sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

UM MINUTO DE SILẼNCIO

Há alguns dias, eu vinha pensando em escrever que as homenagens com "minuto de silêncio" antes do início dos jogos de futebol eram um ato ultrapassado, sem sentido, de certa maneira hipócrita. Isso porque quase ninguém mais respeita.
 No Brasil, ninguém costuma dar bola: em homenagens comuns, gritam, riem, quando não debocham da homenagem sem querer saber quem foi o falecido.
   Futebol é como o álcool, o excesso deixa a pessoa inconsequente. O Minuto de Silêncio torna-se uma das ultrapassadas medidas para homenagear pessoas que morreram. A ideia seria fazer o torcedor parar para pensar por um minuto sobre a morte de alguém que foi importante para todos, para ser lembrada e respeitada
 A ansiedade pelo início do jogo e o desrespeito das torcidas fez diminuir a duração para 15 segundos. Ainda assim, quase ninguém reverencia o falecido nem quer saber quem ele foi. Alguns mais insensíveis, alienados pelo fanatismo e pela ingestão de álcool e outras drogas, chegam a cantar refrões de deboches como ocorreu no episódio do jogador Fernandão, vítima de acidente aéreo.

   Nas homenagens do Caso Chapecoense, devido ao impacto nacional e internacional, vi as pessoas em completo silêncio. Vou esperar os próximos jogos quando "minutos de silêncio" serão feitos. Agora, no calor dos acontecimentos, há muita emoção. Depois, em homenagens a outros casos de falecimento, quero ver como se comportarão alguns torcedores que, mesmo não sendo maioria, o são em grande parte e influem com suas atitudes inoportunas e desrespeitáveis, no meio de uma minoria silenciosa e respeitosa.
      Quando eu morrer sei que não receberei homenagens com um minuto de silêncio, a menos que minha morta seja midiática e emocionante. Nesse caso, peço que não façam minuto de silêncio. Façam, se quiserem, um minuto de barulho. É que o silêncio pode ser desrespeitado com um solitário grito, já o barulho, não há quem consiga interromper com qualquer falta de respeito ou insensibilidade.

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