domingo, 29 de junho de 2008

ENQUANTO TANTA GENTE GANHA DINHEIRO E FAMA SEM FAZER NADA...

Você sabe o que significa a sigla Bina, nome do identificador de chamadas do telefone? Você sabia que o inventor desse aparelhinho é um brasileiro? Se já sabia, tudo bem, mas aproveito então para dar essas informações aos que ainda não têm esse conhecimento e, ao mesmo tempo, fazer uma homenagem a uma pessoa de talento em meio a tanta gente que luta para ser famoso mas não contribui de nenhuma forma com a humanidade.
Bina significa, acreditem, B identifica Número de A, avisando para o dono do telefone o número de quem está ligando.
   O criador do aparelho é o mineiro Nélio José Nicolai, nascido em Belo Horizonte, no 27 de abril de 1940. Nélio fez o curso técnico pela Escola Técnica de Minas Gerais e reside em Brasília desde 1971. Ele trabalhou na Ericson do Brasil, de 1967 a 1971, e na Telebrasília, de 1971 a 1986. Fundador das sociedades Atel ltda., de 1986 a 1992, e da Citatel Ltda, de 1995 a 1997, é o dono da empresa empresa Lune Ltda., de 1992.
Enquanto funcionário, recebeu os títulos de Operário Padrão da Telebrasília, em 1982, e, no mesmo ano, Operário Padrão de Brasília. Seu maior destaque é como inventor, na área de telecomunicações, onde é o idealizador de inúmeras invenções, com índice altíssimo de projetos viabilizados e explorados comercialmente, no Brasil e no Exterior. Nélio é o verdadeiro inventor do Identificador de Chamadas Telefônicas, título reconhecido internacionalmente, como atesta o Wipo Award Certificate-1996, Organização Mundial de Propriedade Intelectual, com sede em Genebra, Suiça.
    A idéia do Bina surgiu em 1977 e foi requerida sua patente em 1980.
Não conheço o ilustre brasileiro, mas quero aqui saudá-lo por desenvolver a sua inteligência em algo realmente útil e honesto. O Bina contribui não apenas para que as pessoas possam dar retorno para quem os ligou, mas também para combater a praga dos trotes e crimes que ocupam o tempo daqueles cujo caráter envergonha os compatriotas. Parabéns senhor Nélio. Que da sua mente privilegiada continue surgindo invenções realmente úteis como essas.

terça-feira, 3 de junho de 2008

PRA QUEM GOSTA DE CURIOSIDADE

Você já se deu conta de que o Dicionário Aurélio existente no computador há um programa para apresentar sempre uma palavra positiva quando é aberto? Teste pra ver. Quando eu abri agora, a palavra foi perseverança.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

CHARAPIADA (MISTURA DE CHARADA COM PIADAS)

Uma evangélica fervorosa, que lia a Bíblia da manhã à noite,
vai a um encontro religioso. Logo depois do almoço, em que foi servida salada de maionese, ela morre.
Qual foi a causa da morte?











RESPOSTA:
Foi excesso de salmonela.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

FERIADO DE CORPUS CHRISTI

Acredito que poucas pessoas sabem o que significa Corpus Christi. A maioria sabe apenas que é um feriado religioso. Alguns acertam quando dizem que se refere ao corpo de Cristo, mas, mesmo sendo católicos praticantes, não têm a menor idéia do motivo do feriado. Como sou curioso, fui atrás e encontrei a resposta que transcrevo abaixo. Mais ou menos por esta época, no ano passado, localizei o texto no excelente site Migalhas, que é freqüentado mais por profissionais ligados aos meios jurídicos.

Corpus Christi é uma festa ao Corpo de Cristo. É uma data adotada pela Igreja Católica para comemorar a presença real de Jesus Cristo no sacramento da Eucaristia, pela mudança da substância do pão e do vinho na de seu corpo e de seu sangue. Foi instituída pelo Papa Urbano IV (Bula 'Transiturus' de XI de agosto de 1264), para ser celebrada na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade, que acontece no domingo depois de Pentecostes.
Um acontecimento principal ajudou o papa a instituir a comemoração. A visão de Santa Juliana de Cornillon, monja agostiniana de Liège, na Bélgica. Segundo Juliana, Jesus pedia uma festa para testemunhar o significado da Eucaristia para a vida do cristão. A "Fête Dieu" (Festa de Deus), como inicialmente foi chamada a Festa de Corpus Christi, começou na paróquia de Saint Martin em Liège, em 1230. Em 1264, o papa Urbano IV estendeu-a para toda a Igreja católica.




domingo, 18 de maio de 2008

AS PALAVRAS ERRADAS E A CONSAGRAÇÃO PELO USO

Se tem uma coisa que não entendo é a facilidade com que as pessoas aceitam erros. Para não passarem por puristas, acabam admitindo expressões equivocadas sob o argumento de que o uso já consagrou a nova forma. Não têm o menor respeito com o sentido das palavras ou frases.
Na verdade, se na primeira vez que escreveram a expressão "vítimas fatais" alguém tivesse criticado, esse erro não seria cometido e não se consagraria pela repetição. Daí, alguém achou bonito o termo errado e copiou. E foi também reproduzido, e se seguiu uma corrente de analfabetismo até o ponto em que o novo termo é aceito pelo argumento de que está consagrado pelo uso. Se isso não é importante, então por que criticam os erros praticados por aqueles que, por falta de estrutura social ou financeira, não conseguiram estudar e por isso falam e escrevem errado?


Acidente causou uma vítima fatal
A expressão "vítima fatal" não existe. Fatal vem do latim fatale e significa "que mata", "que causa morte" e não que morre. Ao dizerem ou escreverem que há mortos em acidentes, não conseguem uma outra maneira para expressar essa idéia e, por isso, referem-se a vítimas fatais. Uma rápida consulta ao google já mostra a repetição da expressão.


O jogador sentiu a coxa.
Ora, se ele sentiu a perna, é sinal que tem sensibilidade nessa parte dos membros inferiores. Não se entenderia por que haveria algum problema. Teria de ficar fora do jogo se não sentisse a perna, se ela estivesse totalmente adormecida. O certo foi o que o repórter Bruno Laurence falou a seguir, ao apresentar a matéria: "O jogador sentiu dor na parte posterior da coxa esquerda." Ele poderia ter sentido uma fisgada, um problema. Além disso, dizer que sentiu a perna dá idéia de que tem uma perna só.

Furto e roubo não são a mesma coisa

Para a maioria das pessoas, furto e roubo (ou assalto) significam a mesma coisa. Mas são diferentes. Furto é quando o ladrão tira algo da vítima sem que ela perceba. Por exemplo: quem entra em uma casa na ausência do dono e leva algum objeto ou dinheiro, realizou um furto. O ato de quebrar uma janela, uma porta ou um telhado para entrar é arrombamento. Arrombamento pode ser sinônimo de furto, mas nem sempre furto é sinônimo de arrombamento. Outro exemplo é o furto de carteira (a punga), de bolsa (chuca). O crime está relacionado no artigo 155 do Código Penal. A pena é de um a quatro anos de prisão mais multa para o furto simples.
Roubo é quando o crime acontece na presença da vítima, com arma ou não. Assalto é a mesma coisa. Esse crime está tipificado no Código Penal no Artigo 157, com pena de quatro a dez anos de prisão, se não houver agravantes.
Mas atenção! Não vamos ser tão radicais. Quando a frase está na boca do personagem, não é necessária essa diferença. O mesmo ocorre no sentido figurado como "o juiz roubou" ou ela "roubou meu coração" ou "senti-me roubado ao ver o preço do tomate".
Todos são unânimes
3) Todos são unânimes em afirmar que o réu é inocente. O réu pode ser inocente, mas esse que escreveu a frase é culpado de ter cometido um pleonasmo bem chato. Se há unanimidade, é claro que são todos. Na verdade, talvez a palavra tenha sido empregada no sentido errado de "categóricos".

Um dos que
5) O artista era um dos que estava participando do festival. O autor dessa frase é um dos que costumam errar na concordância. A confusão deve ter sido feita porque existe a frase "um dos artistas era meu amigo." Sempre que há "um dos que", o que se segue deve ser plural.

O centroavante nem concentrou.
Alexandre Pato, que concentrou as atenções dos torcedores, concentrou-se com os demais titulares. O verbo concentrar no sentido de reunir alguma coisa ao redor de si é transitivo direto, isto é, necessita de complemento, no caso o objeto direto. Já concentrar-se é verbo pronominal e significa ficar concentrado ou manter-se na concentração.

Encarar de frente
Nunca soube de alguém que encarasse algum problema de costas até porque aí não seria encarar; seria talvez "enucar". Talvez a frase correta fosse "encarar o problema com seriedade, com responsabilidade, com espírito de luta.

Elo de ligação
A palavra elo já significa ligação, elo é a argola que faz parte de uma corrente. "A prisão de Fulano era o elo que faltava para a ligação entre as duas quadrilhas", mas não "o elo de ligação" das quadrilhas.

De mala e cuia
Outro dia estava vendo um noticiário em televisão do centro do País e o repórter lascou esta:
Fulano se mudou de mala e cuia para a Europa.
Essa expressão começou a ser usada quando repórteres e artistas gaúchos se mudaram para São Paulo e Rio na década de 80. Como custumavam tomar chimarrão, fazia sentido dizer que haviam se mudado de mala e cuia, que significava, fixar residência, mudar para morar no outro lugar. Daí um paulista ou carioca se mudar de mala e cuia para a Europa? Seria o mesmo que dizer que o gaúcho saiu de Porto Alegre via pau-de-arara.




quinta-feira, 8 de maio de 2008

ELA NA PALMA DA SUA MÃO


O Criador do Universo concluiu a primeira parte da sua obra na Terra e começou a pensar na povoação com seres humanos.
Depois de programar a evolução da espécie até chegar ao homem, pensou em uma forma de homenagear aquela que seria responsável por dar à luz um novo ser.
Foto da Internet
A maneira escolhida por Ele foi criar um gene que determinasse a formação, pelas linhas da mãos, de uma letra inicial da palavra "mãe".
Assim, é "mãe" em português, "madre" em espanhol e italiano, "mother" em inglês, "mutter" em alemão, "mére" em francês, "mat" em russo e "moeder" em holandês, para ficarmos somente nos idiomas mais conhecidos.
Observem: todas as pessoas nascem com uma letra "M" na palma da mão, para que nunca se esqueçam daquela que os gerou, que os cuidou, que se preocupou com os seus filhos e sempre se preocupará. Mãe é aquela que chora com as suas tristezas e ri com as suas alegrias e nem sempre é compreendida.
No próximo domingo, Dia das Mães, olhe para a palma das suas mãos e siga o conselho cifrado enviado pelo Programador.
Se a sua mãe é viva, faça um carinho nela. Se ela já passou para o andar superior, junte os dois emes das palmas das suas mãos e reze da forma que desejar, independentemente de religião.
Mesmo que você não acredite em reencarnação ou em outra vida, seu gesto lhe fará muito bem, tenho certeza.
Por fim, um recado para as poucas mães que não cumprem o seu papel: ser mãe não é só gerar. Ser mãe é amar, proteger e educar.
(Publicado no Diário Gaúcho, página 34, em 8 de maio de 2008)

quinta-feira, 1 de maio de 2008

DIA INTERNACIONAL DO TRABALHO

Neste primeiro de maio, em vez de sinalizar o Dia do Trabalho, prefiro ressaltar a existência daquele que move o mundo com sua dedicação. Não me refiro aos que ganham muito dinheiro com o trabalho, embora isso não seja passível de crítica. O que é lamentável é a exploração desonesta do esforço alheio. Lamento a existência de uns poucos com muito e a quase totalidade com quase nada. Enfim, é difícil mudar. O homem é o explorador do próprio homem.

Deixando de lado essas considerações, vamos à homenagem. É um texto conhecido, do filósofo Brecht, mas há certamente muita gente que ainda não teve acesso a ele.



Quem construiu a Tebas das Sete Portas?
nos livros constam os nomes dos reis.
Os reis arrastavam os blocos de pedra?
E a Babilônia tantas vezes construída
quem a ergueu outras tantas?
Em que casa de Lima radiante de ouro
moravam os construtores?
Para onde foram os pedreiros
na noite em que ficou pronta a Muralha da China?
A grande Roma está cheia de arcos de triunfo.
Quem os levantou?
Sobre que triunfaram os césares?
A decantada Bizâncio só tinha palácios para seus
habitantes?
Mesmo a legendária Atlântida
na noite em que o mar a engoliu, os que se afogavam
gritavam pelos seus escravos.
O jovem Alexandre conquistou a Índia.
Ele sozinho?
César bateu os gauleses
Não tinha pelo menos um cozinheiro consigo?
Felipe de Espanha chorou quando sua armada naufragou.
Ninguém mais chorou?
Frederico II venceu a Guerra dos Sete Anos.
Quem venceu, além dele?
Uma vitória em cada página.
Quem cozinhava os banquetes da vitória.
Um grande homem a cada dez anos.
Quem pagava suas despesas?
Tantos relatos.
Tantas perguntas.




Sobre o autor:

Bertolt Brecht nasceu nasceu na Alemanha, em Augsburg, em 1898. Pouco depois de começar um curso de medicina, em 1917, foi chamado para o exército para trabalhar como enfermeiro em um hospital militar.
Brecht começou a escrever seus primeiros poemas e cedo se rebelou contra o que considerava como "falsos padrões" da arte e da vida burguesa, corroídas pela Primeira Guerra.
Esse tipo de pensamento aflora na primeira peça, um drama expressionista chamado Baal, criado em 1918. Brecht passou a colaborar então com os diretores Max Reinhardt e Erwin Piscator.
Já no final dos anos 20, o escritor recebeu instruções marxistas do filósifo Karl Korsch.
Em 1928, faz com Kurt Weill a "Ópera dos Três Vinténs". Com a ascensão de Hitler, deixa o país em 1933, e se exila em países como a Dinamarca e Estados Unidos, onde sobrevive à custa de trabalhos para Hollywood.
Brech faz da crítica ao nazismo e à guerra tema de obras como "Mãe coragem e seus filhos" (1939). Vítima da patrulha macartista, parte em 1947 para a Suíça - onde redige o "Pequeno Organon", suma de sua teoria teatral. Volta à Alemanha em 1948, onde funda, no ano seguinte, a companhia Berliner Ensemble. Morreu em Berlim, em 1956.





sexta-feira, 4 de abril de 2008

UMA HOMENAGEM A UMA MULHER INESQUECÍVEL

Ela era uma pessoa muito engraçada. Sempre que vejo alguém rindo à bandeira despregada, eu me lembro dela. Ria por qualquer coisa e gostava de contar causos hilários e de dizer chistes herdados de seus antigos familiares. Lembrava sempre _ com um ar de quem constatava uma formidável coincidência _ que havia nascido em 4 de 4 de 24 (4 de abril de 1924), e o seu marido em 22 de 2 de 22 (22 de fevereiro de 1922).
De vez em quando, porém, guardava uma certa melancolia num cantinho do peito, resultado de muito sofrimento na vida. Ficou orfã aos quatro anos de idade. A sua mãe, esperando um segundo filho, grávida de quase nove meses, morreu depois de ter ido buscar água na cacimba. Com o esforço, ela sentiu-se mal, e o bebê acabou morrendo e não foi retirado com urgência. Sem recursos no interior de Bagé, ela também acabou falecendo. Poucos anos depois, o pai dela casou-se de novo. A madrasta, conforme relatos, era uma legítima megera, como aquelas de estórias de contos de fadas.
Não demorou muito e ela, com cerca de seis anos, foi para o internato numa escola de freiras. Como era canhota, sofreu muito quando começou a aprender a escrever. Na época, era muito feio ser canhoto e, por isso, amarravam a mão esquerda dela para que aprendesse a escrever com a direita. Ao sair do internato, já aos 17 anos, enfrentou a oposição de seu pai, que no início não concordava com o namorado que ela arrumara. Mas o rapaz insistiu e conseguiu a mão dela. Depois de ter sido neta de um dos fazendeiros mais ricos de Seival, ela enfrentou dificuldades financeiras. Criou seis filhos. Ela e o marido chegaram a fazer doces para vender. Rapadurinhas de leite, bolo de laranja, quindim.
Apesar de tudo, nunca perdeu o bom humor. Seis anos após ter completado 50 anos de casada, ela morreu devido a um câncer. Horas antes de morrer, ainda mantinha a presença de espírito fazendo piadas consigo mesma. Ela se foi, mas ficou viva num canto do meu coração. Tenho muito orgulho e muita saudade de minha mãe, Ítala Pereira Nunes. Hoje, ela estaria completando 84 anos. Mas, com certeza, lá no céu, muitos continuam rindo contagiados pela sua alegria e inquebrantável bom humor.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

UMA HOMENAGEM A UM HOMEM INESQUECÍVEL

Era um piá com cerca de 8 anos e costumava atravessar a pé um matagal nas proximidades de onde é hoje a Vila Vicentina, na zona norte de Bagé, para chegar em casa. O breu e o local deserto davam um certo medo, mas ele tinha um estratagema: assobiava o tempo todo e chamava dois cachorros pelos nomes. "Vamos Rex, vamos Sansão, ô cachorros brabos esses tchê. Os cães eram imaginários mas davam uma sensação de proteção para o menino, o quarto dos 10 filhos de um uruguaio com uma brasileira.
Ele foi crescendo e logo começou a trabalhar. Primeiro ajudando o pai, que era carpinteiro e trabalhava também como pedreiro. Já mais taludo, começou a comprar e vender couros. Com a ajuda do padrinho, conseguiu uma bolsa para estudar até o quinto ano primário no colégio salesiano Nossa Senhora Auxiliadora. Era bom de contas. Sabia somar e multiplicar de cabeça, com maestria.
Aos 21 anos, conheceu a mulher, com quem ficaria casado por mais de 50 anos. Entre os dois havia uma coincidência de datas de nascimento. Enquanto ela nascera em 4/4/1924, ele veio ao mundo em 22/2/1922. Para casar com ela, enfrentou a forte oposição do sogro. O pai dela, um uruguaio também foi rejeitado quando quis casar com a mãe dela, depois foi aceito. E fez o mesmo quando a filha se apaixonou. Mas o amor venceu.
Casado, ele morou em inúmeros lugares, foi dono de armazéns, passou por muitas dificuldades. Mas conseguiu, com a mulher, educar os seis filhos. Em determinado período, foi subprefeito e subdelegado do distrito de Seival, então pertencente a Bagé. No meio da noite, pelo menos uma vez ele precisou usar sua caminhonete para levar um homem esfaqueado durante uma briga em um jogo de bilhar na vila.
Ele andava no seu próprio veículo, fiscalizando as condições das estradas e consertando pontilhões caídos.
No início do casamento, não pôde contar com a herança da família da mulher. O avô dela, desconfiado do genro uruguaio, havia deixado seus bens gravados em cartório no sistema de usos e frutos. Assim, só podiam usufruir, mas não vender.
Proprietário de terras, plantou e também criou gado. A crise do trigo em 1966 e sua pouca habilidade para ganhar dinheiro, quase levou-o à ruína. Em 1967, um câncer na mulher fez com que boa parte dos seus bens fossem perdidos. Só anos mais tarde, quando novamente o câncer voltou a atingir a esposa, dessa vez de forma fatal, é que a totalidade dos filhos ficou sabendo do primeiro caso.
No começo da década de 70, resolveu mudar-se para Porto Alegre com a família. Antes de se estabelecer como dono de armazém na Cidade Baixa, o casal passou por momentos muito difíceis. Para sobreviver, tiveram de fazer bolos de laranja, quindins e rapadurinhas de leite, que eram entregues em bares e restaurantes das redondezas. Novos maus negócios os levaram de volta a Bagé. Nunca ninguém o viu se desesperar, queixar-se da vida.
O que ficou dele foi um caráter irrepreensível, um pai amoroso e enérgico ao mesmo tempo, que não hesitava em castigar os filhos quando era necessário.
Nas noites frias de inverno, diante da lareira do sobrado ou do fogo de chão no galpão, gostava de contar histórias.
Depois de 56 anos de casado, perdeu a companheira, vítima de câncer. Aos 81 anos, foi acometido do Mal de Alzheimer e também passou para o outro lado espiritual.
Neste dia 22 de fevereiro, que saudades de um homem maravilhoso, inesquecível, meu pai, Walter Vieira Nunes.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

A HISTÓRIA DOS PEÕES QUE VIAJARAM PARA A ARÁBIA

Os dirigentes de uma construtora que tinha obras na Arábia ficaram preocupados porque os operários contratados em outros Estados do Brasil dormiam na ponta da pá ou se deitavam no chão durante o trabalho.
Daí que um especialista sugeriu que constratassem empregados no Rio Grande do Sul, onde o pessoal não é de capinar sentado.

Um emissário foi até a cidade de Bagé, na Campanha, e se reuniu com cerca de 200 operários.
– Vamos pagar bem, mas queremos gente trabalhadora– alertou o emissário.
– Mas bah! Nem te preocupa vivente – respondeu um gaúchão criado nas bandas de Seival.
– É só nos dar um carrinho de mão, uma pá, areia e cimento e nós erguemos um edifício que encosta no céu.
O grupo entrou no avião e se mandou para a Arábia Saudita. Quando chegou a
Riad, o aeroporto estava fechado. A aeronave teve de pousar no deserto.
Ao olhar pras dunas, o gaúchão não se conteve:

– A la putcha! Com esse montão de areia, na hora em que chegar o cimento, a gente tá fodido.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

A HISTÓRIA DO INVESTIGADOR VENTRÍLOQUO

Essa quem me contou foi o Ronaldo Bernardi, um dos repórteres fotográficos com o maior número de prêmios no Rio Grande do Sul. Diz que na década de 1980, havia um policial em uma determinada delegacia da Capital que tinha o dom do ventriloquismo e se divertia muito com isso. Quando os repórteres iam à DP em busca de notícias, ele costumava zoar com eles. Durante a conversa com os jornalistas, o policial usavam o seu dom e chamava a si mesmo sem que os interlocutores descobrissem que estavam sendo enganados.
- Fulano - dizia a voz que parecia vir do fundo da delegacia.
Os jornalistas não entendiam nada, e o próprio policial virava para trás e perguntava:
- Quem está me chamando?
E continuava conversando normalmente até que chamava de novo o próprio nome, fingindo surpresa. Seus colegas riam-se a mais não poder escondidos nos cantos.

A morta que falava

Um dia, uma mulher idosa foi assassinada a facadas, e a polícia desconfiou de um dos filhos dela. O tal policial-ventríloquo foi ao velório e se postou com uma falsa cara triste ao lado dos parentes na beira do caixão.
De repente, surgiu uma voz que parecia sair da própria morta e se dirigir a um dos filhos.
-Meu filho, por que tu me mataste? Eu gostava tanto de ti, sempre procurei de ajudar. Até pensei em deixar a maior parte da minha herança pra ti. Por que tu fizeste isso?
O filho ficou vermelho, todo mundo olhando pra ele, até que ele não resistiu e gritou, furibundo, apontando para a defunta:
_ Sua cadela mentirosa. Tu nunca gostou de mim, nunca me deu carinho. Tu gostava só dos meus outros irmãos. Por isso, tu mereceu as facadas que te dei!
Foi então que o policial deu voz de prisão ao assassino, sem precisar usar mais seu dom de ventríloquo.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

HUMOR JORNALÍSTICO

1) Repórter que escreve sobre música precisa conhecer a pauta.


2) Editor paga para não ver protestarem os seus títulos.


3) Telefonista competente é a que, mesmo com um leitor chato, nunca perde a linha.


4) A primeira impressão não é a que fica. É preciso acertar melhor o registro das imagens e cores.


5) Um jornalista não deve nunca revelar a fonte. Quem revela a fonte é indústria de água mineral.


6) O Centro de Tratamento de Imagem é mesmo a CTI do jornalismo: pega cada foto em estado lamentável para tratar.


7) Para jornaleiro que veste a camisa, cada jornal é exemplar.


8) Para jornalista preguiçoso que só usa Internet, o que cai na rede é peixe.


9) Repórter de rádio tem que estar sempre antenado.


10) Dependendo do chargista, o trabalho dele pode ser um risco.


11) Diagramador vaidoso sorri quando chega o espelho.


12) Há jornalistas que vêem os dois lados: o dele e o da empresa.







Para os leigos:
Pauta: o roteiro e o assunto para a reportagem.
Fonte: a pessoa com quem o jornalista consegue a informação.
Espelho: espelho, ou boneco eletrônico, é a disposição dos anúncios que irão na página.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

OS PATOS NÃO VOAM PARA O SUL, VOAM PARA A ITÁLIA

Alexandre Rodrigues da Silva, o atacante que saiu do Internacional e está brilhando no Milan, não foi o primeiro Pato a voar de Porto Alegre para a Itália. Em 1980, o jornalista Roberto Moure, o Pato Moure, acompanhou, como assessor de imprensa, outra ave famosa que saiu do Inter, o grande Falcão. Paulo Roberto Falcão tornou-se o Rei de Roma e retornou para o Rio Grande do Sul. Pato Moure ficou na Itália onde se tornou comentarista de televisão.
Hoje Pato Moure deve ser poliglota, evidentemente. Mas até 1979, ele não dominava sequer o espanhol. Pude notar isso quando dividimos um táxi em Rosario na Argentina, na cobertura de um torneio do Grêmio. Pato era o enviado da Rádio Gaúcha, eu fazia cobertura para a Folha da Manhã, da Caldas Júnior.
Extrovertido e muito divertido, Pato Moure perguntou ao taxista:
Senor, aonde estan las "vajas"? Como o motorista não entendeu, ele tentou explicar: "vajas, vaginas.
Quanto chegamos ao hotel, o taxista perguntou onde colocava as malas. E o Pato, sem titubear:
_ Pode poner nel chano.
É claro que hoje ele sabe que chão, em espanhol, é suelo.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

O CASO DO REPÓRTER INVESTIGADOR

Chovia intensamente quando o repórter Milton Galdino e o fotógrafo Ronaldo Bernardi chegaram a uma casa onde havia acontecido um homicídio. Galdino solicitou ao colega para que fosse sozinho ao local do crime e depois lhe passasse os detalhes. Alegou que dali a pouco teria uma reunião com o chefe de polícia e não queria molhar o terno.
Minutos depois, Ronaldo voltou e encontrou o repórter sentado dentro da viatura policial. Contou que ainda não havia pistas do assassino.
– Eu já desvendei o crime, me chama o delegado – pediu Galdino.
Quando o policial chegou, Galdino apontou para a viatura e afirmou:
– O assassino tá ali, no banco de trás.
O delegado não entendeu nada, e o veterano repórter explicou:
– Eu me sentei dentro da viatura e vi o sujeito em pé, embaixo da marquise, tremendo, com os olhos arregalados. Chamei ele, mandei que entrasse no carro. Ele veio, pensou que eu era polícia. Perguntei por que ele tinha matado o cara, e ele entregou logo o jogo. Tinha se desentendido por causa de uma dívida e o atingiu com uma facada.
Na verdade, Galdino estava entediado por esperar. Aí resolveu aguardar no carro da polícia. Foi então que teve a idéia de brincar com o sujeito que estava na marquise. Acabou resolvendo o caso sem querer.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

A HISTÓRIA DA GALINHA DENTRO DO BORDEL

Um repórter fotográfico amigo meu, escalado para o plantão da madrugada, nos anos 80, comprou uma galinha congelada e mandou o filho de 17 anos levar para casa, no Bairro Restinga. Queria fazer uma boquinha no início da manhã, quando chegasse.

O garoto se despediu do pai e passou no bar Porta Larga, onde encontraria um colega do fotógrafo de quem pegaria uma carona de carro. Ocorre que o amigo e outros colegas estavam a fim de festa e arrastaram o adolescente para um cabaré que havia ao lado do bar. E o jovem sempre carregando a galinha embaixo do braço.
Dentro do prostíbulo, uma mulher se engraçou com o rapazinho e o convidou para subir até um dos quartos. O garoto ficou entusiasmado, mas antes pediu licença para ela:

– Espera aí que eu preciso falar uma coisa com o meu amigo. A mulher ficou curiosa. O que o guri pretendia fazer? A prostituta espiou por cima do ombro do garoto e o ouviu perguntar:
– Tchê, e agora? O que eu faço com esta galinha?

Nem bem terminou de falar e foi tirado do cabaré sem tocar os pés no chão.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

TRAPALHADA NA CENA DO CRIME

O repórter fotográfico Arivaldo Chaves, 51 anos, 36 deles em Zero Hora, é quem conta a história, ouvida da boca do colega dele, o também fotógrafo Adolfo Alves, falecido em 1º de novembro de 1989.
Foi na década de 80. Adolfo chega a uma casa na Zona Norte de Porto Alegre, onde aconteceu uma morte e se prepara para mais uma cobertura jornalística. Policiais civis, militares, jornalistas e alguns curiosos estão no pátio da residência onde aconteceu a morte. De repente, aparece o delegado. É do tipo irritadiço, que gosta de mostrar autoridade. Chega xingando tudo o que vê.
– Vão saindo todo mundo, deixem a polícia trabalhar. Como é que permitem essa gente entrar no recinto do crime? Aos gritos, ele vai retirando todos do pátio. Perto da janela, ele cutuca alguém que está com a parte de cima do corpo para dentro da casa e ordena:

– Tu também meu. Deixa de ser curioso. Tu não ouviu eu dizer que é pra todo mundo sair. Tá querendo se incomodar comigo?

Como o indivíduo não mexeu um músculo, o delegado ficou irritado e não entendeu por que não foi atendido. Foi quando outro policial chegou e desfez o mistério.

– Ô, major. Esse aí é o morto.

Foi então que o delegado compreendeu o que acontecia. Um sujeito tentava invadir a casa e deu azar. A parte da vidraça da janela, em forma de guilhotina, caiu de repente e bateu na cabeça do invasor. Ele morreu e ficou com metade do corpo para dentro da casa e metade para fora. Ao constatar o engano, o delegado ficou bem quietinho até o final do trabalho de investigação no local do acidente.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

EQUAÇÃO SOCIOLÓGICA


Excesso de ambição + capacidade = prisão ou cemitério
Ambição moderada + capacidade = sucesso
Falta de ambição + capacidade = vida mediana
Falta de ambição + incapacidade = sarjeta, hospital,cemitério

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

OS CONTEMPLADOS COM OS LIVROS

E AGORA, TCHAN, TCHAN-TCHAN-CHAAN

Apresentamos os ganhadores dos livros da promoção OS MELHORES DE 2007.

Na verdade, eu imaginei quando criei a promoção, que teria um grande número de participações. Pensei até em colocar os papéis com os nomes em uma caixinha na qual estaria escrito vidacuriosa.blogspot.com para fazer o sorteio. Aí minha netinha Luísa iria tirar os papeizinhos para indicar os vencedores.
Acontece que foram nove participantes para oito exemplares de livros. Daí que não havia por que fazer sorteio. Para não deixar um único participante sem prêmio, decidi incluir mais um livro e contemplar todos os meus amigos.

Chega de lorota. Os ganhadores são:

Renato Gava, Reporter do Diário Gaúcho, de Porto Alegre (Livro foi entregue.)
Marco Vencato, o Sarrafo, funcionário do Centro de Documentação do Jornal Zero Hora, de Porto Alegre. (Livro entregue.)
Carlos Mota, repórter e produtor da Rádio Farroupilha, de Porto Alegre (Livro encaminhado para a Rádio Farroupilha.)
Thiago Paixão, repórter da Rádio Farroupilha (livro encaminhado para a Rádio Farroupilha.)
Denise Waskow, estudante de Jornalismo e auxiliar de redação no Diário Gaúcho de Porto Alegre. Livro foi entregue em mãos.
Cris Thomas, estudante de jornalismo, Porto Alegre (RS) (Encaminhado)
Sérgio Lo Iacono Galvani, assessor de imprensa do Guarany Futebol Clube, de Bagé (RS) (Livro entregue)
Mônica Khal, professora universitária, de Passo Fundo (RS) (Livro enviado pelo Correio e recebido)
Marcos Antônio de Araújo Vimeiro Junior, Minas Gerais (livro enviado pelo Correio.)

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

RESULTADO DOS MELHORES DE 2007

Melhor Novela: 1º Paraíso Tropical, da Globo, com quatro indicações. Foram votadas Vidas Opostas e Caminhos do Coração, ambas da Record.

Melhor ator: 1º Vagner Moura (Globo), três indicações. Também foram votados Lima Duarte (Globo) e Heitor Martines (Record)





Melhor atriz: 1º Camila Pitanga (Globo), três indicações. Também foram votadas Maitê Piragibe (Record), Lilia Cabral, Juliana Paes, Renata Sorrah e Deborah Falabela, todas da Globo).



Melhor programa de TV: 1º Jo Soares Onze e Meia, três indicações. Também foram votados O Aprendiz, A Grande Família, Saia Justa e Domingo Espetacular (Record)



Melhor programa humorístico da TV: Empate em um voto entre Minha Nada Mole Vida, Pânico na TV, A Diarista, Show do Tom e A Grande Família.

Melhor apresentador de TV: 1º Luciano Huck, com três indicações. Também receberam votos Sílvio Santos, Raul Gil, William Waack e Renato Machado.




Melhor grupo musical: Empatados com um voto: Engenheiros do Havai, Doctor Sin, Clube do Balanço, The Beatles, Skan, Os Monarcas e Los Hermanos.
Melhor cantor nacional - Djavan, três indicações. Votos também para Seu Jorge, Sidnei Magal, Jorge Ben e Amado Batista.




Melhor cantora nacional - Maria Rita, com três indicações. Também foram votadas Ivete Sangalo, Mariza Monte e Isabela Fogaça.



Cantor local (regional) - Sérgio Moah (RS), com duas indicações. Também receberam votos Bebeto Alves (RS), Vitor Ramil (RS), Durgue Costa, o Cigano (RS), Vander Lee (MG) e Nei Lisboa (RS)


Cantora Local (regional) - Empatadas com um voto: Mônica Tomasi (RS), Adriana Calcanhoto (RS), Marina Machado (MG), Lourdes Rodrigues (RS) Vanessa (da dupla com Klaus), (RS) e Andrea Cavalheiro (RS)

Narrador de Rádio: 1º Pedro Ernesto e Marco Antônio Pereira, ambos da Gaúcha (RS), empatados com duas indicações. Também foram indicados Haroldo de Souza (Guaíba (RS), Paulo Roberto (Globo Minas) e José Silvério (Bandeirantes)
Repórter de rádio (futebol ou notícia) - Cid Martins (Gaúcha), com duas indicações. Também foram votados Sérgio Boaz, Felipe Chemale e Giovani Grizzoti, todos da Gaúcha.

Comentarista de rádio: 1º Wianey Carlet (Gaúcha), com dois votos. Também foram votados Adroaldo Guerra (Gaúcha), Ruy Carlos Ostermann, Gaúcha e Cláudio Carsughi (Jovem Pan).



Emissora de rádio: 1º Atlântida, com dois votos. Também foram citadas Guaíba, Globo Am, Antena Um, Pop Rock, Band FM, Ipanema e Farroupilha.

Emissora de televisão: 1º Globo, com três indicações, RBSTV, Record e GNT





domingo, 30 de dezembro de 2007

FELIZ 2008

Em primeiro lugar, agradeço muitíssimo às pessoas que participaram da promoção. Sei quanto é difícil conseguir um tempinho para entrar em um blog diante do grande número de atribuições que temos e do grande leque de opções existentes na Internet e na própria vida. Por isso sou mesmo muito grato.

Eu poderia dizer que foram milhares de participações (e ninguém iria saber), mas o que considero mais importante de tudo é a credibilidade. Tivemos nove participantes. Acho que a minha inexperiência no campo da informática contribuiu para deixar um pouco complicada a forma de participar do blog. Neste ano de 2008, vou estudar para ver como funciona esse blog.

Na próxima semana, vou fazer o sorteio dos livros e publicar o resultado também da votação. Foram nove participantes para oito exemplares. Depois explicarei a forma de sorteio
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