quarta-feira, 13 de novembro de 2013

JORNALISTAS DE ZERO HORA GANHAM A PRINCIPAL DISTINÇÃO DO PRÊMIO ESSO

Quatro jornalistas de Zero Hora ganharam o prêmio principal da 58ª edição do Prêmio Esso de Jornalismo. José Luís Costa, Humberto Trezzi, Marcelo Perrone e Nilson Mariano conquistaram o primeiro lugar com o trabalho Os Arquivos Secretos do Coronel do DOI-Codi. A reportagem foi realizada a partir dos arquivos do coronel da reserva do Exército Julio Miguel Molina Dias, chefe do DOI-CODI no Rio, nos anos 1980, que morreu ao sofrer um assalto em 2012 em Porto Alegre. O trabalho permitiu desmentir versões oficiais de episódios do período militar como o Caso Rubens Paiva e o das bombas explodidas no Rio-Centro. Os vencedores recebem o diploma e dividem o prêmio de R$ 30 mil.
Conforme o site do principal concurso para jornalistas no país, além do prêmio principal, mais 13 trabalhos foram destacados: os prêmios Esso de Reportagem, Fotografia e Telejornalismo e outras 10 premiações de categorias. Conforme a organização do concurso, mais de 31 mil trabalhos foram examinados pelas comissões de julgamento.
Humberto Trezzi

Nilson Mariano

José Luís Costa

Marelo Perrone

AS  DEMAIS PREMIAÇÕES:
TELEJORNALISMO– 
Equipe da Rede Record, liderada pelo jornalista Luiz Carlos Azenha, com a série de cinco reportagens intitulada AS CRIANÇAS E A TORTURA. O trabalho revela o horror experimentado por crianças afastadas dos pais, presas junto com eles, usadas como ameaça nas sessões de tortura e muitas vezes obrigadas a assistir às agressões no período da ditadura militar no Brasil.

REPORTAGEM                                                                                                        Jornalistas Roberto Kaz, José Casado e Glenn Greenwald, com o trabalho Na mira dos EUA, publicado no jornal O GLOBO. O trabalho é baseado em documentos da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA), vazados pelo ex-agente Edward Snowden. O material tornou público pela primeira vez que o governo americano compilou milhões de emails e telefonemas que passaram pelo Brasil, levantando horário e duração, endereço eletrônico de autores e destinatários.

Flagrante de Victor Dragonetti Tavares ganhou o Esso de Fotograrfia
 FOTOGRAFIA                                                                                      Victor Dragonetti Tavares, o Drago, com a fotografia PM Ferido Afasta Agressores, publicada na Folha De S. Paulo.

INFORMAÇÃO ECONÔMICA                                                                   Demétrio Weber, com o trabalho Uma Década de Bolsa Família, publicado no jornal O Globo.

INFORMAÇÃO CIENTÍFICA, TECNOLÓGICA OU AMBIENTAL
  Miriam Leitão e Sebastião Salgado, com o trabalho Paraíso Sitiado, publicado no jornal O Globo.

EDUCAÇÃO
  Érica Fraga, com o trabalho Atratividade e Resultados das Políticas de Cotas nas Universidades Públicas Brasileiras, publicado na Folha de S. Paulo.

PRÊMIO ESPECIAL DE PRIMEIRA PÁGINA
Carlos Marcelo Carvalho, Janey Costa, Álvaro Duarte, Renata Neves, Ney Soares Filho, Rafael Alves, Júlio Moreira, Josemar Gimenez e João Bosco Martins Sales, com o trabalho Oscar Niemeyer, publicado no jornal Estado de Minas.

CRIAÇÃO GRÁFICA - CATEGORIA JORNAL
Amaurício Cortez, Gil Dicelli e Pedro Turano, com o trabalho Planeta Seca, publicado no jornal O Povo (Fortaleza).

CRIAÇÃO GRÁFICA - CATEGORIA REVISTA
Rafael Quick, Luiz Romero, Alex Silva, Jorge Oliveira e Fabricio Miranda, com o trabalho O Que Comem os Atletas, publicado na revista Superinteressante.

PRÊMIO ESSO REGIONAL NORTE/NORDESTE
Bruno Albertim, com o trabalho Identidade Comestível, publicado no jornal do Commercio (Recife).

PRÊMIO ESSO REGIONAL CENTRO-OESTE
Ana Maria Campos e Lilian Tahan, com o trabalho O Poder da Terra, publicado no Correio Braziliense.

PRÊMIO ESSO REGIONAL SUL
Rogerio Waldrigues Galindo, Bruna Maestri Walter, José Marcos Lopes e Rosana Félix, com o trabalho Crime sem Castigo, publicado na Gazeta do Povo, do Paraná.

PRÊMIO ESSO REGIONAL SUDESTE
Luiza Villaméa, com o trabalho filhos do Brasil, publicado na revista Brasileiros.

MELHOR CONTRIBUIÇÃO À IMPRENSA                                                           Revista de Jornalismo ESPM - edição brasileira da Columbia Journalism Review e Folha de S. Paulo, pelo projeto Folha Transparência.

MELHOR CONTRIBUIÇÃO AO TELEJORNALISMO                                            A Comissão de Premiação de Telejornalismo concedeu a distinção de Melhor Contribuição ao Telejornalismo ao trabalho Protestos Junho 2013, de Fernando Canzian e equipe, da TV Folha, exibido na TV Cultura.

Comissão Especial de Fotografia, a quem coube apontar o trabalho vencedor dentre os dez trabalhos fotográficos finalistas, foi constituída pelos jurados: Alaor Filho – PRINTRIO; Agliberto Lima – Diário do Comércio – SP; Alberto Jacob Filho - ARFOC-RIO; Alcyr Cavalcanti – ARFOC; Alexandre Sassaki - O GLOBO; André Feltes - DIÁRIO GAÚCHO; André Sarmento – ÉPOCA; Arnaldo Carvalho – JORNAL DO COMMERCIO – PE; Carlos Casaes – A TARDE – BA; Carlos Menandro – Vencedor do Prêmio Esso de Fotografia 1986; Cléber Gomes – A NOTÍCIA – SC; Clóvis Miranda – A CRÍTICA – AM; Diego Padgurschi – FOLHA DE S.PAULO; Eduardo Ribeiro - JORNALISTAS & CIA; Eduardo Soares de Queiroz - DIÁRIO DO NORDESTE; Eduardo Nicolau – O ESTADO DE S. PAULO; Evandro Monteiro – Vencedor do Prêmio Esso de Fotografia 2005; Evandro Teixeira; Flávio Rodrigues – PHOTOSYNTESIS; Francisco Guedes (Chico) – A GAZETA – ES; Francisco Fontenele - O POVO (Fortaleza); Germano Lüders – EXAME; Guilherme Busch – CORREIO POPULAR; Gustavo Azeredo – EXTRA; Heitor Cunha – Diário de Pernambuco; Hélio Campos Mello - REVISTA BRASILEIROS – Vencedor do PEJ 1991; Inácio Teixeira - ARFOC-SP; Jefferson Botega – ZERO HORA; João Alfredo Bruschz – GAZETA DO POVO; João Alves Filho – MEIO NORTE – PI; Leopoldo Mesquita - REVISTA FHOX; Marcelo Rodrigues Silva – COMÉRCIO DA FRANCA – SP; Luiz Tajes - CORREIO BRAZILIENSE; Luiz Morier - Vencedor do Prêmio Esso de Fotografia 1983 e 1993; Marcelo Prates - HOJE EM DIA; Mara Lúcia da Silva – Carta Capital; Márcio Costa e Silva – CORREIO*; Monica Maia – Doc Galeria; Niels Andreas – Bondorff Produções; Patrick Szymshek – LANCE; Paulo Marcos de Mendonça Lima (O DIA e BRASIL ECONÔMICO); Paulo Rodrigues; Reginaldo Manente - Vencedor do Prêmio Esso de Fotografia 82 – menção honrosa 62, 63 e 65; Rejane Araújo – O TEMPO; Rogério Reis - AGÊNCIA TYBA; Sergio Branco – FOTOGRAFE MELHOR; Sérgio Ranalli – FOLHA DE LONDRINA; Sidney Lopes – ESTADO DE MINAS; Silas Botelho – VALOR ECONÔMICO; Weimer Carvalho – O POPULAR – GO.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

UMA HISTORIA DE MARIA DO CÉU, UMA DAS IRMÃS DO AMIGOMEU

Maria do Céu é a caçula da família do Amigomeu. Como os demais irmãos, tem no nome a marca de uma personalidade forte do pai deles, o seu Waldemar. Rapa do tacho de uma família de seis filhos, foi batizada assim porque essa foi uma das entusiasmadas frases que o pai dela ouviu da esposa no momento da concepção. Seu Waldemar contou um dia, depois de ter tomado umas cachaças no churrasco, que tinha sido o maior momento de sexo que sua mulher, Dona Idalina, tinha vivido. Quando a filha nasceu, ainda se lembrando daquela noite, ele pensou em botar no nenê o nome de Minha Nossa Senhora, mas achou que ia ficar muito cumprido e a registrou como Maria do Céu. Se ele tivesse contado ao escrivão do cartório o motivo do nome e, se o funcionário fosse letrado, certamente teria colocado uns dois pontos de afirmação ao lado do nome dela na certidão.
  Maria do Céu trabalhou bastante na vida, primeiro ajudando a mãe nas lidas da casa. Depois, quando se mudou para Bagé com a família, foi balconista de uma livraria, cuidou de enfermos e estudou o ginásio no Instituto São Pedro, no bairro Povo Novo, também conhecido como Getúlio Vargas. Aliás, Getúlio era o nome do irmão mais velho, que ganhou esse nome por causa da admiração do pai pelo presidente. Seu Waldemar não admitia alguém dissesse na sua frente que o presidente de São Borja tinha sido ditador. Além do Amigomeu, cujo nome foi uma homenagem que seu Waldemar quis fazer a um vizinho, do qual esqueceu o nome na hora de registrar, Maria do Céu era irmã também de Deudeci, talvez a mulher mais magra do mundo, de Deuseamor, o Momô, que virou pastor e foi morto por engano pouco depois de sair do templo, e Amaralina, em homenagem a uma garota que seu Waldemar conheceu em uma praia de Salvador durante uma viagem.
  Quando veio com Momô, Deudeci e Amigomeu para Porto Alegre, Maria do Céu arrumou um emprego. Mas trabalhava tanto, sofria tanto com as correrias da cidade grande, chegou a um ponto de estafa tão grande que acabou tendo problemas de cabeça. Quando a aconselharam a fazer terapia, consultou um psiquiatra, que também atuava como médium em um centro espírita nas horas vagas. Logo que começou a relatar suas angústias, o médico perguntou se ela ouvia vozes.
 - Sim. Ouço frequentemente vozes estranhas, algumas de gente que falava coisa sem sentido e a maioria como se estivessem bêbadas.
- Isso é muito comum – acrescentou o psiquiatra com um ar de quem conhece tudo sobre este e sobre o outro mundo.
Foi então que fez a pergunta mais importante:
- E desde quando tu ouves essas vozes, minha filha?

- Desde que me trocaram de turno e comecei a trabalhar à noite no Diário Gaúcho. Eu sou telefonista. 

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

UM PORTO NÃO MUITO ALEGRE

Antes de mais nada, quero dizer que adoro Porto Alegre. Mas sou obrigado a revelar que me sinto um pouco incomodado quando saio às ruas. Começa com esse monte de obras que atrapalha o trânsito já tão caótico por si mesmo. Nunca vi uma lerdeza tão lerda. Essas obras se arrastam de forma impressionante, descumprindo todos os programas, os contratos, irritando principalmente os moradores desses locais.
  Sinto a mesma coisa quando ando pelo Centro. Não preciso me esforçar tanto para encontrar coisas incompreensíveis. Nem quero saber quem são os responsáveis, se municipais, estaduais ou federais. Não me prendo a politicagens. Inicio com a ponte do Guaíba, inaugurada em 28 de dezembro de 1958. É uma ponte que separa em vez de unir, se lembrarmos quantas vezes o vão móvel foi levantado para permitir a passagem de navios, interrompendo o trânsito de veículos. Quando criada, 55 anos atrás, quem a idealizou sequer pensou na utilização mais intensa do Guaíba para navegação de transporte. Nesses anos todos, os administradores não concretizaram uma nova ponte mais prática e mais moderna. Como em outras eras, surgem agora anúncios de construção de uma nova travessia, que, se sair do papel, permitirá a passagem de navios sem prejudicar o trânsito. Daqui a pelo menos 20 anos.
   Bem no Centro, vejo o Mercado Público com uma parte do andar superior interditada devido ao incêndio de 6 de julho de 2013. Quatro meses depois do sinistro, nenhum movimento de recuperação total de um dos prédios mais significativos da história de Porto Alegre. Pelo andar da carruagem, não sei quanto tempo ainda vai passar até que o mercado esteja novamente completo. Repetem-se as alegações de espera de verbas. Mais um pouquinho, e chego à Biblioteca Pública, na Rua Riachuelo a poucos passos do Teatro São Pedro, mas não posso entrar. O prédio, em estilo eclético, com detalhes neoclássicos, que começou a ser construído em 1912 e inaugurado em 1922, está em reformas, acreditem, desde abril de 2007. Uma parte do acervo está abrigada provisoriamente na Casa de Cultura Mario Quintana. Aos domingos, o prédio antigo abre apenas para recitais especiais, mas não é permitida a consulta na seção do Rio Grande do Sul. Conforme uma funcionária da biblioteca, não há prazo para o fim das reformas porque dependem do recebimento de verbas federais.
  
O mundo para nos dois lados da ponte enquanto o navio passa

Uma breve caminhada pela Avenida Borges de Medeiros nos leva a outro belo prédio antigo, que abrigou o Cinema Capitólio. O edifício, tombado pelo patrimônio cultural do município foi anunciado em 2004 com direito a notícias e fotos nos jornais e demais meios de comunicação, como sede de um moderno meio de comunicação. Batizado de Cinemateca Capitólio, com planos de abrigar também biblioteca, guarda dos acervos e pesquisa sobre a produção audiovisual gaúcha, permanece ainda fechado, dependendo de verbas.

O antigo cinema vai virar cinemateca. Quando?


Se seguirmos em direção à antiga Ponte de Pedra, que ainda está ali porque não necessita de um trabalho mais técnico nem dispendioso de conservação, encontramos, no Gasômetro, o protótipo do aeromóvel, com os pilares e plataformas como um esqueleto de um animal que não existiu. Depois de muitos anos, o aeromóvel movido a ar comprimido finalmente foi efetivado em poucas centenas de metros entre a estação do Trensurb e o Aeroporto. Já o projeto de fazer um veículo leve de passageiros deslizar do Centro, passando por sobre o Arroio Dilúvio até a PUC, nunca foi efetivado. Por fim, o que também me entristece é ver a cidade com tantos indigentes nas ruas, dormindo sob os viadutos, sobre as calçadas. E também o fato de o Centro ser tão fedido. E aí me dou conta de que não há mictórios públicos gratuitos e decentes para a população que, por esse motivo e pela falta de educação, alivia-se nos cantos das paredes ou entre os carros. Vejo também que os poucos mictórios públicos como na parte inferior do Viaduto Borges de Medeiros ou na Praça da Alfândega, em reforma, não apresentam placas indicativas. Dá a entender que não é interessante que o povo utilize esses sanitários. A Copa do Mundo já está logo aí. Daqui a pouco, Porto Alegre estará cheia de turistas que, certamente, vão ter essa mesma sensação que tenho.
O local é um mictório público. Só quem já conhece, sabe.