sábado, 17 de novembro de 2007

GARIMPAGEM NA FEIRA DO LIVRO

Embora a Feira do Livro seja realizada a menos de quatro quadras da minha casa, nem assim tive tempo para poder saboreá-la com calma. Para não dizer que a ignorei, passei um dia por lá, no sábado. Chovia, como sempre. Pra não dizer que não adquiri nada, comprei um livrinho. É pequeno no formato, mas imenso em conteúdo. Além disso, baratinho porque não costumo investir em livro. Tenho cá meus motivos. Caminhando entre as barracas rapidamente, conferindo balaios, deparei-me com algo que vinha pesquisando na Internet: palavras nas línguas tupi e guarani.

Tão logo paguei os cinco reais, já comecei a abrir o livro de bolso "Palavras Indígenas no Linguajar Brasileiro". Uma preciosidade. Lendo, consigo entender muitas palavras do português que eu não fazia a menor ideia de onde sugiram.

Um exemplo é o vocábulo nenê. Leiam o que diz o livro escrito por Mário Arnaud Sampaio, editora Sagra-D.C. Luzatto, Porto Alegre, 1995:

"Nenê (do guarani). Não é ne-nem. É nê-nê. A literação dá a idéia de bastante, muito. Dá também a ideia de plural. A história do nenê. Começou com o prear de índios que serviram de escravos, condição que eles nunca aceitaram. Foram sempre rebeldes até o dia que podiam fugir. Acontece que as senhoras brancas tinham suas escravas índias. Essas não faziam muita questão de aprender a língua dos brancos. Os homens aprendiam. Daí serviam como amas ou cuidadoras de crianças. Tudo ia muito bem até que a criança fazia das suas...necessidades e ficava malcheirosa. A índia simplesmente a levava até a sua patroa e dizia "nê, nê". A patroa achava graça do dito da índia e tomava a criança para trocar as fraldas. Pelo costume das índias dizerem (não chamarem) nê-nê, ficaram as crianças com o apelido de nenê, como se fosse coisa bonita. Nunca pensaram em saber o verdadeiro significado da palavra.
Até hoje, ninguém liga para isto, nem sabe de onde veio tal palavra. É até apelido que muita gente acha bonito. Nenê. Lembre-se do jaguané, que é zorrilho e significa mais ou menos "cachorro fedorento".

2 comentários:

Mauro Castro disse...

Blog de cara nova! Muito bem, parabéns, meu caro amigo.
Há braços!!

Dayse disse...

MARAVILHA. Para uma pessoa louca por palavras, como eu, foi adorável descobir o "nenê" :-). Transmitirei a outros.

Abraço

Dayse