quinta-feira, 30 de março de 2017

MAIS UMA AVOLICE NESTE FINAL DE MARÇO

Raphael, meu Pequeno Chefe, com seis pra sete anos é uma figura. Ele não gosta muito de repetir palavras que são muito usadas. Se tiver que dizer "não te mete", ele prefere o "não te envolve". Hoje, conversando com a irmã dele, lembrando que a mãe dele está no hospital já vai pra mais de 15 dias, ele comentou, evitando usar a palavra saudade:
- Estou cansado de ficar sem mãe. Estar sem a mãe é muito chato.

domingo, 19 de março de 2017

UM RECORTE DAS MEMÓRIAS DE JORNALISTA

Ao confrontar-me todos os dias com notícias de corrupção, com crimes sendo desvendados constantemente, com malfeitores travestidos de gente do bem serem desnudados em várias áreas de atividade, com falcatrua em todo canto desde propinas e falsificações de licitações e liberações indevidas de licenças ambientais para construções e autorização indevidas para industrialização e comércio de alimentos, eu fico pensando: o que é lícito, ético, verdadeiro e honesto no mundo que me rodeia. 
Ao saber de um delegado e um inspetor de polícia sendo presos por atuarem nos dois lados (ganhando muito dinheiro no lado do crime, óbvio), calculo quantos outros policiais também não fazem o mesmo que esses e que ainda trabalham livremente no país, apesar de terem sido denunciados em tantas oportunidades no passado sem serem punidos apesar de sindicâncias e CPI criadas para inglês ver.
Nas minhas memórias, lembro de um episódio. Num ano qualquer do final do século passado (não faz tanto tempo assim), um repórter investigativo foi à Área Judiciária da Polícia Civil e perguntou a uma policial quem era o delegado de plantão. Ela informou: É o delegado Fulano. "Mas como, o delegado Fulano não tá preso? A funcionária foi à outra sala e chamou o delegado, que chegou sorrindo. A policial então dedurou:
- O repórter aqui perguntou se o senhor ainda estava preso, delegado.
Foi uma saia justa que não resultou em nada mais grave porque o tal policial era e é muito cara de pau. Já passou por inúmeras acusações, entre elas de estar numa lista de propinas de bicheiros e até de tirar dinheiro de outro policial que achacara uma vítima na fronteira com o Uruguai. Deve ter sido acusado injustamente. Hoje em dia, com o rigor dos investigadores, acho que iria para a cadeia. Não posso sequer dizer sequer o apelido do tal delegado, nem dizer que tem mansão em Santa Catarina, ops, escapou, ostentando posses superiores à sua renda. Só revelaria depois da minha morte ou da morte dele.

sexta-feira, 17 de março de 2017

NOVAS AVENTURAS DO AMIGOMEU

A primeira vez que o Amigomeu se impressionou com alguma coisa foi ainda na infância lá em Seival, quando viu a máquina de debulhar milho. Ele olhava as espigas serem inseridas em uma entrada e via sair, por um escaninho, o sabugo, completamente desnudado, e por outro, os grãos de milhos dourados.
A segunda vez foi quando viu, em Bagé, o sistema de recolhimento de lixo. Ele comentou de volta à fazenda em que seu pai era capataz: "A coisa mais linda que vi na cidade foi o caminhão de lixo, cheio de portinhas."
Ao chegar a Porto Alegre, pela primeira vez, por volta de 1980, uns dez anos depois que eu já havia me mudado para a Capital, Amigomeu admirou-se com a altura dos edifícios, que o deixava tonto sempre que ficava olhando por algum tempo para cima.
Na semana passada, acompanhei o Amigomeu ao escritório de um advogado, em uma das torres modernas, com paredes espelhadas, atrás do Fórum, quase na frente do Shopping Praia de Belas. Quando entramos, tivemos que receber orientação para usar os elevadores. Passada aquela roleta em que utilizamos um cartão magnético depois de nos identificarmos, entramos em um hall com oito elevadores. No meio deles, no lugar daquele botãozinho para chamar o elevador, havia uma espécie de pequeno painel com números para digitar. Digitei 14 e o painel mostrou a letra F, do elevador que iríamos utilizar. Quando esse elevador se abriu e entramos, Amigomeu ficou procurando o painel para apertar de novo o 14. Não havia nada ali. E o elevador se fechou e continuou a subir. E então deduzi que lá embaixo já havia sido programado em qual andar iríamos.
Na saída, quando caminhávamos uma quadra em busca de um táxi, já que não havia parada de ônibus por perto, comentávamos a questão que levara Amigomeu ao advogado, quando ele falou:
- Más bá, tchê. Quando eu vi aqueles elevadores, eu achei que já havia morrido e que tinha voltado no futuro. Que coisa!
Foi então que aconteceu algo que deu ao Amigomeu (e a mim, confesso) a impressão que continuávamos dentro de um filme. A poucos metros de nós, desceu rapidamente um helicóptero no gramado em frente ao Anfiteatro Pôr do Sol. Do aparelho, saíram algumas pessoas engravatadas e, se não me engano, uma mulher, que entraram rapidamente em um automóvel escuro, provavelmente oficial, que os esperava em cima do gramado do parque Marinha do Brasil. Eu quis tirar uma foto melhor, mas o Amigomeu me impediu e disse para sairmos logo dali. E explicou:
- Tu tá louco. E se esses caras são de alguma máfia e não querem ser vistos descendo do helicóptero ali? Se nos pegam filmando, nós tamos roubado.



segunda-feira, 6 de março de 2017

domingo, 5 de março de 2017

PATROCINADO PELA INSÔNIA XXI

Enquanto o sono não vem, fico aqui pensando e me chega à mente uma reflexão. Não gosto de utilizar termos em inglês nos meus textos a menos que sejam extremamente obrigatórios ou que não exista uma tradução coerente. Nego-me a digitar "off" pra dizer desconto e muito menos CEO pra designar executivo de empresa. Às vezes,  tenho vontade de grafar sítio e blogue no lugar de site e blog mas me parece feio. Se todos escrevessem assim, como os portugueses, talvez não se achasse estranho. Há palavras originadas do inglês que não têm como serem aportuguesadas. Nesses casos,  use-se o nome original. 
    Aportuguesar de forma errada é que não dá pra aceitar. Não sei quem foi o idiota que passou para o português e para o espanhol o nome do canal (pedaço do Atlântico entre a França e a Inglaterra, sob o qual existe agora o Eurotúnel). O canal, que os ingleses chamam de English Tunnel e os franceses de La Manche foi traduzido para Canal da Mancha. Pegaram o termo francês sem se ligar que manche, em francês, é manga. Esse nome faria sentido porque o canal tem a forma de uma manga de camisa. Devem ter confundido com o personagem de Cervantes, Don Quijote de La Mancha, que, na verdade é o nome de uma região do território espanhol.

quinta-feira, 2 de março de 2017

ORIGEM DOS NOMES DOS MESES III

     MARÇO


Março é o terceiro mês no calendário gregoriano. Surgiu na Roma Antiga, quando era o primeiro mês do ano e se chamava Martius (Marte), em homenagem ao deus romano da Guerra. No hemisfério norte, março é o primeiro mês da primavera, cujo clima era  propício para o começo das campanhas militares do império romano. 
Em 45 a.C, março deixou de ser o primeiro mês do ano. O imperador Júlio César reformou o calendário criando os meses de janeiro e fevereiro, em homenagem a Janus, deus com um olhar para o passado e outro para o presente, e Februaris, deus da morte e da purificação.
  De Marte, deus da guerra, originam-se as palavras "corte marcial" (foro para julgar os crimes cometidos durante a guerra), e artes marciais (aprendizado de técnicas de defesa pessoal e ataque visando à guerra).


FEVEREIRO
Fevereiro, segundo mês do calendário gregoriano (1502), que se originou do calendário Juliano (45 a.C), que o imperador romano Júlio Cesar reformou a partir do antigo calendário romano, criado no ano VII, antes de Cristo. Nessa época, o ano tinha 304 dias, divididos em dez meses. Começava em março e terminava em dezembro. Com o passar do tempo, o sistema foi ficando defasado porque, na verdade, o ano solar tem 365,5 dias, começava em março e terminava em dezembro. Então o imperador da época, Numa Pompílio, criou então mais dois meses, janeiro e fevereiro, para incluir a diferença de 51 dias.
Para corrigir novas distorções, o calendário romano foi reformado no dia 1 de janeiro de 45 a.C por Julio César, que o tornou um calendário solar, alinhado pelas estações do ano à semelhança do calendário egípcio, já então em vigor. 

A palavra FEVEREIRO deriva do grego "februa" para o latim "februaris", deus da morte e da purificação, retirado da mitologia dos etruscos, povos que habitavam a península itálica, na região da Toscana e uma parte no Lácio e na Úmbria, local ocupado depois pelos romanos. Nesse mês, era feita a festa "februa", onde ocorriam sacrifícios para acalmar os deuses. Primeiro, fevereiro também tinha 29 dias e 30 dias (nos anos bissextos). Acabou ficando com 28 (um a mais em anos bissextos) porque o imperador Augustus, ao botar seu nome no oitavo mês, tirou um dia para que agosto ficasse o mesmo número de dias de julho, criado por seu antecessor, Julius Cesar, que também havia se auto-homenageado colocando seu nome no sétimo mês.

Em inglês, February.
Em espanhol, Febrero,
em italiano, Febbraio, 
em francês, Fébrier.
em alemão, Februar