quinta-feira, 19 de abril de 2012

SE FOR "BEBÊ", NAO DIRIJA


  Originalmente o texto abaixo era para ser interpretado em um vídeo na época do Natal. Mas não consegui viabilizar a gravação. Foi mais por preguiça e falta de talento do que qualquer outra coisa. Daí que resolvi postar esse, digamos assim, libelo contra a mistura do álcool com direção.

Olá, é pro Fantástico? Ah, não? E qual o tema? Beber e dirigir? É o seguinte. Eu acabei de tomar todas e vou dar um rolê de carro pra me divertir.
   Se não tenho medo de que o álcool afete a minha capacidade de dirigir? Que nada! Sou um homem forte, que não se abate, criado na campanha no lombo do cavalo, segurando o bicho pelo freio ou pelas crinas. Domino meu carro também. Sou valente. Aliás, o Zeca Pagodinho disse que a bebida é um dos inimigos do homem e que um homem que foge dos seus inimigos é um covarde.
   Mas como é dirigir alcoolizado nesse trânsito? Te disseram que eu ando em zig e zague na rua? Além de fofoqueiros, esses caras que andam atrás de mim são uns barbeiros. Se eu tô no zig, é só eles irem pro zague. Se fui pro zague, eles vão pro zig, é simples. Hoje eu ouvi no rádio Se for bebê, não dirija. Mas eu não sou bebê, sou um adúltero que sabe o que faz. Mas vamos lá que a noite ainda é uma criança. Péra aí. Se a noite é uma criança, ela pode ser um bebê e então a noite não pode dirigir. Opa, agora fiquei confuso.
   Se tenho consciência de que posso cometer um acidente? Claro. Bater em um poste, por exemplo. Tá cheio de postes mal alinhados na cidade. A gente sai de uma curva e, quando vê, dá de cara num poste. Mas não dá nada. Meu carro tem “albergue”. O ator aquele da Globo que caiu de carro no arroio Dilúvio no ano passado, disse que o”arbergue” é tudo. Que todo carro deveria ter “arbergue”.  
   Eu concordo com o Bento Gonçalves. Eu acho até que os postes deveriam ter “albergue” pra não estragar meu carro. O Werner Schsss., o Bento, disse que o cinto de segurança é uma bosta. Aí eu não concordo. Não dá pra pôr cinto de segurança em poste, porque ele fica parado, mas o cinto é bom. Acho até que as cadeiras de bar deveriam ter cinto de segurança com um dispositivo que só o libera se estiver apto a dirigir. Aí o garçom passa um cartão na saída se o cara apresentar um amigo para dirigir pra ele ou levá-lo de carona ou pedir um táxi.
   Eu posso atropelar alguém ou algo? Poder eu posso, até sem beber. Por exemplo, na época de Natal, o peru foge do perueiro para escapar da panela. A avezinha cruza, a rua e eu pá nela. O pessoal que defende os animais iria querer me capar, e com razão. Não se deve maltratar os animais, mesmo que aquele peru estivesse indo para ser morto e depois comido na ceia de Natal. Mas sou contra judiar dos bichinhos. Eu, por exemplo, tenho lá em casa, um cachorro, não, não é o meu cunhado. É o Bolt, quero mandar aqui um abraço pra ele. Bolt, um Feliz Natal e um próspero ano novo. Que tu tenhas boa ração e um osso duro pra roer.
   E se eu atropelar uma pessoa? Imagina, o cara atropela a pessoa que está a pé ou de carro num acidente e ela morre. Que tristeza que vai ser? Aí eu fico pensando. Sou um homem ou um rato. Já tomei uma decisão. Não vou mais comer queijo. Mas, pensando melhor, se eu participar de uma morte ou mais, vou estragar a minha vida e da minha família. Além de causar uma tragédia em outras famílias, posso morrer também ou ir para um hospital causando transtorno para os meus parentes. Ou então ser condenado e preso.
   Quer saber, não vou mais sair de carro depois de beber. Essa chave aqui nem é do meu carro é do portão da minha casa. Nem sei onde é que deixei a chave do carro. Me faz um favor aí. Me chama um táxi que eu vou é dormir.


Um comentário:

Eduardo P.L disse...

Gostei do seu COMENTÁRIO no Taxitrama, e vim conhece-lo. Assim se começa, muitas vezes, amizades virtuais, e como no caso do Mauro, podem até se tornar reais!
Forte abraço!!!