quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

BRINCANDO DE UMA MANEIRA DIFERENTE COM O CARNAVAL DO RIO

Apesar do espetáculo da Portela, não deu águia na cabeça, deu Beija-Flor
Envolvido em atividades familiares, não pude assistir integralmente à divulgação dos resultados do Carnaval do Rio. Como minha predileção é mais pela curiosidade dos nomes das escolas do que propriamente pelo Maior Espetáculo da Terra, aqui vai mais uma edição das minhas Plinianas, como alguns amigos batizaram as minhas bobagens.
"Não, não vou falar aqui daquela velha piada da Mangueira. Observei os nomes e notei que alguns deles homenageiam seus bairros e morros de origem...
, e, talvez por ironia, lembram personagens do Império, aquele período em que os negros viveram o pior dos pesadelos, submetidos aos caprichos dos nobres. Assim, vejo a Imperatriz Leopoldinense referindo a mulher de Dom Pedro I, e Vila Isabel relacionada à filha de Dom Pedro II, que libertou os escravos sem dar-lhes qualquer condição para uma sobrevivência digna, Mocidade Padre Miguel, vila que recebeu o nome de um monsenhor que fez benfeitorias em 1898, ou Salgueiro, ligado ao português Domingues Alves Salgueiro. O morro com o nome dele viria a se imortalizar na música Chão de Estrelas, de Silvio Caldas. E também a Ilha do Governador, área doada pelo donatário Mem de Sá a um sobrinho, então governador do Rio. Até agora, acho que ninguém pensou, como houve no Rio Grande do Sul, em trocar os nomes, tirar os dos escravocratas para substituí-los por Zumbi ou o Almirante João Cândido. Para esclarecer, a troca de Porto Alegre foi nome de rua, nada teve a ver com Carnaval.
Outra curiosidade é que a expressão "unidos venceremos" não vingou neste Carnaval. O título ficou com a Beija Flor de Nilópolis (homenagem ao presidente nacional Nilo Peçanha). Perderam a Unidos da Viradouro, Unidos de Vila Isabel, Unidos da Tijuca, e União da Ilha do Governador.
Outros destaques são a Portela, nome que tem referência também ao Brasil Colonial, nome de uma área onde funcionava o Engenho do Portela. Nessa escola, como brincadeira, eu diria que nesta edição de 2015, rolou algum ciúme entre os participantes por causa do sucesso de quatro integrantes, "acusados" de terem caído de para-quedas já na Sapucaí. Outra curiosidade é que a belíssima águia simbolizando o Cristo Redentor foi derrotado por um colibri, a contumaz vencedora de carnaval Beija-Flor. E a São Clemente, que era um bloco de uma rua do Bairro Botafogo.

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