quarta-feira, 13 de novembro de 2013

JORNALISTAS DE ZERO HORA GANHAM A PRINCIPAL DISTINÇÃO DO PRÊMIO ESSO

Quatro jornalistas de Zero Hora ganharam o prêmio principal da 58ª edição do Prêmio Esso de Jornalismo. José Luís Costa, Humberto Trezzi, Marcelo Perrone e Nilson Mariano conquistaram o primeiro lugar com o trabalho Os Arquivos Secretos do Coronel do DOI-Codi. A reportagem foi realizada a partir dos arquivos do coronel da reserva do Exército Julio Miguel Molina Dias, chefe do DOI-CODI no Rio, nos anos 1980, que morreu ao sofrer um assalto em 2012 em Porto Alegre. O trabalho permitiu desmentir versões oficiais de episódios do período militar como o Caso Rubens Paiva e o das bombas explodidas no Rio-Centro. Os vencedores recebem o diploma e dividem o prêmio de R$ 30 mil.
Conforme o site do principal concurso para jornalistas no país, além do prêmio principal, mais 13 trabalhos foram destacados: os prêmios Esso de Reportagem, Fotografia e Telejornalismo e outras 10 premiações de categorias. Conforme a organização do concurso, mais de 31 mil trabalhos foram examinados pelas comissões de julgamento.
Humberto Trezzi

Nilson Mariano

José Luís Costa

Marelo Perrone

AS  DEMAIS PREMIAÇÕES:
TELEJORNALISMO– 
Equipe da Rede Record, liderada pelo jornalista Luiz Carlos Azenha, com a série de cinco reportagens intitulada AS CRIANÇAS E A TORTURA. O trabalho revela o horror experimentado por crianças afastadas dos pais, presas junto com eles, usadas como ameaça nas sessões de tortura e muitas vezes obrigadas a assistir às agressões no período da ditadura militar no Brasil.

REPORTAGEM                                                                                                        Jornalistas Roberto Kaz, José Casado e Glenn Greenwald, com o trabalho Na mira dos EUA, publicado no jornal O GLOBO. O trabalho é baseado em documentos da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA), vazados pelo ex-agente Edward Snowden. O material tornou público pela primeira vez que o governo americano compilou milhões de emails e telefonemas que passaram pelo Brasil, levantando horário e duração, endereço eletrônico de autores e destinatários.

Flagrante de Victor Dragonetti Tavares ganhou o Esso de Fotograrfia
 FOTOGRAFIA                                                                                      Victor Dragonetti Tavares, o Drago, com a fotografia PM Ferido Afasta Agressores, publicada na Folha De S. Paulo.

INFORMAÇÃO ECONÔMICA                                                                   Demétrio Weber, com o trabalho Uma Década de Bolsa Família, publicado no jornal O Globo.

INFORMAÇÃO CIENTÍFICA, TECNOLÓGICA OU AMBIENTAL
  Miriam Leitão e Sebastião Salgado, com o trabalho Paraíso Sitiado, publicado no jornal O Globo.

EDUCAÇÃO
  Érica Fraga, com o trabalho Atratividade e Resultados das Políticas de Cotas nas Universidades Públicas Brasileiras, publicado na Folha de S. Paulo.

PRÊMIO ESPECIAL DE PRIMEIRA PÁGINA
Carlos Marcelo Carvalho, Janey Costa, Álvaro Duarte, Renata Neves, Ney Soares Filho, Rafael Alves, Júlio Moreira, Josemar Gimenez e João Bosco Martins Sales, com o trabalho Oscar Niemeyer, publicado no jornal Estado de Minas.

CRIAÇÃO GRÁFICA - CATEGORIA JORNAL
Amaurício Cortez, Gil Dicelli e Pedro Turano, com o trabalho Planeta Seca, publicado no jornal O Povo (Fortaleza).

CRIAÇÃO GRÁFICA - CATEGORIA REVISTA
Rafael Quick, Luiz Romero, Alex Silva, Jorge Oliveira e Fabricio Miranda, com o trabalho O Que Comem os Atletas, publicado na revista Superinteressante.

PRÊMIO ESSO REGIONAL NORTE/NORDESTE
Bruno Albertim, com o trabalho Identidade Comestível, publicado no jornal do Commercio (Recife).

PRÊMIO ESSO REGIONAL CENTRO-OESTE
Ana Maria Campos e Lilian Tahan, com o trabalho O Poder da Terra, publicado no Correio Braziliense.

PRÊMIO ESSO REGIONAL SUL
Rogerio Waldrigues Galindo, Bruna Maestri Walter, José Marcos Lopes e Rosana Félix, com o trabalho Crime sem Castigo, publicado na Gazeta do Povo, do Paraná.

PRÊMIO ESSO REGIONAL SUDESTE
Luiza Villaméa, com o trabalho filhos do Brasil, publicado na revista Brasileiros.

MELHOR CONTRIBUIÇÃO À IMPRENSA                                                           Revista de Jornalismo ESPM - edição brasileira da Columbia Journalism Review e Folha de S. Paulo, pelo projeto Folha Transparência.

MELHOR CONTRIBUIÇÃO AO TELEJORNALISMO                                            A Comissão de Premiação de Telejornalismo concedeu a distinção de Melhor Contribuição ao Telejornalismo ao trabalho Protestos Junho 2013, de Fernando Canzian e equipe, da TV Folha, exibido na TV Cultura.

Comissão Especial de Fotografia, a quem coube apontar o trabalho vencedor dentre os dez trabalhos fotográficos finalistas, foi constituída pelos jurados: Alaor Filho – PRINTRIO; Agliberto Lima – Diário do Comércio – SP; Alberto Jacob Filho - ARFOC-RIO; Alcyr Cavalcanti – ARFOC; Alexandre Sassaki - O GLOBO; André Feltes - DIÁRIO GAÚCHO; André Sarmento – ÉPOCA; Arnaldo Carvalho – JORNAL DO COMMERCIO – PE; Carlos Casaes – A TARDE – BA; Carlos Menandro – Vencedor do Prêmio Esso de Fotografia 1986; Cléber Gomes – A NOTÍCIA – SC; Clóvis Miranda – A CRÍTICA – AM; Diego Padgurschi – FOLHA DE S.PAULO; Eduardo Ribeiro - JORNALISTAS & CIA; Eduardo Soares de Queiroz - DIÁRIO DO NORDESTE; Eduardo Nicolau – O ESTADO DE S. PAULO; Evandro Monteiro – Vencedor do Prêmio Esso de Fotografia 2005; Evandro Teixeira; Flávio Rodrigues – PHOTOSYNTESIS; Francisco Guedes (Chico) – A GAZETA – ES; Francisco Fontenele - O POVO (Fortaleza); Germano Lüders – EXAME; Guilherme Busch – CORREIO POPULAR; Gustavo Azeredo – EXTRA; Heitor Cunha – Diário de Pernambuco; Hélio Campos Mello - REVISTA BRASILEIROS – Vencedor do PEJ 1991; Inácio Teixeira - ARFOC-SP; Jefferson Botega – ZERO HORA; João Alfredo Bruschz – GAZETA DO POVO; João Alves Filho – MEIO NORTE – PI; Leopoldo Mesquita - REVISTA FHOX; Marcelo Rodrigues Silva – COMÉRCIO DA FRANCA – SP; Luiz Tajes - CORREIO BRAZILIENSE; Luiz Morier - Vencedor do Prêmio Esso de Fotografia 1983 e 1993; Marcelo Prates - HOJE EM DIA; Mara Lúcia da Silva – Carta Capital; Márcio Costa e Silva – CORREIO*; Monica Maia – Doc Galeria; Niels Andreas – Bondorff Produções; Patrick Szymshek – LANCE; Paulo Marcos de Mendonça Lima (O DIA e BRASIL ECONÔMICO); Paulo Rodrigues; Reginaldo Manente - Vencedor do Prêmio Esso de Fotografia 82 – menção honrosa 62, 63 e 65; Rejane Araújo – O TEMPO; Rogério Reis - AGÊNCIA TYBA; Sergio Branco – FOTOGRAFE MELHOR; Sérgio Ranalli – FOLHA DE LONDRINA; Sidney Lopes – ESTADO DE MINAS; Silas Botelho – VALOR ECONÔMICO; Weimer Carvalho – O POPULAR – GO.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

UMA HISTORIA DE MARIA DO CÉU, UMA DAS IRMÃS DO AMIGOMEU

Maria do Céu é a caçula da família do Amigomeu. Como os demais irmãos, tem no nome a marca de uma personalidade forte do pai deles, o seu Waldemar. Rapa do tacho de uma família de seis filhos, foi batizada assim porque essa foi uma das entusiasmadas frases que o pai dela ouviu da esposa no momento da concepção. Seu Waldemar contou um dia, depois de ter tomado umas cachaças no churrasco, que tinha sido o maior momento de sexo que sua mulher, Dona Idalina, tinha vivido. Quando a filha nasceu, ainda se lembrando daquela noite, ele pensou em botar no nenê o nome de Minha Nossa Senhora, mas achou que ia ficar muito cumprido e a registrou como Maria do Céu. Se ele tivesse contado ao escrivão do cartório o motivo do nome e, se o funcionário fosse letrado, certamente teria colocado uns dois pontos de afirmação ao lado do nome dela na certidão.
  Maria do Céu trabalhou bastante na vida, primeiro ajudando a mãe nas lidas da casa. Depois, quando se mudou para Bagé com a família, foi balconista de uma livraria, cuidou de enfermos e estudou o ginásio no Instituto São Pedro, no bairro Povo Novo, também conhecido como Getúlio Vargas. Aliás, Getúlio era o nome do irmão mais velho, que ganhou esse nome por causa da admiração do pai pelo presidente. Seu Waldemar não admitia alguém dissesse na sua frente que o presidente de São Borja tinha sido ditador. Além do Amigomeu, cujo nome foi uma homenagem que seu Waldemar quis fazer a um vizinho, do qual esqueceu o nome na hora de registrar, Maria do Céu era irmã também de Deudeci, talvez a mulher mais magra do mundo, de Deuseamor, o Momô, que virou pastor e foi morto por engano pouco depois de sair do templo, e Amaralina, em homenagem a uma garota que seu Waldemar conheceu em uma praia de Salvador durante uma viagem.
  Quando veio com Momô, Deudeci e Amigomeu para Porto Alegre, Maria do Céu arrumou um emprego. Mas trabalhava tanto, sofria tanto com as correrias da cidade grande, chegou a um ponto de estafa tão grande que acabou tendo problemas de cabeça. Quando a aconselharam a fazer terapia, consultou um psiquiatra, que também atuava como médium em um centro espírita nas horas vagas. Logo que começou a relatar suas angústias, o médico perguntou se ela ouvia vozes.
 - Sim. Ouço frequentemente vozes estranhas, algumas de gente que falava coisa sem sentido e a maioria como se estivessem bêbadas.
- Isso é muito comum – acrescentou o psiquiatra com um ar de quem conhece tudo sobre este e sobre o outro mundo.
Foi então que fez a pergunta mais importante:
- E desde quando tu ouves essas vozes, minha filha?

- Desde que me trocaram de turno e comecei a trabalhar à noite no Diário Gaúcho. Eu sou telefonista. 

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

UM PORTO NÃO MUITO ALEGRE

Antes de mais nada, quero dizer que adoro Porto Alegre. Mas sou obrigado a revelar que me sinto um pouco incomodado quando saio às ruas. Começa com esse monte de obras que atrapalha o trânsito já tão caótico por si mesmo. Nunca vi uma lerdeza tão lerda. Essas obras se arrastam de forma impressionante, descumprindo todos os programas, os contratos, irritando principalmente os moradores desses locais.
  Sinto a mesma coisa quando ando pelo Centro. Não preciso me esforçar tanto para encontrar coisas incompreensíveis. Nem quero saber quem são os responsáveis, se municipais, estaduais ou federais. Não me prendo a politicagens. Inicio com a ponte do Guaíba, inaugurada em 28 de dezembro de 1958. É uma ponte que separa em vez de unir, se lembrarmos quantas vezes o vão móvel foi levantado para permitir a passagem de navios, interrompendo o trânsito de veículos. Quando criada, 55 anos atrás, quem a idealizou sequer pensou na utilização mais intensa do Guaíba para navegação de transporte. Nesses anos todos, os administradores não concretizaram uma nova ponte mais prática e mais moderna. Como em outras eras, surgem agora anúncios de construção de uma nova travessia, que, se sair do papel, permitirá a passagem de navios sem prejudicar o trânsito. Daqui a pelo menos 20 anos.
   Bem no Centro, vejo o Mercado Público com uma parte do andar superior interditada devido ao incêndio de 6 de julho de 2013. Quatro meses depois do sinistro, nenhum movimento de recuperação total de um dos prédios mais significativos da história de Porto Alegre. Pelo andar da carruagem, não sei quanto tempo ainda vai passar até que o mercado esteja novamente completo. Repetem-se as alegações de espera de verbas. Mais um pouquinho, e chego à Biblioteca Pública, na Rua Riachuelo a poucos passos do Teatro São Pedro, mas não posso entrar. O prédio, em estilo eclético, com detalhes neoclássicos, que começou a ser construído em 1912 e inaugurado em 1922, está em reformas, acreditem, desde abril de 2007. Uma parte do acervo está abrigada provisoriamente na Casa de Cultura Mario Quintana. Aos domingos, o prédio antigo abre apenas para recitais especiais, mas não é permitida a consulta na seção do Rio Grande do Sul. Conforme uma funcionária da biblioteca, não há prazo para o fim das reformas porque dependem do recebimento de verbas federais.
  
O mundo para nos dois lados da ponte enquanto o navio passa

Uma breve caminhada pela Avenida Borges de Medeiros nos leva a outro belo prédio antigo, que abrigou o Cinema Capitólio. O edifício, tombado pelo patrimônio cultural do município foi anunciado em 2004 com direito a notícias e fotos nos jornais e demais meios de comunicação, como sede de um moderno meio de comunicação. Batizado de Cinemateca Capitólio, com planos de abrigar também biblioteca, guarda dos acervos e pesquisa sobre a produção audiovisual gaúcha, permanece ainda fechado, dependendo de verbas.

O antigo cinema vai virar cinemateca. Quando?


Se seguirmos em direção à antiga Ponte de Pedra, que ainda está ali porque não necessita de um trabalho mais técnico nem dispendioso de conservação, encontramos, no Gasômetro, o protótipo do aeromóvel, com os pilares e plataformas como um esqueleto de um animal que não existiu. Depois de muitos anos, o aeromóvel movido a ar comprimido finalmente foi efetivado em poucas centenas de metros entre a estação do Trensurb e o Aeroporto. Já o projeto de fazer um veículo leve de passageiros deslizar do Centro, passando por sobre o Arroio Dilúvio até a PUC, nunca foi efetivado. Por fim, o que também me entristece é ver a cidade com tantos indigentes nas ruas, dormindo sob os viadutos, sobre as calçadas. E também o fato de o Centro ser tão fedido. E aí me dou conta de que não há mictórios públicos gratuitos e decentes para a população que, por esse motivo e pela falta de educação, alivia-se nos cantos das paredes ou entre os carros. Vejo também que os poucos mictórios públicos como na parte inferior do Viaduto Borges de Medeiros ou na Praça da Alfândega, em reforma, não apresentam placas indicativas. Dá a entender que não é interessante que o povo utilize esses sanitários. A Copa do Mundo já está logo aí. Daqui a pouco, Porto Alegre estará cheia de turistas que, certamente, vão ter essa mesma sensação que tenho.
O local é um mictório público. Só quem já conhece, sabe.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

AVOLICES DE OUTUBRO - MAIS HISTÓRIAS SOBRE O MEU PEQUENO CHEFE

Meu Pequeno Chefe é uma figura. Aos três anos e cinco meses incompletos, quando ele quer alguma coisa boa para si próprio, não hesita em mandar alguém fazer:
- Vô, quero suco! Vô, quero água!Vô quero pão com nagalina!
- Não é nagalina, Raphael, é margarina.
- Tá. Quero pão com margarina.
Mas há algumas coisas que ele não manda ninguém fazer. Faz ele mesmo. Como arrancar a tampa do relógio que marca o consumo de água, fechar o registro fazendo a gente achar que o DMAE cortou o abastecimento, desenroscar e consumir com a embocadura da mangueira e mexer no pote de água do Bolt, por exemplo. O que eu acho bom é que não põe a culpa em ninguém, nem na Luísa:
- Raphael, quem foi que fez isso?
-Eu, né?
Meu Pequeno Chefe costuma andar por todos os cômodos da casa com uma espécie de visão panorâmica e, ao mesmo tempo, detalhista. Nesta semana, ele notou um porta-retrato da família sobre a estante que separa o hall da sala de estar. Perguntou para a avó dele quem eram as pessoas do retrato e, especialmente, quem era aquele bebê no colo dela.
- É a Luísa, Raphael.
- Mas então eu não estou na foto, né?
- E que tu não era nascido. Nem tu nem a Gabriela, da tia Cris.
- Mas então tu vai mandar fazer uma outra foto comigo, né vó?
Agora temos que reunir todos e fazer uma nova fotografia para botar sobre a estante. Enquanto não providenciamos isso, resolvi tirar uma foto dele com o retrato da família. Depois que apertei o botão, ele já foi querendo ver e perguntando:
- Ficou boa, vô? Ficou boa?
Esse meu pequeno chefe é uma figura.

É uma figurinha esse Raphael Nunes Knaak

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

NÃO JOGUE MEDICAMENTO NO LIXO, DOE AO BANCO DE REMÉDIOS

Dálmaso criou ONG para impedir o desperdício
Sabe aquele momento em que o mala do seu cunhado faz um tratamento médico e para de tomar os remédios quando acha que já tá bom?  Sabe quando morre um parente, e os remédios que ele tomava ficam nas gavetas e nos armários. Sabe quando sobram medicamentos na sua casa? E aí? O que você faz? Você não pode obrigar o seu cunhado mala a tomar os remédios. Você não vai me dizer que deixa ali até perderem o prazo de validade ou põe no lixo, vai?
Em Porto Alegre, há um lugar onde você pode levar os medicamentos que sobraram. É o Banco de Remédios, que funciona na sala 118 do Mercado Público, no andar superior. Essa ONG foi criada há oito anos por Dálmaso Macmillan,  60 anos. Ele teve a ideia depois de ter se submetido a um transplante de rim e encontrado dificuldades para conseguir os medicamentos. Dálmaso é um dos raros transplantados que não necessitam mais de remédios.
    Inconformado com o desperdício, Dálmaso organizou a ONG, que já funcionou em uma sala da Galeria Malcon, na Rua da Praia, e atualmente está nos altos do Mercado Público. Segundo ele, um terço em média dos medicamentos comercializados no mundo acaba desperdiçado. Mais de 1,5 mil pessoas estão entre as beneficiadas. Existem no estoque desde analgésicos até medicamentos para doenças mais graves como o câncer, problemas renais, cardíacos ou diabetes.
 Para receber o remédio, é necessário fazer um cadastro na associação e pagar uma taxa mensal de R$ 20. Além de ter direito a qualquer tipo de medicamento que necessitar, o associado também recebe informações jurídicas para o caso de precisar exigir medicamentos da farmácia pública via judicial. Dálmaso explica que o valor não está ligado ao preço do remédio e visa a ajudar nas despesas já que a ONG funciona sem apoio dos governos. “Com isso, mantemos a isenção e a autonomia”, diz.
 Se alguém necessitar de remédios por não encontrá-los nas farmácias públicas, mas não for associado, é orientado a procurar a Defensoria Pública para ingressar na Justiça contra o Estado, que tem a obrigação de fornecer os medicamentos. Os pedidos e doações são feitos diretamente no local, por telefone ou até pelas redes sociais. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (051) 3286-8579. No Facebook, o serviço está com o nome de Banco de Remédios e, no twitter, @bancoderemedios.
Para se cadastrar, é necessário apresentar carteira de identidade, CPF, comprovante de residência, cartão do SUS e receita médica. Para doar, basta levar os remédios.




quinta-feira, 17 de outubro de 2013

DIVULGADA LISTA DOS FINALISTAS DO PREMIO ESSO 2013

Jornalistas, parentes e amigos de jornalistas, leitores, ouvintes, telespectadores e internautas aguardam com ansiedade o resultado do Prêmio Esso de Jornalismo 3013. Na quarta-feira, 16, foi divulgada a relação dos finalistas. Nesta edição, foram inscritos 1.210 trabalhos. As comissões examinaram 562 reportagens e séries de reportagens, 245 fotos, 333 trabalhos de criação gráfica (jornal, revista e primeira página) e 70 de jornalismo. Além do prêmio principal, que pagará R$ 30 mil, do Prêmio de Telejornalismo, fixado em R$ 20 mil, serão entregues R$ 10mil para Reportagem e Fotografia, R$ 5 mil para cada uma das categorias de informação Econômica, Informação Científica, Tecnológica u ambiental, Educação, Criação Gráfica – Revisa, Primeira Página, e três mil para cada um dos quatro primeiros prêmios regionais. O Prêmio Esso completa, neste ano, 58 anos de premiações.

Na Região Sul, concorrem os repórteres José Luís Costa, Humberto Trezzi, Marcelo Perrone e Nilson Mariano, de Zero Hora. Joice Bacelo, Guilherme Mazui, Jeferson Cioatto e Ronald Baptista, do Diário Catarinense. Diogo Vargas, Felipe Pereira e Ivan Rodrigues, também Diário Catarinense. Mauri König, da Gazeta do Povo, do Paraná. Rogério Waldrigues Galindo, Bruna Maestri Walter, José Marcos Lopes e Rosana Félix, da Gazeta do Povo, também do Paraná.

A LISTA


PREMIO ESSO DE JORNALISMO


Fotografia
- Fabio Rocha Braga, com a fotografia "Palácios invadidos", publicada na Folha de S.Paulo
- Victor Dragonetti (Drago), com a fotografia "PM ferido afasta agressores" e o conjunto de fotos "Fragmentos de uma manifestação" parte da Revista São Paulo, ambos publicados na Folha de S.Paulo
- Eduardo Anizelli, com a fotografia "PM que bate", publicada na Folha de S.Paulo
- Paulo Whitaker, com a fotografia "Enfrentando os poderes da corrupção", publicada na Folha de S.Paulo
- José Pedro Monteiro, com a fotografia "Precisa disso?", publicada em O Dia
- Daniel Teixeira, com as fotografias "Polícia Militar reprime manifestação na Av. Consolação e tentativa de invasão à prefeitura de São Paulo", publicadas no Estadão
- Evelson de Freitas, com a fotografia "Black Blocs", publicada no Estadão
- Lucas Figueiredo, com a série de fotografias "Guerra do tráfico termina em morte" e 'Protesto' em SG, publicada no jornal O São Gonçalo
Informação econômica
- Daniel Barros e Patrícia Ikeda, com o trabalho "A festa dos royalties", publicado na revista Exame
- Gabriela Valente, com o trabalho "Minha casa minha vida", publicado em O Globo
- Victor Martins, Vicente Nunes, Deco Bancillon, Luiz Ribeiro, Marcus Saldanha, Paulo Silva Pinto e Rosana Hessel, com o trabalho "O Brasil que ninguém vê", publicado no Correio Braziliense
- Demétrio Weber, com o trabalho "Uma década de bolsa família", publicado em O Globo
- Bruno Ferrari e Flávia Furlan, com o trabalho "Nunca seremos ricos?", publicado na revista Exame

Informação científica, tecnológica e ambiental
- Miriam Leitão e Sebastião Salgado, com o trabalho "Paraíso sitiado", publicado em O Globo
- Mateus Parreiras, Luiz Ribeiro, Leandro Couri, Solon Queiroz e Beto Novaes, com o trabalho "A morte lenta do velho Chico", publicado no Estado de Minas
- Melquíades Júnior, com o trabalho "Viúvas do veneno", publicado no Diário do Nordeste
- Maristela Crispim, Fernando Maia e Emerson Rodrigues, com o trabalho "O deserto avança/ o deserto contido", publicado no Diário do Nordeste
- Flávia Milhorance e Renato Grandelle, com o trabalho "O desafio dos parques nacionais", publicado em O Globo

Educação
- Elisângela Fernandes e Bruna Nicolielo, com o trabalho "Por que eles estudam tão longe?", publicado na revista Nova Escola
- Érica Fraga, com o trabalho "Atratividade e resultados das políticas de cotas nas universidades públicas brasileiras", publicado na Folha de S. Paulo
- Lauro Neto e Efrém Ribeiro, com o trabalho "Estado laico, educação nem tanto", publicado em O Globo
- Vera Araújo, com o trabalho "Infância interrompida", publicado em O Globo
- Ana Ligia Scachetti e Manuela Novais, com o trabalho "A escola e a Amazonas", publicado na revista Nova Escola

Primeira Página
- Morgana Miranda, com o trabalho "Agenda Ba-Vi", publicado no jornal Correio
- Álvaro Duarte, Josemar Gimenez, João Bosco Martins Sales, Carlos Marcelo Carvalho, Renata Neves, Ney Soares Filho, Rafael Alves, Janey Costa e Júlio Moreira, com o trabalho "Oscar Niemeyer", publicado no jornal Estado de Minas
- Bárbara Carvalho, Aline Fialho e Evandro de Assis, com o trabalho "Carregando...", publicado no Jornal de Santa Catarina
- André Hippertt, com os trabalhos "Pesadelo americano" e "Oscar Niemeyer – o adeus ao amante das curvas", publicados no jornal O Dia

Criação gráfica – jornal
- Luísa Bousada de Melo e Francisco Silva, com o trabalho "Caminho do ouro", publicado no jornal O Dia
- Fabio Marra, William Mur, Pablo Mayer e Roberto Oliveira, com o trabalho "DNA paulistano 2012", publicado na Folha de S. Paulo
- Amauricio Cortez, Gil Dicelli e Pedro Turano, com o trabalho "Planeta seca", publicado em O Povo
- Andrea Pahim, Adriano Araújo, André Graciotti, Fabrizio Yamai, Leonardo Rodrigues, Luihz Unreal e Odair Dias, com o trabalho "Mangás gastronômicos", publicado no "Paladar", em Estadão
- Carla Tenório, com o trabalho "Os meninos do Brasil", publicado no Jornal do Commercio (Recife).

Criação gráfica – revista
- Fabio Bosque Ruy, Fábio Volpe, Fábio Sasaki, Giovana Moraes Suzin, Paulo Montóia, Paulo Zocchi, Thereza Venturoli e Yuri Vasconcelos, com o trabalho "Planeta ONU", publicado no Almanaque Abril
- Rafael Quick, Luiz Romero, Alex Silva, Fabricio Miranda e Jorge Oliveira, com o trabalho "O que comem os atletas", publicado na revista Superinteressante
- Millos Kaiser, Rafaela Ranzani, Ian Herman, Bruna Sanches, Letícia González, Bruna Bopp, Carol Sganzerla, Micheline Alves, Fernando Luna, Ciça Pinheiro e Victor Affaro, com o trabalho "Vida perfeita só existe no Facebook", publicado na revista TPM
- Rafael Quick, Dulla, Bruno Luna, Karin Hueck, Fabricio Miranda e Jorge Oliveira, com o trabalho "A Morte como ela é", publicado na revista Superinteressante
- Teté Ribeiro, Adriana Komura e Luciano Schmitz, com o trabalho "A iluminada", publicado na revista Serafina da Folha de S. Paulo

Regional Norte/Nordeste
- Ciara Carvalho, com o trabalho "Os meninos do Brasil", publicado no Jornal do Commercio (Recife).
- Ismael Machado, com os trabalhos "Os Suruí e a guerrilha do Araguaia" e "Marcadas para morrer", publicados no Diário do Pará
- Fabiana Moraes, com o trabalho "Ave Maria", publicado no Jornal do Commercio (Recife).
- Bruno Albertim, com o trabalho "Identidade comestível", publicado no Jornal do Commercio (Recife).

Regional Centro-Oeste
- Ana Maria Campos e Lilian Tahan, com o trabalho "O poder da terra", publicado no Correio Braziliense
- João Valadares, com o trabalho "Os diplomatas fantastmas", publicado no Correio Braziliense
- Gustavo Aguiar, com o trabalho "As fiapeiras de Frecheirinha", publicado no Campus repórter
- Renata Mariz, João Valadares e Leonardo Augusto, com o trabalho "A insanidade do sistema - uma radiografia da loucura encarcerada no Brasil", publicado no Correio Braziliense
- Adriana Caitano e João Valadares, com o trabalho "Longe do trabalho: funcionários que assombram o serviço público", publicado no Correio Braziliense

Regional Sul
- Mauri König, com o trabalho 'Órfãos da seca", publicado na Gazeta do Povo
- José Luís Costa, Humberto Trezzi, Marcelo Perrone e Nilson Mariano, com o trabalho "Os arquivos secretos do coronel do DOI-CODI, publicado na Zero Hora
- Rogério Waldrigues Galindo, Bruna Maestri Walter, José Marcos Lopes e Rosana Félix, com o trabalho "Crime sem castigo", publicado na Gazeta do Povo
- Joice Bacelo, Guilherme Mazui, Jeferson Cioatto e Ronald Baptista, com o trabalho "Pedágio sob suspeita", publicado no Diário Catarinense
- Diogo Vargas, Felipe Pereira e Ivan Rodrigues, com o trabalho "A máfia das cadeias", publicado no Diário Catarinense

Regional Sudeste
- Roberto Kaz, Glenn Greenwald e José Casado, com o trabalho "Na mira dos EUA", publicado em O Globo
- Sérgio Pardellas, Alan Felisberto Rodrigues e Pedro Marcondes de Moura, com o trabalho "O escândalo do metrô - propinoduto tucano", publicado na revista IstoÉ
- Luiza Villaméa, com o trabalho "Filhos do Brasil", publicado na revista Brasileiros
- Miriam Leitão e Sebastião Salgado, com o trabalho "Paraíso sitiado", publicado em O Globo
- Leandro Colon, Vera Magalhães e Filipe Coutinho, com o trabalho "Nas asas da FAB", publicado na Folha de S. Paulo

Telejornalismo
- Lúcio de Castro, Fábio Calamari, Rosemberg Faria, Luiz Ribeiro, Alexandre Valim, Andrei Oliveira, Luís Alberto Volpe e Stela Spironelli, com o trabalho "Memórias do chumbo - o futebol nos tempos do Condor", transmitido pelo ESPN BRASIL.
- Aline Midlej, Anísio Barros, Alziro de Oliveira e Pedro Veloso, com o trabalho "Esquadrão da vida", transmitido pela Rede Bandeirantes
- Márcia Silveira Da Cunha, Luiz Carlos Azenha, Ana Haertel, Sheila Fernandes, Edgard Luchetta, Yoshio Tanaka, Aruan Santos, Márcia Cunha, Igor Arroyo, Elias Rodrigues e Francisco Gomes, com o trabalho "As crianças e a tortura", transmitido pela Rede Record
- Roberto Cabrini, Fernando Rodolfo, Thiago Bruniera, Matheus Caselato, Pedro Cerantula, Bruno Chiarioni e Daniel Vicente, com o trabalho "Os porões do futebol", transmitido pelo SBT
- Roberto Cabrini, Fernando Rodolfo, Thiago Bruniera, Angélica Pires, Bruno Chiarioni, Márcio Ronald e Daniel Vicente, com o trabalho "De volta à casa dos esquecidos", transmitido pelo SBT
- Fabio Diamante, Ronaldo Dias, Cristian Robert Mendes, Fábio Serapião, Edvaldo Carvalho e Carla Deboni, com o trabalho "Ponto médicos", transmitido pelo SBT
- Fernando Canzian, André Felipe, Bia Bittencourt, Carlos Cecconello, Cesar Gananian, Dani de Lamare, Demetrius Daffara, Douglas Lambert, Fábio Marra, Felix Lima, Giuliana Vallone, Henrique Cartaxo, Isadora Brant, João Wainer, Mário Kanno, Márcio Neves, Melina Cardoso, Rodrigo Machado e Yago Metring, com o trabalho "Protestos de junho 2013", da TV FOLHA, transmitido pela TV CULTURA
- Roberta Salinet, Greetchen Ihitz, Cristiano Mazoni, Carmem Lopes, Julio Ferreira e Paulo Sergio Martins, com o trabalho "O pior lugar do mundo", transmitido pela TV RBS.


Vidacuriosa com coletiva.net.com


 

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

RELATOS DE UM PASSEIO NA TARDE E NOITE NA CAPITAL:

     Saí de casa no meio da tarde de quarta-feira e não imaginei que teria tanta coisa para ver e ouvir. Uma passada pelo Centro e vi um movimento pra lá de diferente. De repente, a Rua Duque de Caxias estava vazia. Alguns passos depois, descobri o motivo. A Brigada Militar havia interrompido o trânsito porque, diante do Palácio Piratini, vários grupos faziam protestos. Entre eles, havia representantes de indígenas reclamando da falta de demarcação de áreas e grupos quilombolas também reivindicando terras, enquanto professores lutavam por salários. Impressionei-me com o número de policiais militares guardando a entrada do palácio do governo estadual. No meio da praça, mais de 70 motos estacionadas. Fiquei imaginando se todo esse aparato policial fosse usado na prevenção de crimes comuns, talvez a violência diminuísse.  Mas, para isso, seria necessário que não houvesse ameaças de depredações e agressões ou invasões. Sim, o Palácio é do povo mas o povo todo não pode querer entrar assim ao mesmo tempo.
  No Centro, índice alto de ruído com bancários em greve expondo seus motivos em alto-falantes. Cada grupo com seus motivos e reivindicações. Na Rua da Praia, duas estátuas vivas e dois músicos solitários mostravam  seus trabalhos, cada qual em um canto da rua diante de bancos fechados pela greve. Na Praça da Matriz, entro no Palácio da Justiça para falar com meu conterrâneo José Carlos Teixeira Giorgis, coordenador do Memorial do Judiciário, e assisto à sétima edição do casamento coletivo, promovido em parceria com a Corregedoria Geral da Justiça e o Registro Civil das Pessoas Naturais da 1ª Zona de Porto Alegre. Ao som de um grupo comandando pela pianista Elda Pires, 25 casais registravam seus matrimônios na Galeria dos Casamentos. Para participar, os noivos precisaram ser de Porto Alegre e declarar que não têm condições financeiras para custear os trâmites do casamento.
Foto Plínio Nunes
   Depois de ver aquela bela cena, fui ao Centro Municipal de Cultura. Lá, encontrei  a cantora Lourdes Rodrigues, a eterna Dama da Canção,
apresentando um show com entrada franca, no saguão. Com 75 anos, Lurdes, que reside em Imbé, no Litoral Norte, é uma história vida da cultura musical de Porto Alegre. Era a intérprete predileta de Lupicínio Rodrigues. Por falar no grande compositor, estava lá o filho dele, Lupicínio, que deu uma palhinha no show, assim como o cantor Cigano e vários outros amigos de Lurdes. Foi emocionante vê-la reinterpretando as grandes canções, entre elas, Barracão, composição de Luiz Antônio e Oldemar Teixeira Magalhães. Conheci Lourdes Rodrigues em 1983, quando ela era dona do Bar Carinhoso, com um sócio, e colocou um pequenino anúncio no meu jornal, Microfone, o Jornal do Rádio. Em 2008, quando ela completou 70 anos, sugeri uma matéria com ela para o Diário Gaúcho, que ficou muito legal.
 
No mesmo Centro Municipal de Cultura, mas na Sala Álvaro Moreira, assisti, em seguida, ao belo show do meu ex-colega Alexandre Oliveira, o Cabeça de Lata, chargista, cartunista e ilustrador do jornal Diário Gaúcho. Multitalentoso, Cabeça é compositor e toca vários instrumentos entre eles guitarra, teclados, viola, harmônica e até cavaquinho. Com parceiros virtuosos no baixo, guitarra e bateria, Alexandre Oliveira promoveu um grande show de rock e blues para o lançamento do CD Cabeça de Lata, o Segundo Primeiro. O espetáculo contou com a participação de convidados que tocaram guitarra, sax, pistão e trompete, e interpretaram músicas próprias do Cabeça de Lata. Mais informações sobre o grupo podem ser obtidas pelo site www.cabecadelata.com.




quinta-feira, 3 de outubro de 2013

MÃE DINAH REVELA PARA VIDACURIOSA O QUE VAI ACONTECER AMANHÃ

                                                                            Atualizado em 12/06/2014                                            
Mãe Dinah no momento em que fazia suas previsões para amanhã
Em um esforço de reportagem, clarividência e imaginação, consegui mentalizar e descobrir o telefone da famosa vidente Mãe Dinah. Quando atendeu ao telefone, disse-me "fale, gaúcho", querendo me impressionar, mas eu sei que ela viu o prefixo 51 no bina. Solicitei a ela uma entrevista para o meu blog Vidacuriosa, e ela pediu que eu dissesse quantos acessos eu tinha por dia, alegando que tinha mais o que fazer e não ia perder tempo se concentrando para adivinhar isso. Respondi que ontem 101 pessoas haviam acessado o blog e que a média era um pouquinho mais alta porque, em alguns dias, eu armava umas arapucas de curiosidades para que os meus amigos do Facebook clicassem no www.vidacuriosa.blogspot.com.br.
  Mãe Dinah disse que era muito pequena a audiência, mas como quase não estavam se lembrando dela para pautas, poderia atender-me. Adiantou, porém, que não iria perder muito tempo comigo. Por isso, concordamos que, do futuro, ela faria uma previsão de amanhã.
A terapeuta holística, sensitiva e intuitiva Mãe Dinah previu que amanhã as redes sociais estarão cheias de fotos de cachorros especialmente, mas também de gatos, e que algum maluco iria postar até mesmo a sua cobra mascote. Segundo ela, serão imagens e vídeos não só na linha de tempo, mas haverá quem colocará foto no cachorrinho substituindo a sua no perfil. Com profunda seriedade, assegurou que o Facebook terá, no Rio Grande do Sul, um grande número de fotos de cavalos, bois e ovelhinhas. Pensei em lembrar pra ela que amanhã é dia de São Francisco de Assis, padroeiro dos animais, mas deixei para dizer isso bem no final da entrevista, como um bom jornalista faz com político corrupto encrencado.
  Fora do Facebook, assegurou que haverá católicos encomendando missa e pedindo para que o padre nomine os seus bichinhos no ato em que São Francisco entraria de carona para os pedidos de graça. Eu comentei com ela que não farei esse exagero todo, mas certamente colocarei foto do Bolt, o meu cão labrador, não o recordista dos 100 metros rasos. Mãe Dinah andou errando uns prognósticos, a meu juízo, mas eu tenho quase certeza de que amanhã ela acertará em cheio.
Atualizando: Quando entrei no google hoje para ler mais informações sobre ela, me dei conta de que não era o mesmo telefone. Estou achando que liguei por engano para o meu amigo Paulo Motta, e ele me sacaneou. Bem que eu achei que a voz era conhecida.


Agora a informação séria

Benedicta Finazza, a Mãe Dinah, morreu em 3 de maio deste ano de 2014, aos 83 anos, em São Paulo. Ela ficou conhecida por ter acertado as previsões das mortes de Elis Regina, Airton Senna, Mamonas Assassinas entre outros, além da conquista do título da Libertadores por parte do Corínthians. Mas também errou uma infinidade de outros prognósticos.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

TROCADEDILHANDO I





Não tenho DÓ

da RÉ,
que zombou de MI.
Corpo de violão,
Sorriso no soFÁ.
Arma na mão e 
eu sustenido.
Levou as minhas notas,
magoou meu coração.
Duas casas depois, 
desafinou.
Mentiu pro tio,
a casa caiu, 
a cobra fumou.
Agora, vê o Sol nascer
quadradinho de oito.
.
Com pena de SI.

 

sábado, 21 de setembro de 2013

CONSIDERAÇÕES SOBRE O HINO RIO-GRANDENSE

Partituras do hino rio-grandense escritas em 1938
Maestro Joaquim Mendanha
A parte melódica do hino rio-grandense foi criada após a vitória dos farroupilhas no Combate de Rio Pardo, em 30 de abril de 1838. Além de vencer a batalha, os farrapos prenderam uma banda, liderada pelo maestro mineiro Joaquim José de Mendanha, que era um músico famoso e considerado um grande compositor. É difícil saber ao certo o que aconteceu, mas a verdade é que Mendanha foi “convencido” a compor uma peça que homenageasse a vitória das forças farroupilhas.
  O fato é que o maestro concordou em compor uma música que, segundo alguns autores, era um plágio de uma valsa do austríaco Strauss. Aí, o capitão Serafim José de Alencastre escreveu uma letra que tecia loas à tomada de Rio Pardo. A harmonização ficou a cargo de Antônio Corte Real. Quase um ano depois, uma nova letra foi composta por um autor de quem não se guardou o nome. Em 1933, quando eram feitos preparativos para o Centenário da Revolução Farroupilha, surgiu uma terceira letra, que caiu no gosto popular e ficou como versão definitiva. Era criação do poeta e compositor Francisco Pinto da Fontoura, conhecido também como Chiquinho da Vovó. 
  Já no ano de 1966, durante a Ditadura Militar, essa melodia e essa letra foram oficializadas como Hino Farroupilha ou Hino Rio-grandense força de lei. Para isso, foi cortada a segunda estrofe da letra original de Chiquinho da Vovó que dizia:

Entre nós reviva Atenas
Para assombro dos tiranos;
Sejamos gregos na glória,                                                                        E na virtude, romanos. 
 Talvez a palavra “tiranos” não tenha soado bem aos militares.
O hino então ficou assim:
Como a aurora precursora
Do farol da Divindade
Foi o 20 de setembro,
O precursor da liberdade.
(Da mesma forma que as cores do amanhecer indicam a chegada do sol, o dia 20 de setembro foi o início do caminho em busca da liberdade)

Estribilho
Mostremos, valor, constância,
Nesta ímpia e injusta guerra
(Mostremos garra, persistência, nessa guerra impiedosa e injusta)
Sirvam as nossas façanhas
De modelo a toda terra
(Que nos nossos feitos influenciem outras nações em busca de liberdade)

Mas não basta para ser livre
Ser forte, aguerrido e bravo.
Povo que não tem virtude,
Acaba por ser escravo

Foi lamentavelmente uma ironia que o hino falasse nisso já que os próprios brasileiros escravizavam os negros. Que virtudes faltariam a esse povo para livrá-lo da escravidão? Que virtudes teve um povo que prometeu liberdade aos escravos e os traiu. Os negros foram traídos pelos dois lados. O império anistiou seus inimigos, mas mandou que os escravos que lutaram contra ele voltassem para as senzalas do Rio de Janeiro. Depois de terem permitido que os próprios negros fossem massacrados no Combate de Porongos, desarmando-os, antes do combate iminente, farroupilhas assinaram a paz concordando que os negros não fossem anistiados. Justiça precisa ser feita ao general farroupilha Antônio de Souza Neto que se exilou no Uruguai e levou consigo os negros que com ele combateram. Os farroupilhas, como os imperiais sempre foram escravagistas antes e depois da Guerra dos Farrapos. Os escravos só viriam a ser libertados em 1884 em alguns lugares e oficialmente, em todo o país, em 1888.
 

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

DESPRETENSIOSAS REFLEXÕES SEMÂNTICAS SOBRE TERMOS GAUDÉRIOS

Já comentei aqui sobre o meu gosto de me debruçar sobre alguma palavra ou expressão para analisar a origem. Hoje, colhi na bateia uma pepita interessante da tradição gaúcha e comecei a raspá-la para mostrar seu verdadeiro brilho. É a palavra "china". Não encare isso como algo acadêmico porque não é. Não fiz longas e extenuantes pesquisas nem cito aqui nenhum pensador ou pesquisador renomado. É apenas uma digressão baseada em leituras aleatórias e em um processo de ligação de significados.
China, termo usado para definir uma mulher gaúcha, já foi bem mais conceituado do que agora. Designava a companheira do gaudério e tinha esse nome porque fazia menção à fisionomia da mulher de então com traços semelhantes às chinesas, quando na verdade eram indicações da herança indígena. Também a tonalidade da fisionomia levava às chinesas mas igualmente às índias brasileiras. A partir da cor de cuia, criava-se o termo morena, derivativo dos mouros, também presente no DNA de muitos portugueses e espanhóis já que os árabes muçulmanos da Mauritânia, no noroeste da África, de tez escura, dominaram a península ibérica por mais de 400 anos, convivendo com esses dois povos.
O termo china era uma referência à forma carinhosa que o gaúcho chamava a sua companheira. Mas o nome foi sofrendo uma mudança a partir da evolução dos próprios gaúchos do pampa, que cresciam economicamente com o produto da agricultura e da pecuária, mais especificamente a charqueada. Igualmente a chegada de outros povos europeus contribuiu para isso. Com isso, tinham condições financeiras para enviar seus filhos para estudos na Europa, mais especificamente na França. 
A partir daí, a preferência para chamar a mulher do gaúcho mais rico, nas fazendas, era a de prenda, termo que tem um significado de presente, regalo ou bibelô. Para alguns, não combinava chamar de china às suas alvas mulheres. O termo foi ficando mais para as mulheres pobres, companheiras de gaúchos igualmente sem posses ou sem eira nem beira. Foi se tornando cada vez mais pejorativo que passou a denominar as mulheres sem virtudes, dentro do conceito do que era isso no entendimento das classes dominantes. Até mesmo os próprios gaúchos acabaram assimilando essa troca de significados. Chinaredo, que antes era somente um conjunto de mulheres, tomou o sentido de bordel. Até mesmo o prato típico conhecido inicialmente por Arroz de China Pobre, passou a se chamar, até nos dias de hoje, Arroz de Puta Pobre. Restou para as mulheres gaúchas o termo Chinoca, que nunca sofreu qualquer discriminação.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

OBSERVANDO UM PEDAÇO DO HINO RIO-GRANDENSE À LUZ DA GRAMÁTICA

Nunca tive paciência nem habilidade para montar pecinhas de lego, jogar videogames ou me entregar a esses joguinhos do Facebook para os quais  vivem me convidando. Prefiro me divirtir muito com análises gramaticais e com o a observação da semântica das palavras. Mesmo sendo gramático amador, já que não desenvolvi estudos mais profundos e acadêmicos sobre a língua portuguesa, me amarro demais nas nuanças do idioma.
  Daí que, de vez em quando, me encarno em algumas palavras ou expressões. Agora mesmo, em tempos de festejos farroupilhas, de tanto ouvir e ler sobre o hino rio-grandense, me chamou a atenção a variada grafia que produzem de uma parte dele. Já li “de modelo a toda terra”, “de modelo a toda a Terra” e até “de modelo à toda a Terra”, ou “à toda terra”. Daí que vamos por parte, como diria o Jack, o Estripador montando lego (não consegui deixar de roubar isso do meu amigo Paulo Motta).
  Meu sonho seria pôr os olhos no original do hino-grandense, nessa letra para a música do maestro Mendanha, criada por Francisco Antônio da Fontoura, o Chiquinho da Vovó, a terceira e definitiva versão, oficializada em 1933, durante as preparações para o centenário da Revolução Farroupilha. É que eu queria ver se ele colocou “de modelo a toda terra ou de modelo a toda a Terra.” No primeiro caso, as façanhas gaúchas serviriam de modelo para qualquer terra, ou seja, para qualquer nação. No segundo caso, também megalomaníaco, indicaria modelo para todo o nosso planeta, o que daria na mesma coisa. Acredito que Chiquinho da Vovó optou por dar exemplo a qualquer terra.
  Embora venha lendo na internet, e até mesmo em jornais, a expressão com crase, ela é totalmente inexistente nesse caso. Crase é um resultado da fusão entre o artigo definido “a” e a preposição “a”. E isso não se verifica em “de modelo a toda terra”. Para entender isso, basta saber que ‘toda é um pronome indefinido que, lógico, não é precedido por artigo definido. Por isso, não há a fusão. “Ah, mas eu acho bonito usar crase porque dá um aspecto mais elegante”, me diria alguém que não se satisfaz em seguir uma norma estabelecida. Bem, nesse caso, eu sugeriria mudar a frase para “de modelo à Terra inteira” e aí não estaria errado, mas não seria o hino do Chiquinho da Vovó.

Veja, a seguir, uma decodificação de todo o Hino Rio-grandense.


quarta-feira, 18 de setembro de 2013

PENSAMENTO EM TEMPOS DE RECORDAÇÕES DO PASSADO

A carreta é uma jangada que singra o verde mar das coxilhas. E o boi, coitado, segue como vento.


O laço é o braço mágico do peão, usado para segurar o animal que não está tão perto. É como a boleadeira, com a diferença que essa técnica dos índios charruas agarrava mamíferos e inhandus (emas) pelas patas.

RE(DES)CONSTRUINDO DITADOS ANTIGOS

QUEM SEMEIA VENTOS COLHE TEMPESTADES – Não é bem assim. O vento que arranca tudo o que encontra pela frente é o mesmo que empurra decisivamente a vela do barco, que move pacientemente a pá do moinho, que segura a pandorga plasticamente no ar. O que o difere da tempestade é a intensidade e o descontrole que a faz destruir tudo. Por isso, esse ditado deveria ser mudado para: QUEM COLHE TEMPESTADE FOI PORQUE NÃO CUIDOU DO VENTO QUE SEMEOU.
  Na foto que ilustra este post, feita com maestria pelo meu ex-colega Genaro Joner, que a publicou no Facebook, serve para ajudar a mostrar a beleza de um dia de vento. 

sábado, 7 de setembro de 2013

AMIGOMEU NO ACAMPAMENTO FARROUPILHA

Encontrei o Amigomeu no Acampamento Farroupilha. Ele ajudou a montar um piquete, serrando e pregando tábuas e agora está trabalhando como assador.  Pilchado da cabeça aos pés, parece um personagem do filme do Capitão Rodrigo, com uma cuia de chimarrão que dança um floreio entre o ato de matear e a ida para o reabastecimento na cambona de água sempre quente na beira do fogo de chão. Usa chapéu com barbicacho e sempre toca a aba larga com a mão direita quando quer cumprimentar alguém. Amarrado no pescoço por um nó que levou tempo para aprender, ele ostenta um lenço colorado e veste uma camisa branca, de algodão, e uma bombacha larga cujas pernas se enfiam em uma bota preta com cano que muito sucesso fez em bailes da Campanha.
 Sorriso franco e permanente no rosto, só se transfigura se alguém diz que ele está fantasiado de  gaúcho. Com um semblante sério, diz que não é fantasia,  é traje de gala, uma pilcha, que ele não usa o ano inteiro. Para os que gostam de uma prosa mais comprida, ele pergunta se é simpático perguntar a um admirador do samba se ele está fantasiado de sambista quando sai por aí durante os ensaios de carnaval vestindo uma camisa listrada, um chapéu panamá e um mocassim branco. Ou então dizer que está fantasiada de jogador a pessoa que veste camiseta e meia com o fardamento de Grêmio ou Inter ou até do Barcelona da Espanha.
Também perde um pouco o humor quando recebe a visita de vegetarianos, veganos e outros seres diferentes dos gaudérios. A questão é que ele é o churrasqueiro do piquete. Já teve que ouvir poucas e boas sobre o costume de comer carne, mas também já se surpreendeu de ver sair dali, lambendo os beiços, um sujeito que até havia pouco desfiava uma ladainha sobre o assunto. Por que alguém vai a um acampamento gaudério sabendo que vai encontrar o que não gosta, é o que Amigomeu sempre pergunta a si mesmo e, às vezes, para esse tipo de visitante.
 No sábado, ri muito como sempre acontece quando encontro Amigomeu.  É que havia chegado um grupo de japoneses interessados em conhecer a cultura gaúcha. Era bonito de se ver o intérprete rindo muito mais do que um japonês costuma rir ao tentar traduzir aos compatriotas os causos que Amigomeu contava. Enquanto o taura falava, os japoneses abriam os olhinhos o mais que podiam e ficaram sérios, esperando a tradução. Aí desandavam a rir. Sei lá o que o tradutor dizia para eles. Uma das coisas mais engraçadas que ouvi foi a explicação de Amigomeu para os dois cavalinhos que havia no piquete, como se japonês não conhecesse pôneis:
- E uma espécie de bonsai do cavalo. Mas não é o petiço, que esse é um cavalo que Deus encurtou as patas.

Até o Mazaropi e sua senhora estão na festa


Para conhecer algumas palavras e expressões ditas no Acampamento Farroupilha acesse http://migre.me/fZsz2

MAURO CASTRO LANÇA SEU SEGUNDO LIVRO SOBRE HISTÓRIAS DE PASSAGEIROS E TAXISTAS

 Meu amigo Mauro Castro estará lançando, na próxima segunda-feira, a partir das 19h30min, o seu segundo livro. Taxitramas Diário de Um Taxista, Volume II, terá coquetel de lançamento na Companhia de Sanduíches com sessão de autógrafos e um bate-papo com o autor.
  O evento tem apoio do Diário Gaúcho, no qual o autor escreve uma coluna às segundas-feiras, da Cartaxi Publicidade em Táxis e da Evangraf. O segundo livro está sendo lançado sete anos após o primeiro volume, com 176 páginas, recheadas de histórias curiosas sobre o cotidiano dos motoristas de táxi.
  A Companhia de Sanduíches está localizada na esquina da Avenida Getúlio Vargas com Rua Saldanha Marinho, no Bairro Menino Deus, em Porto Alegre. O local é ao lado do ponto de táxi em que Mauro Castro trabalha. Ali começa a maioria das histórias que escritas com muito talento e publicadas no Diário Gaúcho, no site www.taxitramas.com.br.
  Se você quiser ganhar um exemplar, deixe uma mensagem aqui no Vidacuriosa para participar do sorteio. O ganhador receberá o livro pelo correio sem qualquer custo.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

PREVISÃO DE CHUVAS NO SÁBADO ADIA REALIZAÇÃO DO 42º JOMEEX

A 42ª edição do Jomeex (Jogos Municipais dos Estudantes Excepcionais) de Porto Alegre, que estava marcada para o próximo sábado, no Departamento de Educação da Brigada Militar, foi adiada devido às previsões de chuva. Conforme a Apae-Rs, a realização dos jogos deverá ocorrer provavelmente no mês de setembro, em data ainda a ser divulgada.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

42º JOMEEX

Os Jomeex anteriores foram realizados na sede campestre da Sesc

Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais, de Porto Alegre, promove, no próximo dia 24, um sábado, a 42ª edição dos Jogos Municipais dos Estudantes Excepcionais. O evento será realizado no Departamento de Ensino da Brigada Militar, na Avenida Aparício Borges, 2001. Nas edições anteriores, os jogos foram disputados na sede campestre do Sesc, no bairro Alto Petrópolis.

     As atividades do 42º Jomeex  começarão às 9h com o desfile dos participantes das escolas especiais de Porto Alegre, além de convidadas de outras cidades. Após o hasteamento das bandeiras do município, do Estado, do Brasil e da Apae e a entrada da tocha olímpica, os jogos serão declarados abertos pelo presidente da entidade, Unírio Bernardi. 
     Conforme o regulamento da competição, nove anos é a idade mínima dos participantes, sem limite máximo, respeitando-se sempre as categorias. As competições vão começar com a prova de pista (caminhada cadeirante) e terminará com a disputa dos 4 x 100m masculino. Outras informações podem ser obtidas pelos endereços eletrônicos jomeex2013@yahoo.com.br ou marketing@apaepoa.com.br.

sábado, 3 de agosto de 2013

A FESTA NO CÉU NO LINGUAJAR GAUDÉRIO

São Pedro, o capataz da estância Lá de Cima e padrinho do Rio Grande do Sul, um dia estava olhando aqui pra baixo, sem nada pra fazer e estendeu a vista ao longo das coxilhas. Achou o bicharedo meio triste, decidiu fazer uma festa no céu e mandou um chasque para convidar os animais. Mas a grana estava curta, não tinha patrocinador e, por isso, que viesse quem pudesse. Os que não tinham asas e os alados que não voavam, como o avestruz, ficaram tristes. Menos o Sapo, que era um baita boca grande e não se entregava assim no mais. Ele assegurou que não perdia essa festa “mas de jeito nenhum”, nem que a vaca tossisse, espirrasse ou lacrimejasse. Ninguém acreditou nele.
Na véspera do dia da festa, o Sapo foi visitar seu compadre e amigo Corvo. Os dois tomaram chimarrão, cantaram ao som do violão do corvo, trocaram piadas e conversaram até o início da noite, mas nem tocaram no assunto da festa porque o Corvo estava chateado pelo fato de que o amigo não poderia ir. Por dentro, ele estava eufórico porque haveria comida e ele já estava cansado de só comer carniça.
 Quando o sol se pôs, o Sapo se despediu do compadre. Saiu, fez que foi mas não foi e acabou não indo. Entrou por uma janela e se escondeu dentro do violão do Corvo. No outro dia, bem cedo, o Corvo, botou o violão nas costas e alçou voo em direção ao Céu. Ao chegar lá, encostou o violão num canto e se atirou nas comilanças. Tinha torresmo do bom, tinha bolinho de mandioca, até bolinho de chuva. O Sapo então saiu de dentro do violão e também se maravilhou com a comilança e a bebelança. Os outros animais também. Tinha um que não recusava nada: se perguntavam se ele queria cachorrinho-quente, ele dizia: quero-quero; se ofereciam negrinho, ele falava: quero-quero. Dona Coruja olhava tudo com os olhos arregalados. Estranhou principalmente o  fato de o Sapo estar ali. Se não tinha asas, como é que o maula chegou ao Céu? Foi uma bailanta das boas.
 Lá pelas  tantas, no final da festa, o Sapo viu que o Corvo já estava se preparando para ir embora. Ele correu até o violão e entrou com dificuldades, já que havia comido muito. Apertou suas banhas daqui e dali e se ajeitou dentro da viola. O Corvo pegou o violão e empreendeu a viagem de descida. Achou que o instrumento musical estava muito pesado e que a volta estava mais difícil do que a subida.
    Aí olhou dentro do violão e viu o Sapo. Mas era muita desfaçatez do compadre. O Corvo virou o violão, e o Sapo caiu, foi caindo, foi caindo e se estatelou em uma pedra. Aí o Corvo ficou com pena, foi na casa da Dona Coruja, que já tinha voltado, pegou agulha e linha e costurou o Sapo, que tinha ficado todo esbagaceado.
    O compradre voltou a si, agradeceu e saiu pulando e gritando:
 - Mas bá, bailanta no céu, nunca mais! Dizem que, por isso, o Sapo tem o corpo todo achatado que nem chinelo de gordo e com sinais de ter sido costurado.

terça-feira, 23 de julho de 2013

A HISTÓRIA DE DEUDECI, A MULHER MAIS MAGRA QUE QUE CONHECI

Amigomeu é um cara meio tosco, nasceu lá no Interior do Rio Grande do Sul há uns bons anos quando não havia ainda a televisão nem redes sociais de computador. Cresceu cuidando dos bichos do campo, e andando entre os arvoredos, o trigo, o arroz  e as chircas, que são um tipo de arbusto com o qual se improvisava vasssouras. Por isso, tinha essa falta, digamos assim, de finesse. É meu amigo de infância, de adolescência e de maturidade. Ele é de uma família com seis filhos, a maioria deles com nomes estranhos, assim como o do próprio Amigomeu Silva da Silva, que teve o nome registrado em homenagem a um amigo do pai dele.
Deudeci é irmã de Amigomeu. Recebeu esse nome por causa mais uma das maluquices do pai dela. Seu Waldemar, ainda jovem, ouviu, no  cabaré da Picucha, uma conversa entre duas chinas. Elas falavam de uma vizinha, moça de família, que havia transado várias vezes antes do casamento, o que, naquela época, era motivo de comentários maldosos.
- Ela deu o que era dela. E, se deu de si, está bem dado – disse uma das mulheres.
Não se sabe por que cargas d’água, seu Waldemar ficou com esse nome na cabeça. Nem pensou no sentido, só achou bonito o “deu de si”. Anos depois, casou-se e botou o nome do primeiro filho de Getúlio, porque era fanático por Vargas, apenas na fase democrática do presidente, mas não na época da ditadura. E aí começaram os nomes estranhos. Depois de registrar o Amigomeu, botou o nome na primeira filha de Deudeci. Os outros passaram a se chamar Deuseamor, o Momô (assassinado por engano), Amaralina e Maria do Céu.
Pois falemos então de Deudeci. Ela era a pessoa mais magra que eu conheci. Quando pequena, não usava o portão para sair de casa. Ficava de perfil e passava pelo meio das grades. Na escola, sofreu constrangimentos, o que hoje se chama de bullying. Ganhava um apelido atrás do outro como Fininha, Letra I e Caniço. Teve uma época que um grupo de colegas esperava que ela entrasse na escola para gritar, em coro: “Agora podemos ir pescar. O caniço já chegou!"  Amigomeu sempre defendia a irmã. Às vezes, saía no braço com quem debochava da menina. Como aquilo não parava e eles andavam em grupo, Amigomeu decidiu se vingar. Pediu a um tio caçador que lhe conseguisse um punhado de bosta de capincho para misturar no Q-Suco dos maus colegas da irmã. Como o tio demorou a atender seu pedido, Amigomeu foi na venda e comprou três envelopes de um purgante. Os guris se distraíram, e Amigomeu botou o laxante nas garrafinhas deles. “A correria e os rastros no chão foram uma coisa linda de se ver”, contava Amigomeu, anos depois, às gargalhadas.
Certa vez, quando era adolescente, Deudeci acompanhou a mãe a uma loja em Bagé e, como era tímida, ficou ali no cantinho, perto da porta. De repente, chegaram duas madames, tiraram seus casacos e largaram em cima da magrinha no exato momento em que ela estava se espreguiçando. Pensaram que era um cabide. Para sorte delas, Amigomeu não estava junto.
Foi então que seu Waldemar ficou preocupado. Prendeu um cavalo na carroça, botou a filha na boleia e se mandou para Bagé em busca de um especialista. E lá se foram debaixo de um sol de matar, em uma época em que uma das estiagens mais brabas castigava a região. Lá pela Trigolândia, distrito de Hulha Negra, eles passaram por um conhecido, que estava a cavalo. Ao cumprimentá-los, o amigo comentou:
- Mas e que tal, seu Waldemar? Até onde vai essa seca?
Triste, o pai do Amigomeu respondeu:
 - Pois então. Ela não tem jeito de engordar. Estou levando no médico.
O homem ficou encabulado, ia desfazer o mal-entendido, mas resolveu dar um adeus, rebenqueou o cavalo e se tapou de poeira.


domingo, 14 de julho de 2013

AVOLICES DE DOMINGO - FESTA DOS BICHOS NO CÉU

Ser avô é ir de novo para a escola primária. É estudar com os livros dos netos e dar sua merenda para eles. Nesse revival, li, nos livros de português da Luísa, a história do sapo que participou de uma festa no céu. O conto popular, recontado pelas professoras Yara Najman e Vera Verri Calabria, e com ilustrações de Marcelo Pacheco, foi lançado pela Editora Scipione.

     Os bichos da floresta foram todos convidados para uma festa no céu. As aves ficaram alvoroçadas e muito alegres pois não teriam problemas para chegar até lá. A bicharada que não voava estava muito triste por não poder ir, mas teve de se conformar.
As borboletas, as abelhas e os besouros ficaram preocupados e quiseram saber se poderiam ir à festa e foram informados que também estavam convidados.
    O sapo, que não podia voar, disse que não perderia a festa por nada e que encontraria um jeito de chegar até lá. Ninguém acreditou nele, nem o urubu, que era seu melhor amigo, pois todos sabiam que seria impossível para o sapo chegar lá.
    No dia da festa, logo pela manhã, o sapo foi visitar o urubu. Conversou com o amigo, contou muitos casos e piadas divertindo muito o dono da casa. Depois se despediu dizendo que precisava ir embora. Mas, chegando à rua, deu meia-volta e entrou escondido pela janela na casa do urubu. Vendo a viola num canto do quarto, meteu-se dentro dela encolhendo-se todo.
    Mais tarde, o urubu, sem desconfiar de nada, colocou a viola nas costas e voou para a festa. Chegando ao céu, colocou-a em um canto. Quando o sapo percebeu que não havia ninguém por perto pulou fora e foi se divertir.
    Os outros animais ficaram espantados quando viram o sapo lá em cima. Ninguém conseguia entender como ele tinha chegado lá.
    O sapo pulou, dançou e comeu muito. De madrugada, percebendo que o urubu se preparava para partir, o sapo correu para se esconder. E como havia comido muito, quase não conseguiu entrar na viola. Voando de volta, o urubu percebeu que havia alguma coisa errada, pois a viola estava muito pesada. Então resolveu verificar o que estava acontecendo. Quando viu que o sapo estava escondido lá dentro, ficou furioso, virou a viola e o sapo despencou do céu. Ele caiu em cima de uma pedra e ficou em pedaços.
   Quando o urubu viu o que tinha acontecido, ficou com pena do amigo. Correu até sua casa, pegou agulha e linha e, cuidadosamente, costurou o sapo. O malandro, que estava desmaiado, acordou assustado, agradeceu ao urubu e saiu correndo, pulando.
    - Festa no céu, nunca mais - gritou o sapo sem olhar para trás.
Dizem que é por isso que o sapo tem o corpo achatado e todo remendado.

Depois de ler, contei para a minha neta, uma piadinha antiga, tipo Ângela Vieira, mas que a Luíza não conhecia:
    - O jabuti saiu pela floresta avisando que haveria uma festa para os animais no céu. Todo mundo ficou eufórico. Quando ficou sabendo, o sapo foi o mais entusiasmado e gritou:

   - OOBÁAA!!!
   -É uma festa de graça – explicou o jabuti.

   E o sapo:
   - OOBÁÁ!!!
   O jabuti continuou:
   - Tem o seguinte: bicho de boca grande não entra.
   E o sapo:
 - Coitodo do jocorê.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

MAIS UMA HISTÓRIA DO AMIGOMEU, OU O FRUTO QUASE NUNCA CAI LONGE DO PÉ


Amigomeu é um cara tosco, mas é o meu melhor amigo. Já contei aqui que ele, como eu, é lá da Campanha. Amigomeu se criou no meio dos bichos e na dura lida do campo. Além disso, como dizem por aí, a fruta não cai longe do pé. Isso quando não bate um minuano muito forte que arranca a fruta pra longe, ou quando o terreno ao pé da árvore é em declive e o fruto vai lá pra não sei onde. Como dizia minha mãe, quem sai aos seus não degenera. Eu acho que, em alguns casos, aquele que sai aos seus também não regenera.
O pai do Amigomeu, Waldemar da Silva, também era bem tosco. Mais ainda do que o filho. Por muito tempo, foi capataz de uma estância nos campos do Seival, antigamente pertencente a Bagé e atualmente distrito de Candiota. Só pelo jeito como deu nome aos filhos, já se tem uma ideia. Foram sete crias. Fora o primeiro, Getúlio, em homenagem ao presidente Vargas, os outros ganharam nomes meio estranhos: Amigomeu, cujo motivo já expliquei aqui no Vidacuriosa, Waldemar e Idalina Maria tiveram Deudeci, que era incrivelmente magra e sobre a qual devo escrever algum dia; Deuseamor, o Momô, que foi assassinado por engano aos 22 anos, Amaralina, em secreta homenagem a uma baiana que conheceu em uma praia de Salvador, na sua única viagem, levado pelo dono da estância, e Maria do Céu, um carinho à esposa (teria sido o maior orgasmo que a mãe teve na vida).
O pai de Amigomeu tem muitas histórias. Uma vez, quando era capataz, apareceu na estância um veterinário para ver uma vaca doente e levou sua esposa, que era de Porto Alegre e não conhecia a vida do campo. Ao conhecer a família do seu Waldemar, a mulher, que gostava de falar difícil, comentou:
- O senhor tem uma prole grande.
- Ele respondeu. Grande, grande não é. Mas que funciona, funciona.
A esposa do veterinário sorriu amarelo e, para esquecer o assunto, olhou para uma pequena horta de milho, ao lado do galpão e disse:
- Que bonita a sua plantação de milho! Deve dar muitas sacas, né?
E ele:
- Que nada! Foi uma plantaçãozinha que eu fiz só p’eidando pras galinhas.