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Vaquinha do neto Raphael e fonte de água renovável (presente da filha Cristina)
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Família era sustentada por uma
vaquinha
Um economista, com mestrado e preparando tese de
doutorado, pouco depois de ler vários livros, convidou um amigo e viajaram para
o Interior. Ao chegar a um lugar afastado, inventaram um defeito mecânico no
carro e pediram ajuda em uma pequena propriedade. O dono da casa os convidou
para almoçar, disse que a refeição era simples, mas que era um prazer tê-los ali.O economista observou a simplicidade da casa, a falta de pintura, a comida escassa. Curioso, perguntou como faziam para sobreviver e ouviu o relato do dono da casa:
- Temos uma vaquinha, que dá 20 litros de leite por dia. Somos eu, a mulher e quatro filhos. O leite que sobra a gente vende para vizinhos, que também compram o queijo que fazemos. Com o dinheiro, compramos farinha e fermento para o pão.Temos uma hortinha que nos dá mais alimentos. Não temos muito, mas vamos vivendo.
Pouco depois de se despedirem, na subida do morro, viram a vaquinha. O economista desceu do carro e empurrou o animal penhasco abaixo. O colega perguntou:
- Por que tu fizeste isso?
- Depois tu vais entender – respondeu.
Três meses depois, os dois voltaram à propriedade. Na chegada, viram que a cerca e a casa estavam pintadas, havia cadeiras novas e ouviram um som que vinha da televisão.
- O que aconteceu - perguntou o economista?
- Nossa vaquinha caiu de um penhasco e morreu. Sem ela, tivemos que nos virar. Todos nós começamos a trabalhar, com o dinheiro investimos para melhorar nossa horta, compramos mais animais e agora estamos com uma condição de vida melhor.
O economista sorriu e anotou dados para a sua tese, definindo que as dificuldades fazem as pessoas se movimentarem em busca de soluções.
E agora, a versão que criei sobre o caso:
Família
era sustentada por uma vaquinha
Estressado com problemas conjugais e perdas ocasionais
nos lucros, um empresário decidiu esfriar uma cabeça com uma viagem para o
centro do país. Queria um lugar afastado, bucólico, para pensar sobre seus
problemas em paz. Levado pelo motorista, chegou a uma pequena propriedade,
disse que o carro havia enguiçado e foi convidado pelo dono da casa para
almoçar. Viu que a casa não estava pintada, a comida era bem simples e quis
saber como eles viviam:- Temos uma vaquinha, que dá 20 litros de leite por dia. Esse leite é suficiente para mim, para mulher e os quatro filhos. O que sobra a gente vende para os vizinhos ou faz queijo e vende para comprar farinha e fermento, como qual fazemos pão. Temos uma hortinha que nos dá mais alimentos. Não temos muito, mas somos felizes.
- Vocês não têm ambições maiores, como comprar televisão, reformar a casa, comprar carro, viajar, usar roupas de grife?
O dono da casa respondeu:
- Gostamos da vida simples que levamos. De vez em quando, visitamos parentes na cidade mais próxima ou eles vêm nos visitar. Um dia ganhamos uma televisão nova de um turista a quem abrigamos. Um mês depois, vendemos o aparelho. É que ela estava nos transformando, insistindo para que comprássemos o que não precisávamos, não estava fazendo bem para as crianças. Com o dinheiro dela, compramos sementes e equipamentos agrícolas e seguimos nossa vida. Os dois filhos que ainda estão estudando caminham bastante para ir à escola, mas somos muito felizes. É gostamos muito da vaquinha. É ela que nos permite viver assim.
Pouco depois de se despedirem, na subida do morro, viram a vaquinha. O rico empresário desceu do carro e empurrou o animal penhasco abaixo. O motorista perguntou:
- Por que o senhor fez isso?
- Depois tu vais entender – respondeu.
Três meses depois, os dois voltaram à propriedade. Na chegada,viram a casa fechada, com o mato tomando conta. Do galpão, desolado, veio o dono da casa.
- O que aconteceu? – perguntou o rico empresário.
O dono da casa relatou:
- Nossa vaquinha caiu de um penhasco e morreu. Sem ela, ficamos sem alimento e sem dinheiro. A família tentou uma saída, mas logo começaram os desentendimentos. Minha mulher e eu começamos a nos desentender. Os três filhos maiores foram para cidade em busca de um emprego. Sem sucesso e tentando nos ajudar a conseguir comida, um deles foi preso por furto em uma casa. Outro acabou se enforcando, e o mais novo viciou-se em crack e foi internado. A mulher se desgostou e foi embora com o caçula. E minha vida se transformou nisso.
Então o empresário fez uma oferta em dinheiro bem abaixo do mercado e comprou a propriedade do homem, que foi embora para a cidade. Hoje ele engrossa o cinturão de miséria na periferia da cidade, vive em uma vila clandestina, catando latinhas e morando em um casebre onde chove dentro o mesmo que chove fora.
Moral das histórias: cada cabeça que lê esses textos certamente terá uma interpretação conforme sua própria vivência e conhecimento.
Boa Plínio. Não desprezo a primeira versão, mas acho a segunda bem mais real. Sobre a primeira versão, conheço pouquíssimos exemplos, mas da segunda, há dezenas.
ResponderExcluirAbraços!!!
José Enedir
A primeira versão a gente conta para fazer as crianças dormirem. É um conto de fadas ou, na pior das hipóteses, uma historinha de autoajuda. Achei a tua versão assustadoramente realista.
ResponderExcluirSe observarmos a primeira versão com benevolência, podemos entendê-la como uma metafóra e então está tudo bem, apesar de o exemplo não ter me agradado. Já a segunda, que criei, é baseada em tantos fatos reais dos quais tomei conhecimento pessoalmente ou pela mídia.
ResponderExcluirA vida real está cada vez mais perigosa. Viver é perigoso!
ResponderExcluirUm bom administrador no pouco ou nu muito nunca parecerá pois e um bom administrador.
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