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Juliano (de tiara) esperou 15 anos para ver show de Madonna |
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Raul otimizou o tempo e aproveitou para ler um livro |
Para alguns é loucura, mas, para eles, o nome disso é
paixão. Ficar horas e até mesmo dias em uma fila, passando por todo tipo de
desconforto, é uma espécie de autoflagelação, como se não merecesse estar ali,
curtindo aquilo que, para eles, é estar no paraíso. É isso, certamente, o que
sentem os fãs de Madonna que começaram a se instalar diante do Estádio Olímpico
há exatamente uma semana, esperando o melhor lugar no estádio para o show que
começa às 20h deste domingo.
Um exemplo desses
é o do recepcionista de estética Juliano de Oliveira, 23 anos. Ele e amigos
foram os primeiros a acampar na calçada da Avenida Carlos Barbosa, na frente do
Estádio Olímpico, no domingo passado. Na verdade, Luciano chegou ao local às 8h
de segunda-feira. Neste domingo, por volta de 11h, ele estava ali, lépico e
faceiro, sem demonstrar qualquer cansaço ou mostra de sofrimento sob um sol de
30 graus.
– Faz 15 anos que aguardo por esse momento – comentou, para
Vidacuriosa, eufórico e, por que não dizer, emocionado.
Ele estava entre as centenas de fãs que aguardavam pacientemente na fila, a maioria em barracas
ou sob guarda-sóis. Em cadeiras de praia e igualmente protegidos dos raios
solares, os amigos Raul Zimmermann e Leonardo Bertoldi, ambos com 18 anos e
estudantes de Arquitetura, aguardavam o momento de assistir ao show da cantora.
Raul, diferenciando-se dos demais fãs, ocupava o tempo com a leitura. Alheio à balburdia, não tirava os olhos do livro
Apanhador no Campo de Centeio, de J.D.Salienger, publicado pela primeira vez em
1951 e transformado em best seller pela juventude. Perguntado sobre o show de
Madonna, preferiu passar a palavra a Leonardo, que, pego de surpresa, disse
estar sem palavras.
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Senira faz sinal positivo e diz que tornou sonho em realidade |
No outro lado do Olímpico, apenas sob guarda-sóis,
guarda-chuvas e sombrinhas, centenas de fãs aguardavam na fila junto ao muro do lado oeste
e sul, na Rua Gastão Mazeron. A funcionária pública de Gravataí, Senira Fossatti, 45 anos,
saiu de casa em Canoas e chegou ao Olímpico às 8h deste domingo, na companhia da irmã, Sandra,
49. Senira tem uma filha de 20 anos, mas a menina não
veio. Ela não gosta de Madonna. Por isso,
Senira, essa sim, fã da cantora há bastante tempo, veio com a irmã e
aguardava ansiosa pelo momento em que os portões abrissem, às 16h.
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Fãs aguardaram ansiosos a hora de abertura dos portões |
No entorno do Olímpico, como nos dias de grandes jogos,
circulavam cambistas, guardadores de carros e vendedores de alimentos. Os
ingressos variavam entre 500, 200 e 300 para as cadeiras nas mãos de cambistas
de diversos tipos, desde o malandro já especializado pelos jogos de futebol,
até mulheres bem arrumadas que alegavam ter desistido do show.

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Familia empurra tina com rodas cheia de bebidas e gelo |
Foi um fuzuê, felizmente tranquilo, pelo que Vidacuriosa
pôde observar nesse período, próximo do meio-dia. Esse foi o último evento do
Estádio Olímpico, que já foi substituído pela Arena, do Parque Humaitá, na Zona
Norte. Como quase todo mundo sabe, o local será implodido e dará lugar a um complexo comercial e
residencial. O Bairro Medianeira ficará bem mais tranquilo, mas certamente o Olímpico deixará saudades, mesmo em quem não é gremista.