terça-feira, 28 de maio de 2013

HISTÓRIAS CURIOSAS DE UMA TABACARIA

De todos os males que nos atingem, sempre nos resta tentar ver um lado bom. Nem sempre há. Mas é preciso procurar. A ausência temporária de um computador em casa tem suas vantagens. Uma delas é me permitir ler mais livros. Mas, como sou viciado nas redes sociais, ocupo por meia hora ou um pouco mais, uma pequena lan house instalada no cantinho de uma tabacaria. Assim, misturo o virtual com o real.
    Na semana passada, enquanto postava minhas bobagenzinhas no meu Facebook e aqui no Vidacuriosa, tive a atenção despertada para a troca de ideias entre o dono da tabacaria e um freguês, um jovem em torno dos 30 anos, alto e gordo, com e barba e cabelo curto. Os fones de ouvido faziam pausa pendurados no pescoço.  Nos comentários sobre música, o freguês revelava que tinha passado por uma fase em que escutara muito música eletrônica da Finlândia. E que adorava buscar novas e pequenas bancadas onde há "muita cosa boa".
   O que me desconcentrou foram os comentários que eles fizeram sobre uma banda chamada Ghost, tão desconhecida para mim como devem ser Os Serranos para o roqueiro. As expressões, os jargões e os conceitos me lembraram o meu amigo Paulo Moreira, competente jornalista, radialista, comunicador e crítico musical. Uma frase me tirou completamente a atenção do que eu estava fazendo:
- Bah, acho que ele se perdeu na insanidade dele.
O roqueiro se referia à música que o dono da tabacaria havia lhe sugerido escutar. Fiquei curioso demais, e agora não me sai da cabeça a vontade de ouvir essa maravilha.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

REFLEXÕES NA CAMINHADA


Num condomínio chamado Cerebelo, moram três primos: o Otimismo, o Pessimismo e a Esperança. O primeiro vê o futuro como um mar de rosas, faz planos e toma atitudes que, às vezes, resultam em retumbantes fracassos. O segundo acha que tudo vai dar errado e, como perde as oportunidades, dá errado mesmo. A Esperança é o otimismo de olhos vendados. É influenciada pelos dois primos, mas acredita mais no primeiro. Sabe que algo pode dar errado, mas torce para que tudo dê certo. É a Esperança que mantém em pé o condomínio.


quarta-feira, 22 de maio de 2013

AQUARELA NO CREPÚSCULO

                  Toda vez que vejo o pôr-do-sol no Guaíba,
                  eu fico com a impressão repetida
                  de que vou ver, encostados, no casarão da Usina,
                  dois pincéis gigantes e quatro grandes palhetas
                  com restos de tintas multicoloridas.
                  Nada vejo. E me dou conta de que o pintor celestial
                  precisa reproduzir também essa obra-prima
                  em outras telas privilegiadas do Planeta.

terça-feira, 7 de maio de 2013

A EXPRESSÃO VIAJAR DE MALA EM CUIA É USADA ATÉ EM NOVELA DA GLOBO

Grazzi saiu da mansão de mala e cuia, segundo a ex-sogra dela
(Foto tvg.globo.com)
Uma das coisas que mais me divertem é pensar na origem de palavras e expressões. Sempre me indago como uma palavra ou expressão começou a ser usada. A maioria delas se perdeu no tempo. Outras deixaram rastros para serem decodificadas. Pensei nisso no capítulo de hoje da novela Flor do Caribe, da Rede Globo. A mãe do vilão entra em seu escritório e, depois de uma rápida discussão, avisa:
- Sua mulher foi embora de mala e cuia!
  Na cena anterior, eu tinha visto a personagem da atriz Grazzi Massafera saindo de casa com malas. Mas cuia? Como, se nunca a vi tomando chimarrão, nem mesmo tererê?
   Aí fiquei pensando na origem do termo. Corro o risco de meu amigo Aldo Jung, jornalista superinteligente, perspicaz e culto me corrigir daqui a pouco, dizendo que é um “baita chute” meu e me provando a verdadeira origem. Azar, vamos lá:
   - Não tenho provas apenas observação baseada na lembrança da vivência. Tenho por mim que a expressão de mala e cuia tem origem no êxodo de gaúchos para São Paulo e Rio de Janeiro há poucos anos, especialmente jornalistas. Como Caco Barcelos, que dispensa comentários, Carlos Augusto Schroeder (diretor-geral da Rede Globo), Ana Hickmann, Carlos Dornelles, Ananda Appel, Flávio Fachel, Régis Roesing, Solano Nascimento, Eliane Brum e uma série de outros gaúchos, as expressões do Sul começaram a se espraiar.
  Os primeiros da onda de jornalistas que se transferiram para o centro do país levaram mala... e cuia onde faziam, não sei se ainda fazem, o seu chimarrão diário. E aí, nada mais correto dizer mudar-se de mala e cuia quando se quer dizer definitivamente para outro lugar. Tenho notado que esse termo vem se repetindo em nível nacional. Minha ideia de que tem a ver com os gaúchos está exatamente nesses apetrechos. Hoje, até os nordestinos estão se mudando de mala e cuia, quando, na verdade, deveria dizer que se mudam de mala e rede.

domingo, 5 de maio de 2013

AVENTURAS DO AMIGOMEU NA CAPITAL

Amigomeu é um cara tosco, mas tem bom coração. Gosto dele. Por ter nascido e morado em uma região longínqua da campanha gaúcha, acostumado com o contato com os animais xucros, na solidão do pampa, e com pouco conhecimento das modernidades, ele se criou assim um pouco solto das patas. Mas tem um coração enorme, tão grande quanto a sua ingenuidade.
    Logo que veio para Porto Alegre, sem programa e sem dinheiro, saía a caminhar, a olhar edifícios mais compridos do que os mais altos eucaliptos lá de fora, as vitrines, as ruas bonitas, cheias de chinocas lindas. Um dia, caminhando pela bela e florida Avenida Bastian, no Menino Deus, notou que um menino pequeno pulava na ponta dos pés para tentar acionar a campainha. Solícito, aproximou-se do garoto e perguntou se ele queria ajuda.
- É que não alcanço ainda e tô querendo tocar a campainha.
- Deixa comigo que eu sou canhoto – disse o gauchão, com uma felicidade sem tamanho dentro do peito.
Com o dedão, apertou a campainha, sorriu e falou para o piá:
- Pronto. E agora?
- Agora é correr – disse o garoto, saindo em disparada, dando risada e dobrando a esquina, em direção à Avenida Getúlio Vargas.
Surpreso, Amigomeu mal teve tempo de correr também, mas passou sebo nas canelas. Deitou o cabelo, como se dizia lá em Bagé, mas ainda ouviu o grito de um homem idoso, vestindo pijama que chegou a avistá-lo.
- Mas que barbaridade! Um baita homem desse brincando de tocar campainha.