quinta-feira, 19 de setembro de 2013

OBSERVANDO UM PEDAÇO DO HINO RIO-GRANDENSE À LUZ DA GRAMÁTICA

Nunca tive paciência nem habilidade para montar pecinhas de lego, jogar videogames ou me entregar a esses joguinhos do Facebook para os quais  vivem me convidando. Prefiro me divirtir muito com análises gramaticais e com o a observação da semântica das palavras. Mesmo sendo gramático amador, já que não desenvolvi estudos mais profundos e acadêmicos sobre a língua portuguesa, me amarro demais nas nuanças do idioma.
  Daí que, de vez em quando, me encarno em algumas palavras ou expressões. Agora mesmo, em tempos de festejos farroupilhas, de tanto ouvir e ler sobre o hino rio-grandense, me chamou a atenção a variada grafia que produzem de uma parte dele. Já li “de modelo a toda terra”, “de modelo a toda a Terra” e até “de modelo à toda a Terra”, ou “à toda terra”. Daí que vamos por parte, como diria o Jack, o Estripador montando lego (não consegui deixar de roubar isso do meu amigo Paulo Motta).
  Meu sonho seria pôr os olhos no original do hino-grandense, nessa letra para a música do maestro Mendanha, criada por Francisco Antônio da Fontoura, o Chiquinho da Vovó, a terceira e definitiva versão, oficializada em 1933, durante as preparações para o centenário da Revolução Farroupilha. É que eu queria ver se ele colocou “de modelo a toda terra ou de modelo a toda a Terra.” No primeiro caso, as façanhas gaúchas serviriam de modelo para qualquer terra, ou seja, para qualquer nação. No segundo caso, também megalomaníaco, indicaria modelo para todo o nosso planeta, o que daria na mesma coisa. Acredito que Chiquinho da Vovó optou por dar exemplo a qualquer terra.
  Embora venha lendo na internet, e até mesmo em jornais, a expressão com crase, ela é totalmente inexistente nesse caso. Crase é um resultado da fusão entre o artigo definido “a” e a preposição “a”. E isso não se verifica em “de modelo a toda terra”. Para entender isso, basta saber que ‘toda é um pronome indefinido que, lógico, não é precedido por artigo definido. Por isso, não há a fusão. “Ah, mas eu acho bonito usar crase porque dá um aspecto mais elegante”, me diria alguém que não se satisfaz em seguir uma norma estabelecida. Bem, nesse caso, eu sugeriria mudar a frase para “de modelo à Terra inteira” e aí não estaria errado, mas não seria o hino do Chiquinho da Vovó.

Veja, a seguir, uma decodificação de todo o Hino Rio-grandense.


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