quarta-feira, 10 de julho de 2013

MAIS UMA HISTÓRIA DO AMIGOMEU, OU O FRUTO QUASE NUNCA CAI LONGE DO PÉ


Amigomeu é um cara tosco, mas é o meu melhor amigo. Já contei aqui que ele, como eu, é lá da Campanha. Amigomeu se criou no meio dos bichos e na dura lida do campo. Além disso, como dizem por aí, a fruta não cai longe do pé. Isso quando não bate um minuano muito forte que arranca a fruta pra longe, ou quando o terreno ao pé da árvore é em declive e o fruto vai lá pra não sei onde. Como dizia minha mãe, quem sai aos seus não degenera. Eu acho que, em alguns casos, aquele que sai aos seus também não regenera.
O pai do Amigomeu, Waldemar da Silva, também era bem tosco. Mais ainda do que o filho. Por muito tempo, foi capataz de uma estância nos campos do Seival, antigamente pertencente a Bagé e atualmente distrito de Candiota. Só pelo jeito como deu nome aos filhos, já se tem uma ideia. Foram sete crias. Fora o primeiro, Getúlio, em homenagem ao presidente Vargas, os outros ganharam nomes meio estranhos: Amigomeu, cujo motivo já expliquei aqui no Vidacuriosa, Waldemar e Idalina Maria tiveram Deudeci, que era incrivelmente magra e sobre a qual devo escrever algum dia; Deuseamor, o Momô, que foi assassinado por engano aos 22 anos, Amaralina, em secreta homenagem a uma baiana que conheceu em uma praia de Salvador, na sua única viagem, levado pelo dono da estância, e Maria do Céu, um carinho à esposa (teria sido o maior orgasmo que a mãe teve na vida).
O pai de Amigomeu tem muitas histórias. Uma vez, quando era capataz, apareceu na estância um veterinário para ver uma vaca doente e levou sua esposa, que era de Porto Alegre e não conhecia a vida do campo. Ao conhecer a família do seu Waldemar, a mulher, que gostava de falar difícil, comentou:
- O senhor tem uma prole grande.
- Ele respondeu. Grande, grande não é. Mas que funciona, funciona.
A esposa do veterinário sorriu amarelo e, para esquecer o assunto, olhou para uma pequena horta de milho, ao lado do galpão e disse:
- Que bonita a sua plantação de milho! Deve dar muitas sacas, né?
E ele:
- Que nada! Foi uma plantaçãozinha que eu fiz só p’eidando pras galinhas.

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