quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

TRAPALHADA NA CENA DO CRIME

O repórter fotográfico Arivaldo Chaves, 51 anos, 36 deles em Zero Hora, é quem conta a história, ouvida da boca do colega dele, o também fotógrafo Adolfo Alves, falecido em 1º de novembro de 1989.
Foi na década de 80. Adolfo chega a uma casa na Zona Norte de Porto Alegre, onde aconteceu uma morte e se prepara para mais uma cobertura jornalística. Policiais civis, militares, jornalistas e alguns curiosos estão no pátio da residência onde aconteceu a morte. De repente, aparece o delegado. É do tipo irritadiço, que gosta de mostrar autoridade. Chega xingando tudo o que vê.
– Vão saindo todo mundo, deixem a polícia trabalhar. Como é que permitem essa gente entrar no recinto do crime? Aos gritos, ele vai retirando todos do pátio. Perto da janela, ele cutuca alguém que está com a parte de cima do corpo para dentro da casa e ordena:

– Tu também meu. Deixa de ser curioso. Tu não ouviu eu dizer que é pra todo mundo sair. Tá querendo se incomodar comigo?

Como o indivíduo não mexeu um músculo, o delegado ficou irritado e não entendeu por que não foi atendido. Foi quando outro policial chegou e desfez o mistério.

– Ô, major. Esse aí é o morto.

Foi então que o delegado compreendeu o que acontecia. Um sujeito tentava invadir a casa e deu azar. A parte da vidraça da janela, em forma de guilhotina, caiu de repente e bateu na cabeça do invasor. Ele morreu e ficou com metade do corpo para dentro da casa e metade para fora. Ao constatar o engano, o delegado ficou bem quietinho até o final do trabalho de investigação no local do acidente.

2 comentários:

Clarice disse...

Hoje em dia faz falta essa janela! Que cena, hein? Imagine se o cara estivessse dentro de casa espiando pra ver se podia sair!

Dalva M. Ferreira disse...

Entendi: daí nasceu a expressão "meio morto" né?