sexta-feira, 15 de junho de 2012

RELENDO O TEMPO E O VENTO, DO GRANDE ERICO VERISSIMO


Glauco Rodrigues, aquarela sobre o papel, 1985, Acervo do Margs
     Depois que passa algum tempo, a gente nunca mais lê o mesmo livro. Mesmo tendo o mesmo título, os mesmos capítulos, as mesmas frases, as mesmas palavras, ainda assim não é aquele livro lido no passado. É que o leitor que agora folheia não é o mesmo menino ou adolescente que se impressionou daquela vez. Seus novos conhecimentos, sua vivência, fazem com que aquele livro se torne outro. Tanta coisa que pensava ser assim, agora nota que é diferente. Tantas dúvidas no texto agora se dissiparam. Ah, então era isso que o autor estava dizendo e não aquilo que entendi ou não entendi? Estou relendo O Continente, primeiro livro da trilogia O Tempo e o Vento, de Erico Verissimo, enquanto aguardo o lançamento do filme produzido, com base na obra, em Bagé, Candiota e Pelotas. Que beleza de texto, que construções de frases, que diálogos fantásticos. Que relato didático sobre a história do Rio Grande! É o mesmo livro que li, mas é também um outro. O que permanece igual é esse frenesi que não me deixa parar de ler, que me impede de fechá-lo, que me impele linha por linha para uma nova emoção. Não sinto o vento, mas sinto o tempo. De tantas descrições perfeitas, destaco a do início:

ERA UMA NOITE FRIA DE LUA CHEIA. As estrelas cintilavam sobre a cidade de Santa Fé, que de tão quieta e deserta parecia um cemitério abandonado. Era tanto o silêncio e tão leve o ar, que se alguém aguçasse o ouvido talvez pudesse escutar o sereno na solidão.”

O  AUTOR
 Érico Lopes Veríssimo nasceu em Cruz Alta (RS) em 17 de dezembro de 1905. Aos 13 anos, teve seu interesse despertado para a leitura e, a partir dai, escrevia contos para jornais e revistas de sua cidade. Transferiu-se para Porto Alegre em 1920, estudou no Colégio Cruzeiro do Sul, mas não completou o curso. Filho de uma família rica e tradicional que sofreu um sério revés financeiro, Erico voltou para sua cidade natal, trabalhou como balconista, bancário e foi sócio de uma farmácia e deu aulas de literatura e inglês. De volta a Porto Alegre, foi contratado pela Revista do Globo para o cargo de secretário de redação. Ali conviveu com autores renomados. Publicou seu primeiro livro, Fantoches, uma coletânea de contos, em 1932 e começou a ficar famoso com o segundo livro, Clarissa, no ano seguinte.     
     Erico escreveu livros para crianças como As Aventuras do Avião Vermelho, O Ursinho que Tinha Música na Barriga e Os Três Porquinhos Pobres. Uma de suas principais obras foi Olhai os Lírios do Campo, editado em . Em 1941, viajou para os Estados Unidos em missão cultural a convite do governo norte-americano. Casado com Mafalda Volpe Veríssimo, teve os filhos Luis Fernando, que virou escritor famoso, e Clarissa, cujo nome usou como título de um dos seus livros. Morreu de infarto em 28 de novembro de 1975. A casa onde ele nasceu, em Cruz Alta, foi transformada em museu em 1969. Além das obras citadas, e do épico O Tempo e o Vento, Erico é autor de várias obras como Incidente em Antares, Caminhos Cruzados, Música ao Longe, O Senhor Embaixador, Solo de Clarineta (memórias).

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