sábado, 14 de maio de 2011

A ORIGEM DOS NOMES DOS MAIS IMPORTANTES CLUBES DE FUTEBOL DO BRASIL

  •                                                                                            (Acrescentado em 30 /08/2020)
Esta postagem é para quem, como o editor deste blog, gosta de futebol e tem curiosidade sobre a origem das palavras, das expressões e dos nomes. Você sabe por que o Botafogo do Rio tem esse nome. E o Flamengo? E o Internacional? E o Corínthians? Durante mais de um mês, fui à luta para descobrir. Relacionei quatro times do Rio, quatro de São Paulo, três do Recife, dois da Bahia, dois de Belo Horizonte, dois do Paraná, dois de Santa Catarina e três do Rio Grande do Sul. Do meu estado natal, escolhi Inter, Grêmio e o Guarany de Bagé.

      Antes que você discorde da escolha do Guarany, que não é assim tão conhecido nacionalmente e que está na 2ª divisão do Campeonato Gaúcho pra disputar o acesso à categoria principal em 2020, eu tenho um argumento técnico e outro sentimental. Depois da dupla Gre-Nal, é o Guarany quem tem o maior número de campeonatos estaduais (dois). Outros times têm UM campeonato. O argumento pessoal é que o Guarany é o meu time do coração. Se você gostaria de ver aqui a origem do nome do seu clube, deixe um comentário, que certamente irei atrás.
Boa leitura.


RIO DE JANEIRO

Fluminense
   Fluminense Football Club
   O primeiro clube de futebol do Rio foi fundado em 21 de julho de 1902 em uma reunião realizada na Rua Marquês de Abrantes, 51, no Bairro do Flamengo. Foi criado por Oscar Cox, seu primeiro presidente, e mais 19 companheiros. A ideia era batizar a agremiação de Rio Foot Ball Club, mas o nome já era usado por um time pertencente a um clube de natação e regatas. Foi escolhido então o termo fluminense, que significa pessoa nascida no Estado do Rio de Janeiro. A primeira camisa teve as cores cinza e branco. Em 1904, foi trocada para tricolor (grená, branco e verde) porque era difícil encontrar tecidos na cor cinza. O hino popular foi composto por Lamartine Babo (letra) e o maestro Lírio Pannicalli (música), na década de 40. O hino oficial foi criado em 1915 por Antônio Cardoso de Menezes Filho.
   Outra curiosidade é o apelido de Pó de Arroz. Conforme fontes ligadas ao clube, durante um jogo entre Fluminense e América, em 13 de maio de 1914, o atleta Carlos Alberto Fonseca jogou contra seu ex-clube América. Por ser mulato, ele costumava empoar-se para se disfarçar e foi recebido pela torcida americana aos gritos de "pó de arroz". Originado na torcida do América, o apelido generalizou-se e até hoje é dado amistosamente a todos que torcem pelo Fluminense.
Origem do nome fluminense: Flumen, em latim, significa rio. Ense é terminação de procedência, significando que o clube é do Rio. Vários times utilizam esse tipo de termo para homenagear seu locais de origem como Grêmio Porto-Alegrense, Atlético Paranaense, Brasiliense, Figueirense e outros.
Títulos
Internacionais: Campeonato Sul Americano (1948) Copa Rio Internacional (1952) Campeonato Intercontinental - Torneio Mayer Rivadávia Correia (1953) e Torneio Internacional de Paris (1957)
Torneio Mercosul (2000)
Nacionais: Campeonato Brasileiro (1970, 1984 e 2010 e 2012), Campeão da Copa do Brasil (2007) Campeonato Brasileiro Série C (2007)
Estaduais: Campeonato Carioca (31) O mais recente em 2012
Ídolo: o goleiro Castilho
                                
           
            


 Botafogo de Futebol e Regatas

Botafogo
    O Botafogo também começou como clube de regatas em 1894. As cores eram branco e preto com um símbolo da Estrela Solitária. O nome derivou do bairro onde nasceu e da enseada em que os barcos competiam. Em 1904, no Largo dos Leões, no outro lado do bairro, um grupo de adolescentes criou o clube de futebol Botafogo. Foi durante uma aula do colégio Alfredo Gomes, que Flávio Ramos, então com 15 anos, passou um bilhete ao seu colega Emmanuel Sodré convidando-o a fundar um clube de futebol. No dia 12 de agosto de 1904, em um chalé da Rua Conselheiro Gonzaga, pertencente à avó materna de Flávio, Francisca Teixeira de Oliveira, a dona Chiquitota, eles fundaram o clube. Quando ela perguntou qual seria o nome da agremiação e ouviu como resposta Eletroclub, emendou: "Morando onde moram, o clube de vocês só pode se chamar Botafogo". Ele ganhou o apelido de Glorioso. As cores em preto e branco eram homenagem ao Juventus da Itália. Em 8 de dezembro de 1842, no intervalo de uma partida de basquete entre o Estrela Solitária e o Glorioso, um jogador do futebol, Albano, morreu de ataque cardíaco. A partir dali, surgiu a fusão dos dois clubes, que passou a se chamar Botafogo de Futebol e Regatas. Fundadores: Álvaro Werneck, Arthur Cesar de Andrade, Augusto Paranhos Fontenele, Basílio Viana Junior, Carlos Bastos Neto, Emanuel de Almeida Sodré, Eurico Viveiros de Castro, Flávio da Silva Ramos, Jacques Raimundo Ferreira da Silva, Lourival Costa, Octávio Werneck, Vicente Licínio Cardoso.
   Origem do nome Botafogo: no século XVI, Portugal havia construído o maior navio de guerra da Europa, batizado de São João Batista que, por seu poder de artilharia e conquistas, foi apelidado de Botafogo. O fidalgo português João Pereira de Souza, natural de Elvas, famoso oficial de artilharia, comandante do navio, ganhou esse apelido e incorporou-o ao nome. Como recompensa em sua luta contra franceses e tamoios, ganhou, da Coroa Portuguesa, terras que iam do Rio Carioca, hoje praia do Flamengo, contornando o Morro da Viúva, até a praia adiante, que ficou conhecida como "do Botafogo".
Títulos:
Mundiais: campeão da Comebol (1993)
Nacionais: Campeonato Brasileiro (1968 e 1995)
Estaduais: Campeonato Carioca (20) Título mais recente em 2018.  Campeão da série B do Campeonato Brasileiro, 2015, com volta para a Série A em 2016.
Ídolo: Garrincha


Flamengo
  Clube de Regatas do Flamengo
  No início do Século XX, o remo era o esporte preferido no Rio. O futebol ainda não empolgava muito. Um grupo de moradores da Praia do Flamengo criou, em 17 de novembro de 1895, o Clube de Regatas do Flamengo. Já o time de futebol formou-se de uma dissidência do Fluminense. Um remador do Flamengo, chamado Alberto Borgeth, era também jogador do Fluminense. Em 1911, depois de ter conquistado o campeonato, Alberto se desentendeu com os cartolas e saiu do clube com outros nove jogadores campeões. Todos eles foram para o Flamengo, que criou seu time no dia 24 de novembro daquele ano. Como não tinha campo, mandava seus jogos no Fluminense. Depois alugou um espaço na Rua Paissandu, da família Guinle. No dia 4 de setembro de 1938, o Flamengo mudou-se para o bairro da Gávea.
   Origem do nome flamengo: o termo deriva de flamenco, que designa moradores da parte norte da Bélgica e que falam holandês ou neerlandês. Há pelo menos três versões para o nome do bairro carioca. Uma delas é que seria homenagem ao navegador holandês Oliver van Nort, conhecido como Le Blond, que esteve no Rio, no século XVII. Outra hipótese, é de que o bairro ganhou o nome devido a prisioneiros holandeses trazidos de Pernambuco e que moravam na região entre 1600 e 1699. A terceira versão é de que na mesma época haviam sido trazidos para a região muitos flamingos. Haveria tantos, que um oficial alemão relatou em um livro de memórias o voo desses pássaros de cores brilhantes.
Títulos:
Mundiais: Copa Intercontinental (1981)
Continentais: Libertadores da América (1981 e 2019), Copa Mercosul (1999), Copa Ouro Sul-Americana (1996)
Nacionais: Campeonato Nacional (1980, 1982, 1983, 1987, 1992, 2009 e 2019), Copa do Brasil (1990, 2006 e 2013)
Estaduais: Campeonato Carioca (36) Título mais recente em 2020.


Ídolo: Zico




Vasco
 Club de Regatas Vasco da Gama

               Fundado em 21 de agosto de 1898 por um grupo de remadores, o Club de Regatas Vasco da Gama recebeu esse nome em homenagem ao quarto centenário da descoberta do caminho marítimo para as Índias. A façanha foi protagonizada pelo navegador português Vasco da Gama. No dia 26 de novembro de 1915, o clube de regatas se fundiu com o Lusitânia Futebol Clube e formou seu primeiro time de futebol. Em 1923, após vencer a Divisão de Acesso do Campeonato Carioca, ele ganhou o titulo superando os outros grandes times do Rio. Seus adversários não admitiam as derrotas e alegaram que o quadro de atletas era formado por pessoas de "profissão duvidosa" e que o clube não possuía um estádio a fim de excluí-lo do campeonato.

   Sem conseguir êxito, os clubes como Flamengo, Fluminense e Botafogo, além de outros, da Zona Sul, área de elite do Rio, se uniram e abandonaram a Liga Metropolitana de Desportos Terrestres. Em seguida, criaram a Associação Metropolitana de Esportes Atléticos, excluindo o Vasco. O clube da Cruz de Malta só poderia se filiar se dispensasse 12 de seus atletas, todos negros, sob a acusação de que teriam profissão duvidosa. Diante disso, o presidente do Vasco, José Augusto Prestes, enviou uma carta recusando-se a se submeter à condição imposta e desistindo de filiar-se à nova liga. A carta entrou para a história como marco da luta contra o racismo no futebol.
   Com a quinta maior torcida do Brasil, seguindo pesquisa do Datafolha de 2010, o Vasco tem um título da Libertadores, quatro campeonatos brasileiros, um campeonato brasileiro série B, 22 títulos de campeão carioca, entre outras conquistas.

   Quem foi Vasco da Gama
   Navegador português nascido em 1460 em Sines e morto em 24 de dezembro de 1524 na Índia, destacou-se como o comandante dos primeiros navios a navegarem diretamente da Europa para a Índia navegando a oeste e contornando a África.
Títulos
Continentais: Copa Libertadores da América (1998), Copa Mercosul (2000)
Nacionais: Campeonato Brasileiro (1974, 1989, 1997 e 2000), Campeonato Brasileiro Série B: 2009) Copa do Brasil (2011)
Estaduais: Campeonato Carioca (22) Título mais recente (2016)

        
Ídolo: Roberto Dinamite


           

SÃO PAULO

Corinthans
Sport Club Corinthians Paulista
   Dono da maior torcida do Estado de São Paulo e a segunda maior do Brasil, perdendo apenas para o Flamengo, o Corinthians foi fundado em 1º de setembro 1910 por cinco jovens operários do Bairro do Bom Retiro. Antônio Pereira, Carlos da Silva, Joaquim Ambrósio, Rafael Perrone e Anselmo Correia deram o nome para homenagear um clube inglês, Corinthian Casual Football Club, formado por estudantes ingleses que passara por São Paulo e Rio. Os primeiros nomes em que pensaram foi Santos Dumont, o criador do avião e Carlos Gomes, homenagem aos italianos do bairro, já que o maestro escrevia suas óperas em italiano. Decidiram-se por Corínthians porque o time inglês, assim como seu homônimo brasileiro, também havia sido fundado à luz de lampião de gás.
O símbolo oficial do Corinthians, o mosqueteiro, teve origem em 1913. Neste ano, houve uma cisão no futebol que levou vários times a criar a Associação Paulista de Esportes Atléticos. Com esse rompimento, só ficaram três times na Liga Paulista , conhecidos como os "três mosqueteiros" (Americano, Germânia e Internacional). O Corinthians pleiteou uma vaga junto a Liga Paulista de Futebol e foi aceito, tornando-se assim o "quarto mosqueteiro".
   E a origem do nome Corinthians
   O Corinthians inglês foi fundado em 1882 por estudantes. O nome teve origem na palavra corinthian, que designava o cavalheiro e o nobre da Inglaterra que se dedicava ao esporte ou o patrocinava, empresariando atletas. O vocábulo, por sua vez, se originou de corinthian (em português coríntio), que significa natural da cidade de Corinto, na Grécia. Essa cidade-estado (Khóringos, em grego), era uma das pólis (cidades) helênicas e se situava no istmo de Corinto, que liga a península do Peloponeso à Ática. A cidade presidia os Jogos Ístmicos, entre atletas gregos, que se realizavam a cada quatro anos até 581 A.C. Em homenagem a essa cidade, surgiu o termo para os esportistas ingleses, passando para o clube que esteve no Brasil e inspirou o Corínthians paulista. A explicação para o plural foi o fato de que os torcedores gritavam "Go corinthians" referindo-se aos jogadores, e os brasileiros entenderam que era o clube. Até hoje, os corintianos gritam: Vai Corinthians!
Títulos:
Mundiais: Campeonato Mundial de Clubes (2000 e 2012) e Campeão da Libertadores (2012)
Nacionais: Campeonato Brasileiro (1990, 1998, 1999, 2005, 2011 e 2015), Copa do Brasil (1995, 2002 e 2009) Supercopa do Brasil (1991) Campeonato Brasileiro Série B (2008)
Estaduais: Campeonato Paulista (28) Conquistas mais recentes em 2017 e 2018 e 2019
Ídolo: Rivelino



  


Palmeiras

 Sociedade Esportiva Palmeiras
   A história do Palmeiras começa em 26 de agosto de 1914, quando o clube foi fundado com o nome de Palestra Itália por funcionários italianos das indústrias reunidas Francisco Matarazzo. O objetivo era unir todos os imigrantes italianos sob uma única bandeira que, ao mesmo tempo, representasse o grande continente de imigrantes da Itália já existente em São Paulo. Os principais idealizadores da fundação do clube foram Luigi Cervo, Luigi Marzo, Vicente Ragognetti e Ezequiel Simone (o primeiro presidente). Em 24 de Janeiro de 1915, o Palestra Itália disputou a primeira partida de sua história e venceu a equipe do Savoia, em Votorantim, por 2 a 0, com gols de Bianco e Alegretti. No ano de 1916, o Palestra Itália consegue a vaga no campeonato paulista da APEA (Associação Paulista de Esportes Atléticos).
   Em 1942, durante a II Grande Guerra, o Brasil alinhou-se ao grupo liderado por Estados Unidos e Inglaterra que combatiam o chamado eixo formado por Alemanha, Itália e Japão. Um decreto-lei do presidente Getúlio Vargas, em junho daquele ano obrigava todas as instituições esportivas que tivessem nomes estrangeiros a mudar suas denominações. O novo nome escolhido foi Palmeiras.
   Origem do nome Palmeiras: o nome é uma homenagem a um clube já extinto chamado Associação Atlética das Palmeiras, com quem o Palestra sempre teve um grande relacionamento. Além disso, aproveitou o P de Palestra que havia no uniforme. O clube tinha cores vermelho, branco e verde (da bandeira da Itália), mas ficou só com as duas últimas, na mesma pressão feita para a troca do nome.
Títulos
Internacionais: Copa Rio Internacional (1951)
Continentais: Copa Libertadores de América (1999), Copa Mercosul (1998)
Nacionais: Taça Brasil (1960, 1967), Torneio Roberto Gomes Pedrosa (1967 e 1969) Taça Brasil (1969), Campeonato Brasileiro (1972, 1973, 1993 e 1994 e 2016 e 2018), Copa do Brasil (1998, 2012 e 2015), Campeonato Brasileiro Série B (2003 e 2013)
Estaduais: Campeonato Paulista (22) Conquista mais recente em 2008.
Ídolo: Ademir da Guia




São Paulo
  São Paulo Futebol Clube
   Fundado em 1930 e refdsundado em 1935 após um breve período de inatividade. Em 25 de janeiro de 1930, foi assinada ata de fundação do São Paulo da Floresta, nascido da fusão entre a Associação Atlética das Palmeiras e o Clube Athlético Paulistano (criado em 1900). No dia 25 de janeiro, comemorava-se data da fundação da cidade de São Paulo. É atualmente o time com mais vencedor no Brasil: conquistou 22 campeonatos estaduais, seis campeonatos brasileiros, três Libertadores e três mundiais.
   Origem do nome São Paulo: É uma homenagem ao estado no qual o clube foi fundado. O Estado tomou o nome do apóstolo de Jesus Cristo. O padre José Anchieta, enviado por Portugal à então colônia do Brasil, falou nesse nome em carta enviada aos seus superiores da Companhia de Jesus: A 25 de Janeiro do Ano do Senhor de 1554 celebramos, em paupérrima e estreitíssima casinha, a primeira missa, no dia da conversão do Apóstolo São Paulo, e, por isso, a ele dedicamos nossa casa." O apóstolo se chamava Paulo de Tarso, cujo nome original era Saulo. Era fariseu íntegro e obediente das leis locais e depois passou a ser a figura mais importante dos primeiros tempos do cristianismo. Morreu em 64 D.C.
Títulos
Mundiais: Campeão Mundial de Clubes (2005), Copa Intercontinental (1992 e 1993)
Continentais: Copa Libertadores da América (1992, 1993 e 2005), Recopa Sul-Americana (1993 e 1994) Supercopa Libertadores (1993), Copa Commebol (1994)
Nacionais: Campeonato Brasileiro: 1977, 1986, 1991, 2006, 2007 e 2008)Estaduais: Campeonato Paulista (21) Conquista mais recente 2005


Ídolo: Rogério Ceni, que se consagrou como o maior goleiro artilheiro do mundo superando a marca de 100 gols.





Santos
     Santos Futebol Clube
   Em 14 de abril de 1902, três esportistas santistas resolveram fundar o clube. Raymundo Marques, Mário Ferraz de Campos e Argemiro de Souza Júnior convocaram uma assembleia, por volta das 14h, na sede do Clube Concórdia para a criação de um time de futebol. Durante a reunião, foi discutido o nome para a agremiação, dentre as sugestões estavam: Concórdia, Euterpe e Brasil Atlético. Mas os participantes da reunião, por unanimidade, aceitaram a proposta de Edmundo Jorge Araújo: a denominação Santos Foot-ball Clube. Na mesma reunião foram decididas as cores do clube. O uniforme oficial escolhido era constituído por uma camisa com listras verticais azuis e brancas, separadas por um fio dourado, em homenagem ao Clube Concórdia, local daquela reunião.
   O maior nome do Santos sem dúvida foi Pelé. Edson Arantes do Nascimento chegou ao Santos em 1956 aos 15 anos, levado por Waldemar de Brito. Com Pelé e seus companheiros, entre eles Pepe e Zito, o time ganhava quase todos os títulos que disputava.
Origem do nome Santos:  O nome do clube homenageia a cidade, óbvio. Já o município do litoral paulista começou a ser povoado por volta de 1540. Elevada a vila em 1545, Santos teve sua origem relacionada à chegada dos primeiros colonizadores portugueses ao Brasil, na expedição de Martim Afonso de Souza. Este veio distribuir, entre os fidalgos que o acompanhavam, as terras ao redor da Ilha de São Vicente. Dentre eles, estava Brás Cubas, que construiu, no local, um hospital nos moldes da Santa Casa de Misericórdia de Todos os Santos, de Portugal. Com isso, o povoado conhecido por Enguaguaçu passou a ser chamado de Todos os Santos e, mais tarde de Santos. Outra hipótese é de que se originaria no porto de Santos, existente em Portugal, que seria parecido com o povoado.
A palavra Santos, por sua vez, vem do latim sanctus, que quer dizer separado. Seriam aqueles que foram separados por Deus por serem limpos, íntegros, santificados.
Títulos
Mundiais: Campeonato Mundial Interclubes (1962 e 1963), Recopa dos Campeões Mundiais (1968)
Continentais: Copa Libertadores da América (1962, 1963 e 2011), Supercopa Sul-Americana de Campeões Mundiais (1968), Copa Commebol (1998)
Nacionais: Taça Brasil (1961, 1962, 1963, 1964, 1965), Torneio Roberto Gomes Pedrosa ( 1968), Campeonato Brasileiro ( 2002 e 2004) Copa do Brasil (2010)
Estaduais: Campeonato Paulista (19) Conquista mais recente em 2015 e 2016

Ídolo: Pelé, o maior jogador de futebol do
mundo em todos os tempos,

com 1.283 gols em sua carreira.


MINAS GERAIS
Cruzeiro
   Cruzeiro Esporte Clube
   Assim como aconteceu com Palmeiras em São Paulo, o Cruzeiro Esporte Clube surgiu da vontade da colônia italiana de Belo Horizonte de fundar uma associação esportiva que a representasse. Em dezembro de 1920, aproveitando a presença do cônsul da Itália em Belo Horizonte, vários desportistas da colônia decidiram criar um clube de futebol. No dia 2 de janeiro de 1921, foi fundado oficialmente a Societá Sportiva Palestra Italia. As cores adotadas pelo Palestra foram as mesmas da bandeira italiana. O primeiro uniforme do clube foi camisa verde, calção branco e meias vermelhas, com detalhes em branco e verde. Em 1925, foi tirada do estatuto a cláusula que impedia a participação de atletas de outras nacionalidades no time do Palestra. O nome do clube foi aportuguesado e passou a se chamar Sociedade Sportiva Palestra Itália. Em 30 de janeiro de 1942, em plena 2ª Guerra Mundial, o governo brasileiro, por meio de decreto lei, proibiu do uso de termos e denominações referentes às nações inimigas. Neste dia, o Palestra Itália mudou o nome para Palestra Mineiro. Em seguida, o passou a se chamar Ypiranga, mas jogou só uma partida com esse nome. Em 7 de outubro de 1942, em uma reunião entre sócios e dirigentes, foi aprovado o novo nome: Cruzeiro Esporte Clube.
Origem do nome Cruzeiro: a escolha do nome foi uma homenagem ao símbolo maior da pátria, a constelação do Cruzeiro do Sul. O nome foi sugerido por Osvaldo Pinto Coelho, ex-presidente do clube. A palavra cruzeiro significa que tem forma de cruz, como ocorre com as estrelas da constelação que emprestou o nome.
Títulos
Continentais: Libertadores da América (1976 e 1997), Supercopa Libertadores (1991, 1992), Recopa Sul-Americana (1998
Nacionais: Campeonato Brasileiro (1966, 2003 e 2013 e 2014), Copa do Brasil (1993, 1996, 2000,  2003 e 2017 e 2018)
Estaduais: Campeonato Mineiro (38) Títulos mais recentes em 2018 e 2019


Ídolo: Tostão





Atlético
  

  Clube Atlético Mineiro
   Em 25 de março de 1908, um grupo de estudantes se reuniu no coreto do Parque Municipal, em Belo Horizonte,e criou o Clube Atlético Mineiro. Os fundadores foram Aleixanor Alves Pereira, Antônio Antunes Filho, Augusto Soares, Benjamim Moss Filho, Carlos Maciel, Eurico Catão, Francisco Monteiro, Hugo Fracarolli, Humberto Moreira, Horácio Machado, João Barbosa Sobrinho, Jorge Dias Pena, José Soares Alves, Júlio Menezes Mello, Leônidas Fulgêncio, Margival Mendes Leal, Mário Neves, Mário Lott, Mário Toledo, Mauro Brochado, Raul Fracarolli e Sinval Moreira.
   No ano de fundação, foi o primeiro time mineiro a trocar as antigas bolas de meia pelas bolas de couro. Seis anos mais tarde, conquistou o primeiro torneio de futebol realizado em Minas Gerais, a Taça Bueno Brandão. Em 1915, venceu o primeiro campeonato oficial de futebol do Estado, organizado pela Liga Mineira de Esportes Terrestres, atual Federação Mineira de Futebol.
   Curiosidade: O símbolo do Galo surgiu em 1945, quando o chargista Mangabeira, do jornal Folha de Minas recebeu a incumbência de desenhar um mascote para o Atlético. Preocupado em fazer um mascote que se identificasse com as características da torcida e do time, ele criou um galo forte e vingador, que simbolizava a bravura com que o clube jogava. "O Atlético sempre foi um time de raça, mais parece um galo de briga, que nunca se entrega e luta até morrer, disse, na época, o chargista.
Títulos
Continentais: Copa Commebol (1992 e 1997), Copa Libertadores (2013)
Nacionais: Campeonato Brasileiro (1971) Campeonato Brasileiro Série B (2006), Copa dos Campeões do Brasil (1978)
Copa do Brasil: (2014)
Estaduais: Campeonato Mineiro (42) Conquistas mais recentes em 2012 e 2013
Ídolo: Reinaldo




PERNAMBUCO

Sport
    Sport Club do Recife
   O Sport Club do Recife nasceu em 13 de Maio de 1905 no salão da Associação dos Empregados do Comércio de Recife. A idéia foi lançada pelo pernambucano Guilherme de Aquino Fonseca, que voltara de uma temporada de estudos na Inglaterra, onde se formou engenheiro em 1903. Encantado com o futebol fundou o clube, na companhia de alguns seguidores. Ele trouxe da Europa, o primeiro uniforme com as cores do time da universidade de Cambridge. Com seu próprio dinheiro, Guilherme comprou bolas, camisas, apitos e pares de botas especiais (botinas) precursoras das chuteiras e mandou fazer cópias da Foot Ball Association. O primeiro presidente foi Boaventura Alves Pinto.
Títulos
Nacionais: Campeonato Brasileiro (1987) e a Copa do Brasil (2008).
Estaduais: Campeonato Pernambucano (42) Título mais recente em 2019



Ídolo: Dario, o artilheiro Dadá Maravilha, o centroavante que "parava no ar".






Santa Cruz
    Santa Cruz Futebol Clube
   O clube foi criado por um grupo de jovens de 14 a 16 anos, que brincavam no pátio da Igreja de Santa Cruz, no Recife. Para tanto, marcaram uma reunião para a noite de 3 de fevereiro de 1914, no Distrito da Boa Vista, quando foram definidos o nome, a primeira diretoria e as cores do clube. O Santa Cruz foi fundado por Quintino Miranda Miranda Paes Barreto, José Luiz Vieira, José Glycéro Bonfim, Abelardo Costa, Augusto Franklin Ramos, Orlando Elias dos Santos, Alexandre Carvalho, Oswaldo dos Santos Ramos, Luiz de Gonzaga Barabalho Uchôa, Augusto Dorneles Câmara, para a fundação de uma sociedade de "foot-ball". As cores escolhidas foram branco e preto. Mais tarde, o clube tornou-se tricolor, incluindo o vermelho.
Origem: O nome foi emprestado da igreja que os jovens frequentavam.
Títulos
Estaduais: Campeonato Pernambucano (27) Títulos mais recentes em 2011, 2012, 2013 e 2016
Ídolo: Nunes, centroavante



Clube Náutico Capibaribe

Náutico
  A origem do nome do Náutico, do Recife, como a de vários outros no Brasil tem relação com a prática de remo. O Clube Náutico Capibaribe foi fundado oficialmente em 7 de abril de 1901, mas começou no futebol em 1905. Em 1897, um grupo de praticantes de remo participou da recepção as tropas pernambucanas que haviam lutado na Guerra de Canudos, na Bahia. No dia 21 de dezembro daquele ano, os remadores liderados por João Vítor da Cruz Alfarra, realizaram uma grande regata no Rio Capibaribe. A competição chamou atenção no Recife e, consequentemente, o Remo tornou-se uma modalidade popular. Alguns funcionários de armazéns das ruas do Rangel e Dque de Caxias, no Centro, decidiram criar o Clube dos Pimpões, e disputar torneios de remo contra o grupo comandado por João Vitor. No finDeal de 1898, as duas equipes se uniram dando origem a uma terceira sociedade que chegou a ser chamada de Recreio Fluvial, mas acabou se consolidando como    
Clube Náutico Capibaribe.
   Com esse nome, o Náutico estreou no futebol em 1905, com um grupo de ingleses formando a primeira equipe, jogando aos domingos no Campo de Santana ou na Campina do do Derby. O primeiro jogo oficial do Náutico ocorreu em 1909. O futebol era tratado de forma secundária no clube que nem se interessou em se filiar à Liga Recifense de Futebol, criada em 1914. O início oficial só se deu dois anos depois, com a entrada na Liga Sportiva Pernambucana em 1916.

    A era profissional do futebol ocorreu na década de 1930. Em 34, o clube conquistou o primeiro dos seus 22 títulos estaduais, vencendo dos rivais Sport e Santa Cruz por 8 a 1 e 2 a 1, respectivamente nos dois últimos jogos do campeonato pernambucano. Dois anos depois, o Náutico construiu o estádio Eládio de Barros Carvalho, mais conhecido como Aflitos (por estar localizado no bairro com esse nome(. Em 2013, passou a atuar na Itaipava Arena Pernambucana, no município de São Lourenço da Mata. O Timbu, mascote do clube, surgiu na década de 1960.
TITULOS


Campeonato Estadual - 22 - O mais recente em 2018.

Cor da camisa: vermelho e branco




BAHIA

Esporte Clube Bahia
Bahia
   Depois que a Associação Atlética da Bahia e o Clube Bahiano de Tênis desistiram da prática do futebol, por volta de 1930, os atletas dos dois clubes queriam continuar disputando torneios estaduais. Por isso, resolveram fundar o Esporte Clube Bahia em 1º de janeiro de 1931. Eles se reuniram em um casarão da Avenida Princesa Isabel, onde discutiram estatutos, local de treinamento e questões financeiras. Depois de um baile comemorativo à entrada de 1931, o grupo voltou a se reunir em plena madrugada para fundar o Esporte Clube Bahia. Inicialmente Antunes Dantas, do antigo Clube Bahiano de Tênis, cogitou do nome Atlético Baianinho. Suas maiores conquistas são o bicampeonato brasileiro quando conquistou em 1959 (o primeiro campeonato nacional) e em 1988, duas Copa do Nordeste e 43 Campeonatos Baianos. Foi o primeiro clube brasileiro a participar da Libertadores, em 1960. O Bahia conquistou 44 títulos estaduais, contra 26 do seu rival, Vitória.
Origem do nome: Bahia se origina de baía, enseada, entrada das águas do mar em terra de forma côncava.
Títulos
Nacionais: Campeonato Brasileiro (1959 e 1988)
Estaduais: Campeonato Baiano (46) Títulos mais recentes em 2018 e 2019
Ídolo: Beijoca (Jorge Augusto Ferreira de Aragão), com 106 gols em seis anos de clube, foi o 11º maior artilheiro do Bahia em todos os tempos.



Vitória
   Esporte Clube Vitória
   Fundado em 13 de maio de 1899 como Club de Cricket Vitória, o clube nasceu da iniciativa dos irmãos Artur e Artêmio Valente. Integrantes da tradicional família baiana, os dois adquiriram o gosto pelo cricket na Inglaterra, onde estudavam. Na época, esse esporte dominava a preferência dos baianos, mas era dominado pelos ingleses. Aos brasileiros restavam a tarefa de apenas repor as bolas ao jogo, como os gandulas do futebol. Por isso, os irmãos e mais alguns amigos fundaram o clube. O nome é originário do Corredor da Vitória, trecho de Salvador, onde moravam os fundadores. Esse nome surgiu durante o período da Guerra da Independência da Bahia, por onde as forças nativas marcharam quando da vitória contra o Exército português de Madeira de Melo.
Títulos: Campeonato baiano: 27. Conquista mais recente em 2016


Ídolo: o goleiro Dida, que se profissionalizou no Vitória, defendeu a seleção brasileira e atuou no Milan, da Itália.




  PARANÁ

Paraná

  Coritiba Football Club
  Mais um clube brasileiro fundado por alemães, Coritiba surgiu em 2 de outubro de 1909. Tudo começou pela vontade de um grupo que se reuniu no Clube Ginástico Turnvereien mais tarde Teuto Brasileiro, quando surgiu a grande novidade. Frederico Essenfelder, o Fritz, que residira um tempo em Pelotas, no Rio Grande do Sul, apareceu com o objeto da moda por lá: uma bola de futebol. A curiosidade foi geral, já que, na cidade vizinha de Rio Grande, um novo esporte oriundo da Inglaterra já existia desde 1900.
E Fritz iria transformar uma imagem de sonho em realidade. A iniciativa entusiasmou outros jovens daquela geração: João Viana Seiler, Leopoldo Obladen, Carlos Schelenker, Arthur Iwersen, Arthur Hauer (que levava toda a família), Walter Dietrich, Roberto Isckch, Rodolpho Kastrup e muitos outros. Junto a eles, um brasileiro autêntico, José Júlio Franco. Mais tarde, ele formaria um trio com Seiler e Obladen, decisivo à implantação do clube.
Origem do nome: Coritiba deriva do nome da capital paranaense. Curitiba, em guarani, decorre de coretuba ou coretiba, que significa coletivo de pinheiros, pinheiral, muitos pinhões. Na fundação, o clube optou pelo nome Coritiba enquanto a cidade é Curitiba.
Origem do apelido Coxa: um torcedor do Atlético começou a chamar o jogador Breyer, do Coritiba, de coxa branca. A brincadeira ganhou corpo e, em seguida, todos os jogadores do Coritiba passaram a ser chamados de coxas-brancas pelos atleticanos. O nome pejorativo passou a ser usado pelos próprios torcedores do Curitiba. Nos anos 60, Coxa passou a ser grito de guerra da torcida alviverde.
Títulos
Nacional: campeão brasileiro (1985) campeão da série B (2007 e 2010)
Estadual: Campeonato paranaense (36) Títulos mais recentes em 2010, 2011, 2012 e 2013

Ídolo: Duílio, o maior artilheiro do Coritiba em todos os tempos, com 202 gols em partidas oficiais. É também o maior artilheiro da história do Campeonato Paranaense.



Athlético Paranaense
   Clube Athletico Paranaense
   O Athletico Paranaense originou-se da fusão de dois tradicionais clubes de Curitiba – o América Foot-ball Club, até então com um título paranaense, com o Internacional Foot-ball Club, o primeiro campeão estadual, em 1916. Isso aconteceu no dia 26 de março de 1924, na Rua XV, no prédio 416, com a presença de Arcésio Guimarães (Internacional), Joaquim Narciso Azevedo (América), e mais sete pessoas que fundaram o clube. Em ata, tomaram as primeiras deliberações, entre as quais definem o uniforme, que será vermelho e preto com listras horizontais, adotando as cores dos uniformes do América (vermelho) e do Internacional (preto e branco com listras verticais).
O Athlético se tornou um dos clubes mais populares do Brasil com a conquista do Brasileirão de 2001. Firmando-se como uma das grandes forças do futebol do país, repetindo ano a ano grandes campanhas. Foi vice em 2004, perdendo o titulo, nas últimas rodadas e ainda ficou com o vice campeonato da Libertadores de 2005. O apelido Furacão surgiu em 1949, quando o time ganhou o campeonato paranaense com 11 vitórias consecutivas e apenas uma derrota, o último jogo, quando o título já estava consolidado.
Títulos
Internacional: Campeão da J.League/Comebol (antiga Suruga) em Hiratsuta (Japão), em 2019
Nacionais: Campeonato Brasileiro (2001), Campeonato Brasileiro Série B (1995)
Estaduais: Campeonato Paranaense (22) Títulos mais recentes em 2018 e 2019


Ídolo: Belini (zagueiro que jogou no Vasco e na Seleção Brasileira (capitão do time bicampeão de 1962), foi ídolo no Atlético, onde encerrou sua carreira.
                    

                         SANTA CATARINA


   Avaí Futebol Clube
   O Avaí Futebol Clube foi fundado em 1923 em Florianópolis-SC. Cores azul e branco. Origem é da Batalha do Avahy, na Guerra do Paraguai.
Em setembro de 1923, um comerciante chamado Amadeu Horn conheceu um grupo de garotos praticantes assíduos de futebol que organizavam seus jogos na Rua Frei Caneca no bairro Pedra Grande. O comerciante doou um kit de futebol aos garotos que ganharam também bolas e chuteiras e ternos (camisetas listradas em azul e branco, calções azuis e meias) em homenagem ao seu time do coração, o Riachuelo. A fundação do clube aconteceu no dia 1º de setembro de 1923, na casa de Amadeu. O nome escolhido seria Independência. Arnaldo Pinto de Oliveira, que chegara atrasado, alegou que a torcida teria dificuldade para gritar esse nome em apoio ao time. Como na época ele estava lendo um livro sobre a Batalha do Avahy, da Guerra do Paraguai, sugeriu o nome e todos aceitaram. Assim nasceu o Avaí Futebol Clube. O mascote escolhido foi um leão, o que originou o apelido do clube de Leão da Ilha.
Títulos:
Nacional: Brasileiro da Série C (1998)
Estaduais: Campeonato catarinense (17) Títulos mais recentes em 2018 e 2019
Ídolo: Carlinhos


Figueirense Futebol Clube
  Um jovem chamado Jorge Albino Ramos é apontado como o autor da ideia de fundar o Figueirense. Ele conseguiu o apoio dos amigos Balbino Felisbino da Silva, Domingos Joaquim Veloso e João Savas Siridakis. O nome "Figueirense" foi sugerido por João Savas Siridákis porque a maioria das reuniões para a fundação da futura agremiação ocorria na localidade da Figueira, situada nas imediações das ruas Conselheiro Mafra, Padre Roma e adjacências. A inauguração ocorreu no dia 12 de junho de 1921 em uma residência localizada na rua Padre Roma. As cores preto e branco foram a preferência da maioria.
Os fundadores: Alberto Moritz, Agenor Dutra, Balbino Felisbino da Silva, Bruno José Ventura, Carlos Honório da Silva, Dario Silva, Dilgidio Dutra Filho, Domingos Veloso, Heleodoro Ventura, Higino Ludovivo da Silva, João dos Passos Xavier, João Lobo, João Savas Siridákis, João Soares, Joaquim Manoel Fraga, Jorge Albino Ramos, Jorge Araújo Figueiredo, Jorge Silva, Leopoldo Silva, Manoel Noronha, Manuel Xavier, Pedro Francisco Neves, Pedro Xavier, Raymundo Nascimento, Trajano Margarida, Walfrido Silva e Wlisses Carlos Tolentino.
Estaduais:  campeonato catarinense (15) Título mais recente em 2008
Ídolo: Albeneir

RIO GRANDE DO SUL

    Grêmio Foot Ball Porto-Alegrense
    No feriado de 7 de setembro de 1903, dois quadros do Esporte Clube Rio Grande realizavam uma exibição no antigo Campo da Várzea, atual Parque da Redenção em Porto Alegre. Pioneiro no país, o clube riograndino havia sido fundado em 1900 e faziam propaganda do novo esporte. Durante o jogo, a bola murchou. Cândido Dias, paulista de Sorocaba e residente na Capital, emprestou a sua bola para que a partida continuasse. Com isso, fez amizade com os atletas, que lhe ensinaram os fundamentos do esporte e os trâmites para a fundação de um clube de futebol. No dia 15 de Setembro de 1903, 31 rapazes se reuniram em um restaurante na então Rua 15 de Novembro, atual José Montauri, no centro da cidade. Carlos Boher foi eleito o primeiro presidente. Em 1904, criou o primeiro campo, na Baixada dos Moinhos de Vento, usado por 50 anos. Em 19 de setembro de 1954, inaugurou o Estádio Olímpico, no Bairro Azenha.
  O hino do clube foi criado pelo compositor Lupicínio Rodrigues. A inspiração para a frase inicial "Até a pé nos iremos", veio de uma greve nos bondes ocorrida naquele ano de 1953. 
Origem do nome: Como fica bem claro, é uma homenagem a Porto Alegre. O curioso é ter ficado conhecido como grêmio, que significa associação. Não tenho informações documentadas sobre isso, mas acredito que ocorreu devido ao fato de haver outro time, na época, chamado Fuss Ball Clube Porto Alegre. Para diferenciá-lo, passaram a chamar de Grêmio. Outra hipótese é o fato de que porto-alegrense seja um nome muito comprido. Também não descobri ainda quando foi criado o distintivo, que destaca o termo grêmio. Como curiosidade, isso também aconteceu (igualmente não sei os motivos) com outros clubes brasileiros como Sport, Atlético Mineiro, Atlético Paranaense e Esportivo (Clube Esportivo Bento Gonçalves (RS)  

Títulos:
Mundiais: Campeonato Mundial Interclubes (1983)
Continentais: Copa Libertadores (1983, 1995 e 2017), Recopa Sul-Americana (1996 e 2018)
Nacionais: Campeonato Brasileiro (1981 e 1996), Série B do Brasileiro (2005) Copa do Brasil (1989, 1994, 1997, 2001 e 2016)

Estaduais: 37 campeonatos. Títulos mais recentes em  2018, 2019 2020.


Ídolo: Renato, autor do gol do título de campeão mundial. Foi treinador do clube em 2011 e voltou em 2016 e 2017. Em 2016, o clube foi campeão da Copa do Brasil pela quinta vez.



Sport Club Internacional
   Três irmãos paulistas que haviam se mudado para Porto Alegre em 1901 foram os responsáveis pela fundação do Sport Clube Internacional. Inconformados por não terem sido aceitos como sócios nem do Grêmio Football Porto-Alegrense nem do Fussball Porto Alegre que eram privativos de descendentes de alemães, Henrique Poppe, José Poppe e Luís Madeira Poppe decidiram criar um clube em Porto Alegre. Henrique, o mais velho, conseguiu com o amigo João Leopoldo Seferin, então com 18 anos, o porão da casa da família dele para a realizar a reunião da fundação do Inter, no dia 4 de abril de 1909. Na então Rua da Redenção, 141 (atual Avenida João Pessoa), ficou acertado que o presidente do novo clube seria o militar Graciliano Ortiz. Com seu prestígio, Ortiz conseguiu local para o seu primeiro campo de futebol, na Ilhota (atual Praça Sport Clube Internacional). O nome do clube foi escolhido em homenagem a um clube paulista com esse nome, do qual os Poppe participavam antes se se mudarem para o Rio Grande do Sul.  As cores escolhidas foram vermelho e branco, as mesmas da Sociedade Venezianos, do carnaval de rua. O hino do Inter, Celeiro de Ases ("glória do desporto nacional"), foi criado pelo compositor Nelson Silva, em 1957.
Títulos
Internacionais: Duas copas Libertadores (2006 e 2010), um campeonato mundial (2006). Copa Sul Americana (2008) Dois títulos da Recopa Sul-Americana (2007 e 2011). Copa Suruga Bank, Japão 2009)
Quatro títulos nacionais: Campeonato brasileiro: 1976, 1976 e 1979 (invicto), Copa do Brasil (1992)
Estaduais: 45 campeonatos (títulos mais recentes 2015 e 2016.
Ídolo: Falcão participou dos três títulos do campeonato brasileiro, capitão no último deles. Treinou o clube por duas vezes. Na mais recente, em 2011, ficou no cargo de 11 de abril a 18 de julho.




  

Guarany Futebol Clube
   Fundado num dia 19 de abril e com nome de tribo indígena, seria natural que você pensasse que o Guarany de Bagé é chamado assim por alguma homenagem aos índios. Não é. Em 1907, quando ocorreu a fundação do clube, ainda não havia Dia do Índio, criado por decreto lei em 1943 pelo presidente Getúlio Vargas.
 E a origem? Foi o seguinte: naquele 19 de abril de 1907, 11 jovens de reuniram diante da Praça da Matriz (diante igreja de São Sebastião) e decidiram fundar o clube. João Guttemberg Maciel, Viriato Bicca Nunes, Cervantes Perez, Secundino Maciel, Francisco Sá Antunes, Manoel Berruti, Carlos Martins Peixoto, Lucidio Garrastazu Gontan, Carlos Garrastazu e Gonzalo Perez escolheram o nome Guarany, em homenagem ao músico Antõnio Carlos Gomes (1836-1896), paulista de Campinas, que fez sucesso no Brasil e no mundo com a ópera O Guarany. As cores do clube são vermellho e branco.
Origem do termo Guarany: guara, em tupy-guarany, indica animal do porte do lobo selvagem. No sul do Brasil havia (não sei se ainda há) o lobo guará. Ny quer dizer gente, povo. Guarany significa povo valente, guerreiro, como o lobo selvagem. Guarra nunca faltou ao Guarany de Bagé. O que falta é apoio local e principalmente contribuição financeira. Grande parte dos moradores torce e contribui com a Dupla Gre-Nal, sem dar um centavo à dupla Ba-Gua. Além disso, quando descobrem talentos na várzea logo indicam para os times de Porto Alegre que fazem até peneiras na cidade em busca de craques.

Títulos:
Estaduais: Campeonato gaúcho (1920 e 1938), Campeonato Gaúcho Série C (1999) Campeonato Gaúcho Série B (2006) Terceira Divisão, invicto, em 2019, classificando-se para a Segunda Divisão, com disputa no Acesso à Primeira Divisão em 2020.



Jornal Minuano
Ídolo: Max Ravaza, o maior goleador do Guarany, com 131 gols, no período de 1961 a 1965.




FONTES: Foram feitas inúmeras consultas na Internet, desde sites dos clubes até blogs de torcedores, pesquisas em revistas, jornais, além da memória do autor de Vidacuriosa.


Veja também: Os craques de futebol e as músicas que os homenageiam em http://migre.me/8kobF

segunda-feira, 25 de abril de 2011

MAIS UMA CARNIFICINA NAS ESTRADAS GAÚCHAS

Até o momento em que edito este post, 31 pessoas já haviam morrido neste Feriadão de Páscoa no Rio Grande do Sul, a contar da tarde de quarta-feira até o início da noite deste domingo. Não sei o exato número de feridos. Milhares de pessoas pegaram seus carros e deixaram suas casas para um merecido descanso. Fico a pensar quais delas, ao saírem para a estrada, pensaram no risco que correram. Quem se decidiu por não exceder na velocidade, não ultrapassar a não ser com absoluta segurança, focar-se no ato de dirigir sem se distrair um minuto sequer. Penso também em quais se preocuparam com o estado do carro e fizeram uma revisão no veículo e em seu próprio bem estar físico? Quem usou cinto de segurança? E quem, entre os que saem para as rodovias não está sob efeito de álcool ou drogas nem cansado ou com sono?

Quando os feriadões começam, eu, em casa ou trabalhando, me angustio: quantos irão morrer? Quantos ficarão feridos? Alguém dirá: "Se fores pensar nisso, não vais viver". Mas eu sempre fico torcendo para que se encontre uma maneira de evitar essas carnificinas, as mortes de inocentes, o luto das famílias.
               Campanha para o cinto de segurança
E o pior é que no próximo feriadão, ou mesmo hoje, muita gente vai para as estradas achando que nada vai acontecer, que sabe dirigir, que tudo está bem e sequer prestam a atenção no carro, em si próprios, no cinto de segurança, no excesso de velocidade.

Sobre cinto de segurança, achei no youtube um vídeo de uma campanha que já tem alguns anos. Só agora me deparei com ele. Não pude deixar de postar.


A observação desse vídeo reforça a opinião de que não é só obrigatório o uso do cinto mas também toda a atenção na hora de dirigir. É inadmissível que motoristas dirijam carregando crianças ou animais no colo, falando ao celular e até mesmo tomando chimarrão. Sem falar, é claro, no motorista que dirige sob efeito de álcool ou drogas.

domingo, 17 de abril de 2011

DIÁRIO GAÚCHO COMPLETA 11 ANOS

  É, o tempo passa, o tempo voa, aquela caderneta de poupança da propaganda consagrada já não existe, mas o Diário Gaúcho continua numa boa. Esse piá simples urbano e suburbano cresceu, mudou bastante, é claro, mas mantém aquela sua essência necessária: divertido e sério ao mesmo tempo. É aquele guri que diz verdades sem ser mal-educado, tem tiradas pra lá de engraçadas, mas não é bagaceiro. Aos 11 anos, tem alma já de adulto, tem agilidade sem perder a candura e a molecagem (no bom sentido) das crianças.
   O Diário Gaúcho caiu no gosto do povo e soube continuar cativando. É como o ônibus que a todos transporta, mas é preferido pelos mais simples e humildes.

 Como homenagem ao jornal, à sua equipe e aos seus leitores, repito aqui uma paródia que fiz lá nos idos de 2000 da música do Juca Chaves: 


                          Eu queria um jornal
                                  que fosse diferente,
                                  de todos que eu já li
                                  todos tão iguais
                                  Que falasse do meu time
                                  falasse da minha gente
                                  contasse a minha história,
                                  isso e tudo mais.
                                     Eu queria um jornal
                                  de divertidas cores,
                                  que falasse da minha terra
                                  e dos meus heróis
                                  mas que também botasse 
                                  o dedo nas nossas feridas,
                                  a doença só se cura
                                  se a ferida dói.
            
                                  lá,lá,lá,lá...lá,la,
                                  la,lá,lá..lá,lá.

                                    Finalmente em 2000
                                  chegou o meu jornal
                                  pra mim que sou legal
                                  sou simples e sem luxo.
                                  É bem o que eu preciso,
                                  é cheio de sorrisos,
                                  é o jornal da gente,
                                  é o Diário Gaúcho.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

ABERTAS INSCRIÇÕES PARA OS POEMAS NOS ÔNIBUS E NO TREM

Andar de carro é confortável, é claro. Além de nos permitir mudar o itinerário na hora que quisermos, o veículo é utilizado para economizar tempo de deslocamento. Mas o ônibus também tem suas vantagens. A começar pelo fato de ser barato e não termos de nos preocupar com o trânsito, com cortadas, buzinas e xingamentos e batidas. Nem com seguro, IPVA e gasolina. E dá pra ler ou mandar mensagem no telefone e até ver tevê no celular. 
Não estou falando de linhas mal-administradas pelos gestores do transporte urbano que não se sensibilizam em ver passageiros apertados como sardinhas em lata. E isso acontece em muitas cidades. Uma delas é Porto Alegre, onde lamentavelmente há linhas de apertos inadmissíveis, principalmente em alguns horários.
Falo, porém, de locais em que há lugares disponíveis para todos, mesmo em horário de pico, e passageiros que esperam o carro seguinte sem se amontoarem como se fosse o último do dia. A linha que eu pego para levar minha neta à creche e trabalhar, em Porto Alegre, nunca está lotada. Além disso, ostenta em suas paredes internas, poesias renovadas a cada ano. São trabalhos selecionados de um projeto chamado Poemas no Ônibus e no Trem. Algumas delas, com todo o respeito aos autores, são muito fracas. Outras, porém, magníficas.
Uma delas me chamou a atenção neste ano. Reproduzo abaixo. A autora é Nilvana Tereza da Silva Koppe, natural de Palmeira das Missões (RS). Ela foi telefonista e atualmente é professora e deputada estadual em Santa Catarina.
                  Estranha Forma Anônima de Amar
                 Toda a espera é delicada
                 Porém, aguarda-me.
                 Toda a conquista é fascinante
                 Porém, descubra-me.
                 Toda a busca é incessante
                 Porém, encontre-me.
                 Somos sementes em espera
                 Porém, sem a certeza do encontro.
                 É tão estranho te querer de longe,
                 Tão arrebatador o que leio em teu olhar.
                 Tão sutil e desesperador
                 esse tremor dentro do peito,
                 Tão estranha essa forma anônima de amar.



As inscrições para a edição 2011 dos Concursos Poemas no Ônibus e no Trem já podem ser feitas na Coordenação do Livro e Literatura da Secretaria Municipal de Cultura (Avenida Erico Verissimo, 307, esquina Avenida Ipiranga), das 9h às 12h e das 14h às 18h, de segunda a sexta-feira, pelos Correios ou no site http://www2.portoalegre.rs.gov.br/smc/default.php?reg=238&p_secao=53, até o dia 13 de maio de 2011.

quarta-feira, 30 de março de 2011

UM DANÇARINO SURPREENDE COM NOVA VERSÃO PARA A MORTE DO CISNE

Programas musicais da TV do tipo que recebe calouros nem sempre são legais de assistir. Mas, vez que outra, surgem personagens que emocionam, como no caso da inglesa Susan Boyle, que foi recebida com desdém pelos jurados e pelo auditório por não ter o perfil preferido que valoriza o jovem esbelto e surpreendeu com voz e interpretação sensacionais. Agora, no Brasil, ocorreu algo parecido no Se Ela Dança eu Danço, no SBT. Outra história que reforça a ideia de que não se deve julgar o livro pela capa. John Lennon da Silva, participante de um projeto popular de dança, propôs-se a mostrar uma nova versão para a Morte do Cisne foi recebido com desconfiança porque estava vestido simplesmente. Veja o vídeo e emocione-se como eu me emocionei.



Obrigado Nina Oling, pelo repasse do e-mail.



A MORTE DO CISNE NO BALÉ CLÁSSICO

O solo A Morte do Cisne, criado em 1905, pelo russo Mikhail Fokine e a música de Camille Saint-Saens retratam o último voo de um ave, antes de ela morrer. Na versão original, a bailarina Anna Pavlov, com figurino impecavelmente branco e na ponta dos pés, interpreta toda a agonia do cisne se debatendo até desfalecer. A peça é considerada como uma das mais belas apreciadas pelos sentidos humanos. Abaixo, video de uma apresentação de Maya Plisetskaya em 1969.

terça-feira, 29 de março de 2011

UMA AJUDA AOS EXCEPCIONAIS

                                Comentário em 28 de julho de 2011
Eu passava pelo meio do Mercado Público depois de ter comprado filé de anjo, quando me deparei com aquele estande que tem, na parte de cima, a inscrição: Fale aqui com o seu vereador. Imediatamente parei e pensei em dar mais uma injeção na minha solitária campanha para ajudar os Jogos Municipais de Estudantes Excepcionais. Não tinha nenhum vereador naquele momento, mas eu deixei a sugestão em uma ficha que o atendente gentilmente me entregou.

Deixei registrado um pedido para algum vereador encampasse a ideia. Explico: todo ano, em outubro, os Jomeex são realizados na sede campestre do Sesc. Eu fico sensibilizado com a disposição do Serviço Social do Comércio em ceder o local para os jogos, mas convenhamos, não é o melhor lugar para receber excepcionais. Quem conhece aquela área sabe o que estou dizendo. A área do Sesc, no Alto Petrópolis, tem uma topografia inadequada para quem tem deficiência física ou mental. Há ladeiras íngremes e muitas escadas que exigem muito esforço das pessoas. Lembro que o acesso ao bar é após um declive e mais um lance de três ou quatro degraus. No ano retrasado, uma chuva forte interrompeu a competição. Com o paralelepípedo molhado, os carros patinavam, as pessoas se desequilibravam. Um horror.

Por isso tudo é que venho sugerindo que a prefeitura encontre um lugar mais tranquilo e cômodo para a realização dos jogos. Os Jomeex fazem parte do calendário de eventos do município, então, o poder municipal tem a obrigação de dar um apoio maior. Que tal tentar, com o governo do Estado, a cessão do Cete (Centro Estadual de Treinamento Esportivo), no Menino Deus? Tudo bem, o problema é que não é do município, mas então deve haver um outro lugar mais acessível para os jogos.


Você que tem filhos ou parentes ou amigos excepcionais ou mesmo você que tem filhos "normais", espalhe essa ideia. E, se der, vá prestigiar os jogos em outubro. Informe-se sobre a data dos jogos (estarei publicando aqui, claro) e não deixe de apoiar esse pessoal diferente. Porque ser diferente é normal.










domingo, 27 de março de 2011

PRA NÃO DIZEREM QUE NÃO FALEI DE ESPINHOS

No meio da festa, na casa do anfitrião, não se diz que a grama está crescida ou que há telhas quebradas. É uma desconsideração e uma falta de cortesia. Não se mente, mas o ideal é ressaltar as coisas boas. Não custa nada. Por isso, no meu post mais recente, comemorando o 239 aniversário de Porto Alegre, procurei mostrar o que realmente vejo de bom na cidade.
Agora, passada a festa, sinto-me na obrigação de também apontar os pontos negativos. É necessário tocar na ferida. Só se cura a doença se a ferida dói. Adoro Porto Alegre, mas envergonho-me dos que compartilham comigo este território e jogam lixo no chão, ou colocam o material fora do horário de coleta. São esses relaxados normalmente os primeiros a criticarem os governos pelo alagamento sem se darem conta de que o lixo entope bueiros e bocas de lobo.
Lamento conviver com donos de cachorros (vale o mesmo para os cavalos) que não juntam os excrementos de seus animais de estimação obrigando-me a desviar de "presentes" indesejáveis pelas ruas por onde eu e o poeta Mario Quintana andamos. E por outras que ele nunca andou.
Lamento ver tantos mendigos que o politicamente correto chama de moradores de rua. Por que esse problema nunca é resolvido? Será que é preciso sediar uma Copa do Mundo para salvar a vida de quem por doença ou vício (o que dá na mesma) ou abandono se arrasta pelas ruas como um animal faminto e sem dono? Vejo explicações de autoridades alegando que a maioria não aceita ir para abrigos e que o cidadão tem direito. Será que é certo deixar um drogado atirado nas ruas ou até roubando para sustentar seu vício ou alguém com insanidade mental sofrendo, passando fome e doenças adquiridas ao relento?
Também não entendo por que não se solucionam o problemas dos banheiros no Centro da Capital. Até parece que estamos no início de 1508, quando a família real, liderada pelo porco do Dom João VI veio para o Brasil. Não sei se alguém notou, mas nos banheiros públicos do Centro (Praça da Alfândega, sob o Viaduto Borges de Medeiros ou praças) não há plaquinhas indicando que ali é lugar para se aliviar. Parece que fazem questão de que os banheiros não sejam usados. E aí, o Centro da Capital, e o resto da cidade também, exalam esse cheiro de Idade Média.
Não posso deixar de falar das drogas embora isso não seja problema apenas de Porto Alegre. Não entendo por que tenta complacência com quem usa drogas se é ele o principal responsável pela existência de traficantes. E antes que alguém fale alguma coisa, também lamento os bêbados que dirigem irresponsavelmente pelas ruas da Capital achando que liberdade é fazer o que quiser.
Eu poderia falar também do problema de transporte e da saúde, mas acho que já chega. Mesmo assim, acho que Porto Alegre melhorou muito e vai melhorar mais ainda, tenho certeza. Espero que a população e o governo se ajudem para transformar nossa capital em uma cidade ainda melhor de se viver.

sexta-feira, 25 de março de 2011

UMA HOMENAGEM À CIDADE QUE ME ACOLHEU

                                                            Atualizado em 23 de outubro de 2011
Cento e noventa e sete anos depois da fundação de Porto Alegre, cheguei a esta terra por via ferroviária. Meu pai, minha mãe, um dos meus irmãos e eu viemos de trem em uma viagem que durou um dia inteiro. Saímos de manhã de Bagé, passamos por Santa Maria, fizemos baldeação em Cacequi vimos, da janelinha, o cenário de campos e das pequenas estações durante o dia e a noite e aportamos na Capital no outro dia de manhã cedo.
    Sem perspectivas de futuro em uma cidade menor, encontrei em Porto Alegre a saída para a minha vida. Fiz quase tudo o que planejei, sofri, passei necessidades, morei sozinho durante um tempo quando meus pais voltaram para Bagé, senti fome e o desconforto de não ter as mínimas coisas de que necessitava, mas segui com retidão meu caminho.
As necessidades pelas quais passei me deram lições de vida. Estudei no Colégio Júlio de Castilhos e, nessa época, antes de entrar para a faculdade, juntei copos no restaurante do RU para almoçar de graça. Morei em pensão barata, trabalhei por mixaria na contabilidade de um açougue da Azenha e carregando cadernos de uma livraria em emprego temporário. Depois trabalhei em banco no Centro. Fui aluno do Fogaça, do Clóvis Duarte e do Carlos Jorge Appel no cursinho IPV, passei no vestibular, cursei jornalismo e entrei para a Caldas Júnior, de onde me transferi depois para a RBS, onde fiquei por 27 anos.
Logo que cheguei, encantei-me com a beleza da cidade, com a diversidade e a alegria das pessoas. Não eram tempos melhores do que hoje. Peguei o finzinho dos bondes e, depois, os apertos nos ônibus. Naquela época, motoristas e cobradores ganhavam comissão pelo número de passageiros transportados. Daí surgiu a expressão "um passinho mais à frente, faz favor". Joguei peladas num campinho careca do lado da igreja Santo Antônio do Pão dos Pobres, no Areal da Baronesa, passeei na estação rodoviária. 
 Vi o Beira-Rio ficar pronto, o túnel da Conceição, o novo aeroporto, a Avenida Beira-Rio, o Parque da Harmonia, os shopping e tantas coisas.

Porto Alegre é linda com suas mais de um milhão e 300 mil árvores, uma das mais arborizadas do mundo. Tem a maior concentração de pássaros do país, contrariando a poesia do grande Mario Quintana: cidade grande: dias sem pássaros, noites sem estrelas. A Capital nos brinda com nove parques urbanos e reservas biológicas. 

 Minha alma gaudéria ficou mais urbana, mas ainda sinto saudade dos campos, dos eucaliptos, das sangas, das corujas, dos quero-queros e das perdizes.
Porto Alegre ficou sendo minha nova terra. Aqui casei, tive quatro filhos e agora dois netos. Aqui encontrei desenvolvimento com paz, alegria, enfim, vida. E sigo lutando até que chegue a hora de enfrentar o indecifrável, o ainda desconhecido. Parabéns Porto Alegre pelos seus 239 anos.




segunda-feira, 21 de março de 2011

O CASO DO MENINO QUE REAGIU E IMPEDIU O BULLYING

Uma das coisas que mais me deixam triste e com vergonha de pertencer à raça humana é a injustiça e o prevalecimento, o que são praticamente sinônimos. Quando vejo a justiça triunfar e o prevalecimento ser enfrentado e vencido, sinto-me, não digo vingado, mas esperançoso de que a maldade não prospere.
Isso tudo me veio à cabeça após ver um vídeo sobre bullying em que um menino gordo, de 16 anos, reagiu às agressões que sofreu em sua escola, na Austrália. Depois de levar socos no rosto e na barriga, Casey Heines segurou o agressor, um garoto mais franzino mas violento, levantou-o e jogou-o de costas no chão. O vídeo foi assistido por milhões de pessoas no mundo todo.


Entrevistado nesta terça-feira, Casei contou que vinha sofrendo bulliyng havia três anos e que era alvo das maldades do colegas porque não reagia:


Eles sempre me chamavam de gordo e diziam para perder peso. Davam tapas na minha nuca e faziam eu tropeçar e cair.


Entrevistado pela TV Australiana, disse que, nesse tempo todo, até pensou em suicídio. O garoto, apesar da fama, não se tornou arrogante, observando que só agrediu o colega porque foi provocado e muito humilhado. Ao ver essa história, lembrei-me de milhões de crianças que sofreram ou ainda sofrem humilhações por parte de colegas. Por isso, postei esse vídeo aqui, que não é nada que nos orgulhe de sermos seres humanos, mas que ajude às pessoas a serem mais humanas e solidárias em fez de orgulhosas, violentas e prevalecidas seja da força física, psicológica ou financeira e social.



terça-feira, 8 de março de 2011

HOMENAGEM EM FORMA DE POESIA GAUDÉRIA NO DIA INTERNACIONAL DA MULHER

  Poesia de autoria de Dimas Costa


                                      Chinoca,
                                      quando te vejo,
                                      virando a ponta da trança,
                                      num passo de pomba mansa,
                                      andando pelo terreiro.
                                      Fico bombeando de largo,
                                      meio abombado de apreço
                                      que dizem que até pareço
                                      um sorro velho e matreiro.
                                     Esse teu corpo, chinoca,
                                     tem meneios sedutores,
                                     convite para os amores,
                                     mangueadas para o pecado.
                                    Ah, se eu pudesse, chinoca,
                                    ter um dia esse teu porte
                                    jungido num laço forte 
                                    no meu peito palanqueado.
                                    Sentir teu corpo tremendo
                                    como presa de mundéu,
                                    corcoveando no escarcéu
                                    na volúpia dos desejos.
                                   Te juro, chinoca linda,
                                   que, sem ter de ti piedade,
                                   te dava, barbaridade,
                                   uma sumanta de beijos.


Glossário:
Chinoca – É como o gaúcho da campanha chama a mulher. A origem vem da palavra china, por ela ter, por ser descendente de índios, os olhos levemente puxados e a tez morena, como as chinesas. (O Aurélio diz que o termo china vem do quichua tchina, (fêmea de animal, pelo hispano-americano china). Eu acho que, traduzindo para o baianês ou carioquês, significa algo como "neguinha".
Bombeando – Olhando, observando, espreitando.
De largo – De soslaio, a uma pequena distância.
Abombado de apreço – Atônito por ver tanta formosura. No sentido figurado, abombado‚ como se tivesse sido atingido por uma bomba.
Apreço – consideralão ou estima por alguém.
Sorro – Espécie de raposa latino-americana, mamífero muito comum nos campos da fronteira do Brasil com o Uruguai e a Argentina. A palavra vem do espanhol zorro (pronuncia-se sorro, que significa raposa).
Matreiro – Esperto, astuto e curioso como a raposa.
Meneios – Movimentos de corpo, gingado, manemolência.
Mangueadas para o pecado – armadilhas para o pecado. Manhas que levam ao pecado.
Porte – corpo.
Jungido – amarrado, atado, preso
No peito palanqueado – preso como as cordas ficam nos palanques (tronco ou esteio fincado no chão ao qual o peão se apoia após laçar e prender cavalos para domar ou encilhar, ou bois para curar da bicheira. Não confundir esse palanque com o lugar onde os políticos fazem discursos.
Presa de mundéu – Mundéu‚ armadilha para aves, especialmente perdizes. Uma pequena forca feita com crina de cavalo trançada, colocada no caminho das perdizes de modo que as aves se enforquem ao passar em uma vereda criada com ramos de vassoura (esse arbusto, em Bagé‚ é chamado de chirca).
Corcoveando no escarcéu – A imagem da perdiz se debatendo ao ser presa. A mulher se agitando no alvoroço da emoção. Corcoveios, no original, são os movimentos do cavalo na tentativa de derrubar o cavaleiro.
Na volúpia – (grande prazer sexual) dos desejos.
Sumanta – do espanhol sumanta, significa tunda, surra.


Dimas (E), com Darci em 1957
Sobre o autor:
Dimas Costa, nasceu em Bagé, no dia 20 de janeiro de 1926. Morou muitos anos em Tapes e morreu aos 74 anos, no dia 11 de julho de 1997, de parada cardíaca em Porto Alegre. Como radialista, participou do Grande Rodeio Coringa, com Darci Fagundes. Foi o autor da música Parabéns Crioulo (que tu tenhas sempre todo o dia paz e alegria na lavoura da amizade), em parceria com Eleu Salvador. No cimena, participou dos filmes Gaúcho de Passo Fundo (com Teixeirinha), Não Aperta Aparicio (com José Mendes) e Para-Pedro, também com José Mendes.