segunda-feira, 2 de março de 2009

ERROS QUE SE REPRODUZEM PELA DIVULGAÇÃO NA TV

Não assisto ao Big Brother. Por isso, não vou fazer qualquer crítica aqui. Se está no ar há tanto tempo, é porque tem uma grande parte da população que gosta. Mesmo sem acompanhar, não posso deixar de ouvir porque a tevê fica ligada na redação, no horário final do meu trabalho. Pois, hoje, ouvi o Pedro Bial falar alguma coisa para os confinados na casa. Não sei qual era o assunto. Apenas liguei-me no adjetivo que ele usou não sei sobre quem: malemolente. Isso mesmo, malemolente.
Essa palavra não existe, mas certamente milhares de pessoas vão repeti-la quando quiserem se referir a uma pessoa com ginga e molejo no corpo, com malandragem na mente. A palavra certa é MANEMOLENTE. Se o Bial fosse ao dicionário, veria que manemolente vem de manemolência, que, por sua vez, foi uma expressão criada na Bahia a partir de um personagem chamado Mané Mole. O mané certamente ganhou esse apelido pelo seu estilo mole e malandro.
Não são poucas as pessoas que confundem manemolência com malemolência e vão repetindo e retransmitindo esse vírus. Há algumas semanas, ouvi a Angélica falar esse termo errado durante uma edição do seu programa Estrelas, da Rede Globo. Deixei passar. Agora, com o Bial, que costuma recitar textos poéticos e frequentemente debocha dos aspirantes-à-fama-sem-talento-algum, não resisti.

4 comentários:

Dalva M. Ferreira disse...

Acho que todo baiano é manemolente, ainda que negue. Dá até um trem na gente, de ver o quanto ele é manemolente... Deu para ver que eu sou oriunda das MG? Eu também me surpreendo aprendendo as palavras: acredite se quiser, mas eu falava errado três delas! Eu falava "sombrancelha", "abstênio" e "chipanzé". Ridículo, mas sempre é tempo de aprender...

Inês Cecília disse...

Parabéns pela observação, principalmente feita a um jornalista conhecido e por isso copiado.
Saber não ocupa espaço e mais essa eu também aprendi.

Rodrigo disse...

Caros,

Peço lincença para nãso só discordar como para tecer alguns comentários. Concordo plenamente sobre os erros, que de tanto serem repetidos, tornam-se verdades absolutas. Porém, com a mutabilidade da língua e com as constantes refomulações, ressalto que tenho que discordar. Fazendo uma pesquisa sobre o substantivo MALEMOLÉNCIA (tendo primeiro procurado MANEMOLÊNCIA) descobri que atualmente, segundo consta no Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, a palavra mais utilizada e tida como "certa", seria exatamente MALEMOLENCIA.

Sim, ela já está dicionarizada e tida como principal verbete, já que ao se pesquisar MANEMOLÊNCIA, o própior dicionário aconselha ver o significado de MALEMOLÊNCIA. Com isso, tenho que discordar sobre o erro citado... O Bial e a Angélica estão corretos!

vidacuriosa disse...

Caro Rodrigo. Não apenas dou-lhe licença para discordar como autorizei a publicação do seu comentário por conta da liberdade de expressão. Por minha vez, peço licença para discordar de você. O fato de estar dicionarizado não invalida o que eu disse. De tanto serem repetidas, as imbecilidades acabam sendo aceitas. Às vezes, só porque "meia dúzia" de iletrados de um determinado estado pronunciam ou escrevem algo errado, isso acaba indo para dicionários. Não me surpreende que o Houaiss tenha registrado o termo errado. Ele foi o autor das trocas atuais, criadas apenas para que se imortalizasse como o idealista das mudanças. Não me surpreendo se não aceitarem o verdo "vortar" ou algo parecido. Temos uma população de iletrados e uma grande capacidade para perpetuar erros e bobagens.