sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

AMIGOMEU RECEBEU NOME EM HOMENAGEM A UM AMIGO DO PAI DELE

Quinze dias depois que Amigomeu nasceu, o pai dele montou a cavalo e se foi para o povoado para registrar o filho. Chegou ao cartório e disse ao escrivão que desejava pôr um nome na criança que homenageasse  um amigo dele, do pai, não do escrivão. Do pai de Amigomeu, não do pai do pai de Amigomeu. O funcionário perguntou qual era o nome pelo qual o piá deveria ser chamado. O pai de Amigomeu era tão ou mais tosco do que ele, Amigomeu, viria a ser. Olhou para o escrivão, tossiu, olhou para cima e nada de lembrar como era o nome daquele amigo que ele tanto admirava. Lembrou-se de todos os conhecidos, mas o nome não vinha.  Estava na ponta da língua, mas não saltava. Lembrou-se até os nomes dos cachorros que tinha: o Rex, o Sansão, o Lobo e até o Zé Tiquinho. Recordou o nome dos bois, Manhoso, Pintado, Delegado, nada. 
     O escrivão, impaciente, perguntou se ele tinha certeza de que queria homenagear esse amigo se nem o nome dele lembrava. Ele argumentou que ultimamente vinha tendo uns esquecimentos, mas insistia na homenagem a uma pessoa tão direita, tão distinta, a quem toda família tinha um grande apreço.
     Tanto foi e tanto não foi que o pai finalmente resolveu a questão. Já que sua memória não ajudava, ele iria homenagear o amigo de qualquer forma. Mandou o escrivão tacar ali na certidão: Amigomeu Silva da Silva. E ponto final.

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