quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

MAIS DEFINIÇÕES SOBRE TERMOS LIGADOS AO FUTEBOL

                                  

                             Acrescentado em 1/5/2012

Quem lê um livro ou um jornal antigos certamente estranha certos nomes relacionados com a prática do futebol. Para ajudar os mais jovens e refrescar a memória dos mais velhos, Vidacuriosa recorda agora vários termos, muitos deles não mais usados.


O Drible
O termo original inglês Dribling significava "progredir com a bola", mas o aportuguesamento de drible passou a ser usado para explicar o lance utilizado para enganar o adversário. A palavra portuguesa finta e o verbo fintar foram e ainda são usados como sinônimo de drible.
O drible é o que dá a alegria ao futebol. Não entendo por que muitos "esportistas" querem acabar com o drible achando que é um desrespeito de um profissional com outro". Isso é uma bobagem. Sendo assim, teriam de impedir goleadas nos jogos porque isso humilharia o adversário. O que é necessário coibir são agressões e ofensas, além de tentativas de burlas às regras e à ética. No mais, deixemos a criatividade campear e, que vença o melhor.

Os nomes e tipos de dribles
Dependendo da região do país, o mesmo tipo de drible tem mais de um nome. Alguns são muito antigos, outros foram criados mais recentemente.
Corte (ou paninho, como o redator deste blog conheceu em sua infância em Bagé) era um drible bem simples. Consistia em correr com a bola e mudar a trajetória dela somente segundos antes de o adversário tentar tocar nela. Em algumas vezes, surpreendido, o outro jogador perde o equilíbrio e cai. Outro drible chamado de paninho é elevar a bola apenas a ponto de fazê-la passar sobre o pé do adversário, impedindo-o de tocá-la.
Meia-lua ou Drible da Vaca - O jogador passa a bola pelo lado do adversário e pega pelo outro. É conhecido como Drible da Vaca a partir do Rio de Janeiro. Reza a lenda que Garrincha costumava driblar vacas dessa maneira na região rural em que morava no município de Pau Grande (RJ). Outro jogador famoso que divulgou o nome do Drible da Vaca foi o célebre e marrento Romário. A diferença entre o dible da vaca e a meia-lua é sutil. Na meia-lua, o drible é mais curto enquanto no da vaca o atleta joga a bola um pouco mais à frente do adversário.
Janelinha ou caneta - É quando o jogador passa a bola pelo meio das pernas (canetas) do adversário e a pega mais adiante. Conforme pesquisas na Internet, no Rio esse tipo de drible também é conhecido como Rolinho. Ronaldinho parece ser o jogador que mais tem dado canetas ou janelinhas (termo usado mais no Sul do Brasil) nos adversários atualmente.
 Chapéu - É quando a bola passa obviamente por sobre a cabeça do adversário. É chamado também de chapeuzinho, lençol e balãozinho. No Rio Grande do Sul, balãozinho é também manter o controle da bola mantendo-a no ar a partir de toques no dorso do pé. No Rio e São Paulo, é chamado de fazer embaixadinhas. Pelé imortalizou esse drible várias vezes especialmente na construção de gols. Lençol é também um lance em que o atacante joga a bola sobre o goleiro para fazer o gol. Em Portugal, esse drible é chamado de touca.
 Elástico - O jogador para na frente do adversário e empurra a bola para a frente mas leva o pé junto e toca mais uma vez, mudando a trajetória dela e enganando o adversário. Um dos jogadores que mais abusaram desse drible foi Rivelino, que jogou no Fluminense, no Corinthians e na seleção tricampeã de 70.
 Pedalada - O jogador vai em direção ao seu marcador, faz que vai tocar na bola mas apenas passa o pé sobre ela, enganando o adversário que não consegue descobrir para qual lado ele prosseguirá a jogada. Robinho, ex-Santos e Seleção Brasileira consagrou-se com esse drible.
 Drible de corpo - É uma jogada sem a bola em que o atleta faz que vai para um lado e acaba indo para outro, enganado o marcador. Garrinha foi o mais famoso com essa finta. Ele parava, olhava para o adversário, passava diante da bola sem tocá-la e voltava para o mesmo lugar deixando o marcador confuso.
 Corta-luz - O jogador faz que vai tocar ou pegar a bola, mas a deixa passar, correndo para pegá-la mais à frente e tirando o equilíbrio do marcador, que não consegue se recuperar para alcançá-lo. Pode também simplesmente fazer de conta que vai pegar a bola mas deixá-la passar para que um companheiro avance com ela em direção ao gol. Memorável foi o lance em que Pelé deixou a bola passar à chegada do goleiro Mazurkievski, do Uruguai na Copa de 70 e correu à frente para chutar em gol, mas infelizmente a bola foi para fora.
 Lambreta - Consiste em parar na frente do adversário e, com um pé, colocar a bola sobre o calcanhar do outro pé para puxá-la pelas costas, passando sobre a cabeça do adversário e pegando-a um pouco mais à frente. Há jogadores que fazem uma lambreta um pouco diferente, como Falcão, do futebol de Salão, que prende a bola com os dois pés e a puxam sobre as costas, passando sobre a cabeça do adversário.
360 graus - Esse drible foi consagrado pelo francês Zidane. O jogador gira o corpo como uma piorra, ou um bailarino, na frente de um ou mais adversários e, nesse malabarismo, puxa a bola usando a sola da chuteira, iludindo os marcadores e saindo livre na frente.

OUTROS TERMOS DO FUTEBOL
Ir para o chuveiro - Ser expulso do jogo. O termo se explica porque o jogador sai da partida e vai imediatamente tomar banho.
Chuveirinho - Lance em que o jogador, no meio campo, lança a bola alta em direção à área, ou zona do agrião, como era chamada antigamente.
Banheira - Estar na banheira significa ser flagrado em impedimento, ou seja, adiantado no ataque no campo do adversário, de forma que, entre ele e a linha de fundo, haja menos de dois jogadores no momento em que seu companheiro lança a bola. O termo parece ter origem no fato de que o jogador em impedimento está tão sozinho no ataque como estaria no momento do banho de banheira. O impedimento está previsto na regra número 11. O primeiro nome do impedimento foi off-side.
Dar bicicleta - De costas e com o corpo no ar, impulsionar a bola com uma das pernas. Leônidas da Silva, do Botafogo, é apontado como o primeiro jogador a chamar atenção por fazer gols de bicicleta.
Folha seca - Tipo de chute imortalizado pelo jogador Valdir Pereira, o Didi, bicampeão mundial, em que a bola fazia uma mudança no meio da trajetória e enganava os goleiros. A bola era chutada com o lado de fora do pé em um estilo que também foi conhecido por trivela e três-dedos.
Dar carrinho - Lance de disputa da bola em que o jogador desliza quase sentado pelo gramado e tira a bola do adversário com a ponta do pé. Recentemente, passou a ser considerada falta o carrinho aplicado pelas costas sob o argumento de que coloca em risco a integridade física dos jogadores. Mesmo pela frente, dependendo do lance, pode ser caso de expulsão. O jogador que mais se consagrou com o carrinho foi Mauro Galvão, zagueiro que foi tricampeão invicto pelo Internacional em 1979.
Ser regra-três - É o jogador que fica no banco de reservas. O nome indica a terceira das 17 normas estabelecidas para o jogo, que dispõe sobre o número de jogadores e de reservas que podem participar da partida.
Gandula - É aquele que faz a reposição de bolas no futebol, algo parecido com o caddy do golf. É chamado de Apanha Bolas no português europeu e afriacano. A função teria surgido com a construção do Maracanã para a retirada da bola que caía constantemente no fosso de drenagem que rodeia o gramado. O termo porém, surgiu mais tarde, depois que, em 1939, quando o Vasco trouxe da Argentina um atacante chamado Bernardo Gandulla, que nunca chegou a ser escalado. Para ajudar, ele sempre buscava a bola quando ela saía do campo, mesmo quando a jogada era para o adversário. Com isso, ganhou a simpatia da torcida. Após seu retorno para a Argentina, seu nome virou referência para os que buscam a bola que saiu de jogo.

Um comentário:

Mariana Mondini disse...

Muito interessante, Plínio! Bem legal o blog! Beijos, Mariana Mondini