sábado, 27 de fevereiro de 2016

EXERCÍCIO DE IMAGINAÇÃO E CRIATIVIDADE


      Outro dia fiz uma proposta no Facebook para desenvolver criatividade e imaginação. Coloquei a expressão "baleia baleia baleia" e pedi para que criassem um texto que tivesse a ver com essas três palavras enfileiradas. O primeiro a participar foi meu amigo e primo emprestado Paulo Umpierre, exímio conhecedor de vinho. Ele postou o texto a seguir:


BALEIA BALEIA BALEIA


Meu conterrâneo Paulo Roberto Umpierre foi o primeiro a colaborar:



Certa manhã quando eu passava em frente a uma escola, ouvi o alarido das crianças, com idades em torno de 8 a 10 anos que brincavam no pátio, possivelmente era hora do recreio, ou algum professor que havia faltado naquele dia. Ao me aproximar, pude ver que um grupo de 4 a 5 meninos gritavam em alto e bom som, para uma menina um pouco mais fofinha: Baleia, Baleia, Baleia, numa clara situação de bullying, fiquei pensando no meu tempo de colégio, em que colocar apelidos nos colegas era apenas uma brincadeira, uma diversão. Fui me distanciando da escola e, de longe, ainda ouvia os gritos da criançada: Baleia, Baleia, Baleia! Foi o que eu achei para momento, caro Plinio Nunes . Abraço"


E o meu texto;


                                       BALEIA BALEIA BALEIA


        Filho de pescadores, ele nasceu em uma choupana na beira da praia, no litoral catarinense. Os dois sons mais lindos que ele ouviu foi a voz suave da mãe entoando uma cantiga e as ondas do mar. Ele foi crescendo de uma forma diferente dos outros meninos da aldeia, que viviam subindo em árvores e correndo atrás dos animais selvagens, pulando e brincando sem parar. Ele gostava era de ficar sentado em uma pedra, olhando o horizonte que se fechava sobre o oceano emoldurado por ilhas salpicadas ali e acolá, e elevado para cima e para baixo pelo movimento das ondas. Só pensava em ser também um pescador como o pai, a quem pouco via e que ora chegava sorrindo com o barco cheio de peixes que entregava para a sua mãe; ora vinha com o rosto vazio de sorriso e com a embarcação vazia. Nesses dias, via tristeza nos olhos dos dois. 
      O pai culpava o excesso de pescadores pelo sumiço dos cardumes. Não os colegas humildes como ele, que lançavam suas redes para pôr comida na boca da família o obter alguns trocados que custeavam outros alimentos que não podiam tirar do mar ou da floresta. Lamentava os barcos industriais que proliferaram e até ganhavam incentivos do governo e as fábricas poluentes que despejavam dejetos no mar.  Por fim, entristecia-se com os turistas que também emporcalhavam as águas.
      Cada vez mais, o pai aventurava-se no mar, em busca do peixe que mais perto já não havia. E o menino pouco o via. Para compensar essa ausência, a mãe enchia o garoto de carinho e de comidas saborosas. O guri gostava de olhar o mar e comer. Sem fazer exercícios e comendo muito, foi crescendo para todos os lados. Os vizinhos passaram a chamá-lo de Baleia. Era quase uma forma carinhosa. Ele não sofria com o apelido. Doía-lhe mais a condição física que o impedia de acompanhar a família em passeios ou mesmo no trabalho. Era pesado demais para o velho barco. O apelido ficou como uma marca, um nome. Até os pais o chamavam assim. Aos 16 anos, pesava mais de 120 kg. Para solucionar o incômodo que causava aos outros, decidiu construir seu próprio barco. Era uma grande canoa que ele cavou em um tronco de uma árvore caída. Usou a técnica dos índios: fogo, formão, machadinha e muita paciência. E usou informações de livros que ganhou de turistas. Entre as obras, leu Mobby Dick. Um ano depois, colocou seu barco no mar sozinho, utilizando cordas e troncos para usar como rolo para chegar à água.

     Ele passou a trazer peixe em abundância para a família e para vender. Ficou famoso na aldeia e nos arredores. Era o grande pescador Baleia. Um dia, deparou-se com uma orca gigantesca que que ameaçava virar a canoa. Então ele sacou a carabina que ganhará do avô e atirou no bicho. Salvou sua própria vida, mas enfrentou problemas com o Ibama e com os defensores dos cetáceos. Tudo ficou pior quando um jornal regional estampou a manchete:  

                                   BALEIA BALEIA BALEIA


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