segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

REFLEXÕES NA LONGA CAMINHADA

Existem dois tipos de idosos: os que enfrentam doenças físicas ou mentais graves que lhes tiram a autodeterminação e os relativamente saudáveis. Entre estes últimos há também dois grupos: O primeiro é o que conjuga o particípio passado do verbo ir: já se sente "ido" ainda que tenha ficado. Ele (ou ela) vive o que já foi, curte novamente as coisas boas e sofre de novo com as coisas ruins. Alguns deles seguem um ciclo vicioso, entregam-se ao sedentarismo que os leva a doenças, que, por sua vez, os mantêm na inatividade. Eles acham que não têm mais chances de novas aventuras, negando-se a correr os riscos do presente mesmo em coisas que não lhe exijam as mesmas forças que tinham na juventude e na maturidade. Isso porque seus gostos ficaram lá em uma esquina esquecida do tempo. Eles negam-se a acompanhar as evoluções do presente como as novas tecnologias e acreditam que têm pouco futuro. E não entendem que o futuro é imprevisível: o fim pode se dar amanhã, ou muitos anos depois. A morte, como qualquer criança descobre facilmente não foi feita exclusivamente para os velhos.
O segundo tipo de idoso é o que, mesmo tendo ido por tantos caminhos por tanto tempo, segue gerundiando na vida. Sabe que precisa se manter atualizado para combater preconceitos, procura aprender novas técnicas e novas informações. Só mergulha no passado, quando precisa buscar algo, seja uma lembrança boa, seja uma informação importante, como quem joga um balde no poço para buscar a água do saber. A experiência é uma ajuda que os jovens ainda não vivenciaram e que podem obter diretamente com os velhos. O idoso inteligente é o que conhece os limites que pode superar e se prepara para isso com fé e persistências necessárias. Ainda que as agruras que a longevidade possa causar ao corpo e à mente, ele busca meios de burlá-las para marcar gols e atingir a meta da felicidade enquanto o Grande Árbitro da partida não soar o apito final.

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