quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

OS ERROS QUE SE MULTIPLICAM

A língua é dinâmica, dizem alguns filólogos que permitem qualquer mudança na ortografia ou na pronúncia, classificando como erro somente os cometidos pelas pessoas bem menos cultas. Aos amigos, principalmente celebridades, é permitido errar sem culpa. E mais. Os erros das pessoas consideradas importantes acabam sendo copiados impunemente pelos outros. Aí, quando já há uma grande parcela da população falando errado, os gramáticos incluem o novo jeito de falar e escrever nos dicionários e argumentam que a língua é viva e dinâmica.
   Lembrei disso ao ler o colunista jornalista Paulo Santana, de Zero Hora. Ao criticar Ronaldinho por ter prejudicado pela segunda vez o Grêmio, o colunista quis usar uma frase antiga e popular da Região da Campanha. Disse Santana que "cachorro ovelheiro só matando". Fiquei com pena do jornalista pelo erro, e com mais pena ainda do cachorro. Cachorro ovelheiro é conhecido por auxiliar o homem do campo a recolher e cuidar dos ovinos, não a matá-los. O ditado antigo é "cachorro que come ovelha, só matando." Daí que os leitores de Paulo Santana - já vi isso em alguns blogs - passaram a repetir o ditado, disseminando o erro.
   Outro dia comentei aqui no blog o erro do jornalista global Pedro Bial que usou uma expressão equivocada para adjetivar o comportamento de um big brother ou big sister, não me lembro mais. Bial disse que o participante era "malemolente". Ora, o certo é manemolente. O termo vem da Bahia e se originou em um certo malandro chamado Mané Mole. Manemolência significa ter moleza e ginga no corpo e malandragem na mente. As pessoas certamente confundem por lembrarem inconscientemente dos termos malevolência e malevolente.
  Quando coloquei no blog, recebi uma crítica dizendo que o Bial estava certo porque o dicionário do Aurélio registra os dois termos. Ora, foi o que eu disse: registra porque as pessoas passaram a consagrar o erro.
   Outra expressão errada que ouço com frequência e´"tirar leite de pedra", para explicar algo muito difícil de realizar. Não há lógica em tirar leite de pedra, isso é impossível. O ditado original era "tirar água de pedra", usado pelos antigos para conseguir algo quase impossível. Ocorre que há também outro ditado: "Tirar leite de vaca morta". Alguém se atrapalhou ou achou legal misturar e saiu "tirar leite de pedra" que, por ser mais bonito, caiu no gosto e passou a ser repetido.
   Um tempo atrás, Rogério Magri, o então ministro do Trabalho do presidente Fernando Collor de Melo, utilizou um adetivo não registrado nos dicionários: imexível. Os intelectuais adversários políticos de Magri caíram de pau nele. Alegavam que existe o termo "inamovível" e que "imexível" seria um erro. Não votei no Collor a quem considero até hoje um político prejudicial à nação, não tive nenhuma admiração pelo Magri, mas vejo lógica na construção do adjetivo. Fosse ele um partidário dos intelectuais daquela época e a criação do termo seria considerada obra de um gênio.


8 comentários:

Dalva Maria Ferreira disse...

Oi amigo: erros que se "multiplicam", parece-me que saiu grafado errado no título, não? Abraços! Feliz 2011!

vidacuriosa disse...

É verdade. Multipliam não dá. Já arrumei. Um erro a menos. Muito obrigado, Dalva. Feliz 2011 pra você também.

vidacuriosa disse...

Por sacanagem do destino, pouco depois de colocar este post, no final da noite, encontrei-me com o jornalista. Sem pensar, comentei com ele que o ditado que colocara em sua coluna estava equivocado.
- Irado, ele me perguntou, olhando-me nos olhos:
- Tu vais me corrigir?
- Sim, respondi.
Ele, com o tom de voz bem elegado, vociforou:
- Tu não podes me corrigir. Tu tens de corrigir é o ditado gauchesco, não a mim.

Putz. Esqueci que ninguém pode contestá-lo.

fernandesdinha disse...

Adorei o teu artigo, agora é complicado quando certas pessoas se acham deuses, não adianta, Deus é único e estes um dia aprenderão a ser humildes, quem sabe em outra encarnação, no caso do Paulo Santana né?ahahhaha

vidacuriosa disse...

A bem da verdade, devo relatar que, na sexta-feira seguinte, eu estava no bar da redação de Zero Hora quando Paulo Santana chegou. Fiz que não vi e continuei conversando com um colega. De repente, o jornalista deu três soquinhos no meu ombro e falou:
-Sobre aquela discussãozinha eu tivemos outro dia, eu quero te dizer que pensei no caso e concluí que tu tinhas um pouco de razão.

Um pouco? - pensei eu. Na verdade eu estava com toda a razão, mas seria querer demais que o grande jornalista admitisse que estava errado e muito mais ainda achar que poderia pedir desculpas por ser tão estúpido e agressivo.

Anônimo disse...

Bom dia interessante assunto , apreciei bastante, penso que poderiamos tornar-nos blog palls :) lol!
Aparte de brincadeiras chamo-me Liam, e como tu escrevo blogs se bem que o tema principal do meu blog é bastante distinto deste....
Eu estudo blogues de poker sobre bónus sem depósito sem teres de por o teu dinheiro......
Gostei muito o que vi escrito!

vidacuriosa disse...

Obrigado pela postagem. Desculpe mas ainda não sei o que são blogs pall e também não deixaste o endereço do teu blog.
Agrs.

Anônimo disse...

O Sr. Alexandre Garcia, da TV Globo, também criticou “os livro errado” e o fez de maneira apropriada. Aprecio grandemente o trabalho e a postura do Sr. Alexandre Garcia, mas ele trabalha numa emissora onde é comum jornalistas dizerem: o ministroele, a ministraela, a deputadaela, o deputadoele, e outras bobagens do mesmo tipo, portanto, o Sr. Alexandre Garciaele, tem telhado de vidro…