segunda-feira, 25 de maio de 2009

PARA QUEM GOSTA DE DESCOBRIR A ORIGEM DAS PALAVRAS

Capela é uma pequena igreja. Segundo a maioria dos estudiosos, a palavra é diminutivo de capa_ o nome teria sido aplicado a um santuário onde se achava a capa de São Martinho de Tours. Nos palácios reais, havia um armário onde se guardavam as capas dos nobres, chamada cappela. (Do livro Curiosidades, como se aprende, distraindo-se, de autoria de Valmiro Rodrigues Vidal, editado em 1963)
Quem era São Martinho de Tours? Segundo a wikipédia, ele era filho de um tribuno e comandante do exército romano. Nasceu e cresceu na cidade de Sabaria, Panónia (atual Hungria ), em 316, sob uma educação da religião pagã dos seus antepassados, deuses mitológicos venerados no Império Romano. Aos 10 anos de idade, entrou para o grupo dos catecúmenos (aqueles que estão se preparando para receber o batismo). Aos 15 anos de idade, e contra a própria vontade, teve de ingressar no exército romano e dirigir-se para a Gália (região na atual França). Foi nessa época que ocorreu o famoso episódio do manto. Um dia um mendigo que tiritava de frio pediu-lhe esmola e, como não tinha, o cavalariano cortou seu próprio manto com a espada, dando metade ao pedinte. Durante a noite o próprio Jesus lhe apareceu em sonho, usando o pedaço de manta que dera ao mendigo e agradeceu a Martinho por tê-lo aquecido no frio. Dessa noite em diante, ele decidiu que deixaria as fileiras militares para dedicar-se à religião. Ele se tornou bispo da cidade de Poitiers. Quatro mil igrejas eram dedicadas a ele na França, e o seu nome dado a milhares de localidades, povoados e vilas; como em toda a Europa, nas Américas, enfim em todo o mundo.


Agora, divagações minhas:

Entendo que faz sentido capela ser diminutivo de capa que, em latim, significa capuz, peça que cobria a cabeça das pessoas. A raiz da palavra, cap, dá idéia de cabeça, que, em latim vulgar, conforme o Dicionário Aurélio, é capitia. Daí surgiram palavras como capacete (do catalão cabasset pelo espanhol capacete, ainda segundo Aurélio), capelo (espécie de quépi usado em formaturas), capuz, capitão (que, em algum momento, foi o cabeça do exército) e capital (a cabeça, no sentido de liderança, de uma região ou país). A palavra capacidade também sugere qualidade de quem tem cabeça para fazer alguma coisa. Pode ser que algumas dessas deduções minhas não estejam certas, mas me parecem lógicas.

5 comentários:

Mauro Castro disse...

Dia desses, usei a expressão "agora, inês é morta" e meu passageiro, um portugês, me explicou a história desse dito popular. Muito interessante.
Há braços!!

vidacuriosa disse...

Uaa-se para comentar que uma providência chegou tarde demais. É mesmo curiosa essa história. Já que não nos repassaste a origem da expressão, vou tentar resumi-la. Tenho-a em um livro do folclorista Câmara Cascudo, mas estou me valendo agora do google: Inês de Castro foi amante do principe Dom Pedro I (1320-1367), de quem era prima. O pai dele, Afonso IV, mandou prendê-la em um castelo. Em 1345,quando a mulher de Dom Pedro Constanza morreu, ela a trouxe para viver com ele e com ela teve quatro filhos. Afonso IV então mandou matá-la. Após a morte do pai, Dom Pedro, prendeu os matadores de Inês, colocou o cadáver da amada no Mosteriro de Alcobaça e a declarou rainha mesmo depois de morta.

vidacuriosa disse...

Esqueci de dizer que essa história toda se passa em Portugal.

Dalva M. Ferreira disse...

Menino! No meu tempo não havia google, wikipedia... Para ser bem franca, só fui ter acesso a uma enciclopédia e a um dicionário aos meus dez anos. De lá para cá, virei bichinho de biblioteca, e não há dedetização (nem funk, nem rap, nem nada) que me extinga! Fiz Latim nos meus igarapés e igapós estudantis, e "capela" eu já conhecia. Você conhece a palavra "lar" ? É super legal...Mais uma que se aprende.

vidacuriosa disse...

Tenho uma história parecida com a tua, Dalva. Sou fissurado em bibliotecas e especialmente em arquivos públicos e coleções de jornais. Sempre que vou a Bagé, me debruço na coleção do jornal Correio do Sul (1914-2008)que está guardada na biblioteca municipal. Mas também sou fascinado pelo Google que, embora ainda não seja completo, por ter sido criado há tão pouco tempo, nos permite um acesso instantâneo.