sábado, 16 de fevereiro de 2013

O IRMÃO DE AMIGOMEU E O SUFOCO NA VILA

Amigomeu, já contei aqui, é um cara tosco, mas é meu amigo. A família dele, porém, não é composta só de toscos não. O irmão mais novo, por exemplo, saiu inteligente e, principalmente correto. Uma das características dele é que muito mais ouve do que fala.
 E, quando fala, é movido por curiosidade produtiva que o leva a obter respostas que passam a integrar os seus conhecimentos.  Uma grande parte das coisas que já sabe é obtida em livros escolhidos, filmes interessantes e internet selecionada. Uma das coisas que ele mais faz é conversar com as pessoas e de cada uma delas tirar algum ensinamento.
  Logo que ele veio para Porto Alegre, ainda bem jovem, o irmão do Amigomeu impressionou-se  com o alto índice de criminalidade. A cada passeio pela cidade, ele ficava preocupado com a possibilidade de ser assaltado. Conversando com um amigo, ficou sabendo que, diferentemente da pequena comunidade no Interior em que ele vivia, não existia muita hospitalidade em determinadas vilas de Porto Alegre. Pelo contrário, em algumas até mesmo a polícia evitava entrar sem muito aparato, especialmente à noite. O amigo, então, deu-lhe um conselho para o caso de entrar por engano em alguns desses locais: para evitar assaltos ou até mesmo agressões, se fosse abordado imediatamente por desconhecidos, importante seria justificar de alguma forma o motivo de estar ali. O melhor seria dizer que foi em busca de drogas. Caso contrário, poderia ser confundido com policial ou informante ou jornalista interessado em fazer alguma matéria que leve à prisão deles.
  O irmão do Amigomeu prestou bem atenção no que o outro falou, mas nem cogitou da possibilidade de que pudesse colocar isso em prática. Mas o destino é irônico. Um dia, ao pegar um ônibus errado, o irmão do Amigomeu desceu exatamente dentro de uma vila conhecida por todos, menos por ele, como um ponto de alto comércio de drogas.
   Com relógio no pulso, correntinha de ouro no pescoço e bem-vestido, o irmão do Amigomeu ficou gelado. E aí lembrou-se do conselho do amigo dele. E não deu outra. Rapidamente, foi cercado por um grupo que saíra não se sabe de onde. Um dos caras perguntou:
- O que tu tá fazendo aqui na vila, bacana? De onde que tu é?
- Vim aqui pra comprar um bagulho – respondeu, esforçando-se para que eles não percebessem que estava tremendo.
- E qual o bagulho que tu “qué”?
Sem experiência nenhuma com o assunto, vacilou um pouquinho, mas logo se recuperou:
- Quero maconha, quero 5 mil cruzeiros.
- Tá, espera aqui.
O sujeito saiu rapidamente, pulou dois muros de residências e desapareceu.  Os outros caras ficaram ali, conversando entre eles.
Demorou um pouquinho, que para ele foi uma eternidade. Pela cabeça, passou um monte de filmes, não da vida dele, mas dos que vira no cinema. Até que o traficante voltou e entregou-lhe um pacotinho. Ele deu tchau e saiu rapidamente da vila. Como não gostava de drogas, procurou rapidamente um bueiro para jogar fora a maconha. No caminho, bateu-lhe um pavor. E se a polícia o encontrasse com aquela droga? O destino não estava a fim de sacaneá-lo mais. Assim que se desfez do bagulho, seguiu rapidamente para casa e levou umas duas horas para se acalmar.

3 comentários:

Ane Brasil disse...

Maconha do tempo do cruzeiro???ô, meu pai, haveria de ser de boa qualidade. pobre curioso!
Sorte e saúde pra todos!

Dalva M. Ferreira disse...

Taí, gostei.

Anônimo disse...

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marκs.

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