sexta-feira, 25 de maio de 2012

BALÕES MARCAM DIA INTERNACIONAL DA CRIANÇA DESAPARECIDA

Peço licença ao jornal Correio do Povo para reproduzir aqui, matéria sobre a soltura de balões com fotos de crianças desaparecidas.

Alunos do Pão dos Pobres soltam balões para marcar o Dia Internacional da Criança Desaparecida/Foto Deca/Polícia Civil

 O céu de Porto Alegre foi tomado por balões com fotos de crianças e adolescentes desaparecidos nesta sexta-feira. A ação, que contou com 16 alunos da Fundação Pão dos Pobres, marcou as comemorações do Dia Internacional da Criança Desaparecida. A iniciativa foi realizada no pátio do Centro Integrado de Atendimento a Criança e ao Adolescente (Ciaca).  
   Os dados da Delegacia de Proteção a Criança e ao Adolescente Vítima (DPCAV) são preocupantes. O delegado Leandro Cantarelli Lisardo ressaltou que, de janeiro a abril deste ano, 1.684 jovens desapareceram na Capital. Deste total, 1.346 foram localizados pela polícia. No ano passado, a delegacia registrou o desaparecimento de 4.988 crianças e adolescentes
na cidade, dos quais 4.158 foram encontrados.
   Para Lisardo, o sumiço dos jovens está relacionado à violência doméstica, ao abuso sexual e a namoros, no caso das meninas, quando não são permitidos pela família. “Também temos casos relacionados a evasão de abrigo e drogas”, comenta. De acordo com o delegado, é necessário que haja uma mudança de comportamento dos pais na relação com os filhos.
   A diretora de Direitos Humanos e Cidadania da Secretaria da Justiça e dos Direitos Humanos (SJDH), Tâmara Biolo Soares, explicou que o principal motivo do desaparecimento de crianças e de adolescentes no Rio Grande do Sul ainda é a violência na família. “São jovens que decidem fugir porque não suportam os casos de maus-tratos, quase que diários, dos pais, tios e padrastos”, salientou.
   A prevenção da violência na família deve ser discutida exaustivamente pelas autoridades que tratam da proteção dos direitos dos jovens, conforme a diretora. “Muitas vezes quando as crianças são encontradas, elas não querem voltar para suas casas porque temem a perpetuação dos maus-tratos e do abuso sexual”, acrescentou. De acordo com Tâmara, também são relatados casos de crianças que entram em rota de tráfico de pessoas ou de exploração sexual.
   Durante a cerimônia no Ciaca, o pedreiro Marcelo de Oliveira Chaves mostrou um cartaz com a foto do filho Paulo Ricardo Rosa Chaves, de 13 anos, que foi buscar a irmã na escola, na Lomba do Pinheiro, e sumiu no dia 13 de abril. O menino foi visto pela última vez na companhia de um jovem de 17 anos. A polícia investiga o caso. “A sensação de não ter notícias de um filho é terrível”, contou.
Fonte: Cláudio Isaías / Correio do Povo

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