sexta-feira, 27 de abril de 2012

ALGUMAS MUDANÇAS ORTOGRÁFICAS NÃO PRECISARIAM TER SIDO FEITAS

Não sou conservador ao extremo, mas não gosto de mudar só por mudar. Uma das reformas ortográficas que jamais aceitei foi a que se efetivou em 1971, retirando acentos diferenciais das palavras. Não me importo com a eliminação do circunflexo em coa, pera e alguns outros. Mas não consigo aceitar que palavras como gosto (sabor), sede (falta de água), corte (local onde moravam os reis e nobres) e muitos outros fiquem sem acento. Se eu não colocasse o significado entre parênteses, você não saberia sobre qual palavra eu estaria falando, já que poderia estar me referindo ao verbo gostar (gosto), ao local principal de uma empresa (sede), ou ao substantivo (corte) que significa redução ou decepamento.

   Alguém que apoia essas mudanças poderia argumentar: ah, mas é só observar o sentido da frase. Mas é aí que eu me refiro: e quando não é frase, é só uma expressão que fica ambígua? Quer exemplos? Há alguns anos, o jornal Zero Hora colocou um título que dizia: Corte no carnaval de Caxias. O que você lê? Que houve uma diminuição de verbas na festa de momo da região serrana? Ou que o Rei Momo e suas princesas foram prestigiar a folia de Caxias do Sul (essa era a notícia).
   Diante dessa aberração praticada pelas sumidades da gramática brasileira, fico com pena dos locutores de rádio e apresentadores de tevê que precisam ler alguma frase ou expressões dessas ao vivo. Imagine um cartaz assim surgido, de repente, no meio da torcida ou na rua.
   Nesta semana, ao pesquisar dados sobre a Feira do Livro de Porto Alegre, deparei-me, na lista de uma tarde de autógrafos de uma das edições, com o seguinte título: Gosto de Vermelho, de Sandra Hervê Chaves Barcellos. Sem ler o livro, como saber se é gôsto ou gosto? Mais difícil ficaria se o nome do livro fosse Gosto de Chocolate.
   Já na reforma mais recente, que vigora desde 2011, fiquei indignado com a retirada do acento em para, do verbo parar. Imagino como se leria um título de jornal como este: Victor para a seleção. Seria uma sugestão de levar o goleiro do Grêmio para o selecionado brasileiro ou o resultado da atuação do arqueiro que não deixou a Seleção Canarinho marcar gols?
   Param mim, as regras gramaticais e ortográficas existem exatamente para tornar mais fácil e imediato o entendimento. Essas mudanças serviram exatamente para dificultar a comunicação e para promover os autores das modificações. Também em 1971, a nova lei ortográfica retirou o acento da palavra forma. Mais tarde, os dicionaristas reconheceram a burrada e passaram a aceitar o acento. Na nova regulamentação, são aceitas as duas opções, o que é um absurdo. Imagine se eu quiser escrever: Até agora não sei qual é a forma da forma! Ora, façam-me o favor... A vontade que eu tenho é continuar escrevendo como se não tivesse mudado.

Mais sobre confusões ortográficas em http://migre.me/8RAPU
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