domingo, 24 de julho de 2011

A HISTÓRIA DO HOMEM QUE NÃO GOSTAVA DE DIZER PALAVRÕES

Palavrão não entrava na casa do pai de Marcos. Não que fosse repressor. Quem fala palavrão é porque tem pouco vocabulário, dizia o pai, professor de português. No que a mãe dele, professora de biologia, concordava. Por isso, Marcos nunca dizia "malas palavras" como o avô uruguaio se referia aos palavrões. Até quando tropeçava com o dedão do pé em uma pedra, o máximo que gritava era "ai, caramba! Na escola, enquanto os colegas repetiam termos grosseiros o tempo todo, ele jamais copiava. Deixava que caçoavam dele, não tinha importância.
 Na adolescência, seguiu a rotina de não usar palavrões. Ficava até ruborizado quando ouvia alguém dizer um palavrão mais cabeludo e, além disso, fora de contexto.
  Como dizem que os polos opostos se atraem, namorou e casou com uma jovem totalmente diferente dele nesse sentido. Ela abusava dos palavrões. Aos poucos, foi diminuindo a intensidade dos termos mais fortes.
  A cena mais marcante dessa história aconteceu em uma tarde. Os dois andavam de carro por uma avenida da Capital, quando Marcos, sem querer, fechou outro automóvel. O outro motorista ficou possesso. Na primeira sinaleira, encostou no veículo dele e desferiu uma série de palavrões. Foram desde corno, filho da puta e veado, até outros ainda mais fortes relacionados a sexo oral ativo ou indicativos para se submeter a práticas sexuais não ortodoxas.
  Marcos ouviu e ficou quieto, sem dizer nada. O motorista parou com os impropérios e ficou observando-o, esperando uma resposta. A mulher de Marcos ficou indignada. Muito com o outro motorista, mais ainda mais com o marido:
  – Marcos! Tu não vais dizer nada? Não vais xingar ele também?
  O nosso amigo respirou fundo, ficou vermelho, usou de todas as suas forças, olhou forte para o outro... e disparou:
   – Sai ô ô ô...  BOBÃO!
O outro motorista ficou perplexo. Não sabia o que dizer. Achou melhor dar aquilo por encerrado, acelerou o carro e foi embora. 

Um comentário:

Dalva Maria Ferreira disse...

Essa foi fo...rte. Realmente, amigo, impropérios ou vitupérios são coisa de gente chula, torpe, ignorante. Ainda mais fora de contexto, haja s...aúde!