sábado, 7 de setembro de 2013

AMIGOMEU NO ACAMPAMENTO FARROUPILHA

Encontrei o Amigomeu no Acampamento Farroupilha. Ele ajudou a montar um piquete, serrando e pregando tábuas e agora está trabalhando como assador.  Pilchado da cabeça aos pés, parece um personagem do filme do Capitão Rodrigo, com uma cuia de chimarrão que dança um floreio entre o ato de matear e a ida para o reabastecimento na cambona de água sempre quente na beira do fogo de chão. Usa chapéu com barbicacho e sempre toca a aba larga com a mão direita quando quer cumprimentar alguém. Amarrado no pescoço por um nó que levou tempo para aprender, ele ostenta um lenço colorado e veste uma camisa branca, de algodão, e uma bombacha larga cujas pernas se enfiam em uma bota preta com cano que muito sucesso fez em bailes da Campanha.
 Sorriso franco e permanente no rosto, só se transfigura se alguém diz que ele está fantasiado de  gaúcho. Com um semblante sério, diz que não é fantasia,  é traje de gala, uma pilcha, que ele não usa o ano inteiro. Para os que gostam de uma prosa mais comprida, ele pergunta se é simpático perguntar a um admirador do samba se ele está fantasiado de sambista quando sai por aí durante os ensaios de carnaval vestindo uma camisa listrada, um chapéu panamá e um mocassim branco. Ou então dizer que está fantasiada de jogador a pessoa que veste camiseta e meia com o fardamento de Grêmio ou Inter ou até do Barcelona da Espanha.
Também perde um pouco o humor quando recebe a visita de vegetarianos, veganos e outros seres diferentes dos gaudérios. A questão é que ele é o churrasqueiro do piquete. Já teve que ouvir poucas e boas sobre o costume de comer carne, mas também já se surpreendeu de ver sair dali, lambendo os beiços, um sujeito que até havia pouco desfiava uma ladainha sobre o assunto. Por que alguém vai a um acampamento gaudério sabendo que vai encontrar o que não gosta, é o que Amigomeu sempre pergunta a si mesmo e, às vezes, para esse tipo de visitante.
 No sábado, ri muito como sempre acontece quando encontro Amigomeu.  É que havia chegado um grupo de japoneses interessados em conhecer a cultura gaúcha. Era bonito de se ver o intérprete rindo muito mais do que um japonês costuma rir ao tentar traduzir aos compatriotas os causos que Amigomeu contava. Enquanto o taura falava, os japoneses abriam os olhinhos o mais que podiam e ficaram sérios, esperando a tradução. Aí desandavam a rir. Sei lá o que o tradutor dizia para eles. Uma das coisas mais engraçadas que ouvi foi a explicação de Amigomeu para os dois cavalinhos que havia no piquete, como se japonês não conhecesse pôneis:
- E uma espécie de bonsai do cavalo. Mas não é o petiço, que esse é um cavalo que Deus encurtou as patas.

Até o Mazaropi e sua senhora estão na festa


Para conhecer algumas palavras e expressões ditas no Acampamento Farroupilha acesse http://migre.me/fZsz2

Um comentário:

Dalva M. Ferreira disse...

Essa gauchada é um caso sério!