sexta-feira, 19 de setembro de 2008

SOBRE A REVOLUÇÃO FARROUPILHA

QUANTOS ERROS HÁ NO TEXTO ABAIXO?

Corria o dia 9 de setembro de 1837. Bento Gonçalves sentou-se à sombra de um eucalipto em sua estância em Camaquã. Ele acendeu um palheiro, jogou o palito de fósforo por entre a cerca de arame e dividiu o olhar entre a fumaça, que fazia círculos no ar, e um quero-quero pousado num moirão.


RESPOSTAS:
1º erro - Em 10 de setembro de 1837, Bento Gonçalves estava fugindo da prisão do Forte do Mar, na Bahia. Logo, não poderia estar em sua fazenda.


2º erro - Ele não poderia ter-se sentado à sombra de um eucalipto. Naquela época, não havia essa espécie de árvore, originária da Austrália. Eucaliptos foram trazidos para o Rio Grande do Sul por volta de 1870.

3º erro - Bento não pode ter acendido o palheiro com um palito de fósforo. Os palitos de fósforos foram inventados somente em 1827 na Europa e só chegaram muitos anos depois ao Rio Grande do Sul. Na época dos farroupilhas, os cigarros eram acesos com um tipo primitivo de isqueiro chamado pederneira, em que uma pedra era atritada fazendo faísca.

4º erro - Na época dos Farrapos, os campos ainda não contavam com cercas de arame. As divisas entre as propriedades eram definidas por marcos de pedras colocados de distância em distância ou por rios e arroios.

5º erro - Quero-queros jamais pousam em moirões, diferentemente da coruja, por exemplo. Esse tipo de ave (Vanellus chilensis), assim como a perdiz, voa baixo e caminha pelo campo, onde põe seus ovos no chão.

4 comentários:

Meeestre Will disse...

Muito interessante!

Dalva M. Ferreira disse...

Uia só!!! eu, desavisada, já iria escorregar na casca de banana literária e me esborrachar no chão. No caso, o vasto pampa. O velho Tolstoi bem dizia: pinta a tua vila e serás universal. Não se deve escrever sobre o que não se conhece!

Dona Sra. Urtigão disse...

uuaauu! minha inguinorança aderrubo!

Reni Puls disse...

Li as respostas no seu blog e achei interessante. Por pressa não pensei em todas as respostas, me fixei de imediato no eucalipto que era australiano. Isso me lembra uma ocasião que estava num lançamento literário cujo escritor era um desembargador aposentado. Ele descrevia a trajetória do seu avô partindo do litoral ao oeste de Santa Catarina nos idos de 1850. Com o livro na mão abri em uma página qualquer e lá estava o avô dele descansando embaixo de um frondoso flamboyant. O editor (meu amigo) estava ao lado e apontei com o dedo para o nome da árvore. Ele arrancou das minhas mãos e fechou depressa, o doutor me contratou e eu não vi isso. Tô frito!