Encontrei o Amigomeu no Acampamento Farroupilha. Ele ajudou a montar um piquete, serrando e pregando tábuas e agora está
trabalhando como assador. Pilchado da
cabeça aos pés, parece um personagem do filme do Capitão Rodrigo, com uma cuia
de chimarrão que dança um floreio entre o ato de matear e a ida para o reabastecimento na cambona de
água sempre quente na beira do fogo de chão. Usa chapéu com barbicacho e
sempre toca a aba larga com a mão direita quando quer cumprimentar alguém.
Amarrado no pescoço por um nó que levou tempo para aprender, ele ostenta um
lenço colorado e veste uma camisa branca, de algodão, e uma bombacha larga cujas
pernas se enfiam em uma bota preta com cano que muito sucesso fez em bailes da Campanha.
Sorriso franco e
permanente no rosto, só se transfigura se alguém diz que ele está fantasiado de
gaúcho. Com um semblante sério, diz que
não é fantasia, é traje de gala, uma pilcha, que ele
não usa o ano inteiro. Para os que
gostam de uma prosa mais comprida, ele pergunta se é simpático perguntar a um
admirador do samba se ele está fantasiado de sambista quando sai por aí durante
os ensaios de carnaval vestindo uma camisa listrada, um chapéu panamá e um
mocassim branco. Ou então dizer que está fantasiada de jogador a pessoa que
veste camiseta e meia com o fardamento de Grêmio ou Inter ou até do Barcelona
da Espanha.
Também perde um pouco o humor quando recebe a visita de
vegetarianos, veganos e outros seres
diferentes dos gaudérios. A questão é que
ele é o churrasqueiro do piquete. Já teve que ouvir poucas e boas sobre o
costume de comer carne, mas também já se surpreendeu de ver sair dali, lambendo
os beiços, um sujeito que até havia pouco desfiava uma ladainha sobre o assunto.
Por que alguém vai a um acampamento gaudério sabendo que vai encontrar o que
não gosta, é o que Amigomeu sempre pergunta a si mesmo e, às vezes, para esse
tipo de visitante.
No sábado, ri muito
como sempre acontece quando encontro Amigomeu.
É que havia chegado um grupo de japoneses interessados em conhecer a
cultura gaúcha. Era bonito de se ver o intérprete rindo muito mais do que um
japonês costuma rir ao tentar traduzir aos compatriotas os causos que Amigomeu
contava. Enquanto o taura falava, os japoneses abriam os olhinhos o mais que
podiam e ficaram sérios, esperando a tradução. Aí desandavam a rir. Sei lá o que o tradutor dizia para eles. Uma das
coisas mais engraçadas que ouvi foi a explicação de Amigomeu para os dois cavalinhos
que havia no piquete, como se japonês não conhecesse pôneis:
- E uma espécie de bonsai do cavalo. Mas não é o petiço, que esse é um cavalo que
Deus encurtou as patas.![]() |
Até o Mazaropi e sua senhora estão na festa |
Para conhecer algumas palavras e expressões ditas no Acampamento Farroupilha acesse http://migre.me/fZsz2
Essa gauchada é um caso sério!
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