sexta-feira, 31 de outubro de 2008

APARECEU A MARGARIDA, OLÊ, OLÊ, OLÁ

Algumas expressões criadas em um passado distante ainda são pronunciadas sem que as pessoas tenham a menor idéia do que estão dizendo. Uma delas é a frase "Apareceu a Margarida", muito usada quando alguém que não é visto há algum tempo e surge, de repente. Lembro-me bem de minha mãe dizendo isso, quando chegava um parente ou amigo que se ausentara por um bom tempo.
Por que Margarida? Por causa da música, da brincadeira de roda, claro. Até aí morreu Neves. Que Neves? Isso é outra história. Voltando à Margarida, quem era ela?
Outro dia, ouvindo um CD da Xuxa sobre cantigas de roda, entendi que a coisa vinha lá da Idade Média. A letra da música:
_ Onde está a Margarida?, olê, olê, olá.
_ Ela está em seu castelo, olê, olê, olá.
_ Ela está em seu castelo, olê, seus cavaleiros.
Eu queria poder vê-la, olê, olê, olá.
Eu queria poder vê-la, olê, olê, olá.
Mas o muro é muito alto, olê, olê, olá.
Estou tirando uma pedra, olê, olê, olá.
Uma pedra não faz falta,
tirando duas pedras
Duas pedras não "faz" falta

tirando outra pedra...
Apareceu a Margarida,
olê, olê, olá.


Foi então que entendi que a Margarida era uma mulher bonita de um castelo. E que os cavaleiros tiveram que afastar pedras, provavelmente do muro, para poder visualizá-la.

Mas quem ela era? Seria uma princesa, uma dama da corte, uma menina? Era famosa, tinha sobrenome? Pode ser que sim, pode ser que não.
Perdeu-se no tempo ou eu que não soube achá-la.
Por falar nisso, fico pensando se daqui a 200 anos alguém ouvir alguém cantar a música do Jorge Benjor, feita quando ele era Jorge Ben, alguém vai saber quem era Teresa:
- Sou Flamengo e tenho uma nega chamada Teresa...
Ou a Carolina, do Chico Buarque, ou a Marina, cujo namorado não queria que ela pintasse os lábios, ou a Iracema do Adoniram, que morreu ao atravessar a rua.

Voltando à Margarida, só mais uma curiosidade. A palavra tem origem no grego Magarites e significa pérola. Talvez tenha sido por isso  que ela pegou mprestado o nome da flor.



quarta-feira, 29 de outubro de 2008

MISTÉRIO EM JAQUIRANA

Uma reportagem no Fantástico no domingo não saiu mais da minha cabeça. Em Jaquirana, município do interior gaúcho com pouco mais de 5 mi habitantes, foi encontrado, em 2007, um cadáver já em decomposição.
Um promotor de Justiça está fazendo todos os esforços para identificar a ossada. Estudos de peritos indicaram que a vítima tinha feito um tratamento caro nos dentes, incluindo inclusive com dentes de outro.
Além disso, o pijama que ele vestia havia sido fabricado em uma cidade do interior de São Paulo. Esses detalhes, incluindo o fato de que estava de pijamas apesar do frio que fazia na época em que o corpo foi encontrado, intriga o promotor Luís Augusto Gonçalves Costa, de Vacaria, a polícia e os peritos. Eles acham que o corpo pode ser de alguém que teria sido seqüestrado, assassinado e abandonado em um matagal no norte gaúcho.
O mais interessante é que os peritos e um artista plástico reconstituíram a cabeça da vítima para tentar uma identificação (veja acima). Espero que consigam descobrir esse mistério. Eu gostaria também que esse tipo de trabalho fosse feito em outros cadáveres encontrados. Só em Porto Alegre, há inúmeros casos de pessoas assassinadas e não identificadas. Pelo menos três mulheres já tiveram seus corpos esquartejados e, em alguns casos, pernas e braços foram encontrados no Guaíba. A polícia não tem qualquer informaçaõ sobre isso. Ao mesmo tempo, um grande número de pessoas segue desaparecido para desespero eterno de seus parentes.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

VOCÊ JÁ TROCOU O NOME DAS PESSOAS?

Uma das coisas mais curiosas que eu conheço é a facilidade com que as pessoas confundem os nomes das pessoas. Se os nomes são iguais ou parecidos, invariavelmente sofrem com as confusões. Na Rádio Gaúcha, dois excelentes repórteres enfrentam esse drama. E nem têm nomes iguais. Um é o Jocimar Farina, que também trabalha no Diário Gaúcho. O outro é Josmar Leite. Só porque os dois nomes começam com Jo e terminam com Mar, muita gente os confunde.

Jocimar me contou outro dia que uma fonte ligou para ele e deu explicações sobre um determinado assunto, sobre o qual eles já haviam falado havia algum tempo e não havia qualquer novidade. Ele achou isso estranho, mas deixou pra lá. Até que seu colega Josmar queixou-se de que uma fonte havia ficado de dar uma resposta sobre um assunto e não ligou mais. Foi aí que o Jocimar entendeu. O funcionário público deu a resposta para o outro jornalista.
Em outra ocasião, Jocimar tentava falar com o deputado Adilson Troca. O jornalista falou com o parlamentar por telefone e marcaram uma entrevista no saguão da Assembléia. Jocimar chegou ao local e ficou aguardando o parlamentar. Alguns minutos depois, o deputado chegou e viu Jocimar, mas ficou olhando para os lados como se procurasse alguém. O repórter então se aproximou dele para fazer a entrevista. Quando se apresentou, Troca (fazendo jus ao nome) admitiu ter feito confusão achando que havia falado com Josmar e que por isso que não o havia localizado no saguão.
Fanático por trocadilho, tenho de registrar uma frase de Franklin Berwig, produtor de esportes da Gaúcha, sobre o assunto:
_ Sabem o que dá uma mistura de Jocimar Farina com Josmar Leite? Dá bolo.
Como meu costume é sempre dar um pitaco a mais, eu acrescentaria mais alguém nessa mistura: o ministro da Fazenda, Guido Mantega. (Fico devendo o açúcar, os ovos e o fermento).

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

SOBRE AS POESIAS NOS ÕNIBUS DE PORTO ALEGRE

Quando publiquei o post anterior, sobre os poemas nos ônibus, dispus-me a descobrir mais sobre os autores dos dois excelentes trabalhos que escolhi e republiquei. Não tive tempo para me dedicar às pesquisas, mas, felizmente, uma parte da minha busca foi solucionada.
Um dos autores das obras selecionadas para os ônibus deste ano "achou-me" pelo google e enviou seguinte mensagem:

Caríssimo Plínio:
Saúde e Paz!
Devo agradecer ao amigo as palavras elogiosas ao poemeto que tive o privilégio de classificar no concurso POEMAS NO ÔNIBUS, em Porto Alegre. Trata-se de SETILHA, cujo texto o amigo publicou no BLOG VIDA CURIOSA, em 30 de setembro de 2008. A propósito, anexo meus rabiscos de poesias presentes no ITINERÁRIO POÉTICO, livro de estréia. Espero que também goste. Felicidades!
Carlos Alberto de Assis Cavalcanti, professor do Centro de Ensino Superior de Arcoverde - PE

Valeu Carlos Alberto. Assim que puder, vou conferir o seu Itinerário Poético.
Abraços.

Agora vou descobrir algo sobre o Marcos Cardoso. Se ele ou alguém que o conheça quiser me ajudar, ficarei muito grato.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

OS POEMAS NOS ÔNIBUS

Sempre que tomo um ônibus em Porto Alegre, percorro o olhar pela parede interna para ler os poemas. Alguns são fracos, inteligíveis apenas para seus autores, como os pintores de arte moderna. Mas há algumas pérolas, que fazem valer a pena. O primeiro que me entusiasmou foi de Marcos Cardoso, publicado na edição 2001/2002):

Certa vez fui levado a uma feiticeira
Dama do demônio,
musa da magia
Sonha muito e fala só asneiras!
É subversivo e tem atos de rebeldia!
Usando de ungüentos a velha cabreira
Descobriu o encanto da minha agonia:
Contra esse mal não existe cura...
... o menino sofre de Literatura!

Marcos Cardoso

Nesta semana, encantei-me com este:

SETILHA

Se ao passado só se volta
na garupa da lembrança;
e ao futuro só se chega
no galope da esperança;
o melhor é não ter pressa,
pois se alguém o tempo apressa,
té do presente se cansa.

Carlos Alberto de Assis Cavalcanti

Não conheço o Carlos Alberto, nem o Marcos Cardoso. Quero parabenizá-los pelas belas poesias. Vou tentar encontrar mais algumas obras deles.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

SOBRE AS CAVALGADAS E SEUS EFEITOS

Leio tudo o que posso sobre a história gaúcha, mas os meus heróis nos desfiles farroupilhas são os recolhedores de bostas de cavalo. Eles não são garbosos como os gaudérios que cavalgam de fronte erguida sem desviar o olhar do horizonte.
Os recolhedores de cavalo são ágeis porque lidam com o improgramável. Eqüinos não obedecem a roteiros nem a esquemas de protocolo no que se refere às necessidades fisiológicas. Não são como os atores e cantores que podem esperar para se aliviarem no camarim.
Os cavalos são despreocupados, diferentemente daquelas moças que anunciam, na tevê, produtos para regular o intestino.
Por isso, os recolhedores de bostas precisam ser rápidos para poupar olhos e narizes de turistas e do povo em geral dos efeitos de atos que não estavam no script.
Você nunca prestou atenção nos recolhedores de bostas de cavalos? Ou foi porque eles são mesmo discretos ou porque não existem. Se não existem, deveriam existir, até porque a tradição não aceitaria cavalos com fraldas. Nossos olhos e narizes, nos desfiles ou nas cavalgadas pelo Litoral, agradeceriam.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

SOBRE A REVOLUÇÃO FARROUPILHA

QUANTOS ERROS HÁ NO TEXTO ABAIXO?

Corria o dia 9 de setembro de 1837. Bento Gonçalves sentou-se à sombra de um eucalipto em sua estância em Camaquã. Ele acendeu um palheiro, jogou o palito de fósforo por entre a cerca de arame e dividiu o olhar entre a fumaça, que fazia círculos no ar, e um quero-quero pousado num moirão.


RESPOSTAS:
1º erro - Em 10 de setembro de 1837, Bento Gonçalves estava fugindo da prisão do Forte do Mar, na Bahia. Logo, não poderia estar em sua fazenda.


2º erro - Ele não poderia ter-se sentado à sombra de um eucalipto. Naquela época, não havia essa espécie de árvore, originária da Austrália. Eucaliptos foram trazidos para o Rio Grande do Sul por volta de 1870.

3º erro - Bento não pode ter acendido o palheiro com um palito de fósforo. Os palitos de fósforos foram inventados somente em 1827 na Europa e só chegaram muitos anos depois ao Rio Grande do Sul. Na época dos farroupilhas, os cigarros eram acesos com um tipo primitivo de isqueiro chamado pederneira, em que uma pedra era atritada fazendo faísca.

4º erro - Na época dos Farrapos, os campos ainda não contavam com cercas de arame. As divisas entre as propriedades eram definidas por marcos de pedras colocados de distância em distância ou por rios e arroios.

5º erro - Quero-queros jamais pousam em moirões, diferentemente da coruja, por exemplo. Esse tipo de ave (Vanellus chilensis), assim como a perdiz, voa baixo e caminha pelo campo, onde põe seus ovos no chão.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

UMA DICA DE LEITURA


Fã de Confúcio, meu colega Renato Dornelles cumpriu a segunda parte dos três mandamentos do poeta chinês: escreveu um livro. Ele já tinha feito um filho (o ilustríssimo Bernardo nasceu neste ano) e agora diz que vai plantar uma árvore. Voltando ao livro, o lançamento da obra será no próximo dia 4, quinta-feira. A sessão de autógrafos do livro Falange Gaúcha, O Presídio Central e a História do Crime Organizado no RS será a partir das 19h30min na Saraiva Megastore, Praia de Belas Shopping.
Não li ainda o livro do Renatinho, mas já ouvi uma boa parte dele neste quase 20 anos que convivemos desde os tempos da Rádio Gaúcha. Vai ser muito interessante acompanhar nas páginas as histórias de Melara, Vico, Jussana, Fontela e companhia. Depois da leitura, todo mundo vai poder dizer que realmente conhece o que se passou dentro e fora dos muros do Presídio Central.
Votos de muito sucesso é o que Vidacuriosa deseja ao competente multimídia.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

MAIS UMA HISTORINHA SOBRE LÓGICA

Em uma determinada região do centro do Brasil havia duas aldeias. Uma em que os índios só falavam a verdade e outra em que só diziam mentiras. Um missionário foi enviado para uma difícil missão: evangelizar os índios mentirosos. Ao chegar em uma encruzilhada, ficou em dúvida para qual caminho deveria seguir. No vértice da encruzilhada havia um índio. O padre não sabia se era mentiroso ou não. Que pergunta ele fez para saber qual caminho pegar para ir à aldeia dos índios mentirosos?













A pergunta que ele fez foi: se eu perguntar ao índio da outra aldeia se este caminho leva à aldeia dos mentirosos, ele me diria que sim ou que não. Com qualquer resposta, o padre escolherá o outro caminho.
A lógica:
Se aquele caminho leva à aldeia dos mentirosos, e o índio questionado for verdadeiro, ele pensará: a aldeia leva mesmo aos índios mentirosos, mas o outro índio, que é mentiroso, dirá que não. O padre entenderia como sim e seguiria por esse caminho, chegando à aldeia dos mentirosos.

Se aquele caminho leva à aldeia dos mentirosos, e o índio questionado fosse mentiroso, ele raciocinará assim: A estrada leva mesmo à aldeia dos mentirosos, e o índio da outra aldeia, por ser verdadeiro, dirá que sim. Mas como sou mentiroso, respondo que ele dirá não. O padre entenderia como sim e seguiria para a aldeia.

Se aquele caminho não leva à aldeia dos mentirosos, e o índio questionado for mentiroso, ele raciocinará assim: a estrada não leva aos mentirosos, e o outro índio, que é verdadeiro, dirá que não. Como sou mentiroso, respondo que ele dirá que sim. O padre entenderia o sim como não e iria pelo outro caminho.
Se aquele caminho não leva á aldeia dos mentirosos, e o índio questionado for verdadeiro, ele pensará assim: a estrada não leva à aldeia dos mentirosos, mas o outro índio dirá que sim. O padre entenderia o sim como não e iria pelo outro caminho.


Simples não? Li ou ouvi isso em algum lugar. Não me recordo onde.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

DICIONÁRIO BRASILEIRO DE PRAZOS

Creditar sempre a autoria de um trabalho – seja texto, seja foto, seja escultura, música, ou mesmo uma frase criativa. Esforço-me muito para descobrir quem teve o mérito e sempre lamento quando não consigo definir o dono da idéia. Digo isso porque recebi um e-mail muito criativo, mas, por essas coisas da Internet, não consigo descobrir o autor. Se alguém souber realmente quem bolou as frases abaixo, agradecerei a oportunidade de fazer justiça.
_____________________
Dicionário Brasileiro de Prazos


Para evitar que estrangeiros fiquem "pegando injustamente no nosso pé", está-se compilando o "Dicionário Brasileiro de Prazos", que já deveria estar pronto, mas atrasou, do qual foram extraídos os trechos a seguir:


DEPENDE:
Envolve a conjunção de várias incógnitas, todas desfavoráveis. Em situações anormais, pode até significar sim, embora até hoje só tenha sido registrado em testes teóricos de laboratório. O mais comum é que signifique diversos pretextos para dizer não.


JÁ JÁ:
Pode dar a impressão de ser duas vezes mais rápido do que já. Ledo engano; é muito mais lento. "Faço já" significa "passou a ser minha primeira prioridade", enquanto "faço já já" quer dizer apenas "assim que eu terminar de ler meu jornal, prometo que vou pensar a respeito."


LOGO:
Logo é bem mais tempo do que dentro em breve e muito mais do que daqui a pouco. É tão indeterminado que pode até levar séculos. Logo chegaremos a outras galáxias, por exemplo.


MÊS QUE VEM:
Existem só três tipos de meses: aquele em que estamos agora, os que já passaram e os que ainda estão por vir. Portanto, todos os meses, do próximo até o Apocalipse, são meses que vêm!


NO MÁXIMO:
Essa é fácil: quer dizer no mínimo. Exemplo: Entrego em meia hora, no máximo. Significa que a única certeza é de que a coisa não será entregue antes de meia hora.


PODE DEIXAR:
Traduz-se como nunca.


POR VOLTA:
Similar a "no máximo". Por volta das 5h quer dizer a partir das 5h.


SEM FALTA:
É uma expressão que só se usa depois do terceiro atraso. Porque, depois do primeiro atraso, deve-se dizer "fique tranqüilo que amanhã eu entrego". E depois do segundo atraso, "relaxa, amanhã estará em sua mesa". Só aí é que vem o "amanhã, sem falta."


UM MINUTINHO:
É um período de tempo incerto, que nada tem a ver com o intervalo de 60 segundos e raramente dura menos que cinco minutos.


TÁ SAINDO:
Ou seja: vai demorar. E muito. Não adianta bufar. Os dois verbos juntos indicam tempo contínuo. Não entendeu? É para continuar a esperar? Capisce! Understood? Comprennez-vous? Sacou? Mas não esquenta que já tá saindo...


VEJA BEM:
É o day after do "depende". Significa "viu como pressionar não adianta?". É utilizado da seguinte maneira: "Mas você não prometeu os cálculos para hoje?" Resposta: "Veja bem..." Se dito neste tom, após a frase "não vou mais tolerar atrasos, OK?", exprime dó e piedade por tamanha ignorância sobre nossa cultura.


ZÁS-TRÁS:
Palavra em moda até uns 50 anos atrás e que significava ligeireza no cumprimento de uma tarefa, com total eficiência e sem nenhuma desculpa. Por isso mesmo, caiu em desuso e foi abolida do dicionário.

domingo, 29 de junho de 2008

ENQUANTO TANTA GENTE GANHA DINHEIRO E FAMA SEM FAZER NADA...

Você sabe o que significa a sigla Bina, nome do identificador de chamadas do telefone? Você sabia que o inventor desse aparelhinho é um brasileiro? Se já sabia, tudo bem, mas aproveito então para dar essas informações aos que ainda não têm esse conhecimento e, ao mesmo tempo, fazer uma homenagem a uma pessoa de talento em meio a tanta gente que luta para ser famoso mas não contribui de nenhuma forma com a humanidade.
Bina significa, acreditem, B identifica Número de A, avisando para o dono do telefone o número de quem está ligando.
   O criador do aparelho é o mineiro Nélio José Nicolai, nascido em Belo Horizonte, no 27 de abril de 1940. Nélio fez o curso técnico pela Escola Técnica de Minas Gerais e reside em Brasília desde 1971. Ele trabalhou na Ericson do Brasil, de 1967 a 1971, e na Telebrasília, de 1971 a 1986. Fundador das sociedades Atel ltda., de 1986 a 1992, e da Citatel Ltda, de 1995 a 1997, é o dono da empresa empresa Lune Ltda., de 1992.
Enquanto funcionário, recebeu os títulos de Operário Padrão da Telebrasília, em 1982, e, no mesmo ano, Operário Padrão de Brasília. Seu maior destaque é como inventor, na área de telecomunicações, onde é o idealizador de inúmeras invenções, com índice altíssimo de projetos viabilizados e explorados comercialmente, no Brasil e no Exterior. Nélio é o verdadeiro inventor do Identificador de Chamadas Telefônicas, título reconhecido internacionalmente, como atesta o Wipo Award Certificate-1996, Organização Mundial de Propriedade Intelectual, com sede em Genebra, Suiça.
    A idéia do Bina surgiu em 1977 e foi requerida sua patente em 1980.
Não conheço o ilustre brasileiro, mas quero aqui saudá-lo por desenvolver a sua inteligência em algo realmente útil e honesto. O Bina contribui não apenas para que as pessoas possam dar retorno para quem os ligou, mas também para combater a praga dos trotes e crimes que ocupam o tempo daqueles cujo caráter envergonha os compatriotas. Parabéns senhor Nélio. Que da sua mente privilegiada continue surgindo invenções realmente úteis como essas.

terça-feira, 3 de junho de 2008

PRA QUEM GOSTA DE CURIOSIDADE

Você já se deu conta de que o Dicionário Aurélio existente no computador há um programa para apresentar sempre uma palavra positiva quando é aberto? Teste pra ver. Quando eu abri agora, a palavra foi perseverança.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

CHARAPIADA (MISTURA DE CHARADA COM PIADAS)

Uma evangélica fervorosa, que lia a Bíblia da manhã à noite,
vai a um encontro religioso. Logo depois do almoço, em que foi servida salada de maionese, ela morre.
Qual foi a causa da morte?











RESPOSTA:
Foi excesso de salmonela.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

FERIADO DE CORPUS CHRISTI

Acredito que poucas pessoas sabem o que significa Corpus Christi. A maioria sabe apenas que é um feriado religioso. Alguns acertam quando dizem que se refere ao corpo de Cristo, mas, mesmo sendo católicos praticantes, não têm a menor idéia do motivo do feriado. Como sou curioso, fui atrás e encontrei a resposta que transcrevo abaixo. Mais ou menos por esta época, no ano passado, localizei o texto no excelente site Migalhas, que é freqüentado mais por profissionais ligados aos meios jurídicos.

Corpus Christi é uma festa ao Corpo de Cristo. É uma data adotada pela Igreja Católica para comemorar a presença real de Jesus Cristo no sacramento da Eucaristia, pela mudança da substância do pão e do vinho na de seu corpo e de seu sangue. Foi instituída pelo Papa Urbano IV (Bula 'Transiturus' de XI de agosto de 1264), para ser celebrada na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade, que acontece no domingo depois de Pentecostes.
Um acontecimento principal ajudou o papa a instituir a comemoração. A visão de Santa Juliana de Cornillon, monja agostiniana de Liège, na Bélgica. Segundo Juliana, Jesus pedia uma festa para testemunhar o significado da Eucaristia para a vida do cristão. A "Fête Dieu" (Festa de Deus), como inicialmente foi chamada a Festa de Corpus Christi, começou na paróquia de Saint Martin em Liège, em 1230. Em 1264, o papa Urbano IV estendeu-a para toda a Igreja católica.




domingo, 18 de maio de 2008

AS PALAVRAS ERRADAS E A CONSAGRAÇÃO PELO USO

Se tem uma coisa que não entendo é a facilidade com que as pessoas aceitam erros. Para não passarem por puristas, acabam admitindo expressões equivocadas sob o argumento de que o uso já consagrou a nova forma. Não têm o menor respeito com o sentido das palavras ou frases.
Na verdade, se na primeira vez que escreveram a expressão "vítimas fatais" alguém tivesse criticado, esse erro não seria cometido e não se consagraria pela repetição. Daí, alguém achou bonito o termo errado e copiou. E foi também reproduzido, e se seguiu uma corrente de analfabetismo até o ponto em que o novo termo é aceito pelo argumento de que está consagrado pelo uso. Se isso não é importante, então por que criticam os erros praticados por aqueles que, por falta de estrutura social ou financeira, não conseguiram estudar e por isso falam e escrevem errado?


Acidente causou uma vítima fatal
A expressão "vítima fatal" não existe. Fatal vem do latim fatale e significa "que mata", "que causa morte" e não que morre. Ao dizerem ou escreverem que há mortos em acidentes, não conseguem uma outra maneira para expressar essa idéia e, por isso, referem-se a vítimas fatais. Uma rápida consulta ao google já mostra a repetição da expressão.


O jogador sentiu a coxa.
Ora, se ele sentiu a perna, é sinal que tem sensibilidade nessa parte dos membros inferiores. Não se entenderia por que haveria algum problema. Teria de ficar fora do jogo se não sentisse a perna, se ela estivesse totalmente adormecida. O certo foi o que o repórter Bruno Laurence falou a seguir, ao apresentar a matéria: "O jogador sentiu dor na parte posterior da coxa esquerda." Ele poderia ter sentido uma fisgada, um problema. Além disso, dizer que sentiu a perna dá idéia de que tem uma perna só.

Furto e roubo não são a mesma coisa

Para a maioria das pessoas, furto e roubo (ou assalto) significam a mesma coisa. Mas são diferentes. Furto é quando o ladrão tira algo da vítima sem que ela perceba. Por exemplo: quem entra em uma casa na ausência do dono e leva algum objeto ou dinheiro, realizou um furto. O ato de quebrar uma janela, uma porta ou um telhado para entrar é arrombamento. Arrombamento pode ser sinônimo de furto, mas nem sempre furto é sinônimo de arrombamento. Outro exemplo é o furto de carteira (a punga), de bolsa (chuca). O crime está relacionado no artigo 155 do Código Penal. A pena é de um a quatro anos de prisão mais multa para o furto simples.
Roubo é quando o crime acontece na presença da vítima, com arma ou não. Assalto é a mesma coisa. Esse crime está tipificado no Código Penal no Artigo 157, com pena de quatro a dez anos de prisão, se não houver agravantes.
Mas atenção! Não vamos ser tão radicais. Quando a frase está na boca do personagem, não é necessária essa diferença. O mesmo ocorre no sentido figurado como "o juiz roubou" ou ela "roubou meu coração" ou "senti-me roubado ao ver o preço do tomate".
Todos são unânimes
3) Todos são unânimes em afirmar que o réu é inocente. O réu pode ser inocente, mas esse que escreveu a frase é culpado de ter cometido um pleonasmo bem chato. Se há unanimidade, é claro que são todos. Na verdade, talvez a palavra tenha sido empregada no sentido errado de "categóricos".

Um dos que
5) O artista era um dos que estava participando do festival. O autor dessa frase é um dos que costumam errar na concordância. A confusão deve ter sido feita porque existe a frase "um dos artistas era meu amigo." Sempre que há "um dos que", o que se segue deve ser plural.

O centroavante nem concentrou.
Alexandre Pato, que concentrou as atenções dos torcedores, concentrou-se com os demais titulares. O verbo concentrar no sentido de reunir alguma coisa ao redor de si é transitivo direto, isto é, necessita de complemento, no caso o objeto direto. Já concentrar-se é verbo pronominal e significa ficar concentrado ou manter-se na concentração.

Encarar de frente
Nunca soube de alguém que encarasse algum problema de costas até porque aí não seria encarar; seria talvez "enucar". Talvez a frase correta fosse "encarar o problema com seriedade, com responsabilidade, com espírito de luta.

Elo de ligação
A palavra elo já significa ligação, elo é a argola que faz parte de uma corrente. "A prisão de Fulano era o elo que faltava para a ligação entre as duas quadrilhas", mas não "o elo de ligação" das quadrilhas.

De mala e cuia
Outro dia estava vendo um noticiário em televisão do centro do País e o repórter lascou esta:
Fulano se mudou de mala e cuia para a Europa.
Essa expressão começou a ser usada quando repórteres e artistas gaúchos se mudaram para São Paulo e Rio na década de 80. Como custumavam tomar chimarrão, fazia sentido dizer que haviam se mudado de mala e cuia, que significava, fixar residência, mudar para morar no outro lugar. Daí um paulista ou carioca se mudar de mala e cuia para a Europa? Seria o mesmo que dizer que o gaúcho saiu de Porto Alegre via pau-de-arara.




quinta-feira, 8 de maio de 2008

ELA NA PALMA DA SUA MÃO


O Criador do Universo concluiu a primeira parte da sua obra na Terra e começou a pensar na povoação com seres humanos.
Depois de programar a evolução da espécie até chegar ao homem, pensou em uma forma de homenagear aquela que seria responsável por dar à luz um novo ser.
Foto da Internet
A maneira escolhida por Ele foi criar um gene que determinasse a formação, pelas linhas da mãos, de uma letra inicial da palavra "mãe".
Assim, é "mãe" em português, "madre" em espanhol e italiano, "mother" em inglês, "mutter" em alemão, "mére" em francês, "mat" em russo e "moeder" em holandês, para ficarmos somente nos idiomas mais conhecidos.
Observem: todas as pessoas nascem com uma letra "M" na palma da mão, para que nunca se esqueçam daquela que os gerou, que os cuidou, que se preocupou com os seus filhos e sempre se preocupará. Mãe é aquela que chora com as suas tristezas e ri com as suas alegrias e nem sempre é compreendida.
No próximo domingo, Dia das Mães, olhe para a palma das suas mãos e siga o conselho cifrado enviado pelo Programador.
Se a sua mãe é viva, faça um carinho nela. Se ela já passou para o andar superior, junte os dois emes das palmas das suas mãos e reze da forma que desejar, independentemente de religião.
Mesmo que você não acredite em reencarnação ou em outra vida, seu gesto lhe fará muito bem, tenho certeza.
Por fim, um recado para as poucas mães que não cumprem o seu papel: ser mãe não é só gerar. Ser mãe é amar, proteger e educar.
(Publicado no Diário Gaúcho, página 34, em 8 de maio de 2008)

quinta-feira, 1 de maio de 2008

DIA INTERNACIONAL DO TRABALHO

Neste primeiro de maio, em vez de sinalizar o Dia do Trabalho, prefiro ressaltar a existência daquele que move o mundo com sua dedicação. Não me refiro aos que ganham muito dinheiro com o trabalho, embora isso não seja passível de crítica. O que é lamentável é a exploração desonesta do esforço alheio. Lamento a existência de uns poucos com muito e a quase totalidade com quase nada. Enfim, é difícil mudar. O homem é o explorador do próprio homem.

Deixando de lado essas considerações, vamos à homenagem. É um texto conhecido, do filósofo Brecht, mas há certamente muita gente que ainda não teve acesso a ele.



Quem construiu a Tebas das Sete Portas?
nos livros constam os nomes dos reis.
Os reis arrastavam os blocos de pedra?
E a Babilônia tantas vezes construída
quem a ergueu outras tantas?
Em que casa de Lima radiante de ouro
moravam os construtores?
Para onde foram os pedreiros
na noite em que ficou pronta a Muralha da China?
A grande Roma está cheia de arcos de triunfo.
Quem os levantou?
Sobre que triunfaram os césares?
A decantada Bizâncio só tinha palácios para seus
habitantes?
Mesmo a legendária Atlântida
na noite em que o mar a engoliu, os que se afogavam
gritavam pelos seus escravos.
O jovem Alexandre conquistou a Índia.
Ele sozinho?
César bateu os gauleses
Não tinha pelo menos um cozinheiro consigo?
Felipe de Espanha chorou quando sua armada naufragou.
Ninguém mais chorou?
Frederico II venceu a Guerra dos Sete Anos.
Quem venceu, além dele?
Uma vitória em cada página.
Quem cozinhava os banquetes da vitória.
Um grande homem a cada dez anos.
Quem pagava suas despesas?
Tantos relatos.
Tantas perguntas.




Sobre o autor:

Bertolt Brecht nasceu nasceu na Alemanha, em Augsburg, em 1898. Pouco depois de começar um curso de medicina, em 1917, foi chamado para o exército para trabalhar como enfermeiro em um hospital militar.
Brecht começou a escrever seus primeiros poemas e cedo se rebelou contra o que considerava como "falsos padrões" da arte e da vida burguesa, corroídas pela Primeira Guerra.
Esse tipo de pensamento aflora na primeira peça, um drama expressionista chamado Baal, criado em 1918. Brecht passou a colaborar então com os diretores Max Reinhardt e Erwin Piscator.
Já no final dos anos 20, o escritor recebeu instruções marxistas do filósifo Karl Korsch.
Em 1928, faz com Kurt Weill a "Ópera dos Três Vinténs". Com a ascensão de Hitler, deixa o país em 1933, e se exila em países como a Dinamarca e Estados Unidos, onde sobrevive à custa de trabalhos para Hollywood.
Brech faz da crítica ao nazismo e à guerra tema de obras como "Mãe coragem e seus filhos" (1939). Vítima da patrulha macartista, parte em 1947 para a Suíça - onde redige o "Pequeno Organon", suma de sua teoria teatral. Volta à Alemanha em 1948, onde funda, no ano seguinte, a companhia Berliner Ensemble. Morreu em Berlim, em 1956.





sexta-feira, 4 de abril de 2008

UMA HOMENAGEM A UMA MULHER INESQUECÍVEL

Ela era uma pessoa muito engraçada. Sempre que vejo alguém rindo à bandeira despregada, eu me lembro dela. Ria por qualquer coisa e gostava de contar causos hilários e de dizer chistes herdados de seus antigos familiares. Lembrava sempre _ com um ar de quem constatava uma formidável coincidência _ que havia nascido em 4 de 4 de 24 (4 de abril de 1924), e o seu marido em 22 de 2 de 22 (22 de fevereiro de 1922).
De vez em quando, porém, guardava uma certa melancolia num cantinho do peito, resultado de muito sofrimento na vida. Ficou orfã aos quatro anos de idade. A sua mãe, esperando um segundo filho, grávida de quase nove meses, morreu depois de ter ido buscar água na cacimba. Com o esforço, ela sentiu-se mal, e o bebê acabou morrendo e não foi retirado com urgência. Sem recursos no interior de Bagé, ela também acabou falecendo. Poucos anos depois, o pai dela casou-se de novo. A madrasta, conforme relatos, era uma legítima megera, como aquelas de estórias de contos de fadas.
Não demorou muito e ela, com cerca de seis anos, foi para o internato numa escola de freiras. Como era canhota, sofreu muito quando começou a aprender a escrever. Na época, era muito feio ser canhoto e, por isso, amarravam a mão esquerda dela para que aprendesse a escrever com a direita. Ao sair do internato, já aos 17 anos, enfrentou a oposição de seu pai, que no início não concordava com o namorado que ela arrumara. Mas o rapaz insistiu e conseguiu a mão dela. Depois de ter sido neta de um dos fazendeiros mais ricos de Seival, ela enfrentou dificuldades financeiras. Criou seis filhos. Ela e o marido chegaram a fazer doces para vender. Rapadurinhas de leite, bolo de laranja, quindim.
Apesar de tudo, nunca perdeu o bom humor. Seis anos após ter completado 50 anos de casada, ela morreu devido a um câncer. Horas antes de morrer, ainda mantinha a presença de espírito fazendo piadas consigo mesma. Ela se foi, mas ficou viva num canto do meu coração. Tenho muito orgulho e muita saudade de minha mãe, Ítala Pereira Nunes. Hoje, ela estaria completando 84 anos. Mas, com certeza, lá no céu, muitos continuam rindo contagiados pela sua alegria e inquebrantável bom humor.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

UMA HOMENAGEM A UM HOMEM INESQUECÍVEL

Era um piá com cerca de 8 anos e costumava atravessar a pé um matagal nas proximidades de onde é hoje a Vila Vicentina, na zona norte de Bagé, para chegar em casa. O breu e o local deserto davam um certo medo, mas ele tinha um estratagema: assobiava o tempo todo e chamava dois cachorros pelos nomes. "Vamos Rex, vamos Sansão, ô cachorros brabos esses tchê. Os cães eram imaginários mas davam uma sensação de proteção para o menino, o quarto dos 10 filhos de um uruguaio com uma brasileira.
Ele foi crescendo e logo começou a trabalhar. Primeiro ajudando o pai, que era carpinteiro e trabalhava também como pedreiro. Já mais taludo, começou a comprar e vender couros. Com a ajuda do padrinho, conseguiu uma bolsa para estudar até o quinto ano primário no colégio salesiano Nossa Senhora Auxiliadora. Era bom de contas. Sabia somar e multiplicar de cabeça, com maestria.
Aos 21 anos, conheceu a mulher, com quem ficaria casado por mais de 50 anos. Entre os dois havia uma coincidência de datas de nascimento. Enquanto ela nascera em 4/4/1924, ele veio ao mundo em 22/2/1922. Para casar com ela, enfrentou a forte oposição do sogro. O pai dela, um uruguaio também foi rejeitado quando quis casar com a mãe dela, depois foi aceito. E fez o mesmo quando a filha se apaixonou. Mas o amor venceu.
Casado, ele morou em inúmeros lugares, foi dono de armazéns, passou por muitas dificuldades. Mas conseguiu, com a mulher, educar os seis filhos. Em determinado período, foi subprefeito e subdelegado do distrito de Seival, então pertencente a Bagé. No meio da noite, pelo menos uma vez ele precisou usar sua caminhonete para levar um homem esfaqueado durante uma briga em um jogo de bilhar na vila.
Ele andava no seu próprio veículo, fiscalizando as condições das estradas e consertando pontilhões caídos.
No início do casamento, não pôde contar com a herança da família da mulher. O avô dela, desconfiado do genro uruguaio, havia deixado seus bens gravados em cartório no sistema de usos e frutos. Assim, só podiam usufruir, mas não vender.
Proprietário de terras, plantou e também criou gado. A crise do trigo em 1966 e sua pouca habilidade para ganhar dinheiro, quase levou-o à ruína. Em 1967, um câncer na mulher fez com que boa parte dos seus bens fossem perdidos. Só anos mais tarde, quando novamente o câncer voltou a atingir a esposa, dessa vez de forma fatal, é que a totalidade dos filhos ficou sabendo do primeiro caso.
No começo da década de 70, resolveu mudar-se para Porto Alegre com a família. Antes de se estabelecer como dono de armazém na Cidade Baixa, o casal passou por momentos muito difíceis. Para sobreviver, tiveram de fazer bolos de laranja, quindins e rapadurinhas de leite, que eram entregues em bares e restaurantes das redondezas. Novos maus negócios os levaram de volta a Bagé. Nunca ninguém o viu se desesperar, queixar-se da vida.
O que ficou dele foi um caráter irrepreensível, um pai amoroso e enérgico ao mesmo tempo, que não hesitava em castigar os filhos quando era necessário.
Nas noites frias de inverno, diante da lareira do sobrado ou do fogo de chão no galpão, gostava de contar histórias.
Depois de 56 anos de casado, perdeu a companheira, vítima de câncer. Aos 81 anos, foi acometido do Mal de Alzheimer e também passou para o outro lado espiritual.
Neste dia 22 de fevereiro, que saudades de um homem maravilhoso, inesquecível, meu pai, Walter Vieira Nunes.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

A HISTÓRIA DOS PEÕES QUE VIAJARAM PARA A ARÁBIA

Os dirigentes de uma construtora que tinha obras na Arábia ficaram preocupados porque os operários contratados em outros Estados do Brasil dormiam na ponta da pá ou se deitavam no chão durante o trabalho.
Daí que um especialista sugeriu que constratassem empregados no Rio Grande do Sul, onde o pessoal não é de capinar sentado.

Um emissário foi até a cidade de Bagé, na Campanha, e se reuniu com cerca de 200 operários.
– Vamos pagar bem, mas queremos gente trabalhadora– alertou o emissário.
– Mas bah! Nem te preocupa vivente – respondeu um gaúchão criado nas bandas de Seival.
– É só nos dar um carrinho de mão, uma pá, areia e cimento e nós erguemos um edifício que encosta no céu.
O grupo entrou no avião e se mandou para a Arábia Saudita. Quando chegou a
Riad, o aeroporto estava fechado. A aeronave teve de pousar no deserto.
Ao olhar pras dunas, o gaúchão não se conteve:

– A la putcha! Com esse montão de areia, na hora em que chegar o cimento, a gente tá fodido.