domingo, 11 de setembro de 2011

A RUA MISTERIOSA ONDE OS CARROS EM PONTO MORTO PARECEM SUBIR A LADEIRA

   Fanático por curiosidades, eu não poderia deixar de postar aqui no Vida Curiosa, a famosa Ladeira do Amendoim, em Belo Horizonte, onde os carros colocados em ponto morto parecem subir a lomba, ao invés de descê-la. Há alguns anos, bem antes da Internet, meu cunhado José Pradier, de Bagé, que era motorista da Ouro e Prata, havia passado por lá e me contara. José morreu em 2005. Nesta semana, meu ex-colega de RBS Antônio Carlos Niderauer, apresentador de notícias e locutor comercial da Rádio Gaúcha, comentou comigo essa curiosidade. Ele também esteve nessa misteriosa rua de São Thomé das Letras.

   Atualmente, o Google e o Youtube apresentam com exaustão esse “fenômeno”. Não sou daqueles que acreditam em tudo, ignorando a capacidade criativa de engodos na Internet. Neste caso, tenho convicção de que não é uma montagem. Mas também não tem nada a ver com explicações sobre magnetismos e outros motivos místicos. É apenas uma ilusão de ótica causada por uma topografia estranha do lugar que dá impressão de que se trata de uma subida, quando, na verdade, é uma descida. Conforme a Internet, esse “fenômeno” ocorre em outros pontos do país, como a Serra do Teixeira , na Paraíba, em Ubirici (SC) e na Serra de Petrópolis(RJ) .
   Não acredito em tudo o que ouço ou vejo, mas também não sou arrogante ao ponto de acreditar que tudo o que não consigo entender seja bobagem.    Voltando à ladeira do Amendoim, é interessante que não apenas os carros parecem ignorar a teoria da gravidade. Líquidos também escorrem aparentemente ladeira acima, o que desarma aqueles que pensam em possíveis ímãs puxando o carro na lomba. Há uma informação ou lenda indicando que o primeiro a perceber esse aparente fenômeno teria sido um estudante, que apertado, teria urinado no local e se espantado com o fato de que o líquido "subia" e não "descia" como ele imaginava que fosse acontecer. Se um dia eu for a Belo Horizonte, com certeza, a Ladeira do Amendoim será um dos locais que não deixarei de visitar.


domingo, 4 de setembro de 2011

PALAVRAS E EXPRESSÕES EXCLUSIVAS DO RIO GRANDE DO SUL


                                                                      Acrescentado em 2/6/2012
  
Atacar - Os gaúchos usam o verbo atacar também como sinônimo de defender. Assim, dizemos "o goleiro atacou a bola", "o peão atacou o boi". 

Bá - É uma interjeição que inicialmente denotava surpresa. Trata-se de uma redução de barbaridade (se pronuncia bárbaridade, com tonicidade na primeira sílaba). O primeiro termo era "mas que barbaridade", depois virou "mas bá" e finalmente bá. Hoje já não é mais interjeição, mas uma expressão idiomática usada no início dos assuntos, que quase sempre vem acompanhada do che (pronúncia bá tchê). Algumas pessoas escrevem bah. (Mais detalhes em http://migre.me/9kt2F)
Bodoque - Arma ou brinquedo que serve para arremessar pedra. O nome original vem do povo indígena que usava uma espécie de arco e tiras para jogar pedras. O bodoque gaúcho usa duas tiras de borracha amarradas nas extremidades de uma forquilha de madeira. A pedra é colocada em um pequeno pedaço de couro atado entre as duas pontas das tiras. O bodoque é chamado também de estilingue, funda ou atiradeira. Os dois últimos termos são usados mais para os tipos que não têm forquilha, como o utilizado por Davi para derrotar Golias.

Cobrador (de ônibus) - Em outras regiões, é trocador.
Deu pra ti - Significa que tu não estás com mais nada, não quero mais te ouvir. Essa expressão surgiu após a música dos irmãos Cleiton e Kledir, lançada en 1980 ("Deu pra ti, baixo astral, vou pra Porto Alegre. Tchau"). A gíria ficou ainda mais forte após o filme Deu Pra Ti Anos Setenta, dos cineastas gaúchos Nélson Nadotti e Giba Assis Brasil). 
Lancheria - Local onde se faz lanches. Lanchonete.
Lomba - Elevação em uma rua. É o mesmo que ladeira.
Bergamota ou vergamota – Citrus auratium, subespécie bergamia, fruta cítrica chamada em São Paulo de mexerica, de mimosa, no Paraná e laranja-cravo em estados do Nordeste. A origem do nome teria a ver com a cidade italiana de Bergamo. Deve ter vindo para o sul do Brasil e para o Uruguai com os imigrantes italianos . Esse é um tema que vou correr atrás para descobrir. O nome científico de outro tipo de bergamota chamada Montenegrina, plantada em Montenegro, no Vale do Caí é citrus deliciosa Tenore.
Cacetinho – É o pãozinho de 100g. Tem esse nome pela forma semelhante a um cacete pequeno, ou seja um pedaço de madeira. Na época em que o nome foi criado não havia tanta malícia como agora. A primeira ideia que vinha à cabeça quando se ouviam as palavras “pau” e “cacete” era um pedaço de madeira. Já hoje... Por isso, quem não é do Rio Grande do Sul acha muito estranho o nome cacetinho.
Capaz e bem capaz - Significa "não faço de maneira nenhuma ou 'é claro que não me ofendi com o que disseste". Exemplo: Capaz que vou assistir a esse show! É bem capaz que vou deixar de torcer pelo Guarany de Bagé". Não consegui descobrir a origem. Provavelmente é uma redução de "não tem a menor capacidade de eu fazer uma coisa dessas". Mais detalhes em http://migre.me/9kt2F
Chapeação - Conserto da lataria do veículo. No Rio e em alguns lugares esse serviço é chamado de lanternagem. Em outros, funilaria. O Google apresenta propaganda de chapeação em Santa Catarina e no Paraná, mas acho que são gaúchos que estão disseminando essa expressão pelo Brasil.
Chimia – Espécie de geleia, porém mais pastosa, feita com vários tipos de frutas. É mais uma contribuição da imigração alemã. O nome deriva do alemão schmier.
Fardamento – Time gaúcho não usa uniforme, mas fardamento. É herança dos tempos de guerra na antiga Província de São Pedro, em que os combatentes usavam fardas.
Frio de renguear cusco - Temperatura bem baixa. Expressão certamente surgiu quando alguém olhou para um cachorrinho S.R.D, o chamado guaipeca sofrendo os efeitos do frio, que no Rio Grande do Sul pode atingir temperaturas negativas dependendo do lugar. 
Lagartear - Ficar ao sol deitado ou sentado em gramado no inverno, sem fazer nada a não ser, geralmente, comer bergamota. A expressão deve ter surgido da observação do comportamento dos lagartos nos campos da campanha. 
Lindeiro - Limítrofe. É usado mais no Interior para se referir aos limites das terras ou terrenos.
Negrinho - É o docinho conhecido no país como brigadeiro.
Pandorga - Pipa, papagaio. Esse nome é usado também em Santa Catarina e Paraná.
Pechada - Colisão. É influência do espanhol: bater de pecho (peito), que vale também para carros. Fora do RS é chamada de batida, de bater. Batida, para os gaúchos, é a bebida feita com frutas espremidas em liquidificador. Em São Paulo e RJ é chamada de vitamina. Também chamam de batida a caipirinha.
Pila - É o equivalente a 1 real. O apelido surgiu em homenagem ao político Raul Pilla, do antigo PL (Partido Libertador), e se referia a 1 cruzeiro. "Passar nos pila" quer dizer vender por necessidade.
Pisar – Para o resto do país, pisar é pressionar com o pé. Para os gaúchos também é machucar. Por exemplo: Apertou o braço dela tão forte que acabou pisando ela.
Sinaleira – Equipamento para organizar o trânsito, sinalizando quem deve passar (luz verde), parar (vermelho) ou esperar (amarelo). Em São Paulo, é chamado de farol. No Rio é sinal.
Tchê – é uma expressão gaúcha de tratamento, usada para se referir pessoalmente a alguém ou como saudação. Como em todas as palavras com origens muito antigas, é difícil determinar exatamente qual é a verdadeira. Uma das versões é a de que seria um diminutivo da palavra latina Cealestius (que significa céu), em tempos anteriores a vinda dos europeus para cá. Os defensores dessa versão dizem que a palavra integraria uma frase do tipo “gente do céu, ou menino do céu” que os espanhóis, muito religiosos, teriam incorporado no falar. Depois, teriam abreviado o termo usando só a primeira sílaba de cealestius, pronunciada como tche. Com a descoberta da América, os espanhóis trouxeram a expressão para as colônias latino-americanas e, então os gaúchos, que moravam em terras muitas vezes misturadas com as dos uruguaios e argentinos, acabaram assimilando essa forma de falar. 

Trilegal - O termo surgiu em 1979, após o Internacional conquistar o título de tricampeão brasileiro invicto. Após o título, os colocados passaram a dizer, uns  para os outros: Tudo legal? Tá tudo trilegal. A gíria também ganhou força quando Cleiton e Kledir a incluíram na música Deu Pra Ti: "Vou pra Porto e bah, trilegal". Há quem diga que os gaúchos passaram a usar a expressão trilegal bem antes, quando a Seleção Brasileira ganhou a Copa de 1970, no México, obtendo o título mundial pela terceira vez. Por isso, saudaram o tricampeão e disseram "trilegal".
Viajar de mala e cuia – Ir de mudança. A cuia de chimarrão dá essa ideia de ficar. A partir da década de 80, com a ida de repórteres gaúchos para jornais e tevês do centro do país, que passaram a usar esse termo em suas matérias, a expressão deixou de ser exclusividade do Rio Grande do Sul. Agora até nordestinos estão usando o termo. Deveriam dizer “viajar de mala e rede”.
Se no seu estado, o termo é diferente, entre nos comentários e nos conte.


* Para conhecer mais palavras e expressões gaúchas, vá até o post PARA ENTENDER ALGUMAS PALAVRAS DITAS NO ACAMPAMENTO FARROUPILHA, publicado em 17 de setembro de 2009

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

INTER CONQUISTA MAIS UM TÍTULO INTERNACIONAL

Parabéns ao Inter por mais um título. Com a vitória, agora à noite, por 3 a 1 sobre o Independiente, da Argentina, no Beira-Rio, o Colorado ganhou, pela segunda vez, a Recopa Sul-Americana. No post As origens dos nomes principais clubes do Brasil, essa conquista já está atualizada.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

POESIAS NOS ÔNIBUS DE PORTO ALEGRE E REGIÃO METROPOLITANA

Foram divulgados os resultados da 20ª edição do concurso Poema nos Ônibus e no Trem, organizado pela Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre. Foram inscritos mais de 900 trabalhos, julgados por Alcy Cheuiche, Eduardo Dall’alba, Everton Behenke, Célia Maciel e Maria Tereza Zatti. Os autores terão seus poemas editados em coletânea, que será lançada na Feira do Livro deste ano junto com os premiados da edição de 2010. Mais detalhes em http://www2.portoalegre.rs.gov.br/smc/default.php?p_secao=57   Os 25 poemas escolhidos foram os seguintes:

 Andorinhas
Doidivanas no céu,
as andorinhas
seguem o vento,
sem metas, sem destino,
sem lógica, sem rimas,
no êxtase, apenas,
dos múltiplos desenhos
que traçam no ar,
sem qualquer geometria,
só a absurda poesia
do saber voar
Alberto Lisboa Cohen

   Inês

Agora é tarde,
Inês é morta.
Se fui covarde
Não mais importa,
Inês é morta.
O instante é bambo
Que nem a corda,
Passa, lembrando:
Inês é morta.
Passa o momento,
Fica o agora
E o meu lamento:
Inês é morta.
Aline Corte



Acidente na avenida

O último relincho na carroça,

o carro atravessado na avenida

e o ciclista estirado, sem que eu possa

cobrir seu corpo inerte e já sem vida.

Não mais irá o cavalo para a roça;
a motorista, em pânico e perdida,
revê, talvez, seu carro, que destroça
o ciclista e a carroça envelhecida.
O cavalo e o ciclista vitimados.
Mas muitos motoristas, apressados,
só veem que a avenida está trancada,
alheios à mulher, que sai do carro,
se entrega à dor, às lágrimas e ao barro
e, em choque, diz aos mortos: não foi nada...
André Silva de Castro

  Dona Maria madrugadeira
Ainda estão roncando os girassóis,
Vai nascer o sol. Ônibus parou, Maria subiu.
El sonha ter um carro pra acender os faróis.
Madruga desde moça, agora a pele já franziu.
Vai tagarelando com as amigas domésticas,
Falam de janela, tanque, cueca e estética,
Trocam truque da faxina “engana patrão”,
Que danada algumas são. No mármore arderão!
Barulhentas de bonitezas e gargalhadas,
Os braços são cabides de sacolas e mochilas,
coletivo cativeiro de senhoras moças araras
Dona Maria, encosta cabeça e cochila.
Desperta dona Maria! Já chegou na São João.
Tem faxina na casa do seu Carlão!
Andréa Assunção Rebello


 Estante
Se os livros não estão
ao alcance da mão,
de que servem, então?
Betty Vidigal
  
Iludido ou a metáforas dos fósforos

 Ele guardava os palitos usados
Dentro da caixa de fósforos.
Não gostava de distinguir
Os vivos dos mortos.
Denis Axelrud Saffer

 Vista do Rio
Concreto
Casa fria
Estrelas sobre Ipanema
Curvas escondem os prédios do poder público
Flores retas
Crianças manuseiam ângulos
Bolas clandestinas
Velhos delegam a diversão
Em tempo de grandes carros
Há mágica colorida na televisão
Pulos sobre a cidade
O sangue impuro
Umedece os jornais
 Diogo Antonio Rodrigues


Revisitando Drummond
acordo com Carlos
sussurando baixinho:
jamais esqueça
que no meio da pedra
tem um caminho...
  Diogo Marques

 Rua Sem Chão
A rua sem chão da doce condessa
Eu passo a tarde catando pedrinhas
E as idéias mais malucas na cabeça
Como palavras que tiram o chapéu
E outras que me abrem sombrinhas
Quando o amor pinga poesia do céu.
Evandro Marques de Souza Gomes

 Disseram-me para esperar um breve segundo.
Esperei meses, anos, os braços cruzados, sozinha;
Privei-me, na demora, de desbravar o mundo
A felicidade esqueceu-se de avisar que não vinha
Gabriela Ewald Richinitti

Versironia
 O meu bem foi embora,
 Fiquei eu e a dor minha,
 No ônibus que sai agora
Indo para o fim da linha.
No amor minha querida,
Só quem desce fica fora.
Nas paradas desta vida
ficou só, perdeu a hora.
Já embarcou outro amor,
Me amou e me fez feliz
No assento desocupado,
Também curou o desamor
De um coração que te diz:
Não tem vaga, está lotado.
 Juarez Cesar Fontana Miranda


 Cuidado
 a poesia pode
estar debaixo
do seu sapato
e pode também
não cheirar bem
 Juliana Maffeis
  
Setembro
compor azulejos
com fragmentos
da memória
recolher suave
esquecimentos
quando tudo
(seguro em essências)
são cinzas.
transpor ao nome
a imensidão dos pássaros
 recostar gaivotas
em troncos
palavras em
asas
aves em
ninhos.
Maria Carolina Rangel De Bonis


 Embalagem
Embalo a dor
na seda dos versos
e largo a lembrança
sem laço de fita.
 Márcia Maranhão de Conti

 Agora
Te amo
(talvez de sapatos).
Se a calma do quarto
For cama aberta,
Se a brisa da hora
For chama acesa
Maurício Gomes
Sujeitos Ocultam
O Eu lírico
passou debaixo da roleta,
o cobrador nem percebeu.
Milton Braga da Motta Júnior

  Redondeto
 Tento escrever um soneto
que conte o meu pensamento
Ah, quantos erros cometo
não sei captar o momento
Risco, rabisco idéias
busco expressar a emoção
Fico perdido nas teias
das coisas do coração
Acho palavras sonoras
não faço um belo poema
as rimas ficam de fora
Saio do rumo, do tema
tudo complica, demora
Desisto. Vou ao cinema.
 Paulo Sergio Goulart

  Frasco de perfume
Guardo em meu quarto, sobre a penteadeira,
e, de cartões-postais de amor em meio,
frasco de perfume ainda cheio
que traz-me uma alegria passageira.
“Quem dá mais?...” Num impulso arremateio-o
no leilão. “Contém notas de madeira
do oriente...” Truques da ilusão fagueira
de esperar pela dama que pranteio.
“Doação, senhores, de gentil sultana!...
Dou-lhe uma...” Um só borrifo me conforta!
“Bebam do aroma especial que emana...”
Então ouvi teus passos pela escada...
O coração pulsar atrás da porta...
“Vendido ao cavalheiro ali na entrada!...”
 Reginaldo Costa de Albuquerque

Dúvida mortal
 Insisto no ponto final
das ciências
Ou me converto pra religião
das reticências?
Renan Osvaldo Pacheco

  E chega o outono
 Quando todos os sorrisos
Viram cães sem dono
Ricardo Fontana Alves

Chorando (Porto) Alegre
 O Bar Alasca finou-se
na esquina da Osvaldo Aranha.
Fiquei órfão
de álcool & de utopias.
Trattorias saíram a trote.
Restaram saudades
 ao sugo & carbonara.
O Teatro Um virou sauna
os cinemas, templos e bingos.
Sobrou pouco, quase nada...
A cidade-espelho
reflete-se, agora,
em minha desesperança.
 Ricardo Mainieri

 Relento
Na janela embaçada
o coração, riscado a dedo
derreteu aquele gelo
Rodrigo Domit

 Retorno
 Quando volto para casa, ao fim do dia,
Pelos bancos, corredores, buscam a vida.
É imensa a multidão que não percebe
Minha enorme cegueira de alegria.
Os rostos que me cercam todos tristes,
Derrubam suas máscaras no chão.
Pelo vidro da janela, então, descubro
Que são reflexos da minha própria solidão
A viagem prossegue, enquanto espero
Novos rostos, novas máscaras felizes,
E nova vida, já na próxima estação
Tânia Maria Melo da Silva

 Perigeu
Uma lua mais brilhante
Lua bela, em meio ao breu.
Mais visível, plenilúnio:
Uma lua perigeu.
Lua plena, lua minha,
Julieta sem Romeu.
Nunca soube, bela Luna,
Se eras tu, se era eu.
Lua bela, reluzente,
A rainha e o plebeu.
Nunca soube, Luna plena,
Se eras tu, se era eu...
Tatiana Alves Soares Caldas

Violeta
 Com tais aromas
Quem julgaria
Que és tão modesta
 Que mal assomas
À luz do dia,
Nesta rua sem floresta?
Para que entendas
Que assim veladas,
São nossas prendas
Mais estimadas
As almas discretas
São como as violetas.
Veridiana Vanessa Dattein

quinta-feira, 28 de julho de 2011

CAMINHADA DE APOIO AOS EXCEPCIONAIS EM PORTO ALEGRE

A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Porto Alegre promove, no próximo dia 28 de agosto, a IV Caminhada da Apae-Poa. O título do evento deste ano é Movidos pelo Amor. A caminhada será realizada no Parcão,  parque localizado no bairro Moinhos de Vento, com início marcado para as 9h. Quem quiser adquirir a camiseta, por R$ 12, por meio do site apaemovidospeloamor.com.br ou receber informações pelos telefones 3224-4645 ou 3225-8217.

domingo, 24 de julho de 2011

A HISTÓRIA DO HOMEM QUE NÃO GOSTAVA DE DIZER PALAVRÕES

Palavrão não entrava na casa do pai de Marcos. Não que fosse repressor. Quem fala palavrão é porque tem pouco vocabulário, dizia o pai, professor de português. No que a mãe dele, professora de biologia, concordava. Por isso, Marcos nunca dizia "malas palavras" como o avô uruguaio se referia aos palavrões. Até quando tropeçava com o dedão do pé em uma pedra, o máximo que gritava era "ai, caramba! Na escola, enquanto os colegas repetiam termos grosseiros o tempo todo, ele jamais copiava. Deixava que caçoavam dele, não tinha importância.
 Na adolescência, seguiu a rotina de não usar palavrões. Ficava até ruborizado quando ouvia alguém dizer um palavrão mais cabeludo e, além disso, fora de contexto.
  Como dizem que os polos opostos se atraem, namorou e casou com uma jovem totalmente diferente dele nesse sentido. Ela abusava dos palavrões. Aos poucos, foi diminuindo a intensidade dos termos mais fortes.
  A cena mais marcante dessa história aconteceu em uma tarde. Os dois andavam de carro por uma avenida da Capital, quando Marcos, sem querer, fechou outro automóvel. O outro motorista ficou possesso. Na primeira sinaleira, encostou no veículo dele e desferiu uma série de palavrões. Foram desde corno, filho da puta e veado, até outros ainda mais fortes relacionados a sexo oral ativo ou indicativos para se submeter a práticas sexuais não ortodoxas.
  Marcos ouviu e ficou quieto, sem dizer nada. O motorista parou com os impropérios e ficou observando-o, esperando uma resposta. A mulher de Marcos ficou indignada. Muito com o outro motorista, mais ainda mais com o marido:
  – Marcos! Tu não vais dizer nada? Não vais xingar ele também?
  O nosso amigo respirou fundo, ficou vermelho, usou de todas as suas forças, olhou forte para o outro... e disparou:
   – Sai ô ô ô...  BOBÃO!
O outro motorista ficou perplexo. Não sabia o que dizer. Achou melhor dar aquilo por encerrado, acelerou o carro e foi embora. 

quarta-feira, 20 de julho de 2011

UM FELIZ DIA DO AMIGO

Quero enviar aqui, um grande abraço para um grupo de pessoas que considero realmente amigas. Não relaciono nomes. Quem é meu amigo sabe. Amigo não é aquele que adora compartilhar dos teus bons momentos, mas some quando a maré não está tão boa. Amigo é aquela pessoa que aponta teus defeitos discretamente e tuas qualidades publicamente. É aquele que te ajuda sem que peças e que também aceita a tua ajuda. Num mundo em que muita gente usa o falso título de amigo para levar vantagem, é preciso valorizar aqueles que realmente são teus amigos. Ninguém é amigo de todo mundo nem existe alguém de quem todo mundo seja amigo. Para ilustrar este dia, reproduzo aqui poesia do famoso poeta parnasiano Guilherme de Almeida.


                            A Hóspede


Não precisa bater quando chegares.
Toma a chave de ferro que encontrares
sobre o pilar, ao lado da cancela,
e abre com ela
a porta baixa, antiga e silenciosa.
Entra. Aí tens a poltrona, o livro, a rosa,
o cântaro de barro e o pão de trigo.
O cão amigo
pousará nos teus joelhos a cabeça.
Deixa que a noite, vagarosa, desça.
Cheiram a relva e sol, na arca e nos quartos,
os linhos fartos,
e cheira a lar o azeite da candeia.
Dorme. Sonha. Desperta. Da colméia
nasce a manhã de mel contra a janela.
Fecha a cancela
e vai. Há sol nos frutos dos pomares.
Não olhes para trás quando tomares
o caminho sonâmbulo que desce.
Caminha - e esquece.


Guilherme de Almeida

O autor da poesia
 Nascido em Campinas (SP), em 24 de julho de 1890 e morto em 11 de julho de 1969, Guilherme de Andrade de Almeida, foi jornalista, advogado, poeta, crítico de cinema, tradutor e ensaísta. Em 1930, entrou para a Academia Brasileira de Letras. Em 1958, foi eleito como o quarto príncipe dos poetas brasileiros (atrás de Olavo Bilac, Alberto de Oliveira e Olegário Mariano). É o autor da letra da Canção do Expedicionário, sobre a atuação dos pracinhas na Itália, durante a Segunda Guerra Mundial. Foi o responsável pela divulgação no Brasil do tipo de pequeno poema japonês de apenas três versos conhecido por haikai.

sábado, 16 de julho de 2011

CURIOSIDADE ENVOLVENDO LÓGICA E MATEMÁTICA

  Antônio não ouviu o despertador do celular e acordou preocupado. Estava atrasado para ir ao trabalho. Após um banho rápido, vestiu-se também com pressa. Faltava apenas o par de meias, e esse foi seu problema. Para não acordar a esposa, não acendeu a luz e andou com cuidado até a gaveta em que guardava 52 meias, 26 brancas e 26 pretas. A pergunta é: quantas meias Antônio precisou tirar da gaveta, no escuro, para ter certeza de que teria um par da mesma cor para vestir?

A resposta está no primeiro comentário.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

MAIS COMENTÁRIOS SOBRE A CRASE

Não colocar sinal de crase onde existe é lamentável, mas pôr o acento grave onde não tem é pior ainda. Para ajudar nessa tarefa difícil, VidaCuriosa apresenta hoje casos nos quais não há existência de crase. É bom constatar a inexistência de contração de preposição a com artigo feminino a.

  1) Diante de palavra masculina. Exemplo: Em minha infância na Campanha, apreendi a andar a cavalo.
Atenção: Às vezes, há crase diante de palavra masculina mas é porque existe alguma palavra feminina oculta. Exemplo: Resolveu escrever à (moda) Luis Fernando Verissimo.
  2) Diante de verbo: Dediquei-me a viajar durante as férias.
  3) Diante de palavra no plural: Refiro-me a jogadas ensaiadas.
  4) Expressões de tratamento: Enviou mensagem a Sua Reverendíssima.
(Atenção para as exceções: dona e senhora. Entreguei o livro à Dona Maria (a a) para a Dona Maria) Enviei as cartas à senhora. (a a), para a senhora)
  5) Pronome pessoal: Entreguei o papel a ela.
  6) Pronomes indefinidos: Falarei isso a qualquer pessoa. A certa altura, ela começou a chorar.
  7) Pronomes demonstrativos: Fiz uma poesia a cada companheira de luta; nada se compara a esta vida.
Atenção para as exceções: Fiz elogios àquela atriz, àquele cantor, àqueles artistas. O motivo é a contração da preposição a com a inicial a desses demonstrativos.
 8) Artigo indefinido: Chegamos a uma boa conclusão. (Não confundir com "Chegamos à uma (1h) da manhã e saímos às duas.(a a uma). Nesse caso, há artigo diante da palavra feminina uma, que é numeral.)
9) Depois de preposição: Falaremos perante a Justiça. O crime aconteceu após a festa.
  Mais uma dica: sempre que aparecer a palavra devido, seguida de palavra feminina, muita atenção porque provavelmente é caso de crase. Veja sempre se há preposição e artigo. Devido à crise, aumentou o desemprego. (Se passando para o masculino der devido ao é porque há crase) No caso de "devido a uma crise", não há por causa desse artigo indefinido aí (número 8).

Outra dica: para saber se o "a" é preposição ou artigo, é importante examinar o verbo. Se ele for transitivo direto, o a é artigo. Se for transitivo indireto requer preposição. Exemplo: O carteiro entregou a correspondência (sem crase). O carteiro recebeu a correspondência e a entregou à professora (com crase).


Mais adiante pretendo colocar mais posts sobre crase.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

CRASE, ESSA INCOMPREENDIDA

O poeta Ferreira Gullar criou uma bela frase em 1955: a crase não foi feita para humilhar ninguém. É verdade, não foi feita para isso. Mas que humilha, humilha. Tem gente que, por não ter conhecimento da ortografia nem vontade de aprender, gostaria de acabar com a crase. Seria o mesmo que, por não saber conjugar os verbos, eliminar as conjugações e escrever tudo do jeito que quiser, como aliás grande parte da população está fazendo. Depois não entendem o que leem, não conseguem se comunicar por escrito e culpam os gramáticos de não acompanharem a evolução do linguajar do povo.
   Já presenciei grandes gafes e até erros por falta de entendimento em bilhetes e até edições de jornais com textos errados. Ninguém é perfeito, erros acontecem. Mas só o estudo da gramática e a leitura de bons textos são capazes de proporcionar uma forma correta de escrever. Além disso, é importante ter muita atenção na hora de finalizar. É provável que, neste texto, o amigo internauta encontre algum erro. Se isso acontecer, agradecerei pelo alerta.
  O poeta Mario Quintana dizia que, quando o leitor não entende o que o autor quis dizer com o que disse, um dos dois é burro. Eu me atrevo a acrescentar: ou os dois.
   Admito que reconhecer casos de crase não é tão fácil como fritar um ovo. Há quem tenha tanta dificuldade que até gostaria de ver extinto esse sinal gráfico. Foi o caso de um deputado paulista, já falecido, que chegou a propor a retirada da crase da gramática brasileira. Alegou que era um sinal já esquecido pelo povo. Foi tão criticado que acabou voltando atrás.
   Em 1988, comecei a estudar a crase. Hoje, considero-me um razoável conhecedor do tema. O problema é que há divergências entre filólogos a respeito de diversos casos. Alguns acham que a crase pode servir para evitar situações dúbias. Eu sigo aqueles que entendem que, se existe contração de artigo com preposição, há caso de crase. Caso contrário não.
   Na semana passada, uma revista nacional apresentou uma seção com o seguinte título: Bê-à-bá do economês. Acredito que o jornalista que titulou pensou em algo que vai do Bê até a Bá, mas, na verdade, Bê-á-Bá é uma expressão que deriva da soletração B A=BÁ. São, portanto, três palavras com uma única sílaba: Bê, Á e Bá. As três levam acento agudo porque são oxítonas terminadas em a.
  Para exemplificar a importância da crase no entendimento das frases, apresento um trocadilho criado há mais de 30 anos por Paulo Ricardo Stefaniak, um colega da faculdade de jornalismo da Ufrgs. Nunca mais o vi e acho que hoje deve estar desempenhando uma função ligada à área jurídica já que também cursou Direito. As frases são as seguintes:


Os autos do processo dão marcha a ré.
Os autos do processo dão marcha à ré.

Na primeira versão, sem crase, significa que o processo não está evoluindo e, pelo contrário, está indo incompreensivelmente para trás.
Na segunda versão, com crase, significa que a acusada está sendo beneficiada.
Em um próximo post, colocarei partes de um trabalho que elaborei sobre a crase após anos de estudos com base em livros e jornais. Outro detalhe que descobri é que, com o acordo ortográfico de 8 de dezembro de 1945, o sinal gráfico da crase, que era indicado por um acento agudo (á) foi substituído pelo acento grave (à). Seguirei pesquisando para descobrir em qual momento histórico foi criada a figura da crase.

sábado, 18 de junho de 2011

A CONFUSÃO DOS FUSCAS AMARELOS

Os carros eram como esse aí
Nico Fagundes é uma figura. Entre muitas outras coisas, foi presidente do Instituto de Tradição e Folclore do Estado, escreveu vários livros, foi ator de cinema gaudério e é o autor da letra do Canto Alegretense, criado com o irmão dele, o Bagre. Apresenta o programa Galpão Crioulo, na RBSTV, há 29 anos. Na Zero Hora, mantém uma coluna sobre tradicionalismo também há muito tempo. Não dá pra contar aqui tudo o que fez ou faz. Antônio Augusto superou grave doença e segue trabalhando. Nos anos 90, tinha um fusca amarelo.
Jorge Euclides dos Santos, que trabalhava no laboratório de fotografia de Zero Hora naquela mesma época, também é uma figura. Hoje está aposentado e faz frilas em fotografia. Todo mundo o conhecia na empresa como Caçapava, apelido que ganhou por ter semelhança física com o centromédio que compunha o meio campo do Inter com Batista e Falcão. Caçapava, o laboratorista, tinha um fusca amarelo.
   Um dia, Nico ligou para o mecânico e o autorizou a buscar o automóvel dele no estacionamento de Zero Hora para consertá-lo. Disse lá o problema que havia e pediu que ligasse quando o serviço ficasse pronto. Queria urgência.
   Caçapava ambicionava muito consertar o seu carrinho, que estava precisando mesmo de vários reparos. Mas a grana estava curta. Assim que pudesse, daria uma guaribada nele. Naquele mesmo dia, ao sair do trabalho, não viu seu fusca amarelo no estacionamento.
– Assim não dá! Além de tudo, ainda me levam o carro – lamentou, já se preparando para registrar o furto na polícia.
  No dia seguinte, Nico recebeu uma ligação do mecânico:
- Seu fusca tá pronto, seu Nico!
- Mas como? Se o carro ainda está no estacionamento?
Foi então que o mecânico percebeu a trapalhada que fizera e amaldiçoou a fábrica que permitiu a uma mesma chave abrir e ligar dois carros. Havia pego o carrinho errado. Sorte do Caçapava, que ganhou o conserto de graça.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

A MANCADA DA PROFESSORA

Você já cometeu gafes? Acredito que sim. Mas não deve ter chegado perto do que aconteceu com uma professora de Bagé. Foi forte mesmo. Tão constrangedor que ela teve de se mudar da cidade.
Foi assim:
Depois de chegar da escola, em uma sexta-feira, ela deparou com um problema na pia. Como é chato um vazamento. Além de molhar a cozinha ainda deixa aquele barulho irritante: tique, tique, tique. O marido prometeu solucionar o caso no dia seguinte. E eles se concentraram em algo mais agradável, relaxante, reconfortante.
No dia seguinte, ao acordar, notou que o lado direito da cama estava vazio. Foi à cozinha e viu o homem, com o corpo para dentro do balcão sob a pia, pernas para fora, consertando o vazamento. Para fazer o conserto, pensou ela, ainda bem que ele vestia aquelas calças que já não usava mais. Ela não teve dúvidas. Chegou pé por pé e enfiou a mão entre as pernas do homem, ao mesmo tempo, em que perguntava:
– Cadê as minhas bolinhas?
 Quando ele saiu debaixo da pia, ela empalideceu. Não era o esposo. Era o encanador, que tinha ganhado recentemente algumas roupas doadas pelo marido dela e havia sido contratado de manhã para consertar a pia.
Morais da história: se for doar suas roupas usadas, avise a sua mulher. E, ao contratar encanador, escolha um que não seja fofoqueiro.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

OS CRAQUES DE FUTEBOL E AS MÚSICAS QUE OS HOMENAGEIAM

                                                                                        Atualizado em 19/7/2011
       Depois da origem dos nomes dos clubes de futebol, apresentamos agora, alguns dos craques brasileiros para os quais foram feitas músicas. Mais jogadores mereciam estar nesta pesquisa, mas preferi deixar só estes para o post não ficar muito longo, o que prejudicaria a leitura.
                                                 

                     PELÉ
 O Rei do Futebol Mundial

Quando um jogador fizer, se é que conseguirá, 1.282 gols em sua carreira e for tricampeão mundial, poder-se-á então, começar a discutir se ele foi melhor do que Edson Arantes do Nascimento, o Pelé. Para isso, terá de ter sido o futebolista do seu século, como Pelé o foi em 1999, eleito pela International Federation of Football History e Statics. Ou o Atleta do Século de Todos os Esportes, como foi em 15 de maio de 1981 pelo jornal francês Le Equipe. Em 2000, foi eleito pela Fifa como o jogador de futebol do Século XX. Além disso, ganhou três copas do Mundo (1958, 1962 e 1970) pela seleção brasileira, bicampeão mundial pelo Santos, campeão de duas Libertadores também pelo clube santista.
Edson nasceu em 23 de outubro de 1940 em Três Corações (MG), filho de João Ramos do Nascimento, o também jogador de futebol Dondinho, e de Maria Celeste. O nome teria sido uma homenagem ao inventor norte-americano Thomas Alva Edison. Já o apelido Pelé teria se originado da alcunha de um goleiro, amigo de seu pai, chamado Bilé. Ainda pequeno, como não conseguia dizer o nome correto do jogador, acabava pronunciando Pilé e acabou ganhando esse apelido que derivou para Pelé.
Em 1945, Pelé mudou-se com a família para Bauru (SP). Com 11 anos jogava em um time juvenil chamado Canto do Rio. Apoiado pelo pai, criou seu próprio time, que batizou de Sete de Setembro. Jogou depois no time juvenil do Bauru Atlético Club. Das iniciais BAC surgiu o apelido de Baquinho. Foi então que o jogador e treinador Valdemar de Brito o levou para treinar no Santos. Aí começou a carreira vertiginosa que resultou nos títulos mencionados no início desta história. Pelé parou de jogar duas vezes. A primeira, aos 37 anos, em 1974, quando estava no Santos. A segunda em 1977, quando estava no Kosmos de Nova York. De 1995 a 1998, Pelé foi ministro dos Esportes no governo Fernando Henrique.
Vídeo: música Deus Negro, autoria de Cecílio José Carneiro


                      
     GARRINCHA,                     
      A Alegria do Povo
Manoel Francisco dos Santos, o Garrincha, foi, depois de Pelé, o jogador que mais valorizou um ingresso de futebol. Brilhante na arte do drible, do cruzamento e da complementação do gol, teve uma história inesquecível. Nasceu em 18 de outubro de 1933, no distrito de Pau Grande, do município fluminense de Magé. Em sua infância, gostava de caçar passarinhos e ganhou, da irmã, o apelido de uma dessas aves. Conforme Ruy Castro, ele teria ficado com as pernas tortas devido por ter sofrido de poliomielite.
Seu primeiro clube foi o Esporte Clube Pau Grande, quando tinha 14 anos. Depois passou pelo Serrano, de Petrópolis e dali foi para o Botafogo de Futebol e Regatas. Contam historiadores e desportistas que, no primeiro treino, ele encheu de dribles o já famoso lateral esquerdo Nilton Santos.
   Garrincha jogou por 13 anos no Botafogo a partir de 1953. Também jogou um ano no Corinthians Paulista (66) e no Flamengo (1969), no Olaria e na Seleção Brasileira de 1957 a 1966, quando foi campeão mundial em 1958 e 1962. Também atuou no Atlético Junior, da Colômbia. Também disputou uma partida pelo Novo Hamburgo, em 2 de junho de 1969, outra pelo Alecrim de Natal e outra pelo Fortaleza (CE).
Na vida pessoal teve oito filhas com a primeira namorada Nair. Depois de se separar, casou com a cantora Elza Soares, com quem viveu por 15 anos. Os dois tiveram um filho, Manoel Garrincha dos Santos Junior, que morreu em um acidente de carro. Teve dois filhos fora do casamento, um no Brasil e outro na Suécia.
Garrincha morreu em 20 de janeiro de 1983 devido à cirrose (doença no fígado).
Vídeo: Balada do Nº 7, composição de Alberto Luiz, na voz de Moacir Franco



  RONALDO NAZÁRIO
  O Fenômeno
Ronaldo Luís Nazário de Lima, nasceu no bairro de Bento Ribeiro, na cidade do Rio de Janeiro em 22 de setembro de 1976. Ele queria treinar no Flamengo, mas não tinha dinheiro para as passagens e foi então treinar no São Cristóvão. Jairzinho, o Furacão da Copa, o viu jogando e pagou 10 mil dólares pelo seu passe e o revendeu para o Cruzeiro de Minas, onde estreou, com 16 anos, em 1993. Naquele ano, participou da seleção brasileira sub17. Em 1994, foi contratado pelo PSV Endoven, da Holanda, onde marcou 54 gols em 57 partidas. Em 1996, foi para o Barcelona, da Espanha, onde ganhou o apelido de Fenômeno e acabou escolhido pela primeira vez o melhor jogador do mundo daquele ano. Na Inter de Milão, em 1997, fez 14 gols em 19 jogos e foi eleito melhor jogador do mundo, pela segunda vez. Em 1998, sofreu uma convulsão pouco antes da final da Copa do Mundo. em 2000, ficou oito meses parado devido a uma lesão no joelho direito. Em 2002, foi pentacampeão do mundo pela seleção brasileira e saiu da Inter e foi para o Real Madrid. No final do ano, foi eleito o melhor jogador do mundo pela terceira vez. Em 2007, jogou no Milan. Com hipotireoidismo, começou a engordar. Além disso, sofreu nova lesão grave. Em dezembro de 2008, foi contratado pelo Corinthians, onde foi campeão paulista. Em 14 de fevereiro de 2011, anunciou sua aposentadoria e afirmou: Perdi para o meu corpo. Ronaldo foi o maior artilheiro de Copas do Mundo com 15 gols, em quatro edições (94, 98, 2002 e 2006).
Em 7 de junho de 2011, Ronaldo fez seu jogo de despedida atuando por 15 minutos pela Seleção Brasileira na vitória de 1 a 0 em amistoso contra a Holanda.
Vídeo: música Sou Ronaldo, parceria de Marcelo D2 e Bruno Mauriti
                            FIO MARAVILHA
                            Famoso pela música

O nome João Batista Sales não chama a atenção de ninguém. Mas o apelido dele é conhecido por muita gente: Fio Maravilha. Esse jogador ficou famoso não apenas pelo seu futebol, mas pela música feita para ele por Jorge Ben (antes de acrescentar o outro Jor no nome por recomendação da numerologia). Fio começou sua carreira de jogador no Flamengo, aos 15 anos. Ganhou esse apelido após fazer um gol na vitória de 3 a 2 do time carioca sobre o Benfica de Portugal. Fio jogou também no Paissandu (PA), Ceub (DF), Desportiva (ES) e São Cristóvão (RJ). Na década de 80 foi para os Estados Unidos onde vive até hoje, onde trabalha como entregador de pizza em San Francisco.
Em 1972 Jorge Ben fez uma música para ele chamada Fio Maravilha, que era cantada não só por toda a torcida flamenguista, como pelos ouvintes de rádio no Brasil inteiro. Anos depois, sugestionado por um advogado, Fio entrou na Justiça contra Jorge, exigindo dinheiro pelo uso do nome. Jorge Ben foi obrigado a trocar a letra da música passando para "Filho Maravilha". Em 2007, Fio disse em entrevista ao Fantástico que tudo foi um mal entendido e pediu que Jorge, agora Benjor, voltasse a cantar a música com o nome dele. No ano passado, 22 anos depois, em entrevista ao Esporte Espetacular, Fio voltou a pedir a Jorge Benjor que cantasse Fio Maravilha. E o grande Jorge cantou. E perdoou o ingrato jogador.

Vídeo: música de Jorge Ben (versão Filho Maravilha)

                       ROMÁRIO
                                   Ele é o cara
Romário de Souza Faria é o jogador mais marrento da história do futebol brasileiro, quiçá mundial. Além dos gols maravilhosos, costumava brindar aos repórteres e torcedores frases memoráveis. "Quando eu nasci, Papai do céu olhou lá de cima e disse: "esse é o cara.
Nascido no dia 29 de janeiro de 1966 na comunidade do Jacarezinho, de onde saiu aos três anos para morar no bairro da Penha, Romário. Lá jogou no Estrelinha, time fundado por seu pai, Edevair de Souza Faria. Seu primeiro clube profissional foi o Vasco, onde estreou em 1985.
Em 1988, participou da Olímpiada de Seul e foi o artilheiro da competição com seis gols. No mesmo ano foi contratado pelo PSV Eindhoven, da Holanda. Romário foi o terceiro maior artilheiro da seleção brasileira, com 55 gols marcados. Foi campeão do mundo em 1994. Nesse mesmo ano, quando jogava pelo Barcelona, da Espanha, foi eleito o melhor jogador do mundo da temporada. Em 1995, foi contratado pelo Flamengo, no ano do centenário do clube carioca. Depois foi para o Valencia da Espanha e voltou em 1997 para o Flamengo. Ele viria a jogar no Vasco, Fluminense, Quatar (Al Saad), Miami (Estados Unidos). Em 20 de maio de 2007, alcançou a marca dos mil gols marcados na carreira, em um jogo pelo Vasco contra o Sport. Sua despedida do futebol aconteceu em 14 de abril de 2008. No ano seguinte, Romário elegeu-se deputado federal pelo Rio, pelo PSB.
 Sobre as frases do marrento, as mais famosas são: "Pelé calado é um poeta" (sobre a opinião do Rei de que ele, Romário deveria encerrar a carreira em 2005)" A corte está completa no Rio. Já temos o Rei, o príncipe e agora o bobo", para Edmundo durante uma discussão pela imprensa.
Vídeo: Romário por Tom Cavalcante


FALCÃO
O Rei de Roma                                            
Filho do motorista de caminhão Bento Falcão e da costureira Azize, Paulo Roberto Falcão nasceu em Abelardo Luz (SC) em 16 de outubro de 1963. Ele tomou contato com a bola em jogos de várzeas de Canoas para onde a família se mudou nos anos 60. Com 11 anos, Falcão vendia garrafas vazias para custear a passagem até o campo de treino do Internacional, onde começou a jogar. Aos 18, tornou-se jogador profissional com o técnico Dino Sani, após participar da seleção olímpica do Brasil nos Jogos de Munique (1972).
Falcão conquistou cinco títulos regionais (73,74,75,76 e 78) e três campeonatos brasileiros pelo Inter, no qual jogou por 16 anos. Em 1982, disputou a Copa do Mundo da Espanha. Antes disso, foi para a Itália onde comandou a conquista do scudetto de 1983/84 que o Roma não ganhava havia 42 anos. Lá, foi apelidado de O Oitavo Rei de Roma. Em 1985 voltou para o Brasil onde ajudou o São Paulo a ser campeão paulista naquele ano. Participou da Copa do Mundo de 1986, no México e encerrou sua carreira. Em 1991, estreou como treinador, dirigindo a Seleção Brasileira. Depois, treinou o América do México, o Internacional de Porto Alegre e a seleção japonesa. Em 1995, foi comentarista esportivo da RBS e em 1996, da Rede Globo. Em 2011, voltou a treinar o Internacional, onde conquistou o título de campeão gaúcho. Ficou no clube de 11 de abril a 18 de julho, quando foi dispensado.
Vídeo: música gravada por Jorge Ben em 1983


    RONALDINHO GAÚCHO             http://youtu.be/pkG7DG2fU60
                                                                                                                    
Nascido em Porto Alegre, em 21 de março de 1980, Ronaldo de Assis Moreira começou a jogador futebol aos sete anos de idade. Chegou ao ápice de sua carreira ao ser escolhido como melhor jogador do mundo do ano de 2004 e 2005. Aos oito anos, perdeu o pai, que se afogou na piscina da casa comprada pelo irmão de Ronaldinho, Roberto de Assis Moreira, o Assis, que jogava no Grêmio.
Foi na escolhinha de futebol do Grêmio que Ronaldinho começou a mostrar seu estupendo futebol, caracterizado pela facilidade com que driblava e fazia gols. O primeiro jogo como profissional seria na Copa Libertadores da América, em 1998. Na final do campeonato gaúcho de 1999, vencido pelo Grêmio, deixou sua marca ao dar um balãozinho no então jogador do Inter Dunga, que viria a ser treinador da Seleção Brasileira. Naquele ano, Ronaldinho foi convocado para a Seleção pelo técnico Vanderlei Luxemburgo.
Em 2001, sem o aval do Grêmio, Ronaldinho assinou um pré-contrato em sigilo com o Paris Saint German, da França, e vai jogar no Exterior, sem o clube gaúcho receber qualquer contrapartida pelo passe. Uma disputa judicial entre o clube francês e o Brasileiro fez o crack ficar sem atuar durante meses.

Depois de jogar a Copa do Mundo de 2002, Ronaldinho foi contratado pelo Barcelona, da Espanha, onde ficou até 2008. quando se transferiu para o Milan, da Itália. Em 10 de janeiro de 2011, depois de ser o centro de um leilão do qual participaram Grêmio, Palmeiras e Flamengo, Ronaldinho terminou acertando-se com o clube carioca.

Vídeo: música do grupo Jeito Moleque (obs: não consegui baixar do youtube)

Fontes: wikipédia,YouTube, livros Estrela Solitária - A história de um Brasileiro chamado Garricha, de Rui Castro, e Histórias da Bola, de Paulo Roberto Falcão em depoimento ao jornalista Nilson Souza.


Veja também: "a origem dos nomes dos clubes mais importantes do futebol brasileiro" em  http://migre.me/8knYu