quinta-feira, 11 de outubro de 2007

HISTÓRIA FICTÍCIA SOBRE A ORIGEM DO FUTEBOL NO PARALELO 31


Num tempo próximo a 1400, quando nenhum homem branco havia ainda pisado na região que viria a ser o Sul do Brasil, por ali circulavam dezenas de tribos. Os indígenas viviam da caça, da pesca e da coleta de frutos. Para não desequilibrar a natureza, ou porque a caça e a pesca se tornavam mais difíceis depois de algum tempo, as tribos eram nômades. Ao mudarem de lugar, depararam com outros grupos. Havia então guerras por território e muitas mortes.
Na área localizada na altura do paralelo 31, onde hoje estão os munic¡pios de Bagé, Candiota, Hulha Negra, Dom Pedrito e uma parte do Uruguai, os índios mais aguerridos eram os guaranis. Quando se preparavam para a guerra, pintavam o corpo com listras verticais com o vermelho das pitangas e o branco das nuvens.
Um dia, preocupado com as constantes guerras que poderiam dizimar todas as tribos, o pajé dos guaranis ficou sete luas incomunicável, dentro de sua oca. Quando saiu, sentou-se no chão, com as pernas cruzadas, no centro da taba. E ficou mirando o céu. Os outros índios ficaram em silêncio, ao seu redor. Depois de sete horas, surgiu um ponto minúsculo no firmamento, muito além das nuvens. O ponto foi crescendo rapidamente até que os índios notaram que era algo descendo na direção deles. Quando puderam distinguir o objeto, perceberam que era uma espécie de coruja gigante, com luzes nas bordas e feita de um material que eles nunca haviam visto.
De dentro da ave, surgiu um homem de pele muito escura como as penas do anu. Tinha um sorriso alvo e constante. Era alto e forte. Seu corpo era coberto por vestes de duas partes. Uma ia do pescoço até a cintura, com buracos para a passagem dos braços. Da cintura para baixo, era uma tanga mais comprida que ia até os joelhos. No peito, quase em cima do coração, um pequeno desenho que ninguém na tribo podia decifrar. Um dos riscos parecia uma cobra, outro uma meia lua. Nas costas, havia um desenho de um tronco fino e ereto de árvore, sem folhas nem galhos, ao lado de uma espécie de lago redondo.

O desconhecido mantinha o objeto esférico sob o controle dos pés como se estivesse amarrado com cipó


Nas mãos, o homem carregava um um objeto redondo, semelhante à lua ou ao sol, só que opaco e provavelmente oco. Enquanto falava com o pajé, que parecia já o estar esperando, o homem jogava o tal objeto contra o chão e ele pulava de volta para as suas mãos. O desconhecido foi caminhando ao mesmo tempo em que mantinha o objeto sob o controle de seus pés como se estivesse amarrado com um cipó invisível. Ele, o pajé e o cacique entraram na oca e ficaram conversando por cinco horas. Depois, o desconhecido entrou na coruja misteriosa, que levantou vôo e sumiu no céu tão rapidamente como havia chegado.
O pajé reuniu a tribo e disse que o visitante era um enviado de Tupã que viera ensinar uma maneira de substituir a guerra entre os homens. Por ordem do cacique, o pajé reuniu 22 índios jovens e começou a ensiná-los a praticar o jogo sugerido pelo homem da coruja. Em uma clareira, foi feito um traçado retangular no chão. No meio das duas linhas mais curtas, o pajé mandou os índios cravarem dois pedaços de madeira com quase três metros de altura, encimados por uma barra horizontal, também de árvore, amarrada com cipó nos dois postes.
O jogo consistia em fazer com que o objeto redondo fosse impulsionado com os pés para passar por baixo daquela espécie de arco quadrado. Não usavam as mãos e braços utilizados nas guerras para disparar flechas e empunhar tacapes assassinos. A apenas um jogador era permitido usar as mãos para tentar impedir a passagem da esfera. Como o representante de Tupã não deixou o seu esférico, os índios construíram um com casco de tatu costurado com pele de lobo guará, já que ainda não havia vacas naquela região. Ao esférico deram o nome de pelota ou bola.
Divididos em dois grupos de 11, os índios passaram a jogar no intervalo das atividades que faziam em busca de alimentos. Chutavam a pelota e as canelas uns dos outros.

Encontro que resultaria em mortes acabou se transformando no primeiro jogo de futebol na região

Muitas luas depois, em suas andanças, os guaranis depararam, no atual território de Bagé, com os ibagés, e houve um confronto. De um lado, os guaranis, pintados de vermelho e branco; de outro os ibagés, com rosto e corpo apresentando listras grossas em amarelo e preto. Os guaranis os chamavam de abelhas.
Diante da bravura dos dois grupos, o cacique e o pajé dos guaranis propuseram um novo desafio aos inimigos: eles disputariam o novo esporte ensinado pelo enviado de Tupã. Quem perdesse, iria procurar outras terras, distantes dali. Os ibagés tomaram conhecimento do jogo e das regras e toparam mesmo sem ter muito treinamento. Três luas depois, houve o jogo no local onde hoje é a Praça de Esportes, em Bagé. A partida terminou em 2 a 2.
O jogo havia sido leal e então as duas tribos ficaram na mesma área, porém, afastados suficientemente para impedir uma mistura. Em vez de guerrear, os dois grupos passaram a jogar com freqüência.

A morte do jogo na chegada da nova religião na região do Paralelo 31 e a ressurreição na Praça da Matriz

Por volta de 1600, quando os espanhóis trouxeram os padres, o jogo acabou. A nova religião eliminou completamente o costume. A adoração ao novo deus não permitia outras paixões. Uma lavagem cerebral apagou o futebol e as canchas de jogo na região. No lugar do esporte, vieram novas guerras. Na luta entre as nações conquistadoras, conchavos propondo troca de territórios, acabaram eliminando a maioria dos índios.
Em 1907, um grupo de jovens bajeenses estava sentado em bancos da Praça da Matriz, quando foi tomado pelos espíritos de 11 índios guaranis que viveram na era dos jogos. Como o homem da coruja misteriosa, os espíritos sopraram a idéia da criação de um time de futebol. O time teria camisetas vermelho e branco e um distintivo que lembrava o que havia no peito do emissário de Tupã. Só que no lugar do S foi colocado o G. E assim surgiu o Guarany Futebol Clube, que nunca mais morreu. Em 19 de abril de 2007, o clube completou o seu centenário.

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