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Luciano olha com cumplicidade para as travessuras do sobrinho |
Raphael já quer fazer tudo por conta própria |
- Vou esperar aqui – falou meu pequeno chefe, entonado que nem bajeense.
Minha filha terminava de arrumar a Luísa para ir também à escola e, por dois minutos, me distraí. Foi quando a avó, sempre atenta, gritou:
- Cadê o Raphael?
Achei que ele tinha ido para os fundos da casa, procurei, aflito, e nada. Lembrei-me do portão não chaveado e me abalei para a rua, coração aos pulos. Um carro parou, e o motorista me avisou:
- Vi um gurizinho indo sozinho ali pela rua.
Corri, dobrei a esquina e pude vê-lo, lá no fim da outra quadra.
Quando me viu, gritou de lá, com ar impaciente:
- Eu já tô indo, eu já tô indo.
O acaso me deu uma mãozinha, e o episódio, uma lição. Alguém poderia ter passado ali e dado de mão no piá. Por sorte, também, aquela rua está interditada ao trânsito por causa das obras. Se ele seguisse por mais alguns segundos, alcançaria a movimentada avenida Carlos Barbosa.
Já ouvi o que eu devia e o que não devia por ter sido tão pateta. E sigo lembrando-me todos os dias para nunca mais esquecer. Meus irmãos que podem estar lendo isto aqui já devem estar afiados para comentar que essa façanha do Raphael já aconteceu comigo, quando eu tinha a idade dele.
Minha família contou e recontou que, quando eu tinha por volta de dois anos, fugi por um buraco no muro da casa em que morava, na Rua General Osório, em Bagé. Quando minha mãe se deu conta, eu havia sumido. Como um ratinho do Flautista de Hamelin, tinha saído atrás de uma banda de música que passara por ali e andei por quase um quilômetro. Voltei no carrinho de mão de um verdureiro que me viu e me reconheceu, para alívio dos meus pais.
Criança é do peru.
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