sexta-feira, 17 de março de 2017

NOVAS AVENTURAS DO AMIGOMEU

A primeira vez que o Amigomeu se impressionou com alguma coisa foi ainda na infância lá em Seival, quando viu a máquina de debulhar milho. Ele olhava as espigas serem inseridas em uma entrada e via sair, por um escaninho, o sabugo, completamente desnudado, e por outro, os grãos de milhos dourados.
A segunda vez foi quando viu, em Bagé, o sistema de recolhimento de lixo. Ele comentou de volta à fazenda em que seu pai era capataz: "A coisa mais linda que vi na cidade foi o caminhão de lixo, cheio de portinhas."
Ao chegar a Porto Alegre, pela primeira vez, por volta de 1980, uns dez anos depois que eu já havia me mudado para a Capital, Amigomeu admirou-se com a altura dos edifícios, que o deixava tonto sempre que ficava olhando por algum tempo para cima.
Na semana passada, acompanhei o Amigomeu ao escritório de um advogado, em uma das torres modernas, com paredes espelhadas, atrás do Fórum, quase na frente do Shopping Praia de Belas. Quando entramos, tivemos que receber orientação para usar os elevadores. Passada aquela roleta em que utilizamos um cartão magnético depois de nos identificarmos, entramos em um hall com oito elevadores. No meio deles, no lugar daquele botãozinho para chamar o elevador, havia uma espécie de pequeno painel com números para digitar. Digitei 14 e o painel mostrou a letra F, do elevador que iríamos utilizar. Quando esse elevador se abriu e entramos, Amigomeu ficou procurando o painel para apertar de novo o 14. Não havia nada ali. E o elevador se fechou e continuou a subir. E então deduzi que lá embaixo já havia sido programado em qual andar iríamos.
Na saída, quando caminhávamos uma quadra em busca de um táxi, já que não havia parada de ônibus por perto, comentávamos a questão que levara Amigomeu ao advogado, quando ele falou:
- Más bá, tchê. Quando eu vi aqueles elevadores, eu achei que já havia morrido e que tinha voltado no futuro. Que coisa!
Foi então que aconteceu algo que deu ao Amigomeu (e a mim, confesso) a impressão que continuávamos dentro de um filme. A poucos metros de nós, desceu rapidamente um helicóptero no gramado em frente ao Anfiteatro Pôr do Sol. Do aparelho, saíram algumas pessoas engravatadas e, se não me engano, uma mulher, que entraram rapidamente em um automóvel escuro, provavelmente oficial, que os esperava em cima do gramado do parque Marinha do Brasil. Eu quis tirar uma foto melhor, mas o Amigomeu me impediu e disse para sairmos logo dali. E explicou:
- Tu tá louco. E se esses caras são de alguma máfia e não querem ser vistos descendo do helicóptero ali? Se nos pegam filmando, nós tamos roubado.



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