domingo, 20 de novembro de 2011

UMA LEMBRANÇA NO DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

     Neste dia, apontado como um marco na luta contra o racismo, que relembra o nascimento do líder negro Zumbi, em 1695, no Quilombo dos Palmares (Alagoas), destaco a figura de um gaúcho pouco valorizado pela história. Refiro-me ao negro Paulino Azurenha. Muita gente já ouviu esse nome, afinal é nome de rua e de linha de ônibus em Porto Alegre. Mas pouca gente sabe que ele foi um dos primeiros, ou quem sabe o primeiro jornalista e escritor negro gaúcho.
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José Paulino Azurenha nasceu no dia 28 de maio de 1860, em Porto Alegre, onde morreu, em 3 de julho de 1909, vítima de apoplexia fulminante. Ele começou como gráfico do Jornal do Comércio. Um dia, mostrou um soneto de sua lavra para o dono do jornal, o jornalista Achylles Porto Alegre. Imediatamente, Aquylles tirou aquele mulato dos caixotins e o passou para o escritório.
     Quando Caldas Junior, genro de Achylles e que trabalhava lcom ele, fundou seu próprio jornal, o Correio do Povo, em 1895, levou Paulino Azurenha para a nova empresa. Paulino, segundo Achylles, era o único de quem Caldas Junior aceitava conselhos e ponderações. Ele começou como revisor, noticiarista e repórter. Aos domingos, escrevia uma coluna de crônicas chamada Semanário. Depois, com o médico e jornalista porto-alegrense Mário Totta e com o poeta pelotense Souza Lobo, escreveu o romance Estrychnina em 1897. A obra mescla romance policial relatando o duplo suicídio de um casal com descrições naturalistas. Paulino Azurenha foi integrante da Academia Riograndense de Letras, ocupando a cadeira número 31.

Fontes:
* História Popular de Porto Alegre de Achylles Porto Alegre
* Dissertação de Pós-Graduação de Adriana dos Santos Moraes, para mestrado em História na PUC/RS

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