sexta-feira, 4 de outubro de 2013

RELATOS DE UM PASSEIO NA TARDE E NOITE NA CAPITAL:

     Saí de casa no meio da tarde de quarta-feira e não imaginei que teria tanta coisa para ver e ouvir. Uma passada pelo Centro e vi um movimento pra lá de diferente. De repente, a Rua Duque de Caxias estava vazia. Alguns passos depois, descobri o motivo. A Brigada Militar havia interrompido o trânsito porque, diante do Palácio Piratini, vários grupos faziam protestos. Entre eles, havia representantes de indígenas reclamando da falta de demarcação de áreas e grupos quilombolas também reivindicando terras, enquanto professores lutavam por salários. Impressionei-me com o número de policiais militares guardando a entrada do palácio do governo estadual. No meio da praça, mais de 70 motos estacionadas. Fiquei imaginando se todo esse aparato policial fosse usado na prevenção de crimes comuns, talvez a violência diminuísse.  Mas, para isso, seria necessário que não houvesse ameaças de depredações e agressões ou invasões. Sim, o Palácio é do povo mas o povo todo não pode querer entrar assim ao mesmo tempo.
  No Centro, índice alto de ruído com bancários em greve expondo seus motivos em alto-falantes. Cada grupo com seus motivos e reivindicações. Na Rua da Praia, duas estátuas vivas e dois músicos solitários mostravam  seus trabalhos, cada qual em um canto da rua diante de bancos fechados pela greve. Na Praça da Matriz, entro no Palácio da Justiça para falar com meu conterrâneo José Carlos Teixeira Giorgis, coordenador do Memorial do Judiciário, e assisto à sétima edição do casamento coletivo, promovido em parceria com a Corregedoria Geral da Justiça e o Registro Civil das Pessoas Naturais da 1ª Zona de Porto Alegre. Ao som de um grupo comandando pela pianista Elda Pires, 25 casais registravam seus matrimônios na Galeria dos Casamentos. Para participar, os noivos precisaram ser de Porto Alegre e declarar que não têm condições financeiras para custear os trâmites do casamento.
Foto Plínio Nunes
   Depois de ver aquela bela cena, fui ao Centro Municipal de Cultura. Lá, encontrei  a cantora Lourdes Rodrigues, a eterna Dama da Canção,
apresentando um show com entrada franca, no saguão. Com 75 anos, Lurdes, que reside em Imbé, no Litoral Norte, é uma história vida da cultura musical de Porto Alegre. Era a intérprete predileta de Lupicínio Rodrigues. Por falar no grande compositor, estava lá o filho dele, Lupicínio, que deu uma palhinha no show, assim como o cantor Cigano e vários outros amigos de Lurdes. Foi emocionante vê-la reinterpretando as grandes canções, entre elas, Barracão, composição de Luiz Antônio e Oldemar Teixeira Magalhães. Conheci Lourdes Rodrigues em 1983, quando ela era dona do Bar Carinhoso, com um sócio, e colocou um pequenino anúncio no meu jornal, Microfone, o Jornal do Rádio. Em 2008, quando ela completou 70 anos, sugeri uma matéria com ela para o Diário Gaúcho, que ficou muito legal.
 
No mesmo Centro Municipal de Cultura, mas na Sala Álvaro Moreira, assisti, em seguida, ao belo show do meu ex-colega Alexandre Oliveira, o Cabeça de Lata, chargista, cartunista e ilustrador do jornal Diário Gaúcho. Multitalentoso, Cabeça é compositor e toca vários instrumentos entre eles guitarra, teclados, viola, harmônica e até cavaquinho. Com parceiros virtuosos no baixo, guitarra e bateria, Alexandre Oliveira promoveu um grande show de rock e blues para o lançamento do CD Cabeça de Lata, o Segundo Primeiro. O espetáculo contou com a participação de convidados que tocaram guitarra, sax, pistão e trompete, e interpretaram músicas próprias do Cabeça de Lata. Mais informações sobre o grupo podem ser obtidas pelo site www.cabecadelata.com.




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