terça-feira, 11 de junho de 2013

MISTÉRIO DO MAPA DO TESOURO ESCONDIDO NO OLÍMPICO

Amigomeu tem um amigo que é filho de um importante conselheiro do Grêmio. Semana passada, esse amigo, o pai dele e Amigomeu foram visitar o  Olímpico. O estádio será implodido, já que fez parte da transação comercial para permitir a construção da Arena, na zona norte da cidade.
    Caminhando em meio às arquibancadas, Amigomeu e o amigo dele começaram a imaginar como seria a desconstrução do estádio. Em um cantinho, os dois descobriram um vão na parede e, um pouco mais para o fundo, algo que lhes pareceu bastante estranho. Os dois puxaram um pacote achatado que havia no local. O achado foi levado discretamente para a casa do amigo do Amigomeu.
    O embrulho era um retângulo com medidas de 30cm x 60cm com  espessura de aproximadamente 5cm. Um material de couro curtido de boi cobria o objeto de lata. Dentro, envolvido em uma cartolina, havia material da data da inauguração do estádio, em 1954, com exemplares do Correio do Povo, da Folha da Tarde Esportiva e do Diário de Notícias sobre o torneio triangular que envolveu Grêmio, Inter e Liverpool de Montevidéu. O Inter foi o campeão e levou a taça Relógios Eska, oferecido pela Casa Magnus, vencendo as suas partidas. Antes do torneio, na inauguração, no dia 18, o Grêmio havia ganhado por 2 a 0, do Nacional, com Vitor marcando o primeiro gol do Estádio Olímpico. No torneio, o Inter derrotou o Liverpool no dia 20, por 4 a 0, e o Grêmio fez o mesmo placar no time uruguaio. No Gre-Nal, do dia 26, o tricolor perdeu por 6 a 2.
    Como havia aquela derrota acachapante, o gremista amigo de Amigomeu preferiu não dar divulgação à localização do material. Desgostoso, entregou para Amigomeu os jornais e a caixa. Em casa, Amigomeu encontrou duas cartolinas coladas e descobriu que havia um papel no meio. Era uma espécie de mapa de tesouro que marcava um xis no lado de fora do estádio após uma trilha sinalizando 279 passos na rua a partir do portão número 7 na direção sul. Naquela época, ainda não havia portão número 8. Hoje, dá para ver que não há o número 7. Curioso, Amigomeu contou os passos e descobriu, no final, um xis marcado no chão da calçada. Eram duas hastes de ferro, em forma de x, que fechavam a tampa de um buraco, conforme foto.
 Ali, na Rua Gastão Mazeron, estão sendo realizadas obras para o alargamento da rua que irá até a Avenida Moab Caldas na Vila Cruzeiro, juntando-se à via que está sendo feita para ligar o Barra/Shopping com o Aeroporto, visando à Copa de 2014.

Croquis sobre o jogo de inauguração no Olímpico
Amigomeu pensou em cavar à noite no local, mas ficou com medo de ser flagrado. Então contou a história ao operário que manejava uma retroescavadeira e pediu-lhe que aumentasse mais o buraco onde está o xis. O trabalhador riu e disse que só tinha ordens para trabalhar na rua. Se fizesse o que ele lhe pedia, seria despedido.
Amigomeu não acreditou. Achou que o operário iria cavar sozinho para pegar o tesouro. Por isso, todos os dias ele costuma passar naquele local para ter certeza de que não estão mexendo na calçada.


O xis na calçada e, ao fundo, o Estádio Olímpico


terça-feira, 28 de maio de 2013

HISTÓRIAS CURIOSAS DE UMA TABACARIA

De todos os males que nos atingem, sempre nos resta tentar ver um lado bom. Nem sempre há. Mas é preciso procurar. A ausência temporária de um computador em casa tem suas vantagens. Uma delas é me permitir ler mais livros. Mas, como sou viciado nas redes sociais, ocupo por meia hora ou um pouco mais, uma pequena lan house instalada no cantinho de uma tabacaria. Assim, misturo o virtual com o real.
    Na semana passada, enquanto postava minhas bobagenzinhas no meu Facebook e aqui no Vidacuriosa, tive a atenção despertada para a troca de ideias entre o dono da tabacaria e um freguês, um jovem em torno dos 30 anos, alto e gordo, com e barba e cabelo curto. Os fones de ouvido faziam pausa pendurados no pescoço.  Nos comentários sobre música, o freguês revelava que tinha passado por uma fase em que escutara muito música eletrônica da Finlândia. E que adorava buscar novas e pequenas bancadas onde há "muita cosa boa".
   O que me desconcentrou foram os comentários que eles fizeram sobre uma banda chamada Ghost, tão desconhecida para mim como devem ser Os Serranos para o roqueiro. As expressões, os jargões e os conceitos me lembraram o meu amigo Paulo Moreira, competente jornalista, radialista, comunicador e crítico musical. Uma frase me tirou completamente a atenção do que eu estava fazendo:
- Bah, acho que ele se perdeu na insanidade dele.
O roqueiro se referia à música que o dono da tabacaria havia lhe sugerido escutar. Fiquei curioso demais, e agora não me sai da cabeça a vontade de ouvir essa maravilha.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

REFLEXÕES NA CAMINHADA


Num condomínio chamado Cerebelo, moram três primos: o Otimismo, o Pessimismo e a Esperança. O primeiro vê o futuro como um mar de rosas, faz planos e toma atitudes que, às vezes, resultam em retumbantes fracassos. O segundo acha que tudo vai dar errado e, como perde as oportunidades, dá errado mesmo. A Esperança é o otimismo de olhos vendados. É influenciada pelos dois primos, mas acredita mais no primeiro. Sabe que algo pode dar errado, mas torce para que tudo dê certo. É a Esperança que mantém em pé o condomínio.


quarta-feira, 22 de maio de 2013

AQUARELA NO CREPÚSCULO

                  Toda vez que vejo o pôr-do-sol no Guaíba,
                  eu fico com a impressão repetida
                  de que vou ver, encostados, no casarão da Usina,
                  dois pincéis gigantes e quatro grandes palhetas
                  com restos de tintas multicoloridas.
                  Nada vejo. E me dou conta de que o pintor celestial
                  precisa reproduzir também essa obra-prima
                  em outras telas privilegiadas do Planeta.

terça-feira, 7 de maio de 2013

A EXPRESSÃO VIAJAR DE MALA E CUIA É USADA ATÉ EM NOVELA DA GLOBO

Grazzi saiu da mansão de mala e cuia, segundo a ex-sogra dela
(Foto tvg.globo.com)
Uma das coisas que mais me divertem é pensar na origem de palavras e expressões. Sempre me indago como uma palavra ou expressão começou a ser usada. A maioria delas se perdeu no tempo. Outras deixaram rastros para serem decodificadas. Pensei nisso no capítulo de hoje da novela Flor do Caribe, da Rede Globo. A mãe do vilão entra em seu escritório e, depois de uma rápida discussão, avisa:
- Sua mulher foi embora de mala e cuia!
  Na cena anterior, eu tinha visto a personagem da atriz Grazzi Massafera saindo de casa com malas. Mas cuia? Como, se nunca a vi tomando chimarrão, nem mesmo tererê?
   Aí fiquei pensando na origem do termo. Corro o risco de meu amigo Aldo Jung, jornalista superinteligente, perspicaz e culto me corrigir daqui a pouco, dizendo que é um “baita chute” meu e me provando a verdadeira origem. Azar, vamos lá:
   - Não tenho provas apenas observação baseada na lembrança da vivência. Tenho por mim que a expressão de mala e cuia tem origem no êxodo de gaúchos para São Paulo e Rio de Janeiro há poucos anos, especialmente jornalistas. Como Caco Barcelos, que dispensa comentários, Carlos Augusto Schroeder (diretor-geral da Rede Globo), Ana Hickmann, Carlos Dornelles, Ananda Appel, Flávio Fachel, Régis Roesing, Solano Nascimento, Eliane Brum e uma série de outros gaúchos, as expressões do Sul começaram a se espraiar.
  Os primeiros da onda de jornalistas que se transferiram para o centro do país levaram mala... e cuia onde faziam, não sei se ainda fazem, o seu chimarrão diário. E aí, nada mais correto dizer mudar-se de mala e cuia quando se quer dizer definitivamente para outro lugar. Tenho notado que esse termo vem se repetindo em nível nacional. Minha ideia de que tem a ver com os gaúchos está exatamente nesses apetrechos. Hoje, até os nordestinos estão se mudando de mala e cuia, quando, na verdade, deveria dizer que se mudam de mala e rede.

domingo, 5 de maio de 2013

AVENTURAS DO AMIGOMEU NA CAPITAL

Amigomeu é um cara tosco, mas tem bom coração. Gosto dele. Por ter nascido e morado em uma região longínqua da campanha gaúcha, acostumado com o contato com os animais xucros, na solidão do pampa, e com pouco conhecimento das modernidades, ele se criou assim um pouco solto das patas. Mas tem um coração enorme, tão grande quanto a sua ingenuidade.
    Logo que veio para Porto Alegre, sem programa e sem dinheiro, saía a caminhar, a olhar edifícios mais compridos do que os mais altos eucaliptos lá de fora, as vitrines, as ruas bonitas, cheias de chinocas lindas. Um dia, caminhando pela bela e florida Avenida Bastian, no Menino Deus, notou que um menino pequeno pulava na ponta dos pés para tentar acionar a campainha. Solícito, aproximou-se do garoto e perguntou se ele queria ajuda.
- É que não alcanço ainda e tô querendo tocar a campainha.
- Deixa comigo que eu sou canhoto – disse o gauchão, com uma felicidade sem tamanho dentro do peito.
Com o dedão, apertou a campainha, sorriu e falou para o piá:
- Pronto. E agora?
- Agora é correr – disse o garoto, saindo em disparada, dando risada e dobrando a esquina, em direção à Avenida Getúlio Vargas.
Surpreso, Amigomeu mal teve tempo de correr também, mas passou sebo nas canelas. Deitou o cabelo, como se dizia lá em Bagé, mas ainda ouviu o grito de um homem idoso, vestindo pijama que chegou a avistá-lo.
- Mas que barbaridade! Um baita homem desse brincando de tocar campainha.

terça-feira, 30 de abril de 2013

PIADINS DE MINERINS

Como grande parte dos gaúchos (há uns rio-grandenses que gostam), não curto as piadas que paulistas e cariocas, especialmente, fazem para ridicularizar o pessoal do Rio Grande do Sul. Mas há algumas gozações sobre gaúchos que eu acho graça e até coloquei algumas aqui no meu blog. Gosto das piadas sobre os outros brasileiros porque nenhuma delas é fruto de algum recalque. É apenas uma brincadeira inteligente, ao contrário do que Bussunda e seus amigos do Casseta e Planeta insistiam cansativamente e sem criatividade. Hoje, quero fazer uma homenagem aos nossos queridos irmãos de Minas Gerais.
                                                                 
Família de mineiros está na estação ferroviária de Belzonte. A mãe fala com os filhos:
- Minino, pegue esse trem e guarde na sacola.
- Minina, ponha este trem aqui no seu cabelo.
- O minino, passe a mão pra mode tirar esse trem que caiu em cima do teu ombro, uai.
Em seguida, ouve-se o apito da locomotiva. Nervosa, a mãe dá novas ordens:
- Gente, peguem logo os seus "trem" que o "coiso" já tá chegando aí.

********


Em um carro supermoderno, um sujeito bem-arrumado para, no meio de uma estrada no interior de Minas Gerais. Com uma pane no GPS e sem bateria no celular, pergunta a um minerim que está sentado em um toco de árvore na beira da rodovia:

- Olá, meu amigo, como é o nome dessa rodovia?

- Num sei, não sinhor.
- E como é o nome dessa localidade?
- Tumém não sei.
- E que direção eu pego para ir pra São Paulo?
- Sumpaulo? Oia, também não faço indéia.
O motorista, sem paciência nem educação, exclama:
- Orra, meu. Como é que pode? Você não sabe nada! Você é muito desinformado!
O minerim olha para ele, olha pro chão, volta a olhar para ele e responde:
- Óia, pode inté sê que eu seja tudo isso... Mas eu não tô perdido, uai!

                                                        *********
Por fim a clássica, a mais conhecida. Início de noite, sujeito passa pela frente da casa do minerim, lá em Barbacena, e o vê na sala diante da televisão. Para cumprimentar o amigo, ele grita:
- Firme?
E o outro responde?
- Não, Jornar Nacionar.


                               








quinta-feira, 25 de abril de 2013

ABERTAS INSCRIÇÕES PARA POEMAS NO ÔNIBUS E NO TREM


Quem gosta de escrever poesias certamente ficaria orgulhoso de ver seu trabalho sendo apreciado por passageiros de ônibus ou do metrô. Além disso, seus poemas integrariam uma publicação a ser lançada na Feira do Livro de Porto Alegre. As inscrições para o Poema no Ônibus e no Trem estão abertas desde 1º de abril até o próximo dia 17 de maio. Podem ser feitas, gratuitamente, diretamente na Coordenação do Livro e Literatura, da Secretaria Municipal da Cultura, na Avenida Erico Verissimo, 307, das 9h às 12h e das 14h às 18h, de segunda a sexta-feira. Serão recebidas inscrições também pelos Correios ou pela Internet. Cada participante poderá inscrever só um poema, que deve ser inédito e ter até 14 versos. Não  serão aceitas cópias manuscritas. É imprescindível a leitura do edital, que poderá ser acessado  no endereço http://migre.me/eh9y2
Informações também poderão ser obtidas pelo telefone (51) 3289-8076/8074/8071.


domingo, 21 de abril de 2013

NETINHO FUJÃO TESTA CORAÇÃO DE AVÔ DISTRAÍDO

Luciano olha com cumplicidade para as travessuras do sobrinho
Raphael já quer fazer tudo por conta própria
Eu pensei em não contar esta história porque é muito contra mim e, como diz o Amigomeu, não se deve dar munição ao inimigo. Mas não posso esquecê-la porque serve de alerta para que avós ou pais não façam a patetice o que eu fiz. Pois não é que na quarta-feira, diferentemente da minha rotina, não chaveei o portão menor da casa como sempre faço, depois que meu filho Luciano foi para a sua escola especial. Meu neto Raphael estava inquieto e não me acompanhou quando voltei para dentro da residência, enquanto aguardava o momento de levá-lo para a creche.
- Vou esperar aqui – falou meu pequeno chefe, entonado que nem bajeense.
Minha filha terminava de arrumar a Luísa para ir também à escola e, por dois minutos, me distraí. Foi quando a avó, sempre atenta, gritou:
- Cadê o Raphael?
Achei que ele tinha ido para os fundos da casa, procurei, aflito, e nada. Lembrei-me do portão não chaveado e me abalei para a rua, coração aos pulos. Um carro parou, e o motorista me avisou:
- Vi um gurizinho indo sozinho ali pela rua.
Corri, dobrei a esquina e pude vê-lo, lá no fim da outra quadra.
Quando me viu, gritou de lá, com ar impaciente:
- Eu já tô indo, eu já tô indo.
O acaso me deu uma mãozinha, e o episódio, uma lição. Alguém poderia ter passado ali e dado de mão no piá. Por sorte, também, aquela rua está interditada ao trânsito por causa das obras. Se ele seguisse por mais alguns segundos, alcançaria a movimentada avenida Carlos Barbosa.
Já ouvi o que eu devia e o que não devia por ter sido tão pateta. E sigo lembrando-me todos os dias para nunca mais esquecer. Meus irmãos que podem estar lendo isto aqui já devem estar afiados para comentar que essa façanha do Raphael já aconteceu comigo, quando eu tinha a idade dele.
Minha família contou e recontou que, quando eu tinha por volta de dois anos, fugi por um buraco no muro da casa em que morava, na Rua General Osório, em Bagé. Quando minha mãe se deu conta, eu havia sumido. Como um ratinho do Flautista de Hamelin, tinha saído atrás de uma banda de música que passara por ali e andei por quase um quilômetro. Voltei no carrinho de mão de um verdureiro que me viu e me reconheceu, para alívio dos meus pais.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

UMA HISTÓRIA DE UM ANTEPASSADO DO AMIGOMEU NOS TEMPOS DE JESUS CRISTO

Um antepassado do Amigomeu viveu no tempo de Cristo. Robertus Paulus, conhecido como RP, estava bem desiludido da vida. No comecinho da carreira, foi estagiário do Nero, em Roma, mas o imperador não entendeu a sua proposta de esquentar um pouco os fatos. Aí deu problema. Anos mais tarde, RP abandonou Pôncio Pilatos, governador da Judéia, irritado com o comportamento de seu assessorado. Pilatos nunca tomava decisões. Além disso, tinha TOC. Lavava as mãos a toda hora. E, pior, RP é que tinha de tirar a água sempre muito suja da bacia. E ainda dar explicações à galera.
    RP precisava desopilar, beber alguma coisa, jogar conversa fora. Descobriu que havia, em Canaã, uma festa de casamento de um parente da mãe de um tal Jesus, que estava começando a aparecer na mídia alternativa e na comunicação de boca em boca. Ele não conseguiu um convite e pensou consigo mesmo: RP não precisa de convite. Foi de furão mesmo.
Só que ele não era o único penetra na festa. E aquele pessoal lá era muito mão-fechada. Os organizadores da festa tinham comprado comes e bebes para o número certo de convidados. A turma era chegada em uma boca livre, e havia muitos penetras. então, foi inevitável que faltasse vinho. RP tinha tomado só um cálice quando ficou sabendo desse desastre. Já tinha feito amizade com Jesus e ficou surpreso quando ele pediu à mãe que trouxesse água. Curioso, viu Jesus misturar discretamente um pó na água, que virou milagrosamente um vinho maravilhoso.
 RP e Jesus tomaram todas. Jesus foi com a cara de RP. Até desabafou com o novo amigo. Contou que não era filho biológico do carpinteiro José. Ao ouvir o amigo dizer que o pai dele era um deus poderoso, RP quase deu uma risada sem querer. Mas se conteve. RP bebeu tanto que ficou muito chato. Abraçado no outro, dizia coisas como “ti (sic) considero Genésio, tu é o melhor amigo que eu tenho”. Entusiasmado com o milagre ocorrido havia poucos minutos, pensou até em fazer uma proposta de trabalho. Mas se calou. Cheio de trago, disse tanta baboseira, ficou tão mala que Jesus teve vontade de dar-lhe uma biaba na orelha. Só não fez isso porque se lembrou dos ensinamentos do pai verdadeiro.
   RP estava fascinado por Jesus. Já tinha informações de que ele ajudara pescadores do Mar da Galiléia a conseguir peixe mesmo em uma época em que não se pegava nem lambari de sanga. Daí quando acompanhou Jesus a um episódio em que ele fez um paralítico andar, RP se decidiu. Na janta de uma sexta-feira, eram 14 à mesa, Jesus e mais 13. RP tomou um copo de vinho, pediu a palavra e pediu para que deixassem a parte promocional e cerimonial da campanha para ele, que tornaria Jesus mais conhecido no mundo do que os Beatles, um conjunto musical que faria muito sucesso muito tempo depois, conforme uma vidente lhe confidenciara.
   Jesus até gostou da história em um primeiro momento. Mas RP se excedeu. Disse que precisava de mais um grande milagre (que só eles lá ficaram sabendo o que era) e, que se o Mestre conseguisse isso, conseguiria colocá-lo na primeira página de um grande livro que seria escrito com o nome de Bíblia. Para argumentar, disse que era também profeta e prometeu a Jesus que, se ele morresse, seria capa por dois dias seguidos por ano nos jornais. Mas a chapa esquentou mesmo foi quando RP pediu a Jesus que lhe reservasse um cargo depois que assumisse o comando e acrescentou que já tinha até falado com um comerciante de azeite de oliva para patrocinar a campanha. Jesus não aguentou. Pediu para Judas tirar o cara de circulação, e a foto da janta saiu só com os 13 na mesa.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

CHEGAMOS AOS 50 MIL ACESSOS. OBRIGADO A QUEM "CURTIU" E COMENTOU


Passamos dos 50 mil acessos. Vidacuriosa foi criado em 2007, chegou a uns 10 mil acessos e então houve problemas com o contador de entradas no blog em um determinado ano, que não me recordo. Quando recoloquei o contador, recomecei observar os números. E chegamos aos 50 mil.
Que falta de opção, diria o Guri de Uruguaiana, personagem do humorista Jair Kobe.
  Esse blog tem sido um grande ponto de diversão, uma espécie de terapia, um treinamento de texto e uma melhoria nos meus conhecimentos.
  Uma coisa que me deixa intrigado é o fato de não saber qual foi o sentimento do leitor ao chegar ao blog. Por falta de retorno de quem clicou e por inabilidade para interpretar um sistema que existe para dizer quanto tempo alguém ficou no blog - se veio pela primeira vez ou se voltou a clicar ali - fico nessa dúvida. Grande parte desses 50 mil acessos é formada, com certeza, de incautos que caíram na teia do Google, já que tenho poucos comentários. Assim, não sei se a falta de participação se deve ao desinteresse pelo blog, à falta de tempo ou ainda à dificuldade de comentar. Não sei manejar muito bem isto aqui. Sei que tem a questão da senha e outros quetais. Em blog parecidos, também tenho dificuldades para deixar comentários. Aí, a saída é entrar como anônimo, dizer o que pretende e deixar o anonimato incoerente, colocando o nome e o e-mail.
  Sei da dificuldade de alguém ter tempo para comentar um blog, principalmente diante dessa infinidade de opções. Por isso, sou muito grato àqueles que deixaram comentários, mesmo os que não concordaram com o que escrevi e principalmente àqueles que me permitiram corrigir algumas mancadas. Decidi agradecer nominalmente às pessoas que deixaram recados neste ano de 2013. Alguns são amigos, outros conhecidos e outros até então desconhecidos.
Ei-los:
 Dalva M.Ferreira
Sirlene S. Costa
Sandra Nunes
Inaie
Rodrigo
Anne Brasil
Glaci Borges

domingo, 7 de abril de 2013

CARLOS NOBRE, UM HUMORISTA GAÚCHO INESQUECÍVEL

Fábio Silveira e Carlos Nobre no Campeonato em Três Tempos
 Hoje é um dia importante na história do humorismo do Rio Grande do Sul. No dia 7 de abril de 1929, nascia em Guaíba, José Evaristo Villalobos Junior, que ficou conhecido como Carlos Nobre. É graças a ele que até hoje os leitores de Zero Hora costumam começar pela penúltima página. Era ali, que Carlos Nobre desfilava seu criativo repertório de piadas engraçadíssimas e também cáusticas, cumprindo o rito da frase latina Ridendo Castigat Morus (é rindo que se critica os costumes). Além da ZH, Carlos Nobre trabalhou na Folha da Tarde, da Companhia Jornalística Caldas Junior, que fechou em 1984.
     Carlos Nobre começou como cantor no rádio nos anos 50. Era considerado um intérprete de grande talento. Foi, porém, em 1954 que ele deslanchou como personalidade artística ao ingressar na Rádio Gaúcha. Sobre essa parte, Vidacuriosa pega carona na competência do meu amigo professor Luiz Ferraretto, o maior conhecedor da história do Rádio do Rio Grande Sul.
    “No início de carreira, dentro do Jogo Bruto, o programa escrito por Luiz Gualdi, explorava trejeitos de voz e fazia às vezes do torcedor, conforme os estereótipos atribuídos a cada clube. Na mesma linha, inspirado no programa Miss Campeonato da Rádio Mayrink Veiga, do Rio de Janeiro, Carlos Nobre iria criar, na Gaúcha, uma atração para as noites de terça-feira a partir dos jogos disputados pelos principais times do Rio Grande do Sul no final de semana anterior. Trata-se do Campeonato em Três Tempos, que surgiu em 1958, tornando-se, rapidamente, uma das principais atrações da PRC-2.
Simulando um flerte constante e recorrendo a bordões de fácil assimilação popular, as caricaturas radiofônicas desenvolvidas por Carlos Nobre para cada um dos clubes que disputavam, ao longo de todo o certame, as atenções da Miss Copa, interpretada por Leonor de Souza e personagem central do Campeonato, acompanhada de um grande elenco. Havia o Greminho, papel que o autor escolhe para si, e o Colorado, de Fábio Silveira, os dois mais fortes pretendentes a conseguir chegar ao casamento, na sátira acompanhando a realidade futebolística.
Apenas o Zequinha, na voz de Eleu Salvador e, depois, de José Fontes, por sua origem bendita, do Esporte Clube São José, procurava resistir às investidas da Miss Copa, repetindo: “Afasta-te, pecadora”. Na composição dos tipos, o produtor e o elenco exploram características estereotipadas de cada clube ou da sua cidade de origem: Walter Ferreira vive o gringo do Flamengo, de Caxias do Sul; Ismael Fabião, o algo afetado Doutor Pelotas, representante do Esporte Clube Pelotas; Pepê Hornes faz o cheio de referências militares – “Um-dois, um-dois, um-dois! Companhia alto! Sentido! Descansar” – representante do Grêmio Atlético Farroupilha (o antigo 9º Regimento de Infantaria), também de Pelotas; Gerson Luiz era o índio Botocudão, do Clube Esportivo Aimoré, de São Leopoldo; e Dimas Costa, o gauchão grosso do Guarany Futebol Clube, de Bagé. Na época, as sátiras nem sempre são bem-compreendidas.
O Doutor Pelotas, por exemplo, gerou protestos de lideranças políticas e até religiosas do município da Zona Sul do Estado. Carlos Nobre transformou, então, as críticas em mais um diálogo jocoso entre os personagens de Leonor de Souza e Ismael Fabião, como o próprio Nobre explicou:
– O pessoal interpretou de uma maneira errônea, errada. Mas então eu, para maneirar a coisa, resolvi fazer o tipo másculo do Doutor Pelotas num certo Campeonato em Três Tempos. Ele foi com a Leonor, contracenando sempre, e a Leonor: “Mas, Doutor Pelotas, o que é isso?”. [com voz grossa e gritando muito] “Não tem conversa, não! Não tem conversa! Agora vai ser assim”. E o diálogo foi se processando. No fim, houve uma pausa. E a Leonor respirou: “Como é, Doutor Pelotas, mas o que houve?” E ele olhou e falou assim: [com voz em falsete] “Ah, cansei!”.
    A própria estrutura de divulgação e promoção do humorístico seguia também o desenrolar do Campeonato Estadual de Futebol. Havia farta publicidade no início do certame e, no término, o casamento do vencedor com a Miss Copa motivava a realização de um programa especial, geralmente apresentado em algum cinema da cidade.
Assim, em dezembro de 1961, para comemorar o título que acabava com uma hegemonia de cinco anos do Grêmio no futebol gaúcho, ao Cinema Castelo, além do elenco do Campeonato em Três Tempos, compareceram torcidas organizadas, jogadores e o presidente do Sport Club Internacional.”
   O programa alcançava a impressionante marca de 96% de audiência. Carlos Nobre também escreveu em jornais: teve a coluna Muro das Lamentações, no jornal A Hora, com ilustrações do fabuloso Paulo Sampaio, o Sampaulo. Em 1962, passou a escrever para a Última Hora e, em 1964, para a Zero Hora. O humorista trabalhou no centro do país, mas por apenas quatro meses. Na TV Excelsior de São Paulo, atuou em Humor 62, dirigido por Procópio Ferreira. Na Excelsior do Rio, brilhou no programa Times Square. Os amigos e parentes de Carlos Nobre contam que foi a saudade de Porto Alegre que o fez vir embora. Consta que ele teria vindo um dia de avião para a capital gaúcha apenas para comprar churrasco e voltando para saborear seu prato preferido no Rio.
    Carlos Nobre publicou dois livros (Nobre do Princípio ao Fim e Nobre e Outras), ganhou o título de cidadão emérito de Porto Alegre em 1982 e foi tema da escola de samba Império da Zona Norte, em 1988. Morreu em 16 de dezembro de 1985. Carlos Nobre deixou dois filhos, que seguiram a carreira de jornalistas: José Evaristo Villalobos Neto, o Nobrinho, e Marco Antônio Villalobos, o Marquinhos.

Algumas frases do humorista

• Lamentável a polícia. Acredita que a imprensa tem este nome justamente para ser imprensada- ZH – 1966.
• Depois do salário mínimo e do salário-família, está na hora de o governo inventar o salário verdade – ZH – 1978.
• Já notaram. Atualmente o prato típico do brasileiro é o prato vazio- ZH –1981.
• O ministro da fazenda diz que não há desemprego no Brasil (....) numa dessas vai acabar dizendo, também, que o povo não tem fome no Nordeste. Tem é falta de apetite. – ZH – 1981.
• Emprego no Brasil anda tão difícil de se arranjar que já tem empresa exigindo fiador por candidato - ZH – 1981.
• O verdadeiro milagre brasileiro tá acontecendo é agora, com a gente conseguindo sobreviver no meio deste arrocho desgraçado que tem por aí. –ZH – 1982.
• O negócio não é rezar para que as coisas melhorem no Brasil. O negócio é a gente rezar para que as coisas piorem cada vez menos. ZH –1982.
• Tendo eleição, me agrada até urna funerária - ZH - 1983.
• Nunca concordei que houvesse no Brasil uma maioria silenciosa. Para mim o que houve foi uma maioria silenciada.-
• Os tempos andam tão difíceis que até pra gente ser pessimista tá ruim.
• Mulher é o homem passado a limpo – ZH – 1983.
• Antes do pecado original, Adão era só decorativo – ZH – 1982.
• Deus é bom sim. Ele está é mal cercado.
• Na primavera os botões da roupa do poeta Mario Quintana desabrocham. ZH –1984.
•Nas agências bancárias que tem no aeroporto Salgado Filho aceitam cheques voadores” (ZH, 2/04/1985)
•Não maldiga os passarinhos. Saia de baixo, pô”.
•O cara chato não tem tédio”.
•No Chile, as baionetas caladas são as que falam mais alto”
•Não confunda força da opinião pública com opinião da Força Pública”.
•Nunca pergunte a um antiquário o que há de novo”.
•A posição de goleiro é tão arriscada que, depois do trapezista, o goleiro é o único que trabalha com rede”.
 •Quem ama o feio é porque bonito não lhe aparece”.

Fontes: sites Recanto das Letras (recanto das letras.com.br )
Museu Municipal de Guaíba (
www.carlosnobre.com.br).
Caros Ouvintes, de Luiz Ferraretto (http://www.carosouvintes.org.br)

sexta-feira, 5 de abril de 2013

ABERTAS INSCRIÇÕES PARA CONCURSO POEMA NO ÔNIBUS, DE GRAVATAÍ

Estão abertas, desde o dia 1º de abril, as inscrições para o X Concurso Poemas no Ônibus, promovido pela Prefeitura Municipal de Gravataí, por meio da Fundarc (Fundação Municipal de Arte e Cultura. Serão selecionados 30 poemas para serem instalados nos ônibus da frota municipal da empresa Sogil (Sociedade Gigante Ltda).
 As inscrições se encerrarão no dia 30 deste mês de abril e poderão ser feitas de duas maneiras:
   O interessado poderá entregar o material diretamente na sede da Fundarc, na Rua Antônio Donga,15, no Centro, de segunda a sexta-feira, das 12h às 18h. A inscrição pode ser feita também pelos Correios com data no carimbo de postagem até 30 de abril. No envelope deve ser colocado: Concurso Poema nos Ônibus 2013 Fundação Municipal de Arte e Cultura Rua Antônio Donga, 15, Centro Gravataí/RS –CEP 94035-270

Regulamento:
   Cada candidato poderá inscrever, no máximo três poemas inéditos (nunca publicados em qualquer veículo, impresso ou eletrônico (sites, blogs,etc);
Cada poema deverá ter, no máximo, 14 versos, em língua portuguesa;
Os trabalhos devem ser entregues em quatro vias digitadas, identificadas somente com o título e o pseudônimo em um envelope rigorosamente lacrado e identificado externamente com o título e o pseudônimo. Dentre desse envelope maior, contendo os poemas, deverá ser enviado também o envelope com a ficha de inscrição (lacrado).  
   Se não houver título, o autor deverá identificar o poema com o primeiro verso.
   O concurso é aberto aos interessados em geral. Uma comissão com três integrantes vai escolher 30 poemas. O resultado do concurso será divulgado no mês de junho de 2013 no site da prefeitura (www.gravatai.rs.gov.br), e os selecionados serão avisados por telefone ou e-mail.
   Veja os poemas selecionados no IX Concurso Poema no Ônibus 2012 em http://migre.me/dXm3V

quinta-feira, 4 de abril de 2013

MAIS PERIPÉCIAS DE AMIGOMEU NA CAPITAL GAÚCHA

Amigomeu é um cara tosco, nascido na campanha e criado no meio de cavalos xucros, bois brabos e das galinhas cacarejeiras. Quando veio para Porto Alegre, teve dificuldades para se adequar a outra realidade, esta suave, mais delicada e mais complexa. Na primeira vez que andou de elevador em um prédio comercial, Amigomeu passou por um momento constrangedor. Estava ele e mais quatro pessoas naquela caixa que subia casa acima - até porque se subia só podia ser para cima - no Edifício Santa Cruz, o mais alto da Capital, na Rua da Praia, quando, de repente, sem que ele pudesse impedir, soltou um flato. Não era um pum daqueles de cidade, quase imperceptível, sem cheiro. Era um daqueles peidos de campanha, que denunciam o seu autor pelo barulho e pelo que sai pela nuca dele. Pois nem bem o malfadado evento aconteceu, e o marido de uma mulher presente irritou-se, ficou vermelho de raiva e vociferou para Amigomeu:
- Mas o que é isso? Como é que o senhor faz isso na frente da minha esposa?
Amigomeu, que já estava chateado com a situação, respondeu:
-Bá, me desculpe, não sou daqui. Eu não sabia que era a vez da sua mulher...
                                   
                                   **********  ********* 

   Na primeira vez que Amigomeu veio para Porto Alegre, sua intenção era só passear, ver de perto uma cidade grande e gente muito diferente dele. Com ele, veio uma prima, Elenara, tão tosca quanto ele. Amigomeu e a prima viajaram de trem durante um dia e meio. Passaram por inúmeras cidades entre elas Santa Maria da Boca do Monte e Cacequi, onde fizeram o que se chamava na época de baldeação. Chegaram a Porto Alegre de madrugada, por volta das 5h e foram direto para a casa de uma tia deles, na Avenida Desembargador André da Rocha. Os dois ficaram embasbacados diante do prédio. Nunca tinham visto um edifício tão alto assim, tinha mais de 12 andares.
Eles entraram no elevador, olharam, no papelzinho que levavam, o número do andar, lá no alto, e apertaram o botão com o número correspondente. O elevador subia sem problemas, até que a prima do Amigomeu, mais curiosa do que jornalista em começo de carreira, viu um botão vermelho e perguntou:
- Amigomeu, pra que esse botão vermelho?
- Não sei, “vamo” apertar pra ver no que dá - respondeu o primo.
Pois foi só pressionar o botão, e saiu um som muito forte, que se tornou mais aterrador por causa do silêncio da madrugada. Era o alarme. Aí o elevador parou no andar desejado, e os dois saíram para uma espécie de hall com quatro portas principais de apartamentos. Em cada porta, havia um ou mais moradores, todos com os olhos arregalados e vestidos com trajes de dormir.
Os dois nem precisaram tocar a campainha, pois os tios de Amigomeu estavam ali, também estupefatos. Quando entravam para o apartamento, a prima de Amigomeu comentou:
- Que gente curiosa, primo. Esse pessoal não pode ver chegar uma visita para os vizinhos que já quer logo ver quem é?


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    Em uma outra vez que andou de elevador, ali por 2001, Amigomeu chegou atrasado ao encontro marcado para uma proposta de emprego. Ele tinha que estar na sala da empresa às 8h em ponto. Como sempre foi responsável em sua vida, sempre chegava mais cedo nos lugares. Por isso, foi por volta de 7h30min da manhã que ele chegou ao elevador. Tinha lido no papel que a empresa ficava no primeiro andar e por isso subiu pelas escadas. Foi então que descobriu que era no 11º andar. Diante do elevador, ficou um pouco preocupado com o que leu em uma plaquinha: "Antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo se encontra parado neste andar". Ele parou por uns segundos, olhou para todos os lados e não viu ninguém. Lá no fundo do corredor, havia uma mesinha e uma cadeira, mas ninguém nelas. Ele pensou, só me faltava essa, vou ter que esperar. Como era ainda muito cedo, não apareceu ninguém por ali, e Amigomeu começou a ficar preocupado. Pensou em ir pelas escadas, mas subir dez andares é brabo. Foi então que alguém saiu de uma sala, apertou o botão do elevador, e Amigomeu desceu com ele para o térreo. Quando conseguiu subir ao 11º andar, já eram mais de oito e meia e ele nem chegou a ser atendido. Na saída, perguntou para o porteiro quem era o tal de mesmo que ficava nos andares. Rindo muito, o porteiro explicou que o texto da placa atendia à lei municipal 12.772, aprovada pelos veradores de Porto Alegre em 2000 e sancionada pelo prefeito.

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   Amigomeu já estava acostumado com as diferenças entre a Capital e o lugar em que ele nasceu e vivera parte da sua vida, na vastidão do campo.  Já não se impressionava com qualquer coisa. Mas um dia, entrou em um ônibus que passava pela Azenha e, ao sentar-se, viu na sua frente, um ser bem jovem e franzino, com um cabelo eriçado como aqueles dos índios moicanos. A parte de cima era vermelha, e, nos lados, duas mechas amarelas. No nariz, uma série de aramezinhos, os tais de piercings um quase em cima do outro. As roupas eram amarelas e os coturnos pretos, como pés de pombas.
    Amigomeu não é preconceituoso, eu sei, mas não conseguiu tirar os olhos do pequenino jovem. Isso irritou o rapaz. Imagine um gaudério todo pilchado, com chapéu de aba larga e barbicacho, lenço vermelho, bombacha e bota entrando em um ônibus na Favela da Rocinha, no Rio de Janeiro. É claro que alguém iria ficar mirando, com o olhar parado. O jovem não suportou toda aquela admiração e perguntou:
- Ô, coroa, por que tu tá me olhando? Tu nunca fez nada diferente na juventude?
- Bá, se fiz, respondeu Amigomeu, fiz tanta coisa bizarra que tu nem tem ideia. Pois uma vez tomei um baita porre e acho que transei com uma arara. E justamente agora eu, te olhando, fico pensando e me perguntando:  Será que essa criatura não é meu filho?

                                      ************ 
O sujeito pode deixar a campanha, mas a campanha dificilmente deixa o sujeito. Lembrei-me disso no domingo à tarde, quando presenciei mais uma do Amigomeu. Ele estava no supermercado, na fila do pão, quando teve a atenção despertada pela voz de uma criança:
-Olha, ganhei uma égua. É a minha égua.
Amigomeu olhou para o menino tão pequeno que não pronunciava direito as palavras. Era um gurizinho de uns dois anos de idade, elétrico e mais eufórico do que pinto na quirera, que sacudia uma régua na mão e andava de um lado para o outro.
 De repente, o piazinho saiu correndo pelo corredor, sempre gritando: É a minha égua, é a minha égua.
Imediatamente, Amigomeu foi levado de volta para a infância, quando ia a cavalo para escola em um pangaré velho, o petiço Gateado.
E, olhando para o gurizinho que já estava lá longe, com seu material escolar, perto do setor de carnes do supermercado, Amigomeu acabou falando alto:
- Mais bá. O piazinho montou na égua e-se-foi...
Todo mundo riu na fila, menos a mãe do menino.


segunda-feira, 1 de abril de 2013

FELIZ DIA DOS BOBOS, FELIZ DIA DA MENTIRA

O 1º de abril, consagrado como Dia dos Bobos ou Dia da Mentira, é tão carismático que não sei como é que esses gênios fazedores de leis não inventaram projeto criando um feriado para esse dia. A arte de mentir se espalha desde o mais humilde cidadão até o presidente da República. Todos os dias, milhares e milhares de mentiras se perpetuam neste país, algumas necessárias, outras ingênuas, inofensivas, mas uma grande parte de um poder de enganação pulula pelo país inteiro. Promessas não são cumpridas desde as das mais altas autoridades as do mais modesto trabalhador. Nem vamos falar nos especialistas nas mentiras que não são, digamos assim, criminosos, nem nos estelionatários que entram e saem das cadeias.
 A mentira é tão popular que existe até um festival para festejá-la, já na 28ª edição, em Nova Bréscia, no Rio Grande do Sul. Só que não se realiza em 1º de abril, mas no fim deste mês.
  Mas o humor é algo que contagia, que alivia dores, apesar de tudo. Por isso, reuni aqui algumas coisinhas relativas à mentira:
* A mentira é o photoshop da verdade feia. (P/Aut)
* A diferença entre a mentira e a ficção é que a segunda não precisa dar explicações. (P/Aut)
* A mentira é a verdade que se esqueceu de acontecer. (Mario Quintana)
* Você pode enganar alguém durante todo o tempo, alguns durante muito tempo, mas não todos durante todo o tempo. (Abraham Lincoln)
* Há três espécies de mentiras: as mentiras, as mentiras sagradas e as estatísticas. (Mark Twain)
* Uma mentira pode dar a volta ao mundo, enquanto a verdade ainda calça seus sapatos. (Mark Twain).
 *A mentira tem pernas curtas, a verdade sempre alcança (Autor desconhecido)
   Em “homenagem" ao Dia da Mentira, veja, em http://migre.me/dW3of, o texto que publiquei, em 2007, sobre o alambrador violinista. Pode ir tranquilamente. Não é pegadinha de 1º de abril.

domingo, 31 de março de 2013

NOVAS AVOLICES DE DOMINGO

Ser avô é conhecer quase tudo de dinossauros sem ser paleontólogo. Eu já sabia que dinossauros queria dizer lagartos terríveis, mas era novidade para mim que o fato de que a palavra foi usada primeiramente por um famoso cientista chamado Sir Owen, na década entre 1840-1850. Minha neta Luísa me apareceu com um livro que achei bastante interessante, chamado A Era dos Dinossauros, Jovens Exploradores, Ciranda Cultural. O dinossauro preferido dela é o Tiranossauro Rex, também conhecido como T-Rex, mas ela achou muito bonito o nome do Iguanossauro. 
Algumas informações são tão curiosas que a minha neta me pediu para colocá-las no Facebook e aqui no Vidacuriosa. Então tá:
Luísa é apaixonada pela história dos dinossauros
   * O crânio do dinossauro T-Rex é do tamanho de uma criança sentada.
O estegossauro usava os grandes espinhos ósseos de sua cauda para assustar predadores  como o Alossauro.
  * O Iguanodonte, herbívoro, podia alcançar a velocidade a velocidade de 24 km/h com suas poderosas patas posteriores.
   * Dinossauros  Parassaurolfo e  Lambeossauro usavam a crista para emitir ruídos  como o de um berrante, o que podia ajudá-los a se identificar entre os indívíduos da manada.
* Pterossauros, como o pteronodonte, não eram propriamente dinossauros, mas grandes répteis voadores que vieram na mesma época.
* É muito difícil estimar o peso de um dinossauro somente a partir de seus ossos. Acredita-se atualmente que o cientistas sempre superestimaram os pesos. No passado, eles pensavam que o Tiranossauro tinha duas vezes o peso de um elefante. Hoje sabemos que ele pesava muito menos. Pensavam que o Apatossauro tinha o peso de 7,5 elefantes, mas agora acreditam que ele tinha o peso de apenas quatro elefantes.
   Por fim, uma charadinha:
Por que o Tiranossauro, mesmo com fome e sendo carnívoro, nunca atacou o herbívoro Estegossauro?
   Porque os dois não conviveram na mesma época. O primeiro teria vivido entre 67 e 65 milhões de anos, no final do período cretáceo. Já o segundo teria vivido no período jurássico, entre 155 e 145 milhões de anos. Assim, o Estegossauro foi extinto quase 100 milhões de anos antes do aparecimento do primeiro T-Rex.

 

 

sexta-feira, 29 de março de 2013

TRÊS HISTÓRIAS CURTAS SOBRE O AMIGO MEU

Amigomeu encontrou um antigo professor em um velório e quase o matou de vergonha. No meio de várias pessoas, em voz alta, falou: Eu sou Amigomeu Silva da Silva, fui seu aluno, e o senhor resolveu todos os meus poblemas de português.

   * Esse Amigomeu é uma figura. Meses antes, ele tinha comentado com outro amigo nosso que estava com "pobrema'. Esse amigo disse a ele: "Se esse teu problema não for de gramática, então tu estás com dois problemas.
 * Amigomeu me falou que um amigo dele fica rindo sozinho de tão contente quando vê as pessoas comendo e bebendo, felizes. Aí eu disse que o cara era um altruísta. Ele me respondeu: "Não sei o que é isso daí. O que eu sei é que ele é dono de restaurante."

 

segunda-feira, 25 de março de 2013

AMIGOS MEUS ME CONTAM CADA HISTÓRIA

Não tenho um número grande de amigos reais, mas os que tenho são fantásticos.  Um deles é o Claiton Magalhães, jornalista e atualmente editor-executivo do Diário Gaúcho e mestrando em Jornalismo na PUC. Além de competente, tem um grande senso de humor. Nasceu e morou na Vila São José, na base do Morro da Cruz, em Porto Alegre, o mesmo local de nascimento  do grande repórter Caco Barcelos, que há muito tempo brilha na Globo. Publico hoje uma história que o Claiton me contou garantindo que é verdadeira, embora, como se verá a seguir, é difícil de acreditar.
  Pois o fato se deu em uma época em que o Claiton jogava futebol na várzea. Segundo ele próprio, era um goleador nato, um centroavante que não dava moleza para goleiro nenhum. Bobeasse, e ele já estava colocando a gorduchinha nas redes. A cada partida, o meu amigo deixava o golzinho dele ou dava um merengue para um companheiro se consagrar também.
  Um dia, Claiton levou o par de chuteiras para um sapateiro consertar. Precisava estar com os pisantes em ordem para continuar metendo gols.  No sábado, ele buscou as chuteiras. Trabalho de primeira. Perguntou quanto era o conserto, e o sapateiro disse o valor, mas acrescentou que não tinha pressa no pagamento. Claiton então prometeu acertar tudo na segunda-feira e se mandou para o campo de jogo, onde brilhou novamente. No fim de semana seguinte, Claiton ficou sabendo que o sapateiro havia se sentido mal no domingo, teve um problema de coração, ficou dois dias no hospital e morreu.  Com isso, a família fechou a sapataria.
Pouco depois disso,  Claiton começou a se sentir um pouco estranho. No futebol, já não era mais aquele centroavante cheio de energia e competência que fazia gol de cabeça, de sem-pulo, bicicleta, carrinho e até com joelho.  Já não fazia gol nenhum.  Se recebia um merengue, entrava na área, perdia o equilíbrio ou chutava o chão ou atirava a bola a quilômetros de distância da goleira. Parecia que algo estava acontecendo. Parecia que o vento mudava a trajetória da bola, e ela não entrava. Isso até em dias sem vento.
Olhe só a figura do artista

 Mas o problema não era só no futebol. A partir daí, ele não conseguia se formar em jornalismo, tinha dificuldades para fazer o trabalho de conclusão, nenhum plano dava certo. E o pior: não havia jeito de engravidar a esposa. Um dia, quando entrou sozinho na área e errou mais uma vez o gol, olhou para os pés e lembrou-se de um detalhe: não tinha pagado o conserto das chuteiras do falecido sapateiro.
 Para ter certeza, foi a um centro de umbanda na Vila Vargas, ao lado do Morro da Cruz. Ao atendê-lo, o preto velho já foi falando, no meio de uma espessa fumaça de charuto:
- Misifio. Suncê nem percisa preguntá nada pro preto véio. O motivo do teu banzo tá bem craro na tua cachola. Tem a vê com a reformação dos pisante que tu não pagô. O isprito do hômi dos carçado ficô tiririca da vida e começô a trapaiá vassuncê. Faiz o pagadero que tudo se arresorve.
Claiton saiu do terreiro e procurou logo os familiares do sapateiro. Eles disseram que não se preocupasse, que não precisaria pagar nada, mas ele insistiu, disse que era uma questão de honra. E pagou.
Verdade ou não, o certo é que o velho centroavante voltou a fazer gols. Além disso, Claiton conseguiu se formar e, para coroar a nova maré de felicidade: sua esposa ficou grávida de uma menina. Eu não acreditei, mas ele jurou que tudo foi verdade. Como na vida profissional ele é um sujeito sério, sei lá.

sexta-feira, 22 de março de 2013

DESCONSTRUINDO FRASES FEITAS E DITADOS ANTIGOS

Não sou melhor do que ninguém.  Quem usa essa frase ou é falso modesto ou tem um profundo complexo de inferioridade.  Em um mundo com tantos tipos de criminosos, como alguém pode achar que não é melhor do que ninguém? Quem diz isso com sinceridade revela que se considera igual ou pior do que assassinos, ladrões, traficantes, pedófilos, corruptos, preconceituosos em geral e outros que pululam por aí aos montes, transformando a vida dos demais cidadãos em um inferno. Não me considero o melhor de todos, existe um número inimaginável de pessoas melhores do que eu, ou igual a mim, mas certamente não sou pior do que tanta gente que me rodeia ou que felizmente vive longe de mim, e de cujas ações tomo conhecimento.
   Todo mundo nasce aparentemente igual, a não ser que a ciência possa provar que alguém já vem ao mundo predisposto ao crime por genética ou espiritualmente. Quando cresce, as circunstâncias transformam alguns devido ao egocentrismo exagerado ou a fatores dos quais não temos ainda conhecimento. O indivíduo vale pelo que pensa e age, não pelos bens que adquire. A própria Constituição Federal do Brasil diz que todos os cidadãos são iguais perante a lei. Mas, ao mesmo tempo, essa mesma lei distingue quem é primário de quem não é. O que algumas pessoas querem dizer, na verdade é: "Não sou melhor do que todo mundo". 
    Não sou Deus para julgar ninguém. É outra frase incoerente. Se esse Deus realmente não quisesse que os homens se julgassem mutuamente, não teria dado inteligência diferenciada para alguns. Como não deu aos animais, que não julgam sua própria espécie nem as outras. Se alguns segregam seus próprios pares na colônia, se os matam, assim com fazem com outras espécies, seguem o instinto ditado pela natureza. Com isso, não quero dizer que um homem ou o Estado tenha o direito de matar outro. Mas ele tem o dever de impedir que o homem mate o próprio homem. Sou totalmente contra a pena de morte não por motivos humanitários mas porque a sociedade permite a corrupção, e os poderosos normalmente decidem quem deve morrer. A ideia de que a pena capital pode ser aplicada a um único inocente, já me basta para ser contra.

sexta-feira, 15 de março de 2013

DA SÉRIE "NÃO DISCUTAS COM..."

                                                                                         Atualizado em 4/5/2016
Não discutas com um jornalista. A menos que você seja também jornalista. É que eles são treinados para fazer perguntas embaraçosas. Uma resposta puxa outra pergunta e ele remexe no baú das histórias e lá vem outra pergunta. E o pior é que, mesmo se reconhecer que está errado, se pedir desculpas, se der direito de resposta, o jornalista vai querer sempre ter a última fala. Se você tem mesmo razão, então procure outro jornalista para falar sobre o assunto. Ou um advogado.

Não discutas com um advogado. A menos que você seja um advogado. Eles são treinados para ganhar qualquer discussão, mesmo que não tenham razão. E também são treinados para fazer perguntas embaraçosas, remexer no baú das histórias. Discutir com advogado é muito mais perigoso do que discutir com jornalista. Uma pergunta puxa uma resposta, que puxa outra pergunta que pode causar uma resposta que pode acabar em processo. E aí você vai ter que contratar outro advogado. E advogado adora processos, faz parte da natureza jurídica dele. Se achas que tem razão, procure outro advogado, mas cuidado. Ou procure um jornalista, ou um promotor.
* Homenagem ao meu irmão José Itamar Pereira Nunes, bacharel em Direito, e a todos os meus amigos advogados.


Não discuta com um médico. A menos que você seja médico. Ele foi treinado para saber muito mais de você do que você mesmo. Ele sabe de dores que você está sentindo que você nem sabia que estava sentindo. Ele resolve alguns problemas que você nem tinha antes de conhecê-lo. O médico sabe tanto sobre o corpo humano que escreve em uma letra que você não consegue decifrar. E mesmo que ele digitasse o texto e tirasse uma print, você não entenderia. Mas ajudaria muito os balconistas a achar os remédios na farmácia. Se você acha que tem razão, procure outro médico, ou um advogado, ou um jornalista, ou um promotor.

* Homenagem ao médico Carlos Alberto Pimentel, meu ex-colega de jornalismo do tempo da Folha da Tarde e a todos os médicos que cumprem o juramento de Hipócrates salvando vidas, sanando dores e evitando problemas de saúde.


Não discuta com um policial. A menos que você seja um policial, de preferência mais graduado do que ele. Policiais são treinados para mostrar que têm autoridade e, dependendo da discussão, podem considerar qualquer coisa como desacato à autoridade. Alguns policiais demoram para entender o que está acontecendo e, pelo sim, pelo não, são inclinados a achar de cara que é você o errado. Policiais dificilmente reconhecem totalmente que estavam errados e, mesmo que reconheçam, ainda acham que, de alguma forma, a culpa pelo engano foi sua. Se você está errado, está fora da lei, azar o seu, tem é que ser punido. Mas, se estiver com a razão, procure a corregedoria, ou um jornalista ou um advogado.

  * Homenagem aos meus amigos Jairton Pescador e Hilário Olmar da Silva, policiais civis, e Geverson Ferrari, policial militar, e a todos os funcionários da segurança que cumprem realmente sua missão de proteger os cidadão, arriscando suas vidas e até de seus familiares para combater o crime.


Não discutas com torcedor fanático de futebol. Menos ainda se for torcedor adversário. Torcedores fanáticos amam mais o clube do que os próprios pais ou filhos. Eles sabem tudo sobre o próprio clube, sobre o seu time e sobre todos os outros. Diante de qualquer elogio que você fizer à sua própria equipe, ele vai remexer o baú da história e encontrar algum detalhe embaraçoso do seu time, alguma derrota implacável, algum eventual fiasco. E mais. Vai buscar todos os títulos que o clube dele conquistou, os jogadores que eventualmente passaram pela Seleção e até um craque que fez um gol inusitado que levou o time à vitória. Para torcedor fanático, seu time sempre foi, é e sempre será o maior do mundo, seus jogadores são os melhores, os gols são sempre legítimos, ao contrário dos pernas-de-pau do adversário, que fazem gols em impedimento ou com a mão e integram uma equipe eternamente fraca e merecedora de estar nas divisões mais inferiores do futebol. Os estádios do time do torcedor são luxuosos e um verdadeiro santuário do futebol enquanto os do outro são chiqueiros e potreiros. Para alguns torcedores, a derrota do adversário o deixa mais feliz do que a vitória da sua própria agremiação.

Não discutas com um fanático religioso. Eles foram hipnotizados ou pela história de suas famílias e, por isso, não admitem sequer que podem ter sido treinados erradamente, ou por discursos bem elaborados e psicologicamente convincentes ouvidos em momentos de fragilidade de suas vidas. Para o fanático religioso, a fé cega é o que importa. Uma pergunta sua poderá levá-lo a respostas já treinadas e a críticas sobre o que você pensa da vida, usando sofismas para contestar aquilo no qual você acredita ou se você não acredita em nada. O fanático religioso não apenas acredita na religião dele, mas tem como meta fazer com que todo mundo passe a pensar da mesma forma. Em relação ao religioso não fanático, o ideal é respeitar a opção dele da mesma forma que ele te dá o direito de ter sua religião ou não ter nenhuma.

Não discutas com militante político fanático. Não importa se é direita, de esquerda, anarquista, ou de qualquer outro matiz. Mesmo que seja do mesmo partido pelo qual você tem alguma admiração, o melhor é não discutir. Se você não concordar com ele em tudo, logo logo será acusado de estar infiltrado, de ser um adversário enrustido. Se for de outro partido, então vem chumbo grosso na hora. Para o militante fanático, seu partido é o melhor que existe, seus políticos são inteligentes, criteriosos, heróis da nação e incorruptíveis. Para qualquer deslize de seus correligionários, haverá uma explicação supostamente razoável. Alianças do seu partido com antigos adversários serão apontados como incoerência. Eventuais acordos do partido dele com antigos adversários são necessários em nome de uma luta para impedir que o inimigo chegue ao poder, ou para permitir governabilidade,  ou porque o contexto agora é outro. Uma pergunta sua levará o fanático a um sofisma brilhante e a uma busca no baú da política de onde trará inúmeros fatos negativos dos adversários, esquecendo-lhe os pontos positivos, claro, e as melhores ações já feitas pela sua agremiação política, esquecendo as  trapalhadas, os erros e, é obvio, eventuais crimes.


Atenção: Este post não sugere que as pessoas se omitam. Debater é preciso, com pessoas bem informadas e sensatas e nos foros ideais e não em uma discussão que não leva a nada a não ser ao estresse, à inimizade e até à violência.   


quarta-feira, 13 de março de 2013

RELATO GAUDÉRIO SOBRE O NOVO PAPA

O gauchão chegou eufórico à estância, no fundão da Campanha, entrou no galpão e, antes do primeiro mate, já foi contando, com seu linguajar próprio,comendo os esses das palavras:
- Tô chegando agora da cidade. Pois não é que mudou o capataz geral das estância de São Pedro? Lá em Roma, o povo tá alvorotado. O patrão véio lá de cima enlouqueceu: o Benedito Dezesseis tinha pedido o chapéu e se mandado. Não aguentava mais as bagacerada. Daí os soto-capatazes se reuniram no galpão que tem lá do lado da capela Sestina (que é um lugar que eles tiram pra sestear, depois da reza, olhando pros desenhos do Rafael feitos no teto). Tinha maula de tudo que é país e entre eles cinco brasileiro.
 Pelo que vi lá na televisão do seu Terêncio, parecia dia de rodeio e de marcação, uma festa e tanto. Os cardeal, que são aqueles padre com gorrinho vermelho que nem esses pássaro que nós temos aqui, ficaram tudo preso no galpão pra escolher o novo papa. Devem ter comido churrasco do bom, com carne comprada de alguma churrascaria instalada por alguém de Nova Bréscia que foi lá pra Itália.  No primeiro dia, saiu uma fumacinha preta pela chaminé. Ou eles queimaram o churrasco, ou aquela fumaça era das ideia deles que não conseguiam se acertar na escolha. Vai ver cada um dos viventes votou nele mesmo. No dia seguinte, fumaça preta de novo e, no terceiro dia, nesta terça-feira, dia 13 de 3 de 1913, oigaletê, porquera! Finalmente acabou saindo fumaça branca que, segundo os artista da TV significava que tinham se aconchavado. Não sei o que  rolou entre aquela indiada macanuda pra chegarem a um acordo. O engraçado era que o que ganhou não era o favorito das carreira. Deu uma espécie de azarão: um argentino. Agora é que os hermanos vão ficar cantando marra pra cima da gente. Já nos enchiam o saco com o peticito Maradona que, pra mim não chega aos pé do Pelé, e ultimamente ficam lembrando o Messi, esse sim, um grande jogador.
Mas voltando ao capataz geral das estância de São Pedro, acho que a primeira viagem dele pra América Latina vai ser nas Ilha Malvina, que os ingleses chamam de Falklands. O taura escolheu o nome de Francisco. Deve ser em homenage a algum tataravô dele. Eu por aqui torço pra que o Chico, se me permitir chamar o papa assim, faça alguma coisa pra baixá o preço do torresmo. Mas se não der, não tem problema. O mais importante é ele cuidar do pessoal de batina pra evitar as senvergonhice que a gente ouve deles pelo mundo. E que o patrão veio lá de cima fique atento. Se fizer bobagem, que lhe caia o relho pelo lombo.

domingo, 10 de março de 2013

AVOLICES DE DOMINGO

Esse trio leva todos os meus pilas: Luciano, Luísa e o Raphael
A gente vai ficando velho e esquece que nem tudo que faz parte das nossas lembranças é compartilhado pelos que nos rodeiam, apenas com os nossos contemporâneos. Foi o que percebi quando fiz um comentário depois de virar para o lado a aba do boné do meu filho Luciano, que tem síndrome de Down. “Tu estás parecido com o Golias” brinquei. A Luiza, sete anos, que estava do lado, estranhou. “Como parecido com o Golias, vô? Nada a ver. O Golias é um elefante azul com unhas amarelas, do desenho Meu Amigãozão que passa na tv”. Foi então que me dei conta de que ela não tinha a menor idéia sobre um antigo humorista da tevê que usava um boné com a aba virada para o lado e que vivia gritando: Ôcrides!

sábado, 9 de março de 2013

CURIOSIDADE NA ORDEM DOS SÉCULOS E NOS NÚMEROS DOS ANOS

Este post é para aquelas pessoas que ficam curiosas porque os historiadores informam que a Independência do Brasil aconteceu no século XIX, mais exatamente em 7 de setembro de 1822, que as duas guerras mundiais tiveram início no século XX (1914 e 1939) e que estamos no século XXI, em 9 de março de 2013. Parece haver algo errado nos séculos, mas não há. Para compreender, é preciso entender uma regra de matemática.  O primeiro século D.C (Depois de Cristo) é o que vai do ano I até o ano 100. A partir daí é que começa a aparente confusão: o segundo século (Século II) começa em 101 e vai até 200) e assim por diante. O século X começa em 901 e vai até 1.000. De 1001 a 1100 é o século 11. Por isso, o século XXI, em que vivemos, começou em 2001 e irá (se Nostradamus, maias e demais adivinhadores estiverem errados) até 2100. Somente nos anos terminados em zero (isto é, o último da centena de anos)  não há confusão: o Brasil foi descoberto (ou invadido) no ano de 1500 (22 de abril), portando no último ano do século 15.
      Se você já sabia, não fique com aquela impressão de que botei aqui algo que não é novidade. Pense em outras pessoas que provavelmente não sabiam, especialmente os jovens que ainda não tiveram tempo para descobrir isso. Alguns certamente ficaram curiosos, mas não tiveram para quem perguntar. O Google certamente ajudaria essa dúvida mas, para isso, seria preciso procurar e, além disso, levaria muito tempo. Levaria, porque agora é só digitar palavras chaves como “curiosidade na ordem dos séculos” junto com vidacuriosa, ou www.vidacuriosa.blogspot.com e esta explicação surgirá rapidamente.

 

segunda-feira, 4 de março de 2013

DOIS TIPOS DE KABULETÊ

Entre os poucos neurônios que me restam, um deles é o Dunga. Ele mora dentro do baú das minhas lembranças e está encarregado de me avisar sobre alguma coisa interessante do passado que  tenha ligação com o presente. O nome dele não é por causa do treinador atual do Internacional, embora possa haver até algumas semelhanças entre eles. Carlos Caetano Bledorn Verri é uma mistura entre Dunga, Mestre e Zangado, três dos personagens da Branca de Neve, conto de fadas alemão compilado pelos irmãos Grimms e que virou desenho e filme da Disney.
 Mas não era do treinador que eu estava falando, mas do meu neurônio encarregado do baú das recordações. O nome dele também tem origem na história da Branca de Neve, mas é bem anterior. De vez em quando, sem falar nada, ele faz uma bagunça na minha cabeça e atira para a sala de estar do meu cérebro, algumas lembranças interessantes.
 Um caso desses foi hoje. Alguma coisa me dizia que eu já havia ouvido antes o termo kabuletê que a autora Glória Peres incluiu como bordão nos diálogos dos turcos que falam português melhor do que eu, aproveitando uma licença poética incrível. Pois kabuletê, em turco, (kabul et) significa algo como combinado, aceito.
Foi então que o Dunga, o anãozinho que mora no baú das minhas lembranças me atirou um trecho de uma música lançada em 1970, cujo título é "Na Tonga da Mironga do Kabuletê". Ao contrário do vocábulo turco, que significa algo positivo, o cabuletê da música de Vinícius de Moraes e Toquinho é um xingamento na lingua nagô. "Eu caio de costas, eu sou quem eu sou, eu saio da fossa, xingando em nagô.
Não há comprovação disso, mas uma interpretação à qual tive acesso, o blog Portrasdaletra, diz que Vinícius teria aprendido o termo em nagô, língua africana, com uma das mulheres que teve, a baiana Gesse Gessy. Segundo ela, que aproximou o poetinha do candomblé, apresentando-o à Mãe Menininha do Gantois, kabuletê significa, desculpem-me os mais pudicos, "o pêlo do cu da mãe". Como aquela época era o auge da ditadura militar, Vinícius resolveu xingar o sistema em nagô para não correr o risco de ser preso. Se é ou não verdade, a questão é que isso faz parte da biografia de Vinícius de Moraes,  Poeta da Paixão, São Paulo, editada pela Companhia das Letras.
 Encontrei informações de que kabuletê seria também um instrumento de percussão com uma leve semelhança com o chocalho com origem provavelmente na Ásia.
Voltando ao kabuletê turco, li que os atores da Globo passaram 40 dias na Turquia aprendendo o significado e a pronunciar algumas palavras usadas como bordão. Uma delas é gulê gulê, que quer dizer adeus, mas que só é dita por quem fica. Eu nem imaginava, porque gule-gule,
 para mim, é fazer carinho em bebê.


P.S - Ainda usarei acento em pêlo, para diferenciar da preposição e também continuo botando acento em idéia e assembléia para dar idéia de que o é é aberto, diferentemente de teia, de aldeia, etc. É que os trapalhões do governo brasileiro, sem a adesão ao acordo de outros países de língua portuguesa, adiaram a efetivação da (nefasta) mudança, que não serve para nada a não ser para editores de livros didáticos ganharem dinheiro.