sexta-feira, 23 de outubro de 2020

RIR PARA ALIVIAR AS TENSÕES

 Nestes tempos tão bicudos, rir é mesmo o melhor remédio. Ele era puxa-saco de carteirinha do deputado. Concordava com tudo que ele fazia ou dizia. E brigava com quem o contrariasse. Quando o parlamentar morreu, caiu em lágrimas. E se encarregou do discurso de despedida. À beira do caixão, enumerou tudo o que o político fez em vida, ignorando, claro as burradas e as más decisões. Já estava cansando os familiares do morto e amigos presentes ao velório. Ao se engasgar numa proparoxítona escolhida entre os elogios, deixou cair sua dentadura sobre o caixão. Mas não perdeu a pose. E encerrou de forma dramática o seu discurso: - Vai, meu amigo! E leva contigo o meu último sorriso!

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

SOBRE SER UNIVERSAL

 Se quiseres ser universal

serás apenas um provinciano

se contares apenas histórias alheias.

Se quiseres ser universal

Como dizia o poeta Leon Tolstoi

canta a tua própria aldeia.


sábado, 17 de outubro de 2020

SOBRE PALAVRÕES

      Não acho criativo nem interessante o uso disseminado de palavrões nem os termos em inglês no meio do Português. Diz a cultura médica que a Sindrome de Tourete leva a pessoa a usar palavras de baixo calão. Mas não são todos que têm essa doença que fazem isso. E muitos dos que não a tem apresentam esse costume. Acham bonito e criativo. Atribuo à falta de vocabulário, além da influência dos outros, algo como uma moda. Não é nem uma prova de protexto nem necessidade de ser diferente já que ficam todos iguais. Somos o que lemos, ouvimos e vemos. 

      Tá, não sou santinho de nunca usar palavrões, mas tudo tem seu limite e a sua circunstância . Se o presidente atual e o seu maior opositor usam palavrões, por que seus simpatizantes seriam diferentes. Mas tudo tem seu local e sua hora. Eu mesmo tenho um grupo fechado onde todo palavrão e piada "forte" é aceitável, mas entra quem quer e quem eu aceito. Não me imagino dizendo palavrões diante do papa ou para a mãe de algum amigo, que mal conheço. Da mesma forma, no idioma, não peço que se use apenas termos antigos.

       Aceito estrangeirismo quando não houver correspondente em Português, ou quando, na tradução, fica muito feio. Assim, procuro limitar os termos em inglês no meu texto, preferindo telentrega a "delivery" e pague e leve a "take away". Mas do drive-thru não consigo escapar.

UTILIDADE PÚBLICA

 UTILIDADE 


Sempre que posso, clamo às autoridades para que solucione o caos do sistema penitenciário no país. Luto incessantemente para que o trabalho prisional seja obrigatório para todos os presos independentemente de suas condições financeiras. Mente vazia é a oficina do Diabo. E que se construam cadeias decentes em número suficiente para que autoridades judiciais não aleguem superlotação ou Covid para libertar seus presos de estimação, especialmente criminosos que voltam imediatamente aos crimes. Fazer presidiário sofrer não o melhorá em nada quando sair. Pelo contrário. E muitos nem parecem estar presos com suas livres comunicações com as quadrilhas do lado de fora, ajudados por celulares, familiares e advogados. Por falar em celulares, criminosos presos ou soltos estão clonando Whats Up adoidadamente fazendo-se passar por parentes e amigos para extorquir dinheiro. Mude a programação no whats. Vá nos 3 pontinhos verticais acima à direita, clique em "conta" e depois em "confirmação em duas etapas". Mude o PIN, mas anote em algum lugar para não se esquecer quando o whats pedir.

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

DICA SOLTA DE CRASE



"O filme esperado finalmente ganha as telas" ou "ganha às telas". Diferentemente dw outros textos da Internet, que tortura curiosos, deixando a resposta para o final, aí vai a resposta. O correto é o primeiro caso, sem crase. E agora a explicação.

Para a existência de crase é preciso haver a contração da preposição "a" (sinônimo de para), com o artigo feminino "a", no caso em tela, "a", ou com a inicial de demonstrativos começádos pela letra "a", como aquela, aquele, aquilo.

Para a crase é necessário também que o verbo seja transitivo indireto' ou seja, necessite de complemento indireto, como não é o caso do exemplo apresentado. Quem ganha, ganha o jogo,, não ao jogo.

Exemplos:

Assisti à partida (ao jogo) no estádio. Vi a vitória do meu time, o Guarany.

A enfermeira assistiu a cirurgia (auxiliou) da mãe, com profissionalismo e carinho.

O filme esperado chegou às telas (para as telas). Chegou aos cinemas nesta semana.

Com o calor e o descuido governamental, o Pantanal incendiou-se.

Os interessados em terras do governo incendeiam as florestas.



quarta-feira, 7 de outubro de 2020

AS BOAS IDEIAS DO PENINHA


O jornalista Eduardo é um pândego. Mas quem disse que pra ser bom precisa ser carrancudo, sério. Meu ex-colega de Zero Hora é um "stand up" ambulante na vida pessoal e profissional. O canal dele, Buenas Ideias, é diverdíssimo e necessário para quem quer conhecer a história do Rio Grande do Sul, do Brasil e do mundo, para além dos livros escolares. É autor de vários livros, todos com grande pesquisa e um texto leve e saboroso. Vou parar de elogiá-lo porqu ele já não é modesto, vai ficar se autoelogiando ainda mais, o sátiro. 

Veja você mesmo com seus próprios  olhos e ouvidos.

htps://youtube.be/O7DtOdI8u






domingo, 4 de outubro de 2020

DICA DE REDAÇÃO

 U m texto claro, simples, correto e sem erros ou possibilidade de mais de uma interpretação economiza o tempo de todos: dos leitores que comentam errado e têm que perguntar o que houve e do autor, que é instado a explicar o que queria dizer com o que escreveu. Bem disse Quintana, em seu poema: Quando o leitor pergunta ao autor o que ele quis dizer, um dos dois é burro. Eu acrescento: ou os dois.

sábado, 3 de outubro de 2020

DICA SOLTA DE PORTUGUÊS

     Há horas eu estava para dizer isto. Quem diz que a expressão "meio ambiente" está errada precisa pensar um pouco na função gramatical das palavras. Meio, no caso, não é advérbio, como meio tonto, meio cansado. É um termo que integra um sujeito composto.          Assim como existe meio jornalístico, meio aquático, meio artístico. Você nunca pensou em jornalismo pela metade, né? Você nunca diz o jornalístico hoje está desprestigiado, mas sim o jornalismo está desprestigiado. Assim, o ambiente precisa ser explicitado. Qual ambiente? O de uma casa, de uma empresa? O que pode ser sinônimo é o ambiente natural. Por ora, era isso.

AVOLICES ATÉ EM MOMENTOS CRÍTICOS

Lua Gabriela é uma figura. Com sete anos, me faz rir o tempo todo. Peguei ela de novo ao perguntar quem fala errado: a Mônica ou o Cebolinha?

     O Cebolinha, respondeu.

 E eu: O Cebolinha fala "elado". Quem fala "errado" é a Mônica. A Lua riu muito lembrando que já havia caído nessa. Aí a Cris, mãe dela, perguntou: 

 - Quem veio primeiro, o ovo ou a galinha? 

 E a Lua:


 - O ovo. 

 - E quem botou o ovo?

 -A galinha.

 - E de onde veio a galinha? 

- Do ovo. 

- E o ovo? 

 As duas iam seguir noite adentro e então eu falei: - A galinha nasceu de um ovo com mutação colocado por uma outra ave, que não sei qual é. Foi então que a Lua se saiu com essa:

 - Pode ter sido um índio. 

Longe de ver qualquer preconceito nisso, brinquei: 


 - Faz sentido. Índio tem penas. E rimos bastante.

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

VOCÊ SABE POR QUE CHAMAVAM POBRE DE PÉ-RAPADO

Você sabe o que é um pé-rapado e qual é a origem dessa expressão?
E já viu ou ouviu falar de um frade de pedra?

 
Escrevemos e falamos sobre aquilo que ja vims ouvimos. Com as mudanças nas nosvas,vamos conhecendo ou criando novas palavras e expressões. E vamos ponde de lado antigos termos por absoluta falta de uso.

 

   Pé-rapado era chamado o integrante mais despossuído da sociedade brasileira na época colonial, império, início da República. Às vezes, o termo é pronunciado nos tempos atuais sem que saibam a origem do nome mas sim o significado: muito pobre, miserável.
 A origem do termo está ligada exatamente às desigualdades. No século 17,, as cidades e vilas não eram dotadas de calçamento. Para evitar que pessoas com os pés embarrados entrassem nas igrejas, repartições públicas e até residências, foram instaladas, na entrada, um equipamento de ferro, nos quais os que chegavam raspavam seus sapatos ou, no caso dos mais pobres, os seus pés. 
     O nome pé-rapado foi atribuído exatamente aos despossuídos, já que os ricos não utilizavam o equipamento por chegarem em carruagens. Do veículo até à porta eram  transportados em liteiras. Outros utilizavam  carroças, cavalos ou burros.
Não se sabe exatamente como e quando o termo começou a ser utilizado. Na metade do século XVII, o poeta Gregório de Matos fez um poema dedicado a uma baiana que lhe havia pedido um cruzado para mandar consertar os sapatos:

"Se tens o cruzado, Anica,
Manda tirar os sapatos,
E senão lembra-te o tempo
Que andaste de pé rapado."

                   Frade de pedra

        Esse é outro nome que já ficou esquecido.  É da mesma época do pé-rapado. Também era um equipamento instalado diante de estabelecimentos comerciais e repartições públicas mas com objetivo diferente. O equipamento em forma de cilindro, fabricado em pedra ou granito, era usado inicialmente para estacionar os cavalos. A ponta da rédea era amarrada na parte superior dos pilares. Por terem uma forma cilíndrica e parecida com um frei da ordem dos capuchinhos, aqueles padres que usavam capuzes, foram chamados de frades de pedra.
  Uma outra função dos frades de pedra era impedir a passagem de veículos. Essa utilidade foi a única que restou com a modificação da sociedade após  o desaparecimento dos cavalos das cenas urbanas. Hoje, em pedra, cimento ou de ferro, são usadas para impedir que automóveis avancem sobre as calçadas. Mas o nome, frade de pedra, desapareceu. Ficou restrito aos livros antigos e à memória de pessoas com bastante idade.



sábado, 12 de setembro de 2020

DICAS SOLTAS DE PORTUGUÊS

  Os verbos fazer e ter, no sentido de existir, de fazer tempo, são impessoais, ou seja, não vão para o plural, assim como o haver no sentido de existir. Já o verbo existir é regular e flexiona o plural normalmente. 


Exemplos para entender melhor: 

 Faz um ano que vivo aqui. Faz dois anos que vivo aqui. (É o tempo que faz não os anos.)

 Tem uma coisa que não consigo entender. Tem coisas que realmente não consigo entender. 

Há uma coisa me preocupando no momento. Há coisas que sempre me despertaram a atenção.

 Houve muitos erros no governo. 

Houveram é erro feio de Português

Havia cadáveres no mato. 

Existem mais mistérios entre o céu e a Terra do que sonha a nossa vã filosofia. (Shakespeare)

PATROCINADO PELA INSÔNIA

    Sou vidrado na origem das palavras e dos ditados. Hoje pensei em "A curiosidade matou um gato". Não consegui descobrir ainda de onde saiu esse adágio, que tenho lido e ouvido com frequência, posto que sou a segunda pessoa mais curiosa do mundo. Como não achei a origem desse ditado, inventei uma historinha para justificar outro brocardo parecido, também ficcional: "A curiosidade matou a fome de um gato". Num velho galpão, no Interior, um felino foi deixado preso, sem comida. Desesperado, pôs-se à caça pelos cantos em busca de alimento. Qualquer coisa cairia bem. Depois de muito procurar, sem nem um ratinho, ou barata ou até mesmo mosca, estômago roncando, o bichano teve a curiosidade despertada para um fio preto que se estendia de uma parte do armário. Parecia rabo de camundongo, só que mais fininho. O gato pôs-se a investigar e daí para puxar o fio foi um passo. Imediatamente a porta do armário se abriu e com o cordão preto se veio um belo queijo redondo e delicioso. E então o ditado se fez.

   Outros ditados são mais autoexplicativos e não precisam de fatos ou histórias para justificar suas existências: Quem não tem cão caça como o gato. (Sem alarido, sozinho, com paciência e perseverança) Gato escaldado tem medo até de água fria. (Experiência traumática semelhante a "macaco velho não mete a mão em cumbuca" e a "cachorro mordido por cobra tem medo até de linguiça.)


PATROCINADO PELA INSÔNIA

 Adoro trocadilhos. Não aquele de pé quebrado, incompreensível que a gente até usa nas batalhas verbais com outro amigo viciado nessa arte, o chamado trocadilho infame. Gosto do trocadilho denso, criativo, surpreendente e bem-humorado. Admiro o trocadilho que surge de repente, no decorrer de uma conversa até mesmo séria.                Quando não surge um trocadilho, para combater a abstinência eu mesmo crio um, especialmente em madrugadas de insônia. Julguem-me à vontade.

"Uma réstia de luz do sol entra por um cantinho da janela e dá à sala da casa, naquela manhã,, um ar cênico. Assemelha-se ao cenário ainda vazio de uma peça de teatro. Na parte mais alta da estante, protegido das crianças, ao lado de um livro aberto, jaz um vidrinho de veneno. É arsênico. Na vida real também está para começar uma tragédia. 


quinta-feira, 10 de setembro de 2020

ÔNIBUS NO LUGAR DE TORCEDORES

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Outro dia, em mais uma saída necessária de casa, furando a quarentena antivírus, tive minha curiosidade despertada para uma cena incomum: dezenas de ônibus da Carris estacionados no pátio do antigo estádio Olímpico. Curioso por natureza e por profissão, estranhei, porque até então não tinha lido ou ouvido nada sobre essa notícia. Antes de criticar meus colegas de profissão por não terem divulgado esse fato, fui ao Google, onde todo mundo satisfaz suas curiosidades. E então vi que o desinformado era eu. Em julho, a Rádio Gaúcha e a Zero Hora, pelo menos, já haviam noticiado sobre um acordo entre o Grêmio e a Carris para utilizar o pátio do antigo estádio para o depósito de 98 veículos retirados de circulação e substituídos por novos carros. 
      O acordo, que vale até 31 de dezembro, não envolveu dinheiro. A empresa de transporte se comprometeu a cuidar da segurança do imóvel, que vinha sendo invadido por vândalos e viciados em drogas desde que ficara abandonado enquanto se aguarda o complicado desfecho da troca pelo local onde funciona a Arena. Mais ou menos na mesma época, a prefeitura divulgou notícia com foto dos primeiros 30 ônibus colocados na área.

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

PATROCINADO PELA INSÔNIA NA QUARENTENA

         A bicicleta ergométrica, prima da original, que é aventureira, lépida e faceira, é uma espécie de símbolo da quarentena, do fique em casa, ainda que seu inventor, ou adaptador, que um dia descobrirei quem foi, certamente não tenha se inspirado em confinamento e distanciamento social forçado por pandemia. A original tem inúmeras vantagens, como o sabor da liberdade, o suave vento no rosto, bulindo com os cabelos de quem ainda os têm. Leva a vantagem da maravilha de cenário, em lugares privilegiados pela natureza. Mesmo que o ergociclista monte um telão pra projetar as mais belas imagens do Planeta, não é a mesma coisa.

      Mas a ergométrica também tem seus detalhes que superam sua prima. A principal delas é a segurança. A chance de colisão com outra ergométrica é absolutamente zero. Abalroamento de um carro é quase impossível, para não se desprezar os motoristas bêbados que invadem casas. Também protege o ciclista da chuva e do frio. E de assaltos. A principal importância é combater o sedentarismo, que engorda. Para os mais preguiçosos, a grande vantagem da ergométrica é que, diferentemente da bicicleta de rodas, você não precisa voltar quando estiver muito cansado ou quiser interromper o exercício para fazer outra coisa. Seja o tempo que for do início das pedaladas basta parar que já está em casa.



quinta-feira, 3 de setembro de 2020

HUMORISTA JOSÉ SIMÃO MERECE UM PRÊMIO

 


Não sei se existe algum prêmio para humoristas  como tem para músico e ator. Se existe, José Simão merece um destaque especial por dizer que

 "O Brasil é o país da piada pronta!!"

Não conheco uma afirmação que seja tão confirmada quanto esta. Pena que seja tão hilária quanto trágica. A cada dia, o Brasil dá razão ao humorista. Paulista de 76 anos, José Simão tem uma conuna na Folha de S.Paulo e outra na Rádio Bandeirantes FM. Todos os dias, rio muito com a maneira como Zé Simão e seus colegas da Bandeirantes analisam os fatos hilários que ocorrem no Brasil.

 O fato real mais recente foi relatado ontem sobre vereadores de Penha, em Santa Catarina, que aprovaram lei para impedir que os cachorros latam, perturbando a vizinhança. Para isso, foi criada uma multa a ser aplicada aos donos de caninos que não os impeçam de ladrar. Imagine-se um ladrão entrando em um pátio de residência às quatro da tarde. Quando o cão se prepara para latir, o gatuno põe o dedo indicador em sua própria boca e avisa:

- shiii! Oha a multa!!!!!

Ainda bem que os vereadores de Porto Alegre não pensaram nisso. Caso contrário, eu teria que ensinar o Rum, que late até pra borboleta, a manter-se em silêncio e bater três vezes na porta da cozinha com sua patinha direita pra avisar de eventual ladrão na área.

 Está certo que há casos que precisam mesmo de providência, quando latidos lancinantes de cães tomam conta da vizinhança e prejudicam o repouso das pessoas, em muitos casos, com problemas sérios de saúde. Os cachorros ladram por algum motivo, muitas vezes maus-tratos como abandono, falta de comida ou até mesmo frio. Mas criar uma lei específica para punir donos de cães que latem é hilário.


quarta-feira, 2 de setembro de 2020

PATROCINADO PELA INSÔNIA

       O Português, no geral de suas palavras é um idioma lindo. Tem belos vocábulos, proparoxítonas como plátanos, belas árvores frondosas e coloridas que, com suas cores, junto com as oxítonas jacarandá e ipê, são explêndidos trailers da primavera. Mas também tem palavras tão feias quanto o seu significado. A antiga uxoricídio, importada do latim, anunciando crueldade do homen matando a própria esposa e a atualização do termo, feminicídio, estendendo o significado para todos os tipos de mulher. Aumentaram as penas, tomaram-se mais cuidados para evitar crimes anunciados, mas não se chega à solução, como em grande parte da criminalidade.

 Até quando o ser humano vai conviver com a incapacidade de domar e proteger-se da fera que carrega em si mesmo? Além desse aspecto do crime, seguem sem solução uma série de outros delitos como a corrupção endêmica e a disseminação irrefreável de criminosos nas ruas. Autoridades iludem-se e iludem com armas, grades, policiamento, tornozeleiras eletrônicas e cadeias superlotadas. Tudo isso são falácias que servem de mercado para certos segmentos como a indústria bélica, os aparatos de proteção inócuos como tornozeleiras.          

 Ninguém parece entender que a solução está no trabalho prisional completo em cadeias seguras e suficientes para segregar todos os criminosos reincidentes que andam aos montes na rua. E, paralelamente, investir nas vagas de trabalho, na Educação e nos cuidados com a saúde. É uma tarefa para muitas gerações. Com a queda na criminalidade, o dinheiro das despesas com o setor, acrescido da renda do trabalho prisional, poderá ser usado nos outros setores. Vendo as autoridades que estão aí e os que se apresentam para ser eleitos, a maioria sem capacidade e querendo só se arrumar, percebo que o que digo é apenas utopia.

sábado, 29 de agosto de 2020

JORNALISTA FLÁVIO PORTELLA MORRE AOS 55 ANOS


 Morreu na quinta-feira, em Porto Alegre, o jornalista Flávio Wornicov Portela. Ultimamente o jornalista,  que estava com 55 anos de idade e iria completar 56 em 2 de setembro, atuava como coordenador de comunicação do Ministério Público do Trabalho do Rio Grande do Sul. Portela sofreu um ataque cardíaco, foi levado ao Instituto de Cardiologia e não resistiu.
 Formado em comunicação social e jornalimo pela Famecos, Flávio Portela foi redator de notícias, editor e gerente de Jornalismo na Rádio Gaúcha. Foi gerente de jornalismo na rádio Guaíba. De 1997 a 2008, foi chefe de reportagem do Correio do Povo. Atuou também como apresentador de programa na TV2 Guaíba, que depois passou a ser Recors TV RS. Deixa a esposa, Maria  Inês Mölllman e os filhos Maria Angélica e Guilherme.
 


sábado, 22 de agosto de 2020

O AMIGOMEU E O BINÓCULO

 

O Amigomeu é uma figura. Um primo meu de Porto Alegre apareceu um dia lá nos Campos do Seival com um binóculo bem moderno e superpotente. Amigomeu tinha uns dez anos e ficou extasiado diante daquela maravilhosa tecnologia. Ele já tinha ficado dois dias sem parar olhando funcionar a máquina de debulhar milho a manivela. Imaginem, dizia e repetia, entra uma espiga inteira por um buraco, a gente dá manivela e sai nos outros dois buracos, separados, os grãos de milho e o sabugo.

Voltando ao binóculo, Amigomeu passou a manhã inteira olhando a propriedade. Viu lá longe, num canto, o alambrado com defeito, viu passarinhos comendo piolhos no lombo das vacas, viu os quero-queros voando e fazendo alarido em um lado pra não descobrirem que o ninho estava para outro. Viu preás caminhando pelas estradinhas do campo. Viu perdizes andando no chão e voando subitamente num voo curto ao pereceberem a aproximação de alguém.

E então o meu primo comentou com ele:

- Este equipamento é tão fantástico que traz a pessoa pra pertinho da gente.

  Amigomeu arregalou os olhos, pegou o binóculo e focou la longe, na beira do ruo Jaguarão do Meio, perto da ponte que divide os limites de Seival com Hulha Negra. Ali estava o irmão mais velho dele, pescando. Com voz em tom normal, Amigomeu falou pro irmão:

- Getúlio. Vem pras 'casa', que a mãe tá te chamando pra almoçar.

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

O LADO BOM E O LADO MAU DA PANDEMIA DA COVID-19

     Tudo, ou quase tudo, na vida tem lado bom e lado ruim. Cada fato repercute de forma positiva para uns e negativa para outros.  Alguns casos são extremamente maléficos, mas ainda assim apresenta-se como positivo para alguém ou algo.  A pandemia do novo coronavírus parece ser mais negativa do que positiva, mas, dependendo do ângulo  a ser observado, também contém aspectos positivos. Vamos analisar primeiro os pontos ruins, deixando as partes boas para o final,  como uma espécie de consolo, de reconforto, diante de tanta negatividade.

FATOS NEGATIVOS

1. AS MORTES. 
É o detalhe mais forte e lamentável, mais cruel da pandemia. As vítimas mais atingidas são os idosos e as pessoas enfraquecidas por outros tipos de enfermidades. Em agosto, o Brasil superou a marca de 510 mil mortos.

2. O FECHAMENTO  de empresas, que levam a demissões e ao aumento no número de desempregados, criando um efeito cascata, porque o comércio deixa de vender, em alguns casos é obrigado a fechar e corre risco de não ter  dinheiro para pagar dívidas e despesas, entre elas os salários dos funcionários, ainda que, por determinação legal, pudessem reduzir salários temporariamente e encurtar jornadas. Em alguns caso, empresas adiantaram horários para não ter que pagar adicional noturno.

3. AULAS presenciais interrompidas. 
Algumas instituições conseguem utilizar o tele-ensino, mas grande parte dos alunos não tem estrutura para ter aulas a distância. O prejuízo para os alunos com praticamente um ano sem aulas é incalculável.
 4. FECHAMENTO de creches e maternais, deixaram pais sem opção para o cuidado dos filhos para  poderem trabalhar. Sem as escolas, filhos ficam em casa, alguns na companhia dos idosos, as vítimas mais delicadas para o vírus. Além dos riscos de contaminação, as crianças ficam angustiadas, sem poderem, em alguns casos se movimentar e tomar sol, cuja vitamina D é necessária para a saúde.


FATOS POSITIVOS

1. Recuperação do meio ambiente. Com a orientação para as pessoas ficarem em casa e a determinação para a interrupção de indústrias, a circulação de veículos em grandes centros urbanos, caiu, principalmente nos primeiros meses, evitando a liberação de gás carbônico na atmosfera. Com isso, foram detectados índices altos de recuperação da camada de ozônio, que protege os seres humanos dos raios ultravioleta emitidos pelo Sol.
2. HIGIENE.  Com a quarentena, pelo menos no primeiro mês, as cidades ficaram mais limpas, especialmente Porto Alegre. É que grande parte dos habitualmente relaxados que jogavam  lixo nas ruas passaram a fazê-lo no cesto de suas próprias casas. As cidades paasaram a ter um ar mais limpo, mais respirável sem os gases dos motores de carros e das chaminés das indústrias. E até agradável devido à quantidade de álcool gel e sabão por todo canto.
As medidas higiênicas de proteção ao vírus deverão tornar-se úteis mesmo após a eliminação do coronavírus. Antes o  simples  ato de lavar as mãos com sabão ao chegar da rua não era sequer um hábito, permitindo a vírus e bactérias se transmitirem com facilidade. Já a máscara não era sequer utilizada em aglomerações nem mesmo por quem estava gripado ou com tosse, contaminado,  sabendo ou não, por tuberculose.

3.Dificuldades para uns, oportunidades de negócios para outros. Com a quarentena e o combate à Covid, muita gente está ganhando dinheiro com a fabricação e venda de máscaras, álcool gel, testes para Covid e, com valores ainda mais altos, vacinas contra o vírus que já estão em fases supostamente bem avançadas. No caso das máscaras, cuja duração de uso de algumas é de três horas, imagine-se o tamanho da produção para atender populações tão grandes.
4. Os motoboys e biciboys tiveram como fato positivo o aumento na oferta de trabalho. Com o confinamento e fechamemento por um tempo de restarantes e lancherias, aumentou consideravelmente o serviço de tele-entregas.

4. Outro fato positivo é que os governos passaram a se preocupar também com moradores de rua. Não porque sintam piedade mas porque, se pegarem o vírus, podem passar também para as classes dominantes ou produtivas, já que o coronavírus não faz distinção de classes,  sem se importar com relatórios de bens nem extratos de contas  bancárias. 
5. Um dos pontos mais positivos em tempos de pandemia é a solidariedade. Mais pessoas e entidades se dedicaram a realizar campanhas em favor dos mais atingidos através de transmissões ao vivo na Internet.