee. 


domingo, 12 de junho de 2016

REFLEXÃO NESTA MANHÃ DE DOMINGO NO SUL DO PAÍS

                           Lavar a louça com esta temperatura ambiente não é apenas um ato solidário. É um ato heroico.

sábado, 11 de junho de 2016

O DIA MAIS FRIO DO ANO EM TERRAS DO SUL

Tive medo de espiar a rua, na tarde cinza, dolorosamente quieta em que até as sombras das árvores se recolheram. Mesmo do lado de cá da janela, temi que meus olhos congelassem.

domingo, 5 de junho de 2016

AVOLICES EM UM DOMINGO GELADO

Na partida de futebol da vida familiar, o avô segue a regra 3: quando o a mãe (ou o pai) estão em cena, o vô fica sentado no banco, quietinho, assistindo ao espetáculo.
A Mãe do Meu Pequeno Chefe fala para ele:
- Raphael, vai lavar o rosto.
E ele:
- Agora eu vou guardar a bicicleta.
O diálogo segue:
- Não, vai lavar o rosto.
- Primeiro, a bicicleta.
- Eu vou contar até três...
- Conta até dez...
-Um...
Meu Pequeno Chefe, que vai fazer seis anos neste mês, se encaminha para o banheiro principal e volta:
- O banheiro tá ocupado.
Ele vai para o pátio e, quando volta, passando pela cozinha, fala em tom baixo, a caminho de novo para lavar o rosto.
- Eu disse que primeiro era a bicicleta.

Eu não falo nada. Não deixo ele perceber meu riso contido. Só observo.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

QUANDO UM SENADOR É UM ERRO ORTOGRÁFICO

Não tenho como resistir. Esse Jucá é um erro de ortografia. Na verdade, é um juca. Fazer o que ele fez, só um idiota faria. Afastamento da função é pouco. Além de perder o cargo de ministro interino, ele deveria perder também o assento no Senado.

domingo, 15 de maio de 2016

AUDIÊNCIA PÚBLICA XII

Ler ou não ler; eis a questão


Tenho lido e ouvido, principalmente de autores, queixas de que a população já não lê e ocupa suas mentes com mídias mais modernas. Lembro de um intelectual que foi secretário na administração municipal que se queixou dos leitores. Naquela época, quando não havia Facebook, ele havia vendido apenas 48 exemplares três meses após o lançamento de um livro. Como nem os amigos compraram, e ele já tinha boa projeção no meio, suspeito que o problema não estivesse totalmente no público.
        Atualmente, não é muito comum ver pessoas com livros nas ruas. No ônibus, de vez em quando vejo alguém lendo. Mas como saber sobre a leitura que existe nos lares e em outros lugares não públicos?
Foi pensando nisso, que me chamaram atenção dois casos na sexta-feira. No banco, ouvi uma vigilante com cerca de 35 anos comentando sobre um livro que acabara de ler e que ficou emocionada. Destacou que era daqueles livros que se tem muita dificuldade de parar de ler e que, em alguns trechos, não conseguiu evitar que suas lágrimas lhe banhassem as faces.
         Tal descrição me forçou a perguntar de que livro se tratava. A obra se chama "Pontes de Lembranças", psicografado por Eliana Machado Coelho e ditado pelo espírito Schllida,. A vigilante havia comprado o livro em uma casa espírita localizada ao lado do banco em que ela trabalha, próximo à Ponte de Pedra, no Largo dos Açorianos. O Google diz que a obra conta a história de Berlinda e Maria Cândida, duas grandes amigas que, depois de longa separação, reencontram-se e colocam suas vidas em dia, revigorando a amizade que parecia perdida no tempo.


         
                                Anedotário da Rua da Praia

Mais tarde, a segunda referência. Após retirar uma receita para o meu filho Luciano, em uma clínica do Bairro Glória, conversei com o recepcionista da portaria principal sobre uma autorização para fotografar o lugar, com prédios antigos em meio a um bosque e uma colina, especialmente um, que ostenta um sino na fachada. Foi o sino que me lembrou um personagem real de um livro. O porteiro comentou que havia lido o anedotário da Rua da Praia, de Renato Maciel de Sá Júnior. Rimos das pegadinhas que o Odone Grecco aprontava na Porto Alegre antiga, como amarrar um cordão no badalo da Igreja Nossa Senhora da Conceição, no bairro Independência, ao lado da casa dele, estendendo-o até o seu quarto. Na noite escura, ele puxava a cordinha, e fazia o padre e a vizinhança inteira achar que era coisa de alma de outro mundo.

domingo, 8 de maio de 2016

PALHAÇANDO

Hoje de manhã, parado diante do setor de carne, ouvi uma cliente perguntar para uma funcionária do súper:
- Aqui tem coração?
Fiquei alguns segundos com meus neurônios digladiando-se entre si: Falo ou não falo? Venceram os neurônios palhaços, e eu disse à funcionária"
- Com o guisado a 24 reais o quilo, eu acho que aqui eles não têm coração.
A moça continuou séria. Deve ter pensado: "Mais um louco. Eu mereço".

HOMENAGEM NO DIA DAS MÃES

Eu te abençoo, meu filho!
Paulo Mendes


Estás lindo, meu filho, com os cabelos grisalhos, o rosto sulcado de sol e chuva, as mãos sovadas de rédea e enxada. E esses olhos matreiros de ver até no escuro. Era para o fundo de teus olhos que sempre olhava, lembras? Desde que nasceste naquela madrugada fria de agosto, quando a parteira me entregou teu corpinho tão franzino, enrolado nas mantas, eu já sabia, e pensei comigo: “Esse vai domar essas éguas, só vai apear do lombo do cavalo para tomar água”. E cumpriu-se. Não deu outra. Foste sempre meu orgulho, topete empinado, nunca te curvaste para os homens, nunca te humilhaste, por isso permaneceste pobre, mas digno. Sempre te apoiei, lembras, meu filho? E tu dizias: “Nunca serei capacho, jamais abaixarei minha bombacha, porque quanto mais eu abaixá-la, mais minha bunda vai aparecer”. Estás lindo, meu filho, com esse jeito altivo de trabalhador, simples e honesto. Lembro-me que foram lá no nosso bolicho, certo dia, elogiar tua honestidade. E eu disse: “Ser honesto e reto é uma obrigação de todos os homens e mulheres”.

    Não chores, meu filho. Eu te deixei, mas nunca te abandonei, sempre te protejo e ilumino tuas ações e passos. Tu não me ouves, eu sei, mas isso não importa, porque teus trabalhos sempre foram claros, como tua alma. Sim, sei que tens saudades de quando estávamos juntos, quando eras gurizinho, de quando te contava as lendas, te cobria com palas e ponchos velhos e furados. Mas eu sentia que gostavas tanto, que te sentias protegido. Não importa, meu filho, seguirás amado, porque daqui onde estou ainda posso te ajudar, embora não saibas. Lembras daquele dia em que querias cruzar o vau com a enchente? Fui eu que te puxei pelo braço e o fiz voltar. Naquela tarde a correnteza estava muito forte. Eu vivo te salvando, meu filho, pois segues como sempre, intempestivo e descuidado, mas por isso mesmo também fico aqui, de onde estou, te olhando.

     Reze meu filho, reze por mim e por todas as mães. Elas merecem, porque sofrem, dão a vida pelas suas crias que crescem e se vão estrada afora, como dita o destino. Ah, meu filho, Deus me deu a graça de te parir, só você, um único filho, mas para mim foi dádiva. Então agradeço. E tu, sempre no Dia das Mães, ora por mim, fala comigo. Por isso te guio e te espero, meu guri, todos os dias, todos os meses, todos os anos, pacientemente, como fazem as mães gaúchas e todas as outras. Vai, agora cumpra o resto do desígnio que a ti foi destinado. Mas saiba, tua mãezinha está ansiosa para te reencontrar outra vez. Ah, e que linda está minha neta, parece a avó ainda menina, com seus olhos de graça e de luz. Vai, eu te abençoo meu filho adorado, porque um dia seremos todos e unos, só um amor repousado na eternidade...


Este texto está na coluna Campereada do Caderno Rural do Correio do Povo deste domingo 9 de maio. 

Paulo Ricardo Cuha Mendes nasceu em 24 de 12 de 1972 em Cacequi, na região central do Estado e viveu sua infância no município vizinho de Júlio de Castilhos, que muito antigamente se chamava Vila Rica, nome que o autor utiliza para situar seus textos.
Paulo Mendes é editor de Geral do Correio do Povo e atua como colunista do mesmo jornal. É autor dos Livros "Campereadas", "Campereadas 2" e "Um Bardo Desgarrado", este último sobre a obra do escritor Aureliano de Figueiredo Pinto.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

TROCADILHANDO COM O WHATSAPP

Quem me conhece sabe que sou fissurado em trocadilhos. Para mim, não há limites geográficos ou de idioma. Agora, por exemplo, estou pegando como gancho, o gancho que o WhatsApp levou, por 72 horas, aplicado por um juiz de Sergipe e que vale para todo o país. 
Whats up. Doc (O que que há, velhinho?)
Pensando nisso, eu me lembrei da origem do nome WhatsApp, que nada mais é do que um trocadilho dos norte-americanos. Sei que muita gente conhece, mas há também quem ainda não se tocou. É o seguinte: em inglês há uma expressão, whats up? que na pronúncia dá "whatsap" e significa, em tradução livre, "O que há de novo?" "O que é que há" " O que que há, velhinho? (bordão do Pernalonga, em inglês Whats up, Doc." "Qual é a boa?" Daí, para esse aplicativo de bate papo, juntaram o Whats com o App, que é uma redução de Applicative. E deu WhatsApp. Que tal?

segunda-feira, 18 de abril de 2016

MAIS UMA DICA SOBRE CRIAÇÃO DE TEXTO - EVITE O USO ERRADO DO "MESMO".

Para começar, quero dizer que nada tenho contra o vocábulo "mesmo'. Eu mesmo tenho usado bastante "o mesmo" nos textos, mas nunca no mesmo texto como o fiz agora propositadamente. Quero observar que nem sempre o mesmo está errado. Quando digo que xará é o mesmo nome, está tudo correto. Mas quando escrevo que "o motorista andou três quadras de carro buscando uma vaga de estacionamento para o mesmo", aí é um erro, um desperdício de espaço, mesmo que haja lugar para mais texto.
   Essa história de mesmo pode até fazer algum se atrapalhar como aconteceu com o Amigomeu. Veja em http://migre.me/tnH5b

quinta-feira, 7 de abril de 2016

PARABÉNS A TODOS OS MEUS COLEGAS NO DIA DO JORNALISTA

Neste dia de homenagem aos profissionais que optaram por se transformar no elo entre a notícia e o leitor, quero deixar aqui uma homenagem a todos os colegas de profissão. Lembro-me com saudade e carinho de tanta gente que já subiu para a Redação Celestial como o chargista Ronaldo Wastermann, o impagável Paulo Acosta, o Olyr Zavascki, a inha conterrânea Eunice Jacques, o Remi Baldasso, e neste ano, o Wanderley Soares, meu chefe em duas redações, além de muitos outros. Lembro de tantos outros, com quem convivo e a quem agradeço tanto pela amizade quanto pelo caráter, pelas constantes trocas de ajudas como o grande Nilson Souza, o cerebral Mário Marcos, o incrível Luiz Fernando Aquino, o batalhador e criativo Renato Dornelles, o Eugênio Bortolon, a Thais Bretanha, o Renato Panatieri e o Darci Demétrio, entre  tantos outros que se eu fosse listar aqui só iria parar no fim do ano.

Para comemorar a passagem deste Dia do Jornalista, coloco aqui e no Facebook uma diversão para aqueles que gostam do ofício de brincar e de falar sério utilizando as palavras. Escolhi, aproveitando-me agora da minha função de revisor, dez palavras. Digam-me lá, sem conferir no Google nem perguntar para os universitários, nem consultar as cartas ou os oráculos, qual desses vocábulos está grafado correto.


Estrepolia
Convalescência
Manemolência
Beringela
Enchergar
Suscinto
Capotamento
Borburinho
Cortume




RESPOSTAS:

Só um deles está correto: Manemolência. Mas não me recordo de alguém que tenha escrito ou falado certo. O que tenho visto é o uso de Malemolência. A palavra malemolência tem origem em um certo personagem baiano chamado Mané Mole. Por causa dele, se criou o adjetivo manemolente, que significa cheio de molejo, ginga e malandragem. Mas aí alguém com carisma confundiu o termo com malevolência, que significa maldade, e achou que seguia a mesma linha, criando malemolência. Pedro Bial se encarregou de espalhar o termo em um Big Brother. Tanta gente começou a usar o termo errado que até os dicionários passaram a registrar como válido. Até o Volp, Vocabulário Ortográfico da Lingua Portuguesa apresenta Manemolência e Malemolência como aceitáveis na língua portuguesa. Vá entender.

Os outros termos estão errados: o correto é ESTRIPULIA, CONVALESCENÇA, BERINJELA (derivado do tupi-guarany e por isso com jota), ENXERGAR, SUCINTO, CAPOTAGEM (embora muita gente use capotamento), BURBURINHO e CURTUME (de curtir e não de cortar).


   Foi naquela estripulia que acabou acontecendo a capotagem. Ainda 
no hospital, em convalescença, tomando sopa de berinjela, fez um relato sucinto do que conseguia enxergar; pela janela: o outro motorista caminhava, com manemolência, em meio ao burburinho, na saída do curtume.



sábado, 2 de abril de 2016

O ASSASSINATO DA ÁRVORE

Acordo com o som estridente e intermitente de uma motosserra. Parece aquele ruído do antigo motorzinho de um dentista de mau humor, insensível, que desiste de salvar um dente sadio,  preferindo arrancá-lo pela raiz.
      Levanto e percebo que estão cortando a arvore na divisa com o meu terreno nos fundos do pátio. O temporal de 29 de janeiro quebrou um galho da árvore e o deitou sobre o telhado da minha garagem. Hoje cortaram a árvore por completo a pedido do proprietário e dos inquilinos. Eu só queria que tivessem tirado o grande galho quebrado. 
      Os donos do local alegaram que o vegetal os incomodava e que suas raízes ameaçavam derrubar o muro. É muito mais fácil destruir uma árvore do que reerguer um muro.
     Agora olho aquele vazio com tristeza. É só um vazio. Sem aquela beleza verde, sem a sombra, sem os pássaros, sem mais nada. Mas enfim, a árvore não era minha,não estava no meu terreno.
     Senti no ar um clima de tristeza. Foi como se ouvisse um lamento ou sentisse pingos de lágrimas do céu. Com certeza, eram do choro da alma de quem plantou aquela árvore. Que Deus a console. Amém.


Vendaval de 29 de abrir arrancou pedaço da árvore do vizinho
Cortaram a árvore privando-me da sombra e do canto dos pássaros

domingo, 27 de março de 2016

TESTE SOBRE A CURIOSIDADE ALHEIA

Sou curioso pra caramba e gosto de saber o quanto os outros também são. Por isso, levei uma sacolinha de loja de shopping e entrei com ela para o emprego. Fiquei pensando quem seria a primeira pessoa a perguntar o que eu tinha comprado.
Nem bem entrei na sala e um colega perguntou?
- Isso e presente pra mim? E eu respondi;
- E um restaurador de energia. Um produto com nome inglês. Um pequeno tríplex do tamanho de três caixinhas de CDs acopladas. O material não é muito rígido; todo ele feito de bread, com discos de horsemeat agregados que dão consistência e poderio energético. O produto normalmente é utilizado por um usuário apenas e não permite reciclagem. Vem sem manual porque é de facílima montagem.



Ele não adivinhou o que
era..você sabe o que era?











Resposta: Um sandwich


DICAS DE REDAÇÃO

No momento em que está criando, um escritor não pode se preocupar exageradamente com as regras gramaticais e ortográficas. Isso pode soar estranho partindo de um revisor. Calma. Esse conselho se deve ao fato de que essa preocupação com correção da forma pode prejudicar o foco no tema e na criatividade do conteúdo do texto. Mas, concluída a redação, é imprescindível a releitura com atenção e a eventual correção. Melhor ainda se a revisão for feita por uma outra pessoa, com conhecimentos totais sobre a língua portuguesa e experiência de vida. Um texto não é um pão que não se mexe depois que entra no forno.

REFLEXÃO NO COMBATE AO ERRO

A pressa e a pressão são inimigas da boa revisão.

segunda-feira, 14 de março de 2016

DECODIFICANDO UM DOS MENORES CONTOS DO MUNDO

 Outro dia criei um texto para brincar de disputar a feitura de do menor conto do mundo e publiquei aqui no meu blog. Repito-o, agora:

(Título) Solidão

(Texto) Silêncio no quarto.

Acredito que lendo esse minúsculo conto você pode tirar daí uma imensidão de situações, sensações, histórias e imagens que nele estão contidas, resumidas. Como sou um profissional das palavras, não me contive ao relê-lo e decidi decodificá-lo, desmembrá-lo, desfiá-lo, desenrolá-lo.



"Solidão. Silêncio no quarto. É um outro quarto. Um outro tempo. Na memória, ouço barulhos que aqui já não há, que se fizeram ouvir nos perímetros de um outro quarto. Não mais ouço os sons que cortavam intermitentemente o silêncio da noite. A começar com o ressonar dela, em nossa cama. Sibilam poucas palavras que escapam dos sonhos, indecifráveis, quase imperceptíveis. Já não há mais os latidos dos cães, os miados frenéticos dos gatos no bordel dos telhados, nem os gritos de jovens elitizados no final da balada. Nem o compasso dos passos apressados contra o chão da calçada, atrasados ou temendo o perigo dos assaltos. Na madrugada, seria hora de os passarinhos iniciarem suas aulas de canto, espreguiçando-se nos galhos das árvores. Daqui a pouco, seria o momento de o galo fazer seu solo épico, ignorando que agora existem celulares que nos acordam sem barulho. Em minutos, se ouviria o baque do jornal caído na varanda, jogado pelo entregador por sobre a cerca elétrica. Quantas e quais notícias se abrigariam na sequência das páginas. Mais um pouco e já se destacariam na rua os risos das crianças a caminho da escola.
   Na cozinha, já não há ruído de talheres e xícaras. Nem o som da TV deixada ligada com os apresentadores do noticiário contando as boas e as más notícias. Já não se sente o delicioso aroma do café. O silêncio aqui e agora é absoluto. Já não ouço sequer o batimento do meu coração. Já não ouço a minha própria respiração. Já não ouço mais nada. Já não vejo mais nada. É só o silêncio da solidão."

sábado, 27 de fevereiro de 2016

EXERCÍCIO DE IMAGINAÇÃO E CRIATIVIDADE


      Outro dia fiz uma proposta no Facebook para desenvolver criatividade e imaginação. Coloquei a expressão "baleia baleia baleia" e pedi para que criassem um texto que tivesse a ver com essas três palavras enfileiradas. O primeiro a participar foi meu amigo e primo emprestado Paulo Umpierre, exímio conhecedor de vinho. Ele postou o texto a seguir:


BALEIA BALEIA BALEIA


Meu conterrâneo Paulo Roberto Umpierre foi o primeiro a colaborar:



Certa manhã quando eu passava em frente a uma escola, ouvi o alarido das crianças, com idades em torno de 8 a 10 anos que brincavam no pátio, possivelmente era hora do recreio, ou algum professor que havia faltado naquele dia. Ao me aproximar, pude ver que um grupo de 4 a 5 meninos gritavam em alto e bom som, para uma menina um pouco mais fofinha: Baleia, Baleia, Baleia, numa clara situação de bullying, fiquei pensando no meu tempo de colégio, em que colocar apelidos nos colegas era apenas uma brincadeira, uma diversão. Fui me distanciando da escola e, de longe, ainda ouvia os gritos da criançada: Baleia, Baleia, Baleia! Foi o que eu achei para momento, caro Plinio Nunes . Abraço"


E o meu texto;


                                       BALEIA BALEIA BALEIA


        Filho de pescadores, ele nasceu em uma choupana na beira da praia, no litoral catarinense. Os dois sons mais lindos que ele ouviu foi a voz suave da mãe entoando uma cantiga e as ondas do mar. Ele foi crescendo de uma forma diferente dos outros meninos da aldeia, que viviam subindo em árvores e correndo atrás dos animais selvagens, pulando e brincando sem parar. Ele gostava era de ficar sentado em uma pedra, olhando o horizonte que se fechava sobre o oceano emoldurado por ilhas salpicadas ali e acolá, e elevado para cima e para baixo pelo movimento das ondas. Só pensava em ser também um pescador como o pai, a quem pouco via e que ora chegava sorrindo com o barco cheio de peixes que entregava para a sua mãe; ora vinha com o rosto vazio de sorriso e com a embarcação vazia. Nesses dias, via tristeza nos olhos dos dois. 
      O pai culpava o excesso de pescadores pelo sumiço dos cardumes. Não os colegas humildes como ele, que lançavam suas redes para pôr comida na boca da família o obter alguns trocados que custeavam outros alimentos que não podiam tirar do mar ou da floresta. Lamentava os barcos industriais que proliferaram e até ganhavam incentivos do governo e as fábricas poluentes que despejavam dejetos no mar.  Por fim, entristecia-se com os turistas que também emporcalhavam as águas.
      Cada vez mais, o pai aventurava-se no mar, em busca do peixe que mais perto já não havia. E o menino pouco o via. Para compensar essa ausência, a mãe enchia o garoto de carinho e de comidas saborosas. O guri gostava de olhar o mar e comer. Sem fazer exercícios e comendo muito, foi crescendo para todos os lados. Os vizinhos passaram a chamá-lo de Baleia. Era quase uma forma carinhosa. Ele não sofria com o apelido. Doía-lhe mais a condição física que o impedia de acompanhar a família em passeios ou mesmo no trabalho. Era pesado demais para o velho barco. O apelido ficou como uma marca, um nome. Até os pais o chamavam assim. Aos 16 anos, pesava mais de 120 kg. Para solucionar o incômodo que causava aos outros, decidiu construir seu próprio barco. Era uma grande canoa que ele cavou em um tronco de uma árvore caída. Usou a técnica dos índios: fogo, formão, machadinha e muita paciência. E usou informações de livros que ganhou de turistas. Entre as obras, leu Mobby Dick. Um ano depois, colocou seu barco no mar sozinho, utilizando cordas e troncos para usar como rolo para chegar à água.

     Ele passou a trazer peixe em abundância para a família e para vender. Ficou famoso na aldeia e nos arredores. Era o grande pescador Baleia. Um dia, deparou-se com uma orca gigantesca que que ameaçava virar a canoa. Então ele sacou a carabina que ganhará do avô e atirou no bicho. Salvou sua própria vida, mas enfrentou problemas com o Ibama e com os defensores dos cetáceos. Tudo ficou pior quando um jornal regional estampou a manchete:  

                                   BALEIA BALEIA BALEIA


domingo, 14 de fevereiro de 2016

MAIS UMA AULINHA DE GRAMÁTICA



Dificuldades com as palavras homófonas (som parecido) e homógrafas (escrita parecida)

Quando se usa ESTE e quando o correto é ESSE (vale também para isto, isso, para femininos e plurais).
O demonstrativo ESTE é usado quando o alvo da observação - objetos, pessoas, datas ou outros - está próximo de quem fala.
ESSE é quando está mais afastado de quem fala ou já foi referido. Está relativamente longe de quem fala mas perto de quem ouve.
Exemplo:
ESTE ano (2016) parece estar melhor do que o ano passado .
2015. Esse ano foi marcado por muitas tragédias e perdas.
ESTA é a minha opinião: "0 egoísmo é o que estraga a vida de todos". Você concorda com ESSA opinião?
Você concorda com ISTO que estou dizendo ou acha que não tem nada com isso?
AQUELE, AQUELA e AQUILO se referem a algo que está relativamente afastado de quem está falando e de quem ouve. Ou já passou.
AQUELE aluno ali, ou lá, é o mais inteligente da escola. Esse aluno que está ao seu lado é também muito estudioso.
AQUELE ano de 1950 foi de tragédia para os desportistas brasileiros e de júbilo inesquecível para os uruguaios.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

DICA PRA VOCÊ QUE MATAVA AULA DE PORTUGUÊS

Esta "aulinha de gramática" é uma dica pra você que sempre disse odiar a disciplina de Português e que matava com prazer as aulas sobre gramática, análise sintática e afins. Pra você que dizia não ver sentido em aprender essas "baboseiras" que não lhe serviriam para nada. Você nem imaginava que viveria esse tal de Facebook em que você tem que escrever em público e pagar os micos que paga. Mas, seus problemas acabaram. Veja com atenção as dicas para não ficar trocando a palavra "mal" por "mau". Nem vice-versa.
    Bote na cabeça que mal é antônimo de bem e que mau é antônimo de bom, e então ficará mais fácil.


   "Se você me disser que está se sentindo mal hoje, eu lhe aconselho a ver um médico clínico-geral."
   "Se você me disser que está se sentindo mau hoje, eu lhe aconselho a ver um psicólogo ou psiquiatra".

Bom e mau são adjetivos, ou seja, qualificam ou desqualificam substantivos, como são chamados os nomes das pessoas e das coisas.

Mal e bem podem exercer as funções de advérbios, porque modificam os verbos.  Exemplos: O jogador atuou mal na sua estreia. O novo aluno foi bem aceito na nova escola.
Mal pode ser conjunção, que serve para ligar orações: "Ele mal chegou e já o botaram no serviço".

Mal e bem também podem ser substantivos: "Não há mal que sempre dure nem bem que não se acabe".

sábado, 23 de janeiro de 2016

REFLEXÃO EM MAIS UM SÁBADO DE TRABALHO

Todos os dias eu rendo homenagens aos grandes homens e mulheres que passam pela Terra e deixam suas marcas positivas em favor dos seus semelhantes. Suas invenções e adaptações melhoram a vida de todos e diminuem a ação de quem veio ao mundo apenas para usufruir ou torná-lo pior.
As pessoas que modificam nossas vidas para melhor me fascinam. Meu agradecimento específico de hoje é a Larry Page e Sergei Brin, que criaram oficialmente o Google em 1998 e a todos que colaboraram e colaboram com essa maravilhosa invenção.
O Google é como um imenso guarda-roupa em que qualquer pessoa do mundo pode pegar gratuitamente a vestimenta que necessita para se aquecer ou se enfeitar intelectualmente. Porém, é preciso escolher bem entre a variedade quase infinita de peças que aumenta diariamente nos cabides internéticos. Neles estão todos os tipos de vestes, algumas limpas e perfumadas, outras não. Ali há muitas roupas colocadas por pessoas altruístas, outras por maldosos egocêntricos que buscam vantagens para si mesmos ou apenas prejudicar os demais.
Busco diariamente o Google como me atirava às enciclopédias e, a cada consulta bem feita, saúdo Sócrates, o filósofo grego: "Quanto mais aprendo, mais me dou conta de que nada sei",

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

SOBRE O SIGNIFICADO DAS PALAVRAS

Em 1968, quando vereadores de Alegrete, terra natal de Mario Quintana, resolveram fazer uma homenagem ao famoso conterrâneo, pediram a ele que criasse um poema para constar na placa. O poeta, que nunca foi de fazer poemas por encomenda, negou-se a atender o pedido e explicou com uma das suas características frases: "Um engano em bronze é um engano eterno". Sem desistir da homenagem, os homenageadores colocaram na placa justamente essa frase. Eu concordo com Quintana e entendo que um erro na Internet, que o poeta não chegou a conhecer, é mais do que um erro eterno, é um erro contaminador e que se dissemina irremediavelmente. Quanto mais prestígio o autor tem, mais efeitos maléficos seu erro causará, porque não há nada que dissemine mais os erros do que aqueles que desfrutam de credibilidade. Disso se aproveitam os "pichadores de Internet", os vândalos que costumam atribuir textos a outras pessoas.
Foi pensando nisso que observei muitos erros que se repetem exatamente por causa da exposição na Internet. Hoje refiro-me a quatro palavras:


Intermitente
Iminente
Bagatela
Ímpia
Manemolente

Tenho lido muita gente usar "intermitente" com sentido errado, dizendo, por exemplo, que a chuva intermitente impedia o personagem de sair de casa. Ora, se a chuva era intermitente, era só aproveitar os momentos em que ela não estava caindo para sair. É que muita gente acha que intermitente é sinônimo de incessante. E não é. Intermitente é interrompido e retomado, como as luzinhas das lâmpadas da árvore de Natal ou dos vaga-lumes.

Iminente é o que está para chegar, e não eminente, mesmo que esteja para chegar o cardeal da igreja católica, que é chamado de Sua Eminência. Eminente é importante, iminente é o que está prestes a acontecer.

Bagatela, significa ninharia, micharia, mas tem gente que escreve essa palavra para se referir a uma importância significativa. É que esquecem de pôr aspas, o que indicaria uma ironia. Por exemplo, um lápis custa uma bagatela, dois reais apenas, um jogador ganha uma "bagatela", 50 mil reais por mês. Eu não tenho certeza da causa de não usarem as aspas, no resto do país, mas me lembro que em uma certa época, nos anos 1990, um diretor de um importante jornal gaúcho decidiu que não se usaria mais aspas em suas edições porque a repetição desse sinal gráfico enfeiaria os textos. Daí que passaram a não usar nem aspas nem itálico em palavras que indicariam ironias, como,no caso bagatela. Outros jornais e, depois, blogs copiaram essa imbecilidade.

Ímpia - Pouca gente sabe o que é ímpia. Como o termo faz parte do hino farroupilha ("...nesta ímpia e injusta guerra") algumas pessoas resolvem escrever o vocábulo sem se dar conta do que ele significa. Uma vez, durante uma reunião de pauta, uma jornalista comentou que ninguém poderia falar mal do jornal. "Afinal, somos uma redação ímpia", querendo ressaltar a honestidade dos jornalistas. Ninguém na sala comentou nada sobre isso. Na verdade, impia significa que não tem dó, não tem piedade.

Manemolente Quem lê assim até acha que está errado de tanto que ouve falarem em malemolente e malemolência. Ouço o termo equivocado com muita frequência. O badalado jornalista Pedro Bial que comanda um programa de grande audiência (ultimamente nem tanta) chamado BBB costuma usar o termo malemolente e malemolência para explicar um comportamento brejeiro dos brasileiros, com malícia e movimentos de corpo. Malemolente não existe. O que existe é manemolente, um adjetivo criado a partir de um personagem baiano chamado Mané Mole. Ser manemolente é ser como Mané Mole com sua ginga e trejeitos. Alguém que não presta muito atenção no significado das palavras, confundiu manemolência com malevolência e passou a falar ou escrever errado. Uns e outros também pouco letrados copiaram e assim certamente algum dicionarista já colocou como sendo palavra válida já que é pronunciada por tanta gente.