sábado, 22 de junho de 2013

DESAFIO PARA DECIFRAR ENIGMAS DE BOBAGENS

                                                              Acrescentado em 10/7/2013

Vamos testar a sua capacidade de perder tempo. São 10 perguntas que criei com esta minha mente insana. Algumas são de minha própria autoria, outras foram captadas não sei quando, não sei de onde, quando li ou ouvi por este mundo louco. Eu pensei em dar um premio valioso para quem acertasse todas, talvez um carro zero-quilômetro ou outro presente com grande valor de estimação como um bom livro. Como não tenho grana, não dou nada. Para decifrar os enigmas vale tudo desde o Google, enciclopédia até pedido de ajuda às cartas ou aos universitários, vale tudo, até, contrariando o eterno síndico Tim Maria, homem com homem ou mulher com mulher. As respostas estão no primeiro comentário, lá embaixo.

1)  Uma partida começou às 14h45min. Os dois times jogavam no esquema tático 4-2-4. Em determinado momento do jogo houve um escanteio. Os dois jogadores que atuavam nas pontas insistiram em fazer a cobrança e ficaram ali, parados, juntos, esperando que o treinador decidisse qual dos dois cobraria o corner. O relógio do juiz não era digital e a pergunta é: a que horas exatamente ocorreu esse incidente?
2) Testemunha disse à polícia que tinha certeza de que o suspeito chegou em casa às 22h45min, na noite do crime ocorrido a 2km da casa deles. Afirmou que viu, pelo espelho, que o relógio marcava essa hora quando o amigo entrou. Embora o assassinato tenha ocorrido por volta das 23h, o delegado não aceitou o depoimento como um álibi verdadeiro. Por quê?
3) Duas moças foram a um hotel de madrugada sem fazer reservas e, quando chegaram, não havia quartos disponíveis. Que horas eram?
4) Por que um urso polar, mesmo com muita fome, não ataca um pinguim?
5) Por que o carnívoro Tiranossauro, mesmo com muita fome, não atacava o herbívoro Estegossauro?
6)  Qual é o pássaro que, ao perder uma letra, fica totalmente sem penas?
7)  Qual é o pássaro que mesmo perdendo a primeira letra, continua voando?
8)   O que há em comum entre a mais famosa intérprete da personagem Gabriela, na televisão, e o cantor e compositor Roberto Carlos?
9) Em um avião viajavam quatro romanos e um inglês. Como era o nome da aeromoça nesse voo?
10)   Esse é ecologicamente incorreto. Havia oito pássaros em uma árvore. Três caçadores acertaram um tiro em cada passarinho. Quantos ficaram?
11)  Um trabalhador autônomo recebeu dois cheques como pagamento de um serviço. Um dos cheques era de cor creme, o outro, azul. Um dos cheques entrou na conta dele, o outro foi devolvido. Qual deles era inválido?
12) Quatro homens vestidos de preto dos pés à cabeça, em um carro preto, seguem por uma estrada com asfalto completamente preto. As luminárias dos postes estão desligadas, e os faróis do carro, apagados. Quando o automóvel passa no meio de dois edifícios pretos, um gato preto atravessa a rua. O motorista freia e não atropela o animal. Como ele conseguiu ver o bichano na faixa?
13) Você chega a uma cabana em um dia extremamente frio, com vento entrando pelas frestas da choupana e dá uma rápida olhada em redor. Encontra uma caixa de fósforo com apenas um palito, uma vela, uma lamparina e um aquecedor a gás. O que você acende primeiro.
14) O que o poeta Vinícius de Moraes viu no meio do caminho?
15) O que é? O que é? Quatro patas, sobre quatro patas, esperam quatro patas. Quatro patas não vêm, quatro patas vão embora e ficam quatro patas.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

AVENTURA NO TÚNEL QUE LIGA UM COLÉGIO A OUTRO EM BAGÉ

     Ontem retornei ao Orkut como quem volta a uma tapera, pra ver os tarecos que deixou. Achei um texto de ficção sobre o Colégio Auxiliadora, de Bagé. O pessoal que estudou lá comentou sobre uma lenda interessante: a de que existiria um túnel, passando por debaixo da praça, ligando as duas escolas: o Auxiliadora, que antigamente era só para meninos, e o Espírito Santo, só para meninas. Essa mesma lenda existe também, segundo me contaram, envolvendo duas escolas de Canoas, agora divididas pelos trilhos do Trensurb. Uma delas tem também o nome de Nossa Senhora Auxiliadora. Daí, eu resolvi fazer um texto, que alguns até acharam que era verdade.
                                      Foto cidadedebagé.blogspot.com.br
   Sempre que chegávamos atrasados para as aulas no Colégio Auxiliadora, em Bagé, eu e meu primo uruguaio Horácio Nuñez, ambos com 11 anos, evitávamos entrar pelo portão principal. Esgueirávamos por dentro da igreja e passávamos por aquela porta grande que dava acesso ao pátio. Assim, podíamos ficar no fim da fila e carimbar, na cadernetinha azul, o "presente" em vermelho. Numa manhã de 1965, antes de entrar na igreja, vimos um padre saindo furtivamente da parte de trás da gruta. No final da aula, voltamos, levantamos uma laje e descobrimos uma abertura com escadas. Nós nunca tínhamos ouvido falar em túnel ligando o Colégio Auxiliadora ao Colégio Espírito Santo. Naquela época, havia só meninos na escola dos padres e só garotas no colégio das freiras.
    Descemos pela escadaria e andamos pelo túnel sob a Praça dos Esportes, cruzando por baixo da Rua Sete e seguimos em direção à General Osório. Réstias de luz entravam pelas bocas de lobo. À esquerda, havia uma porta de madeira escura com uma cruz grande na parte superior. Passamos direto e seguimos em direção ao Colégio Espírito Santo. Passamos o ponto em que hoje está a Biblioteca Pública, na esquina da Sete com a Marechal Deodoro, andamos mais um pouquinho e surgiu uma grade no túnel. Era ali que uma minoria selecionada de guris do Auxiliadora ia para se encontrar com as gurias do Espírito Santo. Imaginei as cenas dos casais apaixonados trocando carícias beijos por entre o gradil. Num canto das grades, avistamos cartinhas deixadas pelas meninas. Curioso, senti o perfume e a maciez dos papéis brancos e coloridos, com palavras românticas decoradas por desenhos de flores e corações. Não vimos nada que envolvesse algum encontro entre padres e freiras, mesmo porque isso jamais passaria por nossas cabeças.
 
Uma cena para nunca mais esquecer

Quando estávamos retornando, nossa curiosidade se voltou para a porta escura, que agora estava semiaberta. Um leve empurrão, e entramos. Havia uma sala grande com uma mesa igualmente enorme, em redor da qual algumas figuras esquisitas conversavam com ar extremamente sério. Eram padres com paramentos vermelhos e pretos, ladeados por homens corpulentos vestidos com uniformes do exército. Diziam frases que, para nós, não faziam o menor sentido:
-Temos de impedir os comunas de dominar o mundo. Os terroristas estão se organizando.
De repente, Horácio deixou escapar um "ala putcha", e fomos notados. Saimos correndo desabaladamente pelo túnel. O gordito ficou para trás. Meu coração quase saía pela boca. Passei pela laje atrás da gruta e me abalei pela Marechal Floriano, dobrando a Presidente Vargas em direção à Marcílio Dias para achar a Marechal Deodoro, onde eu estava parando na casa da minha tia-avó Orfila.
A uma quadra da casa, escorreguei em uma casca de banana ou em um cocô de cachorro, não sei ao certo. O que me lembro é que testavilhei por alguns metros e bati de cabeça em uma parede. Tudo ficou escuro. Quando acordei, estava na cama do quarto de hóspedes da minha tia. Nenhum integrante da família me falou qualquer coisa sobre o que me acontecera. Levantei e tomei café sem que ninguém comentasse nada. Não tenho certeza. Acho que foi um pesadelo. Meu primo Horácio sumiu, e fui localizá-lo muitos anos depois em Melo, no Uruguai. Ele estava muito estranho e nunca quis comentar nada sobre o passado.

sábado, 15 de junho de 2013

UM POUCO MAIS SOBRE UM CERTO AMIGOMEU

Amigomeu Silva da Silva é um cara meio tosco, mas é o melhor amigo que eu poderia ter. Parceiros nas horas boas e nas ruins desde a infância lá no Grupo Escolar Seival, retomamos intermitentes e longas conversas na adolescência em Bagé e na maturidade em Porto Alegre. Somos muito diferentes, mas temos muitas características semelhantes. Um nunca esqueceu a data de aniversário do outro. Até porque nascemos no mesmo dia, no mesmo mês e no mesmo ano.
  Nas diferenças, posso citar que ele é Grêmio Bagé, eu sou Guarany, ele não sabe acolherar muito bem as letrinhas, e eu me viro melhor nessa área. Amigomeu tem umas manias estranhas. Não gosta de tirar fotos. Como alguns índios norte-americanos, acha que a foto aprisiona a alma. Nas festas de família, ele some quando vê alguém registrando o evento. Um dia, um primo dele o surpreendeu na peça do lado de onde ocorria uma comemoração de aniversário e o fotografou. Ao receber sua imagem em papel, ficou vermelho, arregalou os olhos e rasgou a foto. Teve ímpetos de agredir o parente. Esforçou-se para não ser grosso, mas não conseguiu:
- Se tu fizeres isso de novo, eu te quebro a máquina e a cara.
  Mais tarde pediu desculpas ao primo, mas recomendou-lhe que nunca mais fizesse isso.
Sem nenhuma fotografia em casa, Amigomeu gosta mesmo é de desenhos. Ele tem, em seu quarto, retratos seus feitos a mão. De cinco em cinco anos, ele procura uma desenhista de rua que trabalha na Avenida Otávio Rocha e encomenda um retrato seu feito a lápis ou nanquin. Ele fica parado diante dela o tempo que for necessário e depois leva a imagem para casa. Mostra apenas para os parentes e para os amigos mais chegados. E guarda junto com os outros em cima do guarda-roupa. É esquisito esse Amigomeu.
   Amigomeu e eu temos um pacto desde os tempos dos campos do Seival. Quando um estivesse com um problema sério, o outro contaria uma piada. Uma tarde, com o coração apertado, eu conversei com ele na Rua da Praia. Depois do meu desabafo, ele apontou para uma mulher com idade em torno dos 40 anos, razoavelmente bonita e com roupa de executiva:
- Estas vendo aquela dona? Como a vida transforma uma pessoa! Tu acreditas que em uma fase da vida dela ela não tinha cabelos, nem dentes e era analfabeta?
- Sério? O que aconteceu com ela?
- Nada. Ela cresceu – respondeu, dando aquelas gargalhadas de galpão dele.
Naquele momento, todas as amarguras desapareceram e eu pude pensar com tranquilidade para resolver o problema.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

O MENOR CONTO DO MUNDO

Uma das manias de quem escreve, ainda que amadorísticamente, é tentar contos curtos. Até que surgiram alguns querendo criar o conto mais curto do mundo. Já li vários, num piscar de olhos. Peço licença para tentar também.

(Título) Solidão
(Texto) Silêncio absoluto no quarto. Fim.
Vou tentar encurtar


Silêncio no quarto.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

A HISTÓRIA DOS ALUNOS QUE TENTARAM FURTAR O SINO DA ESCOLA

Jornalista Carlos André Moreira com o seu primeiro romance
"Deve abrir a porta do quarto e correr em direção ao chuveiro, não quer tempo para ver o que não existe, imagina o pai sentado à mesa, as mãos projetadas para o ar em linha reta, em busca da garrafa térmica que a mãe teria, como sempre, deixado preparada na noite anterior. O rádio de pilha, à esquerda. O pai giraria a tampa da térmica uma vez e meia, sempre uma vez e meia, tocaria a xícara, desenharia com os dedos o contorna da borda antes de despejar o café, o dedo indicador para dentro, e assim pararia de servir no ponto exato, antes de o líquido transbordar. Era tão simples. Mas quando Sandro tentou fazer o mesmo dia desses, com os olhos fechados, queimou o indicador, manchou a toalha e levou uma bronca."
     Esse belo trecho é do livro Tudo o Que Fizemos, do meu ex-colega de ZH Carlos André Moreira. Terminei a leitura na quarta-feira. Não fiquei surpreso com a alta qualidade do livro. Afinal, convivi  durante algum tempo com o autor na redação de Zero Hora. Lembro-me de tê-lo apelidado de Enciclopédia Ambulante e, mais recentemente, passei a considerá-lo como quase um Google pela quantidade de informações sobre quase tudo que ele tinha.
     O que me emocionou foi um detalhe do livro. É exatamente essa parte que destaquei, no início deste post. O personagem principal tem um pai cego. Um leitor que não conheça a vida do Carlos André certamente não sentirá o mesmo impacto que eu. É que eu sei que o autor, assim como o personagem, também teve um pai privado de visão e isso explica a espetacular descrição da forma como um deficiente visual se comporta.
     Ao ler o livro e ver a história do pai cego lembrei-me também de outro ex-colega meu da RBS. O repórter Cid Martins, igualmente talentoso, é repórter da Rádio Gaúcha. Eu me recordo, quando eu ainda estava na empresa, que Cid foi convidado para escrever no jornal Zero Hora, mas preferiu ficar apenas na Gaúcha. E explicou o motivo: é que o pai dele costuma acompanhar com orgulho o trabalho do filho. Por isso, Cid preferiu ficar na rádio.
     Voltando ao Tudo o Que Fizemos, o romance conta a história de um grupo de estudantes que tenta furtar o sino da escola. Ao ler sobre isso, imediatamente lembrei-me de outros estudantes que furtaram um sino. Foi em 1968, quando um grupo de formandos surrupiou um sino de bronze que marcava o início e o fim das aulas da Faculdade de Direito da Ufrgs. Entre os alunos, estava o ministro Nelson Jobim. Carlos André, porém, garantiu-me que uma coisa não teve nada a ver com a outra. A história dele baseou-se no fato de que também em Gabriel um sino havia sido furtado, mas todo o desenrolar da história é fictícia.

     Na história de Carlos André, os alunos decidem furtar o sino para protestar contra uma decisão do governo do Estado da Época de acabar com a escolha democrática do diretor da escola. Parece-me bem mais interessante do que levou Jobim e seus companheiros a realizarem essa proeza. Os autores do furto, que hoje são juristas, alguns deles, como Jobim, bastante renomados na história do país, tinham apenas como objetivo, satisfazer desejos fúteis, coisa de jovens vaidosos que são hoje sessentões vaidosos. Depois do furto, Jobim e seus camaradas criaram um pacto para a guarda do sino, que é transferida, ano após ano, para um dos participantes daquele crime, encarado por eles como o símbolo de uma das turmas mais brilhantes da faculdade de Direito da Ufrgs.

terça-feira, 11 de junho de 2013

MISTÉRIO DO MAPA DO TESOURO ESCONDIDO NO OLÍMPICO

Amigomeu tem um amigo que é filho de um importante conselheiro do Grêmio. Semana passada, esse amigo, o pai dele e Amigomeu foram visitar o  Olímpico. O estádio será implodido, já que fez parte da transação comercial para permitir a construção da Arena, na zona norte da cidade.
    Caminhando em meio às arquibancadas, Amigomeu e o amigo dele começaram a imaginar como seria a desconstrução do estádio. Em um cantinho, os dois descobriram um vão na parede e, um pouco mais para o fundo, algo que lhes pareceu bastante estranho. Os dois puxaram um pacote achatado que havia no local. O achado foi levado discretamente para a casa do amigo do Amigomeu.
    O embrulho era um retângulo com medidas de 30cm x 60cm com  espessura de aproximadamente 5cm. Um material de couro curtido de boi cobria o objeto de lata. Dentro, envolvido em uma cartolina, havia material da data da inauguração do estádio, em 1954, com exemplares do Correio do Povo, da Folha da Tarde Esportiva e do Diário de Notícias sobre o torneio triangular que envolveu Grêmio, Inter e Liverpool de Montevidéu. O Inter foi o campeão e levou a taça Relógios Eska, oferecido pela Casa Magnus, vencendo as suas partidas. Antes do torneio, na inauguração, no dia 18, o Grêmio havia ganhado por 2 a 0, do Nacional, com Vitor marcando o primeiro gol do Estádio Olímpico. No torneio, o Inter derrotou o Liverpool no dia 20, por 4 a 0, e o Grêmio fez o mesmo placar no time uruguaio. No Gre-Nal, do dia 26, o tricolor perdeu por 6 a 2.
    Como havia aquela derrota acachapante, o gremista amigo de Amigomeu preferiu não dar divulgação à localização do material. Desgostoso, entregou para Amigomeu os jornais e a caixa. Em casa, Amigomeu encontrou duas cartolinas coladas e descobriu que havia um papel no meio. Era uma espécie de mapa de tesouro que marcava um xis no lado de fora do estádio após uma trilha sinalizando 279 passos na rua a partir do portão número 7 na direção sul. Naquela época, ainda não havia portão número 8. Hoje, dá para ver que não há o número 7. Curioso, Amigomeu contou os passos e descobriu, no final, um xis marcado no chão da calçada. Eram duas hastes de ferro, em forma de x, que fechavam a tampa de um buraco, conforme foto.
 Ali, na Rua Gastão Mazeron, estão sendo realizadas obras para o alargamento da rua que irá até a Avenida Moab Caldas na Vila Cruzeiro, juntando-se à via que está sendo feita para ligar o Barra/Shopping com o Aeroporto, visando à Copa de 2014.

Croquis sobre o jogo de inauguração no Olímpico
Amigomeu pensou em cavar à noite no local, mas ficou com medo de ser flagrado. Então contou a história ao operário que manejava uma retroescavadeira e pediu-lhe que aumentasse mais o buraco onde está o xis. O trabalhador riu e disse que só tinha ordens para trabalhar na rua. Se fizesse o que ele lhe pedia, seria despedido.
Amigomeu não acreditou. Achou que o operário iria cavar sozinho para pegar o tesouro. Por isso, todos os dias ele costuma passar naquele local para ter certeza de que não estão mexendo na calçada.


O xis na calçada e, ao fundo, o Estádio Olímpico