sexta-feira, 25 de março de 2011

UMA HOMENAGEM À CIDADE QUE ME ACOLHEU

                                                            Atualizado em 23 de outubro de 2011
Cento e noventa e sete anos depois da fundação de Porto Alegre, cheguei a esta terra por via ferroviária. Meu pai, minha mãe, um dos meus irmãos e eu viemos de trem em uma viagem que durou um dia inteiro. Saímos de manhã de Bagé, passamos por Santa Maria, fizemos baldeação em Cacequi vimos, da janelinha, o cenário de campos e das pequenas estações durante o dia e a noite e aportamos na Capital no outro dia de manhã cedo.
    Sem perspectivas de futuro em uma cidade menor, encontrei em Porto Alegre a saída para a minha vida. Fiz quase tudo o que planejei, sofri, passei necessidades, morei sozinho durante um tempo quando meus pais voltaram para Bagé, senti fome e o desconforto de não ter as mínimas coisas de que necessitava, mas segui com retidão meu caminho.
As necessidades pelas quais passei me deram lições de vida. Estudei no Colégio Júlio de Castilhos e, nessa época, antes de entrar para a faculdade, juntei copos no restaurante do RU para almoçar de graça. Morei em pensão barata, trabalhei por mixaria na contabilidade de um açougue da Azenha e carregando cadernos de uma livraria em emprego temporário. Depois trabalhei em banco no Centro. Fui aluno do Fogaça, do Clóvis Duarte e do Carlos Jorge Appel no cursinho IPV, passei no vestibular, cursei jornalismo e entrei para a Caldas Júnior, de onde me transferi depois para a RBS, onde fiquei por 27 anos.
Logo que cheguei, encantei-me com a beleza da cidade, com a diversidade e a alegria das pessoas. Não eram tempos melhores do que hoje. Peguei o finzinho dos bondes e, depois, os apertos nos ônibus. Naquela época, motoristas e cobradores ganhavam comissão pelo número de passageiros transportados. Daí surgiu a expressão "um passinho mais à frente, faz favor". Joguei peladas num campinho careca do lado da igreja Santo Antônio do Pão dos Pobres, no Areal da Baronesa, passeei na estação rodoviária. 
 Vi o Beira-Rio ficar pronto, o túnel da Conceição, o novo aeroporto, a Avenida Beira-Rio, o Parque da Harmonia, os shopping e tantas coisas.

Porto Alegre é linda com suas mais de um milhão e 300 mil árvores, uma das mais arborizadas do mundo. Tem a maior concentração de pássaros do país, contrariando a poesia do grande Mario Quintana: cidade grande: dias sem pássaros, noites sem estrelas. A Capital nos brinda com nove parques urbanos e reservas biológicas. 

 Minha alma gaudéria ficou mais urbana, mas ainda sinto saudade dos campos, dos eucaliptos, das sangas, das corujas, dos quero-queros e das perdizes.
Porto Alegre ficou sendo minha nova terra. Aqui casei, tive quatro filhos e agora dois netos. Aqui encontrei desenvolvimento com paz, alegria, enfim, vida. E sigo lutando até que chegue a hora de enfrentar o indecifrável, o ainda desconhecido. Parabéns Porto Alegre pelos seus 239 anos.




2 comentários:

Dalva Maria Ferreira disse...

Estive uma só vez em Porto Alegre, nos idos dos anos 70, para fazer um exame do extinto curso de madureza. Passei em quase tudo, menos ciências, o que me custou um tempão para eliminar aqui em sp, uma vez que a lei mudou, entrou a lei do supletivo, que incluia matérias para mim dificílimas, como matemática, química e física. Mas... valeu a pena! Aliás, tudo vale a pena, como disse o poeta. Parabéns POA!

Sirlene C. Costa disse...

Plínio, envio muito carinho e votos de paz e progresso para Porto Alegre. Sou carioca e só conheço esta minha Cidade do Rio de Janeiro, mas como brasileira amo todo nosso País. Gostei muito deste Blog, por sua cultura e sensibilidade com temas variados. Aprenderei muito com você.
Conheça o meu blog:bibliotecainfantilgrandesautores.blogspot.com e dê sua opinião e sugestões. Ficarei muito feliz! Parabéns!