segunda-feira, 17 de junho de 2013

AVENTURA NO TÚNEL QUE LIGA UM COLÉGIO A OUTRO EM BAGÉ

     Ontem retornei ao Orkut como quem volta a uma tapera, pra ver os tarecos que deixou. Achei um texto de ficção sobre o Colégio Auxiliadora, de Bagé. O pessoal que estudou lá comentou sobre uma lenda interessante: a de que existiria um túnel, passando por debaixo da praça, ligando as duas escolas: o Auxiliadora, que antigamente era só para meninos, e o Espírito Santo, só para meninas. Essa mesma lenda existe também, segundo me contaram, envolvendo duas escolas de Canoas, agora divididas pelos trilhos do Trensurb. Uma delas tem também o nome de Nossa Senhora Auxiliadora. Daí, eu resolvi fazer um texto, que alguns até acharam que era verdade.
                                      Foto cidadedebagé.blogspot.com.br
   Sempre que chegávamos atrasados para as aulas no Colégio Auxiliadora, em Bagé, eu e meu primo uruguaio Horácio Nuñez, ambos com 11 anos, evitávamos entrar pelo portão principal. Esgueirávamos por dentro da igreja e passávamos por aquela porta grande que dava acesso ao pátio. Assim, podíamos ficar no fim da fila e carimbar, na cadernetinha azul, o "presente" em vermelho. Numa manhã de 1965, antes de entrar na igreja, vimos um padre saindo furtivamente da parte de trás da gruta. No final da aula, voltamos, levantamos uma laje e descobrimos uma abertura com escadas. Nós nunca tínhamos ouvido falar em túnel ligando o Colégio Auxiliadora ao Colégio Espírito Santo. Naquela época, havia só meninos na escola dos padres e só garotas no colégio das freiras.
    Descemos pela escadaria e andamos pelo túnel sob a Praça dos Esportes, cruzando por baixo da Rua Sete e seguimos em direção à General Osório. Réstias de luz entravam pelas bocas de lobo. À esquerda, havia uma porta de madeira escura com uma cruz grande na parte superior. Passamos direto e seguimos em direção ao Colégio Espírito Santo. Passamos o ponto em que hoje está a Biblioteca Pública, na esquina da Sete com a Marechal Deodoro, andamos mais um pouquinho e surgiu uma grade no túnel. Era ali que uma minoria selecionada de guris do Auxiliadora ia para se encontrar com as gurias do Espírito Santo. Imaginei as cenas dos casais apaixonados trocando carícias beijos por entre o gradil. Num canto das grades, avistamos cartinhas deixadas pelas meninas. Curioso, senti o perfume e a maciez dos papéis brancos e coloridos, com palavras românticas decoradas por desenhos de flores e corações. Não vimos nada que envolvesse algum encontro entre padres e freiras, mesmo porque isso jamais passaria por nossas cabeças.
 
Uma cena para nunca mais esquecer

Quando estávamos retornando, nossa curiosidade se voltou para a porta escura, que agora estava semiaberta. Um leve empurrão, e entramos. Havia uma sala grande com uma mesa igualmente enorme, em redor da qual algumas figuras esquisitas conversavam com ar extremamente sério. Eram padres com paramentos vermelhos e pretos, ladeados por homens corpulentos vestidos com uniformes do exército. Diziam frases que, para nós, não faziam o menor sentido:
-Temos de impedir os comunas de dominar o mundo. Os terroristas estão se organizando.
De repente, Horácio deixou escapar um "ala putcha", e fomos notados. Saimos correndo desabaladamente pelo túnel. O gordito ficou para trás. Meu coração quase saía pela boca. Passei pela laje atrás da gruta e me abalei pela Marechal Floriano, dobrando a Presidente Vargas em direção à Marcílio Dias para achar a Marechal Deodoro, onde eu estava parando na casa da minha tia-avó Orfila.
A uma quadra da casa, escorreguei em uma casca de banana ou em um cocô de cachorro, não sei ao certo. O que me lembro é que testavilhei por alguns metros e bati de cabeça em uma parede. Tudo ficou escuro. Quando acordei, estava na cama do quarto de hóspedes da minha tia. Nenhum integrante da família me falou qualquer coisa sobre o que me acontecera. Levantei e tomei café sem que ninguém comentasse nada. Não tenho certeza. Acho que foi um pesadelo. Meu primo Horácio sumiu, e fui localizá-lo muitos anos depois em Melo, no Uruguai. Ele estava muito estranho e nunca quis comentar nada sobre o passado.

5 comentários:

Dalva M. Ferreira disse...

Fica o enigma: terá sido um pesadelo?

Anônimo disse...

Eu estudo no colégio Espirito santo e la também tem essa lenda, e tem outra sobre um cemiterio de freiras em baixo do banheiro feminino.

Anônimo disse...

Eu estudo no Colégio Auxiliadora, e lá tem túneis para todo lugar que agente olha! Tem essa Mesma Lenda.

MineXGamesBR disse...

putz meu vc escreveu tudo errado o colegio la salle antigamente era so para meninos e o auxiliadora ERA SO PARA MENINAS os padres costumavam entrar neste tunel entre os dois colegios para transarem escondidos uma das entradas do tunel fica na que inclusive eu ja fui nesse tunel so nao tive coragem de entrar

vidacuriosa disse...

MineXGames, você leu tudo errado, meu. Não falei que o Colégio Auxiliadora de Canoas era só para meninos. A minha história é sobre o Colégio Auxiliadora de Bagé. Te liga meu. Presta bem atenção. Abrs