quinta-feira, 3 de setembro de 2015

ESCADARIA NO CENTRO HISTÓRICO ESQUECIDA PELAS AUTORIDADES

Muitos leitores dizem que jornalistas gostam de noticiar más notícias. Alguns desses são os mesmos que passam aos repórteres más notícias e cobram divulgação, geralmente quando têm interesses. Não são todos os jornalistas que adoram divulgar erros e tragédias. Mas, muitas vezes os fatos conspiram para tornar mais necessária uma denúncia do que a divulgação de algo belo ou um fato louvável. 
Digo isso pra contar que estou preparando um post para meu blog sobre alguns cantos de Porto Alegre pelos quais muita gente não passou ou não ouviu falar. Daí escolhi, entre meia dúzia, um aprazível lugar no Centro Historio por onde eu passava quando morava na Rua João Manoel: as escadarias no fim dessa rua que começa na Rua Duque de Caxias e desce para Fernando Machado. Fica a uma quadra do Palácio Piratini e da Assembleia Legislativa.
Foi então que me me dei conta de que as autoridades dali nunca passam por essa escadaria. Nem seus assessores. O mesmo digo dos vereadores; cujos confortáveis gabinetes, localizados a uns 800 metros mais ou menos mais para baixo, que por ali nunca sobem ou descem.
O motivo é o lastimável estado do local. A histórica escadaria em que a saudosa Lourdes Rodrigues costumava cantar, dá vergonha. Há algum tempo o local foi reformado. E agora é um lugar deplorável. Aqui cabe uma crítica a uma parte da população, relaxada e inconsequente. No meio da escadaria há um estágio em forma de um pequenino anfiteatro, mendigos estenderam colchões e dormem ali. Além da sujeira do topo à base, uma cascata de água fétida percorre os d
egraus. Me deu uma vergonha danada de dizer que sou morador de Porto Alegre.

domingo, 16 de agosto de 2015

PORTO ALEGRE SEGUE SENDO UMA BELA CIDADE, APESAR DOS PROBLEMAS

Apesar de as autoridades não conseguirem cumprir suas metas, deixando a cidade com um ar de descuidada, apesar de parte da população contribuir com uma imagem de local relaxado com bueiros constantemente entupidos, eu te amo Porto Alegre. Mesmo que teus parques estejam quase transformados em bosques inóspitos e perigosos correndo o risco de serem cercados. Mesmo que tuas reformas necessárias demorem séculos e que em algumas áreas haja injustiça e violência, segues sendo o mesma belo e surpreendente porto no qual ancorei em 1970, meu porto alegre.
Na quinta-feira, eu olhava, desconsolado para as intermináveis obras de restauração vê o Mercado Público, atingido por um incêndio há mais de dois anos. A placa marca o fim das obras para 7 de Julho de 2014; passou-se um ano e sete dias.

Mauro  aprendeu a tocar piano pequeno e era a sua segunda vez no Mercado
Foi quando ouvi numa música oriunda de um piano instalado no Centro do Mercado. Compenetrado, o marceneiro aposentado Mauro Noronha, 72 anos, passava os dedos com habilidade pelas teclas. Natural de Canoas, costuma dedilhar o piano que aprendeu a tocar ainda pequeno. Era sua segunda vez no Mercado. Ele costumava tocar no piano que havia na Estação Rodoviária. Constrangido, afirmou que o gerente da Rodoviária tirou o piano livre do local porque alguns espectadores costumavam dar gorjeta ao músico acidental e considerava que isso não era legal. Distraído, até esqueci da demora da reforma que esconde o teto com feios tecidos pretos.

domingo, 9 de agosto de 2015

UMA LEMBRANÇA NO DIA DOS PAIS

Eu me lembro o tempo todo do meu pai, que se transferiu para outra dimensão em 2003. Sua imagem ficou intocada como se ele ainda andasse por aí. Quando chega perto de fevereiro - ele nasceu no dia 22/2/1922 - e no começo de agosto, a lembrança e a saudade dele me vêm ainda mais forte. Principalmente da época em que eu era criança.
Naquele tempo, na Vila de Seival ainda não havia energia elétrica Nossa maior diversão era ouvir as histórias que meu pai contava.
Havia gelo do lado de fora das vidraças do velho sobrado. O vento balançava as folhas das casuarinas. Diante da lareira, sobre pelegos, nos nos sentávamos, meus irmãos, primos e eu, para ouvir os causos. Alguns davam medo por causa do escuro da noite tornado menos assustador pelas luzes fracas dos lampiões e das lamparinas. Eram histórias com tons de comédia ainda que algumas falassem em almas de outro mundo. Algumas histórias eram só engraçadas como relato a seguir.

" O velho caminhava pelo corredor na Campanha. Seguia por uma estradinha de areia quando encontrou algo estranho no chão. Logo descobriu que era uma mala de garupa, de couro, com uma das alças rebentadas. Ele foi até a subidinha da estrada para ver se enxergava quem havia perdido aquela mala cheia de dinheiro. Nem lhe passou pela cabeça ficar com aquelas notas e moedas. Aguardaria, porque o dono azarado voltaria para buscar.
O homem foi para casa e determinou à mulher:
- Minha velha, achei isto na estrada. Guarda a mala em cima do guarda-roupa que o dono há de voltar, e a gente devolve.
Os olhos da velha brilharam.
- Mas que esperança! Tu não vê, meu velho, que isso é presente de Deus? Vamos reformar este rancho, comprar mais umas vacas e ainda vai sobrar para uma viagenzinha de trem até Porto Alegre.
- Tu tá louca, mulher. Nós vamos devolver. O que não é nosso não é nosso.
- Tá bom, meu velho. Tu estás certo. Mas precisas estudar mais. Amanhã tu vais pra escola, vai ser bom pra ti.
Como a esposa tinha concordado com ele na questão da mala, não achou justo discordar dela de novo. De manhã, a mulher foi na frente e disse que o marido estava esclerosado e que insistia em voltar a estudar. Pediu à professora que aplicasse a palmatória por nada, que assim ele desistiria.
Enquanto o marido estava na escola, a mulher foi à venda, comprou grande quantidade de farinha, azeite e açúcar e fez uma fornada de bolinhos de chuva, espalhando-os pelo telhado e no chão desde a porta do rancho até a porteirinha na entrada. Dali a pouco, chega o velho, chateado pelas palmatorias que levou e que determinaram o seu afastamento da escola. Antes que se queixasse da professora, olhou para aquela quantidade de bolo frito pela casa.
- Olha só, meu velho que coisa estranha. Veio uma manga de chuva de bolo frito aqui em casa - disse a velha.
Uma semana depois, dois cavaleiros perguntaram ao velho se ele sabia de uma mala de garupa que tinham perdido.
- Pois eu achei na estrada e guardei pra devolver. Vamos ali em casa.
- Mulher, esses são os donos daquela mala que eu achei. Pega lá e devolve.
- Que mala, meu velho? Tu tá caducando. Não existe mala nenhuma, disse a mulher enquanto olhava para os desconhecidos e fazia um sinal discreto, girando o indicador acima da própria orelha.
- Mas, mulher, tu não te lembra? Foi naquele mesmo dia em que eu fui pra escola, a professora me encheu de bolo nas mãos e quando eu voltei tinha chovido bolinho por toda a parte.
Os dois homens se olharam, se despediram rapidamente girando as rédeas dos cavalos e desapareceram.

Obrigado por tudo, meu querido pai, Walter Vieira Nunes.

terça-feira, 7 de julho de 2015

NA AUSÊNCIA UMA REFLEXÃO PORQUE NUNCA É TARDE PARA SER FELIZ

Já é tarde. Abri a porta da cozinha e olhei pro céu em busca da Lua como sempre faço nesses períodos em que ela está mais cheia, mais bela. Prescrutei todos os cantos do firmamento e não a encontrei.
Tudo estava escuro, e tudo o que eu vi foram recortes da árvore como uma sombra projetada na tela celeste. Foi então que vi a chuva que caía como um poncho molhado e escuro e que afastou também as estrelas como o espantalho escorraça os pássaros. E então me dei conta. Com esse tempo, ou a Lua está dormindo ou vendo televisão.
 É hora também de eu me recolher ao nicho destinado ao reconforto de energia e paralisação do corpo e do cérebro. Antes de me recolher, como sempre, deixo alguns inscritos que eu havia pespegado na página do dia 28 de junho da minha agenda de papel.



Um verso de Cazuza
diz que o tempo não pára.
Mas o tempo pára, sim,
quando o coração dispara.
É quando outro coração
diz: pára, olhando nos olhos.
Quando isso acontece,
tudo pára. Param os carros na rua.
Para até o movimento da lua
seja de rotação sobre si mesma
seja o de translação no universo.
Param todos os versos.
Fitam-se os olhos, calam-se as bocas
param e silenciam-se os relógios do mundo.
Até que os caminhos se abram
em uma mesma direção
e os amantes sigam unidos pelas mãos.
* Nego-me a tirar o acento do pára, do verbo parar. Dane-se a reforma ortográfica nesse quesito. Não conseguiram sequer colocá-la oficialmente em vigor.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

SISTOLE E DIÁSTOLE

 
 
 
           O sax e o chimarrão fazem movimentos iguais aos do coração. No primeiro, o artista sopra e expõe a beleza sonora no ar; no segundo, o gaúcho sorve e absorve o sagrado verde das coxilhas

quinta-feira, 2 de julho de 2015

UM TESTE DE CRASE

Arrume:
A bala perguntou a bala qual a bala que é mais bala a bala respondeu a bala a bala mais bala é a bala de banana.


(Baseado em algo que li não sei onde, não sei quando, ou ouvi não sei de quem: 
O doce perguntou ao doce:
- Qual o doce que é mais doce?
O doce respondeu ao doce:
- O doce mais doce é o doce da batata doce.

FALANDO SÉRIO

     Tenho sempre em mente que "rir é o melhor remédio". Isso é desculpa para as bobagens que ponho aqui, algumas sem graça (para alguns, todas). É que o mundo está tão tristemente tomado pela imbecilidade que precisamos rir, rir bastante. Ultimamente tenho falado muito sério. É que essa gente que governa tem me tirado do sério. Ou melhor, tem me tirado do riso. 
Em vez de pensar em uma piada pra contar, me vêm à mente coisas sérias. Seriíssimas. Refl
eti hoje, por exemplo que o grande responsável pelo estado atual das coisas é o egoísmo que toma conta do ser humano. Que obviedade, dirão alguns. Aí eu imaginei que, lá atrás, quando a Declaração Universal dos Direitos do Homem foi criada, deveriam ter pensado mesmo era em uma Declaração Universal dos Deveres do Homem e da Mulher.
     Se todo mundo se esforçasse em cumprir seus deveres, não haveria a necessidade de se preocupar com os direitos. Se ninguém escravizasse ninguém, não explorasse ninguém, não se preocupasse em levar vantagens indevidas, nada do que nos queixamos aconteceria. Porque nós somos os outros dos outros Para isso, não poderia preponderar o egoísmo, a causa de todos os males do ser humano. 
     Desconfio de quem acredita em ditados como "Esse cara é muito certinho", "Os incomodados que se mudem" e "Querer é poder", "Dos males, o menor".
Eu tinha mais coisas pra dizer, mas fico por aqui para não tornar longo demais este texto e para não me entristecer ainda mais a minha alma. Saio em busca de uma piada, de algo engraçado porque rir é mesmo o melhor remédio para o que não se consegue remediar.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

REFLEXÃO SOBRE NOMES, LATAS DE REFRIGERANTES E CANETAS

Há pouco tempo, uma marca de refrigerantes lançou uma campanha inteligente usando o narcisismo dos consumidores como marketing: colocou nomes de pessoas especialmente os que denominam a maioria dos jovens de hoje, batizados com os nomes da moda na época dos seus nascimentos. Obviamente o meu não está nas latas, porque o objetivo mesmo é vender o produto, que, neste caso, certamente encalharia. Não fiquei triste. De verdade. Mesmo porque tenho uma caneta com o meu nome, que nem fui eu que mandei gravar. É simples, mas tem muito mais utilidade do que uma lata de refrigerante.
Comecei a pensar e me dei conta de que, com a lata, teria apenas um pequeno e fugaz prazer sem matar a sede melhor do que a água. Pelo contrário. Nem saudável é. Em minutos e eu estaria li com a lata marcada com o meu nome mas sem nada por dentro. A lata poderia ser guardada na estante assim, vazia. Poderia até ir fora, ficar esquecida em um canto ou até ser recolhida e amassada e reciclada. Seria menos pior do que rolar pela rua e se enfiar em uma boca de lobo. Imagina a vergonha de um Plínio sendo responsável por uma inundação de rua após uma chuva forte.
Já a caneta com meu nome não. Com ela, decodifico as ideias do meu cérebro fixando-as no papel. A caneta é um auxiliar da minha memória marcando coisas para buscar mais tarde no Google ou em outro ser humano. Com ela, deixo bilhetes sem precisar de energia elétrica ou pilha ou wi fi. E quando a carga termina, dá pra comprar um canudinho novo. Pouca coisa é mais eficiente para um jornalista do que a caneta.
                                                                 Foto Maia Lopes

sexta-feira, 26 de junho de 2015

DIVAGAÇÕES MATUTINAS

De que te valem essas pérolas no pescoço
se não tens a quem mostrá-las no ostracismo?
De que valem as joias que escreves
se as mantém no ineditismo?
De que te vale o brilho das estrelas
que a solidão te produz
se não tens a quem iluminar com a tua luz?
Por que escreves teus poemas na areia
se as ondas do mar os lambe e os deleta
antes que te possam ler as sereias?
É porque, como disse o poeta Ortega Y Gasset,
o ser humano é ele e sua própria circunstância.
 
 
 
 
Que tenhamos todos um bom dia, que seja alegre e profícuo.

MAIS REFLEXÕES NA LONGA CAMINHADA

Não te atormentes tentando ser perfeito. Se fores um pouquinho melhor do que eras ontem, já estás no bom caminho. A perfeição e o ser humano andam em linhas paralelas, que se encontram no infinito. Mas o homem, e a mulher, saem de cena muito, mas muito antes mesmo

quinta-feira, 25 de junho de 2015

MAIS SOBRE A MORTE DO ANTONIO AUGUSTO FAGUNDES

A gente até se lembra de algum conhecido quando já não tem um contato contínuo, mas a morte dele é tão forte que vêm na nossa mente todas as suas histórias, sua vida como num filme. A morte do Nico Fagundes me trouxe tantas lembranças que não consegui dormir, pensando nas histórias que ele contava e que por sua vez me levavam pros Campos do Seival, embora se referisse ao seu amado Alegrete. E por termos sido colegas na RBS, ainda que em seções diferentes, começo a relembrar os causos que ele contava com extremo bom humor. Lembro do Canto Alegretense e das histórias da Fronteira e da Campanha. Vem-me até o Guri de Uruguaiana, mais recentemente repetindo criativa e exaustivamente a letra do Canto Alegretense em outras melodias. Recordo dos dados históricos, ainda que não concordasse com alguns, mas principalmente os causos, iguais aos que meu pai contava. Um dos mais hilariantes que ouvi em uma gravação do Nico foi sobre a Galinha Alegretense. Vou tentar contar um pedaço, com as minhas palavras, mesmo sem o talento do Nico, mas como uma forma de homenageá-lo e desejar que sua alma descanse em paz com luz e alegria.
      O Nico, quando veio para Porto Alegre, morava num quarto alugado. Um dia ganhou uma galinha viva de presente mandada pela família lá do Alegrete. A intenção inicial era botá-la na panela. Mas a solidão e o apego à penosa, que o olhava com tanto carinho, fez com que ele esquecesse da ideia de transformá-la em alimento. Daí que a galinha ficou como uma espécie de bichinho de estimação. Um dia, a galinha resolveu sair daquele quarto e conhecer a tal de Porto Alegre. Sabem como são os alegretenses. Não sei por que a galinha atravessou a rua, mas o causo é que um caminhão passou por cima dela. Nico ficou abatido, olhando por vários minutos para aquele corpinho achatado no asfalto. De repente, notou que a galinha não era de se entregar. Devagarinho, de forma quase imperceptível, a penosa descolou uma parte da asinha, depois a outra. E sucessivamente foi se despregando do asfalto, primeiro uma patinha, depois a outra até que conseguiu se pôr em pé. Ainda tonta, arrepiou-se e comentou, suspirando:
- Meu Deus do Céu. Esse galo véio só pode ser do Alegrete.
Obrigado, Nico Fagundes. Vá em paz.

MORRE O AUTOR DO CANTO ALEGRETENSE, UM DOS GRANDE MULTITALENTOS GAÚCHOS

Nico Fagundes cavalgou no rumo da Estância de São Pedro

    O Rio Grande do Sul perdeu ontem, por volta das 21h, um dos seus mais multitalentos artistas. O folclorista, cantor, compositor, tradicionalista, escritor e apresentador de TV Nico Fagundes subiu, aos 80 anos, pra Estância de São Pedro. Antônio Augusto Fagundes estava internado havia cerca de um mês no Hospital Ernesto Dornelles. Nascido em 4 de novembro de 1934, Nico era filho de Euclides Fagundes e Florentina da Silva Fagundes, formado em Direito, pós-graduado em História do Rio Grande do Sul e mestre em Antropologia Social. Todos os seus cursos foram realizados na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Reconhecido pelo seu trabalho em favor da cultura gaúcha, foi premiado incontáveis vezes como poeta, novelista, compositor, autor e ator de teatro, televisão e cinema. Foi criador e apresentador, durante 30 anos do programa Galpão Crioulo. É autor da letra do consagrado Canto Alegretense, feito em parceria com seu irmão Bagre Fagundes. A música foi gravada por grandes artistas nacionais, entre eles Sérgio Reis e Alcione, e incontáveis versões em outros idiomas. Em 2000, Antonio Augusto sofreu um AVC, recuperou-se e voltou ao Galpão Crioulo e ao seu escritório de advocacia. Em 2010, uma infeção chegou a deixá-lo em coma
, mas conseguiu novamente se recuperar, embora sem condições para continuar com o programa. Foi auxiliado pelo sobrinho Neto Fagundes, que o substituiu definitivamente em 2012. Nico deixa seis filhos: Márcia, Valéria, Alexandra, Rodrigo e Antonio Augusto Fagundes Filho, do primeiro casamento, com Marlene Nahas; e André, o Capitão Andresito, do segundo casamento com Ana Luisa. Fagundes. O Tio Nico, como seus amigos o chamavam, tinha uma forma bem-humorada para contar a história do Rio Grande do Sul.


Com Zero Hora e vários outros sites. Foto Divulgação.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

SOBRE O ERRO DE CRASE NO BLOG DO CAETANO VELOSO

Corrigir erros é salutar porque famosos e carismáticos são disseminadores de equívocos. O que precisa existir é o respeito, já que, por mais que alguém se ache competente, essa "sumidade" também vai errar em algum momento. Sobre a crase, uma observação: como dizer a alguém que ela existe pela contração do artigo feminino a com a preposição a se esse alguém não sabe nem quer saber o que é artigo, o que é preposição? Tenho um "trabalhinho" sobre crase para publicar e seria um bom momento para isso. Preciso vencer minhas dificuldades de transformar projetos em obras realizadas. Para finalizar, gostei da aula à Caetano.

(Para quem não tomou conhecimento do fato, equipe que trabalha no blog do Caetano errou ao colocar crase diante da palavra Bituca (apelido do Milton Nascimento). Caetano reclamou publicamente e deu uma aula sobre crase. Seus colaboradores retificaram no blog e pediram desculpas.)

sábado, 20 de junho de 2015

REFLEXÃO NA LONGA CAMINHADA

Quando os competentes e os sábios erram, o equívoco não é somente deles. É o dedo que Deus mete para evitar que a arrogância lhes faça pensar que são perfeitos.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

REFLEXÕES SOBRE O INVERNO GAÚCHO

Em dias como o de hoje, ainda na cama, pensei que gostaria que a Natureza me tivesse feito urso. Eu ficaria na minha toca e só sairia quando a minha prima Vera batesse à minha porta.
Bagé, para variar, fez a temperatura mais baixa, com 1.6ºC, Menos do que em São José dos Ausentes, que sempre é citado como o lugar mais frio do Estado. Fez 4.6º, mas o mais comum, em épocas gélidas, é marcar temperaturas abaixo de 0ºC. Quando isso acontece, eu não preciso pensar muito para saber por que o nome do município é São José DOS AUSENTES. Ainda assim, curioso, vou ao Google. Na verdade, o nome não é por causa do frio, lógico. É porque o local era uma fazenda, o maior latifúndio do Estado, com mil quilômetros quadrados. Daí que os primeiros donos não assumiram a propriedade que, por duas vezes, foi leiloada devido à ausência dos proprietários ou sucessores.
O Gaúcho não é um habitante, é um sobrevivente. A frase é atribuída ao jornalista humorista Barão de Itararé ao sofrer com o intenso frio e com o intenso calor nas duas estações em que isso se registra no Estado. Alguns atribuem essa frase ao João Francisco Assis Brasil, em seu castelo de Pedras Altas, mas ainda não conseguir definir quem disse mesmo isso ou se os dois disseram.
Deus deve ter inventado a preguiça quando em viagem pelo Rio Grande do Sul durante o inverno. Mas pode ter sido no Rio ou no Nordeste durante o verão sob o sol forte e tempo modorrento.
Sapo gaúcho não lava o pé? Antes de cantar isso experimenta entrar agora na Lagoa dos Patos pra ver o que é bom pra tosse. E pro resfriado.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

UMA CHARADA NA MADRUGADA

Ali fora, do outro lado da janela, o breu e o silêncio me anunciam que é hora de cerrar as cortinas dos meus olhos e mergulhar também nas trevas reparadoras de energias, na pausa que o corpo dá para o espírito, recolhendo-se ao box do descanso para permitir que a alma saia em suas caminhadas notívagas e que, de manhã, retorne contando algumas histórias e omitindo outras. Antes que isso aconteça, deixo aos lobos e lobas da madrugada, mais uma bobagem para distrair os olhos e mexer com os neurônios.



    Por que motivo um automóvel só consegue entrar até a metade do Viaduto da Conceição, em Porto Alegre no horário das 18h?


Resposta mais tarde nos comentários.

sábado, 23 de maio de 2015

REFLEXÃO DE IMAGEM

Para descrever bela foto,
de mil palavras preciso,
de verbos, adjetivos,
advérbios, substantivos,
predicados, conjunções,
figuras de linguagem,
adjuntos, locuções. 
Para a boa foto jornalística
não preciso de tantas não,
desde de que entre elas
estejam as que me respondem
o que, o quando, o onde
o como e o porquê.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

PARA O ESCRITOR EDUARDO GALEANO

Uma singela homenagem e um agradecimento ao uruguaio Eduardo Galeano, que foi trocar ideias com o Mario Quintana no dia 13 de abril passado
"Ele sempre foi curioso. Ao conhecer o mar, ainda menino, forçou os olhos o mais que pôde para ver melhor aquela imensidão toda. Ao mesmo tempo, sentiu vontade de largar a mão do pai e sair correndo...de volta para casa. Queria urgentemente abrir a enciclopédia para descobrir quem vivia no outro lado da margem."

DA SÉRIE "PIADA VELHA É QUE FAZ RISADA BOA"

Esta é uma das primeiras piadas que ouvi, contada pela minha tia-avó Orphila, lá pela metade dos anos 60. 
A bela jovem, sentada ao piado, passava os lânguidos dedos sobre as teclas enquanto aguardava a chegada do namorado. De repente, suspendeu um lado do calipígio e soltou um gracioso pum, suspirando:
- Ai, que alívio!
Mais algumas notas musicais, e um novo flato.
- Ai, que alivio!
Voltou-se para as teclas, caprichou na melodia romântica e misturou-a ao som de um novo, e, desta vez, sonoro pum.
Nem bem os sons terminavam de ecoar pela sala quando olhou para trás e viu seu amado de pé, em silêncio, fisionomia marota, contemplando-a. Ruborizada, perguntou, temendo pela resposta:
- Há quanto tempo estás aí?
E ele:
- Desde o primeiro alívio!

MORRE O MAIOR DOS PLANTÕES ESPORTIVOS DO RÁDIO DO RIO GRANDE DO SUL

Por instantes, meu coração parou ao ler o post do Davison Silveira no Facebook. Até este momento, eu ainda não sabia que a bola tinha parado para Antônio Augusto, o plantão esportivo que marcou época na Rádio Gaúcha. Onde? Em Porto Alegre, parou o coração do grande plantão esportivo Antônio Augusto dos Santos, o Totonho, de 77 anos, de acidente vascular cerebral. O velório se inicia às 14h na capela B do Cemitério Evangélico.

Muitas lembranças desse meu ex-colega da Rádio Guaíba me veem à memória. Lembro-me também da entrevista dele que publiquei no meu também já falecido jornal Microfone, o Jornal do Rádio, com edição magnífica do Nilson Souza e belas fotos do Jurandir Silveira.

Chamado por uns de Totonho, por outros bem-humoradamente de Onça, foi o maior dos plantões esportivos do Rio Grande do Sul. Nascido em Marcelino Ramos, em 1937, começou sua carreira, em Porto Alegre, na Rádio Difusora como setorista do Cruzeiro,.no Programa Parada Esportiva F-9. Um ano após, criou o plantão esportivo. Em 1964, foi para a Rádio Farroupilha, com as duas funções: setorista do Cruzeiro e plantão esportivo.

Em 1969, foi para a Empresa Jornalística Caldas Júnior, onde trabalhou na Central do Interior e nos jornais Folha da Tarde e Folha Esportiva. Chegou à Rádio Guaíba em 1971, fazendo o programa de plantão da 0h à 0h10min, que acabou antecipando a pedido de pilotos da Varig em Nova York, que sintonizavam a Guaíba pelas ondas curtas – e que saíam do ar justamente à meia-noite. Depois, o programa começou às 23h30min e, mais adiante, às 23h. Ainda criou o espaço de loterias às 11h45min e o quadro “A Bola Parou” às 17h45min. Em 1963, foi para a Rádio Gaúcha, de onde saiu por divergências com a direção da RBS, ainda que Pedro Ernesto Denardin e Flávio Dutra, do departamento de esportes tivessem tentado em vão fazê-lo reconsiderar. Regressou em 1985 à Caldas Junior, a convite de Lasier Martins e cobriu a Copa do Mundo de 1982, viajando para o México. Após a Copa, foi para a Rádio Bandeirantes, novo nome da Difusora. Saiu por divergências com o diretor da época que não queria que fossem rodados gols com som gerado de outras emissoras.

Antônio Augusto foi para a Rádio Pampa em 1989 e voltou, mais uma vez para a Rádio Guaíba, em 1991. Alguns anos depois, saiu da rádio e ficou só na TV Bandeirantes, com Rogério Amaral.

Depois, seguiu à frente do programa “Plantão das Multidões” todas as noites, das 10h à meia-noite. Após o fim do departamento de esportes da Rádio Pampa, em 2007, Totonho mudou o tom do seu programa e vestiu de vez a camisa do seu clube de coração, o Tricolor, tornando-o uma tribuna aberta sobre as coisas do dia-a-dia gremista.

Em 1983, foi personagem da página central de o Microfone, o Jornal do Rádio, na seção Os Nomes Ilustres do Rádio do RGS, com textos e edição de Nilson Souza e fotos de Jurandir Silveira, como esta que acompanha este post. Nilson desenhou uma página como se fosse um cartão da loteria esportiva, assunto do qual Antonio Augusto era especialista, Vai em paz, Antônio Augusto. Teu público nunca te esquecerá. A bola nunca vai parar.

Com informações do blog https://radioamantes.wordpress.com